Martinho () foi um oficial bizantino do , ativo durante o reinado do imperador Justiniano . Era nativo da Trácia.
Vida Origem e Guerra Vândala thumb|upright=1.05|Dracma de (r. 488–496; 499–531) thumb|upright=1.05|Diagramação da Guerra Vândala
Martinho era nativo da Trácia. Aparece pela primeira vez em setembro de 531, em plena Guerra Ibérica, quando estava junto do exército liderado por Sitas e Hermógenes em Martirópolis e foi enviado como refém com Senécio, um dos guardas de Sitas, para os generais sassânidas que sitiavam a cidade (Aspebedes, Canaranges, Mermeroes) de modo a concluir o cerco. Isso aconteceu pouco depois da morte de Cavades e a ascensão de . Os reféns foram libertados logo que os emissários de Justiniano chegaram na corte de Ctesifonte para discutir a paz.
Em 533, era um dos nove generais que comandaram tropas federadas na expedição contra o Reino Vândalo. Segundo Zacarias Retórico, a expedição estava sob comando de Arquelau, Belisário e Martinho, porém comparando dados fornecidos por Procópio de Cesareia, é possível admitir que o papel de Martinho é exagerado nessa fonte. Os autores da PIRT sugerem que a obra de Zacarias foi composta quando Martinho já havia se notabilizado; antes da força principal velejar em meados de junho de Constantinopla, Martinho e Valeriano foram enviados à frente para esperar pelos outros no Peloponeso.
Não desejando atrasá-los, no momento de sua partida, Justiniano ordenou que não retornassem ou desembarcassem. O episódio, visto como incidente, foi tratado como mal presságio; para Procópio, isso foi um sinal de alerta quanto a Estútias, o futuro rebelde na África, que à época era guarda de Martinho. Eles foram para Metone, na Messênia, onde logo uniram-se a Belisário e o resto da expedição. Apesar de ser citado apenas uma vez pelo nome na narrativa de Procópio, é muito provável que Martinho participou de toda a campanha contra os vândalos. Na Batalha de Tricamaro de meados de dezembro de 533, ele e outros comandantes dos federados controlaram a ala esquerda do exército imperial e é provável que fosse um dos oficiais perseguidos pelo rei Gelimero na Batalha de Cartago.
Revolta na África e Guerra Gótica
thumb|esquerda|África romana, com as províncias de Bizacena, Zeugitânia e Numídia thumb|esquerda|1/4 de síliqua de Vitige
Aparentemente permaneceu na África sob o prefeito pretoriano Salomão após Belisário retornar para Constantinopla em 534. Na primavera de 536, estava em Cartago com Salomão quando o exército imperial amotinou. Procuraram santuário na igreja do palácio e então fugiram a cavalo à casa de Teodoro. Lá, junto com Procópio de Cesareia, pegaram suprimentos e foram para o porto onde Martinho deveria estar com um barco pronto e de onde conseguiram fugir em segurança para Missua. Lá, Martinho foi enviado para junto de Valeriano e os demais comandantes na Numídia para pedir que reganhassem a lealdade de seus soldados. Pouco depois, os amotinados de Cartago escolheram Estútias como seu líder. Nem Martinho nem Valeriano são nomeados entre os oficias na Numídia cujo exército desertou para Estútias logo após a intervenção de Belisário e seu retorno à Sicília no verão de 536. É provável que à época foram reconvocados para Constantinopla.
Em dezembro de 536, foram enviados por Justiniano com um exército à Itália. À época, o ofício deles era presumivelmente o de mestre dos soldados, tendo ambos sido elevados em seguida a mestre dos dois exércitos; os autores da PIRT sugerem que ambos mantiveram tais posições ininterruptamente até sua desgraça final décadas depois. Velejaram tão longe quanto possível da Grécia, mas foram incapazes de seguir adiante, talvez pelo mal tempo, e invernaram na Etólia e Acarnânia. Talvez em março de 537, após um pedido urgente de ajuda de Belisário, que estava sendo sitiado em Roma, receberam ordens do imperador para ir à Itália a toda velocidade. Chegaram em Roma 20 dias depois que o Porto caiu para os godos de Vitige (2 de abril) com reforços compreendendo 16 mil cavaleiros, principalmente hunos, eslavos e antas. Em seguida, foram enviados por Belisário com 15 mil cavaleiros contra uma força de cavalaria gótica de cinco mil homens, que foi quase totalmente destruída. Em meados de junho, quando Eutálio aproximou-se da cidade trazendo o pagamento do exército, foram enviados por Belisário para o Campo de Nero para distrair a atenção dos godos. Na luta resultante, estiveram em grande perigo até os reforços de Bocas chegarem. Eles, por sua vez, resgataram Bocas quando estava cercado e ferido.
thumb|upright=1.05|Movimentos iniciais da Guerra Gótica entre 535–540 thumb|upright=1.05|Soldo de
Mais tarde naquele ano, talvez setembro ou outubro, quando Belisário enviou destacamentos de cavalaria às cidades vizinhas, Martinho e Trajano foram enviados com mil homens para Tarracina em companhia de Antonina, esposa de Belisário. Chegaram na cidade após evitarem acampamentos inimigos sob o manto da noite e, após enviar Antonina para Nápoles com uma escolta, ocuparam as fortalezas locais e começaram a molestar as rotas de suprimento góticas na área. Foram reconvocados para Roma pouco depois da chegada de João (final de novembro ou começo de dezembro). Quando o cerco de Roma terminou em março de 538, Martinho e Ildígero foram enviados para Arímino por Belisário com mil cavaleiros, com ordens de substituir João e seus homens com uma força adequada retirada de Ancona. Viajaram pela via Flamínia de modo a chegar antes do exército gótico sob Vitige, que estava marchando de Roma para Arímino para sitiá-la. No caminho, capturaram e guarneceram a fortaleza de Petra. Ao chegarem em Ancona, reuniram boa parte dos infantes do lugar e seguiram para Arímino, onde chegaram três dias depois. João recusou-se a obedecer as ordens de Belisário e partir, o que levou Martinho e Ildígero a deixarem a infantaria e retornarem para Roma com todos os guardas de Belisário que estavam em Arímino.
Martinho certamente estava com o exército que Belisário liderou de Roma em meados de junho de 538 contra Vitige e que uniu-se ao exército de Narses em Firmo. Num plano para resgatar Arímino, foi incumbido com a condução de um exército ao longo da rota costeira de Firmo, ficando dentro da visão da frota sob Ildígero, e a iluminação de tantas fogueiras quanto possível para enganar o inimigo acerca do tamanho do exército. Na noite antes dos godos desistirem do cerco e fugirem, ele e seu exército acamparam cerca de oito milhas a leste de Arímino e alarmaram o inimigo pela grande quantidade de fogueiras. Mais tarde em 538, Martinho foi enviado com Ulíaris e um grande exército para ajudar Mediolano, que estava sob cerco dos godos de Úreas. Avançaram até tão longe quanto o rio Pó, um dia de marcha da cidade, fizeram acampamento e permaneceram lá por bastante tempo enquanto deliberavam se cruzavam o rio.
thumb|esquerda|upright=1.05|Belisário em detalhe de um mosaico da Basílica de São Vital
Foram visitados por Paulo, um emissário de Mundilas em Mediolano, que implorou para que se apressassem, e eles enviaram-no de volta com promessas de ajuda ligeira. Contudo, permaneceram onde estavam e mais tempo se passou enquanto hesitavam se iriam cruzar o Pó. Mais adiante, Martinho escreveu a Belisário explicando que a causa dos atrasos era a presença de grandes forças góticas e burgúndias na Ligúria, numerosas demais para o exército confrontar, e solicitando que João e Justino fossem enviados com reforços. Mais um atraso ocorreu enquanto João e Justino tiveram suas ordens de Belisário confirmadas por Narses. Tantos atrasos conduziram os sitiados a renderem a cidade aos godos e pela primavera de 539, Martinho e Ulíaris marcharam seu exército para Roma. Procópio ressalta que, após o desastre, Belisário não quis mais ver Ulíaris, mas nada é dito sobre Martinho, o que talvez signifique que toda a culpa foi colocada no primeiro.
Mais tarde em 539, Martinho e João com seus homens e outro exército sob foram enviados à região do Pó com ordens de evitar que Úreas deixasse Mediolano e atacasse as forças de Belisário, que sitiavam Fésulas e Áuximo. Se avistassem-no, iriam segui-lo e molestá-lo pela retaguarda. Ocuparam Dertona, onde fizeram acampamento, o que inibiu Vitige, que estava em Ravena, de ir ao socorro de Áuximo. Também vigiaram o avanço de Úreas, que sob ordens de Vitige, deixou Mediolano em direção de Ticino, onde acampou próximo da posição bizantina. Apesar de próximos, os exércitos não se confrontarem. Pouco depois, no entanto, ambos foram surpreendidos pela chegada repentina dos francos sob ; os godos fugiram, enquanto Martinho e João foram obrigados a lutar contra números superiores e foram derrotados, sendo obrigados a fugir à Toscânia, onde relataram o ocorrido a Belisário.
Após Teodeberto partir à Gália, retornaram para evitar que alguma ajuda alcançassem os godos que estavam sob cerco. Em 540, Martinho e João ainda estavam próximo do Pó quando souberam que Sisigis e Tomás foram atacados por Úreas nos Alpes Cócios. Rapidamente foram ao resgate e tomaram alguns fortes nos Alpes, bem como capturaram muitos prisioneiros entre as esposas e filhos dos soldados de Úreas; os soldados dele desertaram e Úreas se retirou. Após a queda de Ravena em maio de 540, Herodiano, Ildígero, Martinho e Valeriano acompanharam Belisário em sua viagem de volta para Constantinopla.
Guerra Lázica: fronte mesopotâmico
thumb|esquerda|upright=1.05|Dracma de thumb|esquerda|upright=1.05|Expedições de Cosroes contra o Império Bizantino na década de 540 e 570
Ao chegar na capital, foi imediatamente enviado ao fronte persa e estava presente em Dara quando foi sitiada por no final do verão de 540; ela foi defendida com sucesso e o xá retornou à Pérsia. Em 543, foi nomeado mestre dos soldados do Oriente em sucessão de Belisário. Quando chegaram as notícias de que Cosroes estava com dificuldades devido à praga e a rebelião de um de seus filhos, Martinho, Valeriano e outros comandantes no Oriente receberam ordens de unir forçar e invadir a Armênia o mais rápido possível. Martinho, Ildígero e Teoctisto fizeram acampamento em Citarizo, onde uniram-se pouco depois com Pedro e Adólio; Isaque já estava lá e Filemudo e Vero acamparam em Corzianena, não muito longe. A invasão começou em desordem, com Pedro invadindo primeiro por conta própria, seguido de Filemudo e Vero e então Martinho e Valeriano; eles uniram forças com os demais dentro do território persa.
O exército avançou em direção de Dúbio sem pausar para roubar ou saquear no caminho. Em Anglo, cerca de 15 milhas de Dúbio, inesperadamente encontraram um exército sob Nabedes e enfrentaram-no numa desastrosa batalha que terminou na derrota total e fuga dos bizantinos; Martinho comandou o centro do exército nessa batalha. Outra invasão à Armênia liderada por Martinho e Justo é citada no índice da obra de Zacarias Retórico, mas seu conteúdo é incerto. Em 544, Martinho estava em Edessa com Pedro e Perânio durante o cerco de Cosroes. Quando os sitiantes começaram a construir um monte artificial para ultrapassar as defesas, Martinho foi enviado para negociar o fim do cerco. Foi malsucedido, e os persas alegaram que Cosroes desejava a paz e Justiniano rejeitava-a e que mesmo Belisário, que lhe era superior em posição e influência, falhou em persuadi-lo.