A Operação Serenata de Amor é um projeto de inteligência artificial para análise de gastos públicos no Brasil, mantido pela Open Knowledge Brasil (OKBR). O projeto é sustentado por uma campanha de financiamento coletivo recorrente desde 7 de setembro de 2016, e surgiu na sequência de grandes escândalos de desvio de fundos públicos no Brasil, como o Escândalo do Mensalão e o revelado pela Operação Lava Jato.
As análises tiveram início com dados da Câmara dos Deputados e depois foram expandidas para outros tipos de orçamento e outras instâncias do Governo, como o Senado Federal. O projeto conta com um grupo público no Telegram, além de ter sido o projeto da América Latina com mais colaborações no GitHub à época de seu lançamento.
O nome "Serenata de Amor" vem de uma marca de bombom de creme de castanha de caju produzida por Chocolates Garoto no Brasil.
Módulos A plataforma consiste de um repositório principal no GitHub, chamado Serenata de Amor. Ao longo do desenvolvimento do projeto, novos módulos foram adicionados: Serenata Toolbox e o Whistleblower.
O repositório principal chamado Serenata de Amor serve como o ponto do trabalho investigativo. A partir dele começamos a evoluir para a estrutura que temos hoje. A Rosie é a robô programada para identificar gastos com valores discrepantes em usos de verbas públicas, a começar pela CEAP (Cota para Exercício da Atividade Parlamentar); ela analisa cada um dos reembolsos solicitados pelos deputados e senadores, indicando os motivos que a levam a acreditar na suspeita de cada um. A partir da Rosie nasceu o Whistleblower, que publica sob o nome de @RosieDaSerenata, distribuindo nas mídias sociais os resultados encontrados durante o trabalho realizado. O Jarbas é uma ferramenta de visualização de dados minerados pela robô Rosie. O Jarbas é responsável pelo painel de controle, que mostra uma lista completa de reembolsos disponibilizados pela Câmara dos Deputados. Por fim, a Toolbox é uma caixa de ferramentas desenvolvida em Python para desenvolvedores interessados no projeto.
História A Operação Serenata de Amor foi concebida em março de 2016 pelo cientista de dados e líder técnico Irio Musskopf, pelo sociólogo e engenheiro de software Eduardo Cuducos e pelo empreendedor Felipe Cabral. O projeto foi financiado coletivamente na plataforma Catarse, onde atingiu 131% da meta de arrecadação, pagando 3 meses de desenvolvimento do projeto.
Ana Schwendler (ciência de dados); Pedro Vilanova e "Tonny" (comunicação e jornalismo); Bruno Pazzim (marketing, comunicação e engenharia de software); Filipe Linhares (coleta de dados); Leandro Devegili (gestão) e André Pinho (coleta de dados) deram os primeiros passos para a construção da plataforma, coletando e estruturando os primeiros conjuntos de dados.
Jessica Temporal (ciência de dados); Yasodara Córdova "Yaso" (pesquisa); Tatiana Balachova "Russa" (design e UX) se juntaram ao projeto após o financiamento ter ocorrido.
Os integrantes criaram uma campanha de financiamento recorrente, expandindo a análise de gastos públicos para o Senado Federal. Os doadores fazem pagamentos mensais que variam de R$ 5 a R$ 200 para manter as atividades do grupo.
Em 2018, a Operação Serenata de Amor passou a integrar o Programa de Ciência de Dados para Inovação Cívica da Open Knowledge Brasil (OKBR), unindo a tecnologia do projeto à estrutura administrativa da organização. O legado do projeto é atualmente mantido pelo eixo de Inovação Cívica da OKBR.
Resultados direita|400px|Resultados da Operação Serenata de Amor. Em janeiro de 2017, concluindo o período financiado pela campanha inicial, o grupo realizou um mutirão de investigação das suspeitas encontradas pela inteligência artificial. Foram realizadas 629 denúncias à Ouvidoria da Câmara dos Deputados, questionando gastos de 216 deputados federais, que somavam aproximadamente R$ 378.844,05. Um dos exemplos de resultados obtidos pela operação é o caso do deputado que teve que devolver cerca de R$ 700 à Câmara após seus gastos terem sido analisados pela plataforma.
Em cinco anos de operação, a plataforma analisou mais de 3 milhões de reembolsos e identificou mais de 17.700 suspeitas de gastos irregulares. Os tuítes da robô Rosie foram visualizados mais de 13 milhões de vezes, tendo sido reportadas mais de 1.300 suspeitas à Ouvidoria da Câmara. A Rosie conta com mais de 40 mil seguidores em sua principal rede social. A comunidade que suporta o trabalho do time se beneficia de repositórios de código aberto, licenciados para a colaboração, com mais de 102 desenvolvedores contribuindo com código no repositório do GitHub.
Reconhecimentos A operação obteve cobertura em mais de 90 veículos de mídia, incluindo programas de grande audiência como o Fantástico e o Jornal Nacional, além do jornal Folha de S.Paulo. As duas principais cientistas de dados do projeto o apresentaram na CivicTechFest, em Taipé, obtendo várias menções na imprensa internacional. O líder técnico apresentou o projeto na Polônia, durante a DevConf2017, em Cracóvia. Também foi apresentado no Google News Lab em 2017, e por Yaso, então diretora do projeto, no MIT Media Lab/Berkman Klein Center, no contexto da Iniciativa para Ética em Inteligência Artificial, uma colaboração das duas instituições.
O projeto foi apresentado por Yaso e Irio em um seminário na Harvard Kennedy School e por Yaso na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados em agosto de 2017. Em 2019, o projeto foi selecionado como um dos dez finalistas do prêmio espanhol Compromiso Empresarial, que destaca a melhor iniciativa de transparência e boas práticas de governo entre a Espanha e a América Latina.
A operação tem sido fonte de inspiração para outros projetos cívicos com objetivos semelhantes. Várias participações dos membros do time em eventos por todo o Brasil e fora dele podem ser encontradas na internet, como apresentações no Open Data Day, realizado no Calango Hackerspace no Distrito Federal, Campus Party Bahia, Campus Party Brasília, Friends of Tomorrow, XIII Encontro Nacional de Controle Interno, no evento USP Talks, Hackfest contra a Corrupção em João Pessoa, sendo que esta última obteve também destaque na imprensa nacional.
Leitura complementar
Ligações externas
Ver também Ciberativismo Governo aberto
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