Maria João Rodrigues GOIH (Lisboa, 25 de Setembro de 1955) é uma académica portuguesa, especialista em política europeia, tendo sido Ministra do Emprego em Portugal, membro do Parlamento Europeu e vice-presidente do Grupo da Socialistas e Democratas (S & D) entre 2014 e 2019. Desde 2022, é Presidente do Board do Re-Imagine Europa, "think-tank" localizado em Bruxelas que desenvolve uma estrita colaboração com as instituições da União Europeia.1) https://re-imagine.eu/advisory-board-2

Carreira A sua carreira política começou como Ministra do Emprego de Portugal no primeiro governo do Primeiro Ministro [António Guterres] (1995-1997) e foi conselheira ​​política a trabalhar em vários cargos nas Instituições Europeias desde 2000, nomeadamente nas equipas dirigentes de Presidências da UE. É perita em economia política da UE e serviu nomeadamente como Assessora Especial de vários representantes eleitos tanto a nível de Portugal como da UE, em particular ao antigo Primeiro Ministro António Guterres, atual Secretário-Geral das Nações Unidas, a vários Comissários Europeus e dos ex-Primeiro Ministros Poul Nyrup Rasmussen e Jean-Claude Junker.

Ela é conhecida como a "mãe da Estratégia de Lisboa" , uma vez que este é um dos seus principais resultados. Desempenhou também um papel proeminente no desenvolvimento: da Estratégia Europa 2020 (acompanhamento da Estratégia de Lisboa para o Crescimento e o Emprego); a declaração da UE sobre a globalização, adotada pelo Conselho Europeu (2007); parcerias estratégicas com EUA, China, Índia, Rússia, África do Sul e Brasil (2007-2012); a nova fase do programa Erasmus (2008); as prioridades da política europeia de desenvolvimento regional (2005-2007); as respostas à crise da zona do euro (2008-13); as resoluções estratégicas do PE sobre o programa de trabalho anual da Comissão Europeia (2015-2017); e, mais recentemente, o Pilar Europeu dos Direitos Sociais (2017). Em 2014, Maria João Rodrigues foi eleita membro do Parlamento Europeu, integrando o Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S & D) - o segundo grupo mais importante do PE, com 190 membros provenientes dos 28 Estados-Membros - que a elegeram em 2014 como vice-presidente. Como Vice-Presidente da S & D, foi responsável pela coordenação geral e interface com as outras instituições da UE e membro das Comissões de Emprego e Assuntos Sociais (EMPR) e Assuntos Económicos e Monetários (ECON).

Em 2017, foi também eleita Presidente da FEPS, a Fundação Europeia de Estudos Progressistas, uma rede de mais de 60 fundações políticas e think-tanks de toda a UE e do mundo e o único think-tank socialista a nível europeu .

Em termos académicos, Maria João Rodrigues foi professora de políticas económicas europeias no Instituto de Estudos Europeus - Université Libre de Bruxelles e no Instituto Universitário de Lisboa. Ela também foi presidente do Conselho Consultivo da Comissão Europeia para ciências socioeconómicas. Ela é autora de mais de cem publicações em língua portuguesa, inglesa e francesa.

Educação e prémios Maria João Rodrigues detém três graus de mestre e um doutoramento em economia pela Universidade de Paris 1 Panteão-Sorbonne, bem como um diploma em Sociologia do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Início da carreira política Professora de Economia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) desde 1987, Maria João Rodrigues iniciou sua carreira em assuntos públicos em 1993 como consultora no Ministério do Trabalho e da Segurança Social, então chefiada por José Falcão e Cunha no governo conservador do Primeiro Ministro Aníbal Cavaco Silva. Após a vitória do Partido Socialista nas eleições gerais de 1995, foi nomeada Ministra do Emprego e Qualificação pelo Primeiro Ministro António Guterres, em 28 de Outubro de 1995. Obteve um acordo estratégico com os parceiros sociais para preparar a adesão de Portugal à zona euro (1997), completou grande reforma na gestão do Fundo Social Europeu e ocupou este cargo até 25 de Novembro de 1997.

A Estratégia de Lisboa da União Europeia

Depois da sua função como Ministra do Emprego, Maria João Rodrigues foi nomeada como assessora especial e Chefe da Unidade de Estudos Prospetivos pelo Primeiro Ministro António Guterres em 1998. Nesta qualidade, desempenhou um importante papel durante a Presidência Portuguesa da União Europeia no primeiro semestre de 2000. A Presidência Portuguesa conseguiu, nomeadamente, obter um compromisso sobre a chamada Estratégia de Lisboa, um plano abrangente destinado a impulsionar o crescimento, a competitividade e o emprego na construção da UE, em inovação. A estratégia foi adotada numa reunião extraordinária do Conselho Europeu em Lisboa, em Março de 2000, na qual Maria João Rodrigues atuou como Sherpa do Primeiro Ministro.Magone, José María. "The developing place of Portugal in the European Union" Transaction Publishers, 2004, p.34 Ela contribuiu notavelmente para construir um compromisso entre as delegações dos governos britânico e francês, recorrendo ao método aberto de coordenação. Maria João Rodrigues continuou a acompanhar de perto os desenvolvimentos da Estratégia de Lisboa, nomeadamente como Assessora Especial da Presidência [de Luxemburgo] da União Europeia para a Revisão Intercalar da Estratégia de Lisboa (2005) e assessor especial da Comissão Europeia e Jean-Claude Juncker sobre a estratégia de Lisboa.

Relembrando esta experiência em 2010, Maria João Rodrigues escreveu: "Mesmo que tenha havido falhas claras, a implementação da Estratégia de Lisboa não deveria ser considerada um fracasso".Lisbon Agenda Group. "On the EU2020 agenda: contributions after the Lisbon agenda experience" Notre Europe, 2010, p.25 A estratégia de Lisboa é amplamente considerada como tendo fracassos mas também algumas realizações. Em 2007, a taxa média de crescimento da UE foi de 2,7% e foram criados 16 milhões de empregos. Acima de tudo, mudou a governação da União Europeia com uma maior coordenação das políticas económicas e sociais, envolvendo cerca de 400 medidas.

O Tratado de Lisboa Em 2007, foi nomeada pelo Primeiro-Ministro José Sócrates como assessora especial da Presidência da União Europeia que lidou com o Tratado de Lisboa, a Estratégia de Lisboa e as Cimeiras da UE com os parceiros internacionais China, Índia, Brasil, Rússia e África. Esta missão, que alcançou o acordo do Tratado de Lisboa, chegou ao fim em 1 de Janeiro de 2008, quando a presidência rotativa da União Europeia foi entregue à Eslovénia. Maria João Rodrigues iniciou também um processo de "Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável" com estes parceiros internacionais, patrocinado pela Fundação Gulbenkian.

Carreira Política Em 2010, a Estratégia de Lisboa foi sucedida pela Estratégia Europa 2020, um novo plano da UE para um "crescimento económico inteligente, sustentável e inclusivo". Embora não tenha exercido qualquer função oficial, as experiências anteriores de Maria João Rodrigues com a estratégia de Lisboa fizeram com que a sua visão sobre a Europa 2020 fosse altamente valorizada em todo o espectro político e em muitas capitais europeias.

Até 2014, Maria João Rodrigues foi também professora na Universidade Livre de Bruxelas e na Universidade de Lisboa. É também membro de vários "think-tanks" nomeadamebte membro do Board do European Policy Center e do Jacques Delors Institute. Foi até 2006 a presidente do grupo consultivo para a Comissão Europeia de Ciências Sociais e Humanas.

Em 2014, Maria João Rodrigues foi eleita membro do Parlamento Europeu na eleição para o Parlamento Europeu de 2014 e vice-presidente do grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, o segundo grupo parlamentar mais importante, juntamente com outros nove deputados.

Em 2016 deslocou-se do portfólio de assuntos económicos e sociais para o de Coordenação do trabalho parlamentar e negociações interinstitucionais sobre a agenda da UE. Em dezembro de 2015, foi uma das candidatas ao Conselho de Estado de Portugal (conselho consultivo do Presidente da República) na lista apresentada pelos partidos de esquerda no parlamento português, como membro suplente.

Em 2017, foi relatora do "Pilar Europeu dos Direitos Sociais", um relatório apoiado por uma grande maioria de cinco grupos políticos no Parlamento Europeu.

Em junho de 2017, foi eleita Presidente da Fundação Europeia de Estudos Progressistas (FEPS), uma rede de mais de 60 fundações políticas e grupos de reflexão de toda a UE e do mundo e o único think-tank progressista a nível europeu.

Em janeiro de 2019 o Parlamento Europeu abriu uma investigação a Maria João Rodrigues devido a queixas de assédio dirigidas a Maria João Rodrigues pela sua assistente, alegando que a equipa da deputada trabalhava num ambiente de "medo e humilhação". Em abril de 2019 a deputada foi dada como culpada de assédio moral dirigido à sua assistente. A 14 de Julho de 2022, o Tribunal do Trabalho de Bruxelas, no seu julgamento Ref NR 20/1688/A, invalidou as acusações mencionadas nestas referências. O relatório deste julgamento pode ser consultado no "Tribunal Francophone du Travail de Bruxelles 2e Chambre".

Principais papéis institucionais Ministra do Emprego e Qualificação em Portugal com o Primeiro Ministro António Guterres Assessora Especial das Presidências da UE, responsável pelas cimeiras do Conselho Europeu Assessora Especial dos Comissários Europeus Membro do Parlamento Europeu, Comissões dos Assuntos Económicos e Sociais Vice-Presidente do Grupo S & D para Assuntos Económicos e Sociais Vice-Presidente do Grupo S & D para coordenação geral e Secretário Parlamentar Presidente da FEPS, Fundação Europeia de Estudos Progressistas Membro do Conselho Consultivo Internacional do T20/G20

Principais resultados na elaboração de políticas da UE A "Estratégia de Lisboa" da UE para o crescimento e o emprego - com novas orientações políticas para as políticas industriais, da sociedade da informação, da investigação, da inovação, da educação, do emprego, da proteção social e do ambiente (2000-2010). O seguimento da estratégia UE 2020 Tratado de Lisboa da UE, equipa final de negociação (2007) Declaração da UE sobre a Globalização adotada pelo Conselho Europeu (2007) Preparação das cimeiras da UE com parceiros estratégicos da UE: EUA, China, Índia, Rússia, África do Sul e Brasil (2007-2012) A nova fase do programa Erasmus (2008) Prioridades da política europeia de desenvolvimento regional (2005-2007) As respostas à crise da zona do euro (2008-13) O pilar europeu dos direitos sociais (2017) Resoluções estratégicas do PE relativas ao programa de trabalho anual da Comissão Europeia (2015-2017)

Principais papéis académicos Professora Catedrática Emérita de Economia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) Membro do Clube de Roma Professora de Políticas Económicas Europeias no Instituto de Estudos Europeus, Université Libre de Bruxelles Professora de Economia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), atualmente em licença devido a atividade de interesse público Presidente do Conselho Consultivo da Comissão Europeia encarregado da preparação do 7º Programa-Quadro de Investigação em ciências socioeconómicas (2002-2006) Relator Económico no ESPAS, Sistema Europeu de Planificação e Análise Estratégica (2010-2011) Coordenador do Projeto “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável” entre a UE e o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, Fundação Calouste Gulbenkian (2007-2008) Membro da rede de estrategistas governamentais de longo prazo da OCDE (2000) Assessor Especial do Primeiro Ministro e Chefe da Unidade de Estudos Avançados do PM Membro do Conselho de Administração da Notre Europe, associação criada por Jacques Delors, Paris (1998-2019) Membro do Conselho Consultivo do Centro Europeu de Políticas, Bruxelas Membro do Steering Committee do Consórcio New Pact for Europe, criado pela Fundação Rei Baudoin, Fundação Bertelsmann, Fundação Gulbenkian, La Caixa, Nordon, Rede Europeia de Fundações