O Castelo de Braga era uma fortificação histórica que fazia parte da linha defensiva que circundava a cidade de Braga, hoje em grande parte destruída. A torre de menagem, situada na freguesia de São João do Souto, é o único vestígio bem visível do castelo medieval. Das muralhas da cidade, restam apenas alguns murros muitas vezes escondidos e integradas em edifícios a torre de Santiago, a torre de São Sebastião, a base da torre da igreja da Lapa … a Porta Nova (esta última completamente remodelada em estilo rococó e estilisticamente completamente diferente). Seu perímetro era de um pouco menos de 2000 m, delimitado a leste pela Praça da República, a oeste pela Rua do Castelo (localização da torre de menagem e do antigo castelo), Rua de São Marcos, Rua do Anjo, Largo de Santiago, Rua do Alcaide, Largo de Paulo Orósio (torre da cerca visível da Casa da Torre), Rua de Jerónimo Pimentel, Campo das Carvalheiras, Avenida de São Miguel o Anjo, Largo da Porta Nova, Rua dos Biscainhos, Praça do Conselheiro Torres e Almeida e Rua dos Capelistas. A demolição começou a partir de 1858, poucos vestígios medievais permanecem hoje. No entanto, o pouco que subsiste do Castelo de Braga (Torre de Menagem) e das fortificações, estão classificados como Monumento Nacional Ficha da base de dados da DGPC por Decreto publicado em 23 de Junho de 1910.

O Castelo thumb|Torreão transformado em torre sineira da Igreja da Lapa Foi por volta de 1300 que o Rei D. Dinis ordenou a construção do castelo, como anotado por Monsenhor José Augusto Ferreira, e como o atesta o brasão visível por cima da porta da torre de Menagem. Situado no norte da cidade, definia claramente o inimigo como sendo espanhol e protegia a cidade na entrada da Via Nova, caminho mais curto para uma incursão inimiga. Ele tinha uma planta retangular, com torres em cada vértice e no centro uma torre de Menagem, mais duas torres a enquadrar a porta. As muralhas tinham uma espessura de pouco menos de 3 metros e estava encostado a cerca amuralhada. A construção inicial de estilo gótico sofreu varias reconstruções e alterações porque em 1380 houve um pagamento a três mestres de arquitetura militar, João Mouro, Pero Senascais e João Pedreiro, que conduziam as obras, em 31 de agosto de 1398, o Arcebispo D. Martinho Pires de Oliveira obteve licença do rei D. João I para mandar reparar o castelo e nomear um alcaide. As ditas reparações incluíram a reconstrução do torreão de sudoeste que arvorava o brasão do rei. Segundo um documento do ano de 1451 era também no castelo que funcionava a prisão.Ribeiro, M. C. (2008). Braga entre a época romana e a Idade Moderna. Uma metodologia de análise para a leitura da evolução da paisagem urbana. Tese de Doutoramento. Braga: Universidade do Minho. Segundo Manuel Joaquim Rodrigues Monteiro que acompanhou a destruição, houve no século XVI, uma alteração substancial com uma ampliação assimétrica do dito castelo com a reconstrução do murros sul e oeste. A partir do século XVIII, a perda da sua função defensiva era comprovada pela quantidade de edificações adjacentes. Nesse período a área envolvente do castelo foi preenchida com novas construções modernas, a nascente com a construção da arcada, integrada entre as torres semicirculares do castelo na antiga alfândega do século XVI e pela Igreja da Nossa Senhora da Lapa (1771) que reutilizou um dos torreões como base do seu campanário Enfim um oratório estava construido contra parte da muralha oeste. E dentro do castelo, foi edificado por D.Rodrigo de Moura Teles, um anexo que serviu de prisão de 1718 até ao século XX Demolição do castelo 200px|esquerda Apesar dos apelos solicitações e denúncias:

thumb|276px|Castelo de Braga: torre de menagem.

No dia 15 de novembro de 1905, o Castelo de Braga (antigo edifício da cadeia da Câmara Municipal de Braga) foi demolido, menos a Torre de Menagem e a torre sineira da igreja, evento transformado em festa popular com um cortejo encabeçado por quatro bandas de música e por muito povo, e por algumas das figuras mais proeminentes da cidade (João Lobo Machado Cardoso do Amaral de Menezes, 2.º visconde de Paço de Nespereira governador civil, Dr. Domingos José Soares Júnior presidente da câmara, Dr. Artur Soares administrador do concelho, e Lopes Reis presidente da comissão da defesa dos interesses de Braga), a quem os manifestantes aclamavam delirantemente, chegando ao delírio quando principiou a demolição da muralha.

Albano Belino propôs de transformar o castelo em museu de arqueologia mas a proposta foi recusada pelo município.

A torre de Menagem Apresenta uma planta quadrangular com cerca de 30m de altura, divididos em quatro pisos, sendo o primeiro andar consideravelmente mais alto que os demais com cerca de 12 m de altura.As fachadas são construídas em alvenaria de granito ligeiramente escalonada mais próxima do solo. A torre poderá ter sido erguida numa só empreitada, num momento anterior à construção do castelo, com algumas alterações no tempo de D. Fernando (nos finais do século XIV ) com o melhoramento do coroamento da torre, com a inclusão de merlões e mata-cães. No tempo de D. João a torre foi transformada em área residencial com a abertura de janelas geminadas no terceiro piso. Bruna Filipa Rodrigues Rocha,O processo construtivo e a evolução arquitetónica do Castelo e Torre de Menagem de Braga. Contributo para o estudo do sistema defensivo medieval bracarense. Em 29 de setembro de 1996, parte dos mata-cães da torre ruíram. Por isso, houve uma reparação dos danos e restauração da torre, que incluiu: o telhado e a colocação de uma sub-telha, o reforço das estruturas existentes e outras obras. thumb|100px|esquerda|Marcas de pedreiro da torre

As marcas de canteiros Foram identificadas um total de cerca 533 marcas de canteiros, que não passam duma simples assinatura do pedreiro por ser pago a peça e não ao dia. E provável que haja mais marcas nas faces interior das pedras. Embora, fosse comum a prática do reaproveitamento e reutilização de silhares graníticos provenientes de outras construções. O que foi comprovado nesse caso na identificação de um silhar gravado com caracteres romanos.

A cerca amuralhada A muralha romana thumb|Muralha romana de Lugo, Galiza Pouco depois do assalto e saque da cidade de Tarragona pelos francos durante o reinado de Galiano"Francorum gentes direpta Gallia Hispaniam possiderent vastato ac paene direpto Tarraconensium oppido ...", "Tendo os francos saqueado a Gália, eles tomaram posse da Espanha, tendo devastado e quase saqueado a cidade de Tarragona..."Sexto Aurélio Vítor, em Liber de Caesaribus, XXXIII, Licinius Gallienus"Germani usque ad Hispanias penetraverunt et civitatem nobilem Tarraconem expugnaverunt ...", "Os germanos penetraram até a Espanha e tomaram a famosa cidade de Tarragona" Eutrópio (historiador) em Breviário da História Romana, livro IX 8, no fim do século III início do IV, uma imponente muralha, com torreões, é construida em volta do centro da cidade de Bracara (mais de 48 hectares), e transforma por completo a sua configuração. A pesquisa arqueológica, conduzida pela Universidade do Minho, identificou uma cerca defensiva romana com planta poligonal de 5 a 6 m de largura, reforçada por torreões de planta semicircular de 3 m de diâmetro de 24 em 24 metros. No total seriam um total de 97 torreões e 5 portas. Monumentos e casas foram destruídos, uns para recuperar as pedras, outros para construir a muralha deixando de fora parte da cidade. Infelizmente já no tempo dos Suevos a dita muralha não impediu a conquista da cidade pelos Visigodos no domingo 28 de outubro de 456’’Mox Hispanias rex Gothorum Theudoricus cum ingenti exercitu suo, et cum voluntate et ordinatione Aviti imperatoris ingreditur. Cui cum multitudine Suevorum rex Rechiarius occurrens duodecimo de Asturicensi urbe milliario, ad fluvium nomine Urbicum, tertio nonas Octobris die, sexta feria inito mox certamine superatur: caesis suorum agminibus, aliquantis captis, plurimisque fugatis, ipse ad extremas sedes Gallaeciae plagatus vix evadit ac profugus. Theudorico rege cum exercitu ad Bracaram extremam civitatem Gallaeciae pertendente, quinto kal. Novemb. die dominico, etsi incruenta, fit tamen satis moesta et lacrymabilis ejusdem direptio civitatis. Romanorum magna agitur captivitas captivorum, sanctorum basilicae effractae, altaria sublata atque confracta, virgines Dei exin quidem adductae, sed integritate servata, clerus usque ad nuditatem pudoris exutus, promiscui sexus cum parvulis, de locis refugii sanctis populus omnis abstractus, jumentorum, pecorum, camelorumque horrore locus sacer impletus, scripta super Jerusalem ex parte coelestis irae revocavit exempla. II. Rechiarius ad locum qui Portucale appellatur, profugus regi Theudorico captivus adducitur: quo in custodiam redacto, caeteris qui de priore certamine superfuerant, tradentibus se Suevis, aliquantis nihilominus interfectis, regnum destructum et finitum est Suevorum ... In conventus parte Bracarensis latrocinantum depraedatio perpetratur.’’ Cronica de Idácio de Chaves e mais tarde pelos mouros de Almançor, que destruíram grande parte da cidade e da sua muralha em 998Esta cidade de Braga, que remontava a Antiguidade, foi uma das fundações dos romanos e uma das suas residências reais. Assemelhava-se a Mérida pela solidez dos seus edifícios e ordenação das muralhas. Está hoje quase inteiramente destruída e deserta: foi demolida pelos muçulmanos que expulsaram a população ...Maomé Ibne Abde Almumine Alhimiari, Coelho Borges, António (1989). Portugal na Espanha Árabe vol.1. Lisboa: Caminho. ISBN 9789722104104 Só uma pequena parte da muralha norte da cidade ficou de pé e usado ate o Séc. XIV.

As cercas medievais thumb|Torre de São Sebastião ou do postigo, integrada na casa da torre Embora não existam informações seguras sobre a evolução de suas defesas nestes períodos conturbados, sabe-se que, a partir do século XI, uma segunda cerca de 2,7 m estava em construção, a Sul e a Oeste, complementando o troço Norte da antiga muralha romana. A não ser os torreões, a muralha era de fraca qualidade de pedra media ou mesmo pequena. O traçado terá reutilizado o dum aqueduto romano. Por volta de 1210, o recinto murado foi provavelmente expandido, uma vez que as referências documentadas mencionam a rua e a porta de Souto. No entanto o perímetro cercado da cidade, entre os séculos XI e XII, era bastante reduzido, cerca de metade daquele da cidade fortificada dos finais do século XIV. Uma combinação de evidências arqueológicas e documentos permite reconstruir as linhas gerais das muralhas, e a localização das portas. Começando no Arco da Porta Nova (uma construção do século XVIII que substituiu uma das portas mais antigas), a muralha seguia na direção norte-nordeste ao longo da Rua dos Biscainhos (sendo o seu ponto mais setentrional o Campo da Vinha ) e fazia uma curva para sudeste ao longo da Rua dos Capelistas, tocando a muralha do castelo. Depois disso, as muralhas continuavam para sudoeste e depois para sul, noroeste e novamente para norte, passando pelo Campo e Torre de São Tiago, pelo Largo das Carvalheiras e pelo Largo de São Miguel-o-Anjo, antes de retornar ao Arco da Porta Nova.

A partir do século XIII, uma nova fase construtiva se inaugurou, com o abandono do troço norte da muralha romana por causa do crescimento da urbe em torno da Sé-Catedral para norte em resultado do aumento demográfico registado a partir do século XI. Existem poucas informações acerca desta fase, o primeiro alargamento terá ocorrido entre finais do século XII inícios do XIII. Nos inícios do século XIV multiplicam-se as referências às obras de alargamento da muralha. A cidade, desloca-se ainda mais relativamente à cidade romana para norte, passando a incluir a nova freguesia de S. João do Souto.