O Reino de Portugal (ou Reino de Portugal e Algarves) foi um Estado que existiu desde meados do ao início do . O seu sistema político era uma monarquia constitucional parlamentar representativa, desde da ascensão ao trono da rainha na década de 1830 à destituição do rei em 1910. Foi um período de grande progresso, tanto no nível militar, cultural, político, industrial e econômico. Depois da derrota dos absolutistas nas Guerras Liberais, a política portuguesa do esteve marcada pelas ideias liberais, ainda que também não conseguiu a tranquilidade desejada devido a vários movimentos anárquico-republicanos. Os liberais eram um grupo heterogêneo que se tinha unido para lutar contra os absolutistas mas que em comum possuíam muitas discrepâncias. Por este motivo dividiram-se em primeiro lugar entre os moderados e progressistas, que levou á criação dos dois partidos mais importantes na monarquia constitucional portuguesa: o Partido Regenerador (1851) e o Partido Progressista (1876). O primeiro ponto de desencontro foi a nova constituição política do país, enquanto os progressistas, denominados setembristas, queriam voltar a implantar a Constituição de 1822, os moderados, denominados cartistas, queriam impor a Carta Constitucional de 1826.

Além da prosperidade e do desenvolvimento em Portugal, a população portuguesa também sofreu mudanças profundas. A população terá aumentado cerca de 75% durante o , de acordo com as informações disponíveis e os estudos já efetuados para esse período. Tratou-se de um crescimento moderado, embora progressivamente dinâmico à medida que avançava a centúria. A variação do número de Portugueses entre 1801 a 1851 terá sido de apenas 23.4%, contra os cerca de 42% registados entre essa última data e 1900. Na prática, passou-se de 2.9 para 3.5 milhões de residentes. No , com o fim da Inquisição, regressaram a Portugal algumas famílias afluentes de origem judaica sefardita portuguesa, nomeadamente de Marrocos e de Gibraltar (como Ruah, Bensaúde, Anahory, Abecassis e Buzzaglo). A primeira sinagoga construída em Portugal desde o foi a Sinagoga de Lisboa, inaugurada em 1904. Surgiu um aumento da população, incluindo protestantes e judeus, mesmo que embora Portugal tenha continuado maciçamente católico. A escravatura, que inicialmente foi abolida pelo Marquês de Pombal em 1761 para os escravos que chegavam a Portugal e este passo foi o primeiro para a abolição da escravatura no mundo, foi sendo restringida por sucessivas reformas até sua abolição pelo rei em 1869. Na segunda metade do , por pressão do rei e do seu sucessor, D. Luís e da Inglaterra, Portugal proibiu o comércio de escravos e, em 1854, por decreto, foram libertos todos os escravos que restavam. Dois anos mais tarde, também foram libertos todos os escravos da Igreja Católica nas colónias. A 25 de fevereiro de 1869, por ordem de produziu-se finalmente a abolição "prática" e completa da escravatura em todo o Império Português.

As artes visuais, a literatura e o teatro afloraram neste período de grandes transformações. Embora muito influenciados por estilos europeus que variavam do neoclassicismo ao romantismo, cada conceito era adaptado para criar uma cultura genuinamente portuguesa. O Neoclassicismo surgiu em Portugal no último quartel do e começou por ter uma maior expressão no Porto e só depois se estendeu para Lisboa. Prolongou-se até metade do , tendo, em alguns casos, chegado até ao . O romantismo em Portugal surgiu no graças à influencia de D. Fernando II. Embora as últimas décadas da Monarquia Portuguesa tenham sido um período com várias crises económicas, políticas e sociais, o pais conheceu um período de paz consistente e prosperidade económica. Após 76 anos, a 5 de outubro de 1910, D. Manuel II foi deposto por um repentino golpe de Estado liderado por uma minoria de líderes republicanos, militares e civis cujo propósito era a formação de uma república presidencialista, dando início ao regime republicano no país que iria resultar na primeira ditadura de Portugal.

História Por manter a aliança com a Inglaterra e recusar-se a aderir ao Bloqueio Continental, Portugal foi invadido pelos exércitos de Napoleão Bonaparte, por três vezes, a primeira em 1807. A Corte e a família real portuguesa refugiaram-se no Brasil e a capital deslocou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceriam até 1821, quando , desde 1816 rei do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, regressou a Lisboa para jurar a primeira Constituição. No ano seguinte, o seu filho (Pedro I do Brasil) era proclamado imperador do Brasil.

No resto do , Portugal viveu períodos de enorme perturbação política e social (a guerra civil e repetidas revoltas e pronunciamentos militares, como a Revolução de Setembro, a Maria da Fonte, a Patuleia, Belenzada) e só com o Ato Adicional à Carta, de 1852, foi possível a acalmia política e o início da política de fomento protagonizada no período da Regeneração, do qual foi figura de proa Fontes Pereira de Melo.

No final do , as ambições coloniais portuguesas chocam com as britânicas, o que está na origem do Ultimato de 1890. A cedência às exigências britânicas e os cada vez mais comuns problemas e escândalos económicos lançam a monarquia num descrédito crescente graças a propaganda Republicana, o ponto de viragem para a Monarquia em Portugal foi o assassinato de D. Carlos I e o Príncipe-Real D. Luís Filipe a 1 de fevereiro de 1908. A monarquia ainda esteve no poder durante mais dois anos, chefiada por D. Manuel II, mas viria a ser abolida a 5 de outubro de 1910, implantando-se a Primeira República Portuguesa.

Sociedade Nova aristocracia liberal

Após o triunfo do liberalismo em 1820, a burguesia, lesada durante séculos pela hegemonia política da nobreza, adota importantes medidas tendentes a destruir a estrutura aristocrática e senhorial da sociedade Portuguesa, entre essas medidas sobressaem:

A extinção de alguns direitos banais, dos morgadios e das comendas; A abolição de tenças e mercês pagas, tradicionalmente, pela Coroa; O reconhecimento da igualdade de todos perante a lei;

As medidas legislativas referidas, nomeadamente a igualmente de todos perante a lei, aniquilava quase totalmente a nobreza. A reação absolutista impediu, porém, a destruição rápida e total da estrutura aristocrática da sociedade Portuguesa. A "Vila-Francada" restitui á nobreza tradicional todos os seus privilégios. O triunfo definitivo do liberalismo, em 1834, não conseguiu aniquilar completamente a nobreza tradicional.

A extinção dos morgadios, decretada em 1832, abrangia apenas os de rendimentos inferior a 200 mil réis. A restauração da Carta Constitucional restituía à nobreza grande parte do seu prestigio e poder. A Câmara dos Pares, constituída predominantemente por nobres nomeados pelo rei a título vitalício e hereditário, consagrava a importância da nobreza na vida económica, social e política da Nação.

No entanto, o conceito de nobreza alterou-se, principalmente, após 1834:

A nobreza tradicional, destituída parcialmente dos privilégios e rendimentos característicos do Antigo Regime, passou a depender, essencialmente, dos seus bens fundiários e da sua participação no comércio e indústria, aproximando-se deste modo, da burguesia. A burguesia transformou-se numa poderosa classe terratenente, através da compra de bens nacionais e nobilitou-se, frequentemente, pela compra ou concessão de títulos nobiliárquicos.

Crescimento e debilidade económica das classes médias

Já anteriormente verificámos que a classe média abrange grupos socioprofissionais heterogéneos e dominados por valores divergentes e com situações económicas muito variadas. A classe média oitocentista está essencialmente ligada ao comércio, ás funções públicas e profissões liberais. Também podemos incluir aqui os proprietários, quer rurais, quer urbanos. A classe média tem em comum a aspiração de ascensão social pelo mérito individual. Orgulhosa da sua condição, procura afastar-se do operário e aproximar-se das elites sociais, quer pela imitação do estilo de vida, quer pela adoção dos seus valores.

A Regeneração criou condições favoráveis ao seu crescimento e á elevação do seu nível mediante a progressiva industrialização do País e a revitalização dos circuitos do mercado interno, indispensáveis ao escoamento da produção agrícola. Os últimos anos do século, pelo contrário, alteraram a situação. As condições de vida da classe média degradaram-se. A pequena e média burguesia rural e urbana sobrevive, então, com dificuldades financeiras e cai, muitas vezes, na miséria. A sua debilidade económica crescente é aproveitada pelos Republicanos e começa a ameaçar, nos fins do , a estabilidade da Monarquia Portuguesa e prepara o advento de uma nova era.

Cultura Na pintura e na arquitetura afirmou-se o gosto por ambiências fantásticas, exóticas e bucólicas e retomaram-se estilos passados, ligados, sobretudo, à Idade Média (por exemplo, o Neogótico e o Neomanuelino). A expansão do liberalismo e da industrialização contribuíram para o desenvolvimento do ensino público, que favorecia a formação de uma consciência cívica, a criação de uma mão de obra especializada e a ascensão dos indivíduos, em especial daqueles que tinham acesso a uma educação mais prolongada. Em Portugal o ensino público entrou em franca expansão, após o triunfo da ideologia liberal. O ensino primário passou a ser uma condição obrigatória para a modernização do país. Durante o Setembrismo, Passos Manuel reformou o ensino, nomeadamente através da criação de liceus (1836-37) nas capitais de distrito e pela reformulação do ensino técnico, artístico e superior.

Governo e política

A Carta Constitucional define os papéis do Rei de Portugal e das Cortes Gerais (ou Parlamento). A Carta dotou a Assembleia com a competência e a autoridade para criar legislação e moderar os poderes executivo e judiciário como "delegações da nação", sendo a separação dos poderes prevista como o fornecimento de apoio à Constituição e aos direitos nela consagrados.

As prerrogativas e autoridade concedida ao legislativo dentro da constituição significava que ele poderia e deveria desempenhar um papel importante e indispensável para o funcionamento do governo — que não era apenas uma instituição fantoche. Somente a Assembleia Geral podia decretar, revogar, interpretar e suspender leis nos termos do artigo 13 da constituição. O legislativo também ocupava o poder de orçamento e era obrigado a autorizar anualmente gastos e impostos. Só ele aprovava e exercia a supervisão de empréstimos e dívidas do governo. Outras responsabilidades confiadas à assembleia incluíam definir o tamanho das forças militares, a criação de cargos dentro do governo, o acompanhamento do bem-estar nacional e a garantia de que o governo estava a ser executado em conformidade com a constituição. Esta última disposição permitiu uma ampla autoridade para a legislatura examinar e debater a política do governo e conduta.

Em matéria de política externa, a constituição exigia que a Assembleia Geral fosse consultada sobre declarações de guerra, tratados e a condução das relações internacionais. Um determinado legislador poderia explorar essas disposições constitucionais para bloquear ou limitar as decisões, nomeações de influência e força de reconsideração das políticas do governo.