As eleições estaduais em Santa Catarina em 1994 ocorreram em 3 de outubro como parte das eleições gerais no Distrito Federal e em 26 estados. Foram eleitos o governador Paulo Afonso Vieira, o vice-governador Augusto Hülse, e os senadores Vilson Kleinübing e Casildo Maldaner, além de 16 deputados federais e 40 estaduais.

Após um complicado processo de negociações — influenciado fortemente pelos arranjos nacionais e em que o momento chave é a saída de Esperidião Amin do pleito estadual — acabam por se constituir quatro candidaturas ao governo do Estado de Santa Catarina, em 1994. De um lado, negociavam os partidos da União por Santa Catarina — coligação envolvendo PPR, PFL e vários pequenos partidos conservadores — que já governavam o Estado desde as últimas eleições, de outro, os partidos que, nas eleições de 1990, formaram a Frente Popular (PDT, PT, PSB, PPS e PCdoB), além de PSDB e PMDB.

No âmbito da União, havia consenso em torno do nome de Esperidião Amin para o governo do estado, e Raimundo Colombo para vice. Porém, com a desistência de Amin para concorrer à presidência, no lugar de Paulo Maluf), a coligação implode. PPR e PFL acabam por sair com candidatos próprios, já que Jorge Bornhausen também já havia se comprometido com a candidatura de Fernando Henrique Cardoso (sendo, portanto, inviável manter a coligação com o PPR no Estado, com Amin candidato presidência). As bases partidárias,por outro lado, pressionavam para a manutenção da União, o que acaba ocorrendo no âmbito das eleições proporcionais.

Entre os partidos do centro à esquerda, o PMDB tentava articular uma coligação, preferencialmente com o PSDB e o PDT. Estes se dividiam entre esse tipo de coligação — com maior viabilidade eleitoral, mas em situação menos vantajosa, para eles na chapa majoritária — e uma coligação mais à esquerda, com os partidos que haviam formado antes a Frente Popular (já que uma coligação mais abrangente, unindo toda a esquerda e centro-esquerda ao PMDB era vetada pelo PT).

Até a saída de Amin do pleito estadual, era a primeira dessas opções a mais provável, visto que, contra o favoritismo de Amin, haveria que se constituir uma chapa forte. Com a saída de Amin, a segunda opção prevalecerá: forma-se a Frente Popular, que repete a coligação feita em 1990, incluindo agora o PSDB (que, então, havia saído isoladamente). Sobra ao PMDB, coligar-se com partidos pouco expressivos, como o PSD, PV, PRP e PMN.

Ao final das negociações, prevalece o seguinte quadro. pelo PPR, a candidata é Ângela Amin, esposa de Esperidião Amin, que se projetou na política a partir de sua atuação como primeira-dama, especialmente por sua gestão no projeto Pró-Criança e pela"ação comunitária" desenvolvida através da LADESC (Liga de Apoio ao Desenvolvimento Social Catarinense). A partir daí,e capitalizando o prestigio politico do marido, elegeu-se a vereadora mais votada em Florianópolis no ano de 1988 e a deputada federal também mais votada no Estado, em 1990. Sua campanha baseou-se num discurso centrado na "família catarinense", quando se propunha a "fazer pela família o que já havia feito pela criança" (através do Pró-Criança).

Pelo PFL sai Jorge Bornhausen. Membro da mais longeva oligarquia do Estado, tradicionalmente ligada ao setor financeiro, JKB foi vice-governador em 1965 (a partir de manobra jurídica visando viabiliza-lo como substituto do vice que havia sido cassado) e governador biônico, entre 1979 e 1982. Foi também ministro no governo da "Nova República". A única eleição de que participou e venceu, por 1500 votos de diferença, foi a de senador, em 1982 (uma das eleições mais contestadas, em termos de legitimidade, no Estado). Seu prestigio politico se deve principalmente a seu talento como articulador, além de suas vinculações orgânicas com o empresariado. Sua estratégia básica de campanha foi atrela-la totalmente campanha de FHC (a ponto de dizer em debate, na TV, que, se o eleitor não fosse votar em FHC, seria melhor votar em outro candidato ao governo do Estado que não ele próprio). O ponto decisivo de sua campanha realmente se deu quando da primeira vinda de FHC ao Estado como candidato: JKB consegue que FHC declare claramente seu apoio a ele (já que o candidato da Frente Popular também disputava esse apoio). Um dado importante da campanha foi a exacerbação dos ânimos entre lideranças importantes do PPR e do PFL (que até ali vinham solidamente unidas desde pelo menos desde 1990). Neste nível de cúpula há troca de acusações e ameaças, embora as bases do partido se esforcem por manter a União.

Pelo PMDB (Coligação com PSD, PV, PMN e PRP) concorre Paulo Afonso Vieira: politico de perfil moderado, foi o mais jovem dos concorrentes. Em uma rápida carreira política, elegeu-se deputado estadual em 1986, tendo ocupado o cargo de Secretário Estadual de Finanças do governo Pedro Ivo/Casildo Maldaner (PMDB) , entre dezembro de 1988 e março de 1990. Em 1990 foi candidato ao governo estadual pelo partido, tendo ficado em 2° lugar. De lá para cá perseguiu de forma persistente seu projeto de ser governador, tendo ficado praticamente 4 anos em campanha. Em relação à candidatura de Orestes Quércia, o partido praticamente não se engajou, embora não houvesse criticas declaradas ao candidato e a única defecção importante tivesse sido a do prefeito de Blumenau Renato Vianna, que apoiou FHC no plano nacional.

O candidato da Frente Popular (PDT, PT, PSDB, PSB, PPS, PCdoB), foi Nelson Wedekin (oriundo do setor "progressista" do PMDB, partido pelo qual foi eleito em 1986, filiou-se ao PDT em 1989). As negociações para a formação da Frente resultaram numa composição complicada para a chapa majoritária, com o candidato a governador sendo do PDT, o candidato a vice, do PSDB, e os dois candidatos ao senado, do PT. O complicador foi o fato do candidato a vice (ex-deputado federal e empresário Vilson de Souza, do PSDB) apoiar FHC para a presidência. Além disso o próprio candidato ao governo tentou mostrar que tinha livre transito não só com Brizola e Lula (que o apoiavam), mas também com o candidato tucano a presidência. Além dessa tentativa de se aproximar da candidatura FHC não ter tido resultados práticos (pois FHC manifestou apoio a Jorge Bornhausen), esse jogo foi criticado pelo PT, cujos militantes — que já não tinham grande apreço pelos candidatos a governador e a vice — acabaram não se engajando na campanha ao governo do Estado.

A candidata Angela Amin venceu o 1° turno por boa margem de votos, alcançando 45,86% do total dos votantes, e obteve mais votos que a soma dos votos do segundo e terceiro colocados. Por pouco, ela não vence já no 1° turno, mesmo tendo sido a deputada federal mais votada em 1990, esse resultado é muito significativo, pois antes da campanha ela ainda não tinha nome consolidado a nível estadual. Além disso, sua vitória foi disseminada em todo o estado: venceu em 213 dos 260 municípios; das 22 microrregiões, apenas em uma (Sul) ela não foi a mais votada.

Os realinhamentos partidários para o 2° turno foram francamente favoráveis ao candidato peemedebista, contribuindo de forma fundamental para sua vitória, revertendo o resultado do 1° turno. A briga de Ângela Amin com o deputado Pedro Bittencourt Neto, que em seguida sairia do PPR rumo ao PFL, e o rompimento entre Jorge Bornhausen e os Amin. Bornhausen apoiou claramente Paulo Afonso, levando consigo boa parte do PFL, embora uma parte deste partido tenha apoiado Ângela Amin. PSDB e PDT também encamparam a campanha de Paulo Afonso. No PT, as principais lideranças do partido pediram voto para o candidato do PMDB, embora com resistências nas bases do partido.

Resultado da eleição para governador Primeiro turno Candidatos a governador do estado Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação PercentualÂngela AminPPR Milton SanderPPR Paulo Afonso VieiraPMDB Augusto HülsePMDB Jorge BornhausenPFL Plínio de Nês FilhoPFL Nelson WedekinPDT Vilson SouzaPSDB Fontes:

Segundo turno Candidatos a governador do estado Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação PercentualPaulo Afonso VieiraPMDB Augusto HülsePMDB Ângela AminPPRMilton SanderPPR Fontes:

Resultado da eleição para senador Candidatos a senador da República Candidatos a suplente de senador Número Coligação Votação PercentualVilson KleinübingPFL Geraldo AlthoffPFLAdir GentilPFL 252 914.799 26,33%Casildo MaldanerPMDB Henrique LoyolaPMDBEstefânia MarchettiPMDB 152 682.252 19,64%Luci ChoinackiPT Péricles PradePDTÁlvaro Manoel PereiraPT 133 621.366 17,88%Luiz GomesPPR Norival FischerPPRAstor dos SantosPPR 112 520.012 14,97%Lourenço HerterPT Francisco BalthazarPTMaria Aparecida de OliveiraPT 132 296.277 8,53%Ademar DuwePMDB Otto Entres FilhoPMDBValdir Cezar BarettaPMDB 153 267.160 7,69%João de LimaPRN João Geraldo BernardesPRNManoel RamosPRN 362 86.363 2,49%Honorato TomelinPL Eugênio CordeiroPLDécio Gomes de MeloPL 222 86.325 2,48%Fontes:

Deputados federais eleitos São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.

Número Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa1540Luiz Henrique da SilveiraPMDB99.5184,65%Blumenau1190Paulo BauerPPR71.8523,36%Blumenau1112Mário Roberto CavallazziPPR63.8812,99%Florianópolis2599José Carlos VieiraPFL63.4212,96%Joinville1111João PizzolattiPPR58.4902,73%Blumenau2511Paulo BornhausenPFL56.4622,64%Blumenau1130Hugo BiehlPPR49.9422,33%Piratuba1201Leonel PavanPDT48.6822,28%Sarandi1594João Batista MatosPMDB46.9192,19%Ituporanga1555Edison AndrinoPMDB45.6592,13%Florianópolis2555Paulo GouvêaPFL43.1962,02%Cachoeira do Sul1515Edinho BezPMDB40.4211,89%Gravatal1560Neuto de ContoPMDB40.2401,88%Encantado1340José FritschPT39.5811,85%Ipumirim1210Serafim VenzonPDT30.0721,41%Botuverá1333Milton MendesPT24.6101,15%LagunaFontes:

Deputados estaduais eleitos Na disputa pelas quarenta cadeiras da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

Número Deputados estaduais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa25105Cesar SouzaPFL36.1151,62%Rio do Sul11100Eni VoltoliniPPR33.1791,49%Corupá11135Lício Mauro da SilveiraPPR32.0141,44%Joinville25200Onofre AgostiniPFL29.1731,31%Ipê11203Gilmar KnaeselPPR27.8411,25%Pomerode25222Ciro RozaPFL26.7341,20%Blumenau11233Reno CaramoriPPR26.7161,20%Getúlio Vargas11134Wilson Wan-DallPPR26.5901,19%Gaspar25210Adelor VieiraPFL26.4871,19%Blumenau15157Manoel MotaPMDB24.8641,12%Araranguá11223Pedro Bittencourt NetoPPR23.8001,07%Florianópolis15155Sérgio SilvaPMDB22.6351,02%Joinville11165Leodegar TiscoskiPPR21.2470,95%Sombrio11271Ivan RanzolinPPR20.9750,94%Lages11123Udo WagnerPPR20.8910,94%Guaramirim15194Luiz Roberto HerbstPMDB20.8620,94%Mafra15220Herneus de NadalPMDB20.7930,93%Palmitos25122Geraldo WerninghausPFL20.7520,93%Rio do Sul25155Júlio TeixeiraPFL19.8490,89%Rio do Sul13212Carlito MerssPT19.5130,88%Porto União15180Luiz MariniPMDB19.3660,87%Concórdia22123Jorginho MelloPL19.1040,86%Ibicaré11211Otávio Gilson dos SantosPPR18.6880,84%Paulo Lopes11133Jandir BelliniPPR18.5600,83%Ponte Serrada11245Odacir ZontaPPR18.2250,82%Encantado11266Gervásio MacielPPR17.8390,80%Palhoça11218Olices SantiniPPR17.7450,80%Tenente Portela15140Ivo KonellPMDB17.1940,77%Jaraguá do Sul15210Varderlei RossoPMDB16.8970,76%Urussanga13110Idelvino FurlanettoPT16.5830,74%Lagoa Vermelha15270Romildo TitonPMDB16.0300,72%Tangará13111Volnei MorastoniPT15.9490,72%Rio do Sul15144Gelson SorgatoPMDB15.7150,71%Antônio Prado15215João Henrique BlasiPMDB15.5560,70%Florianópolis12234Jaime MantelliPDT13.2150,59%Chapecó12123Décio RibeiroPDT12.8300,58%Lages12222Afonso SpaniolPDT12.5680,56%Itapiranga13200Neodi SarettaPT11.9210,54%Jaborá13123Ideli SalvattiPT11.8320,53%São Paulo45113Francisco KüsterPSDB10.8650,49%São JoaquimFontes:

Santa Catarina 1994 Categoria:1994 em Santa Catarina