As relações internacionais do México são coordenadas pelo Presidente dos Estados Unidos Mexicanos através da Secretaria de Relações Exteriores. Os princípios da política internacional mexicana são estabelecidos no Artigo 89, Seção 10 da Constituição Federal, que determinam: respeito às leis internacionais, à igualdade de Estados e à sua soberania e independência, a não-intervenção, resolução pacífica de conflitos e promoção da segurança coletiva através da participação ativa em organizações internacionais. Desde a década de 1930, a Doutrina Estrada têm delineado o cumprimento de tais princípios por parte do Estado mexicano.

No seguinte à Guerra de Independência, as relações do México foram focadas especialmente nos Estados Unidos, o país limítrofe ao norte, seu maior parceiro comercial e maior protagonista político no Hemisfério Norte. Ao ser restabelecida, sua política externa foi sendo construída sob prestígio hemisférico nas décadas subsequentes. Na década de 1960, o México apoiou o governo cubano de Fidel Castro, a Revolução Sandinista na Nicarágua na década de 1970 e grupos esquerdistas salvadorenhos na década de 1980. A partir da década de 2000, o então Presidente Vicente Fox adota uma nova política internacional voltada à abertura e aceitação de criticismo da comunidade internacional e marcada pelo crescente envolvimento mexicano em assuntos internacionais, assim como sua integração com as nações vizinhas. O governo de seu sucessor, Felipe Calderón, no entanto, foi marcada pela reaproximação diplomática com os países latino-americanos.

O México é membro-fundador de inúmeras organizações internacionais, especialmente das Nações Unidas, da Organização dos Estados Americanos, Organização dos Estados Ibero-americanos e do Grupo do Rio. Por um já longo período, o México têm figurado entre os contribuintes regulares do orçamento das Nações Unidas, tendo acrescido cerca de 40 milhões de dólares à organização no ano de 2008. Além disto, foi o único membro latino-americano da OECD desde sua associação, em 1994, até a entrada do Chile, em 2010. O México é considerado um país recentemente industrializado, uma potência regional e um mercado emergente, dada sua atuação nos grupos econômicos de destaque como o G8+5 e o G20. Nas décadas recentes, o México têm defendido uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas com apoio de Argentina, Itália, Paquistão e outras nove nações, que compõem a chamada União pelo consenso.

Política externa

O Artigo 89, Seção 10 da Constituição Política dos Estados Unidos Mexicanos determina os princípios da política externa mexicana, que foram oficialmente incorporados em 1988. A direção que a política externa eventualmente tomará é determinada pela Presidência, como chefia de Estado, e sua execução se dá através da Secretaria de Relações Exteriores. O artigo dispõe:

Aliado a estes princípios reconhecidos constitucionalmente, a política externa baseia-se em algumas doutrinas, dentre as quais a Doutrina Estrada é a mais influente e representativa. Proclamada no início da década de 1930 e aplicada fortemente até os anos 2000, a Doutrina Estrada defende o princípio de que os governos estrangeiros não devem julgar, positiva ou negativamente, os governos ou transições políticas das demais nações, sendo que tal atitude seria uma quebra da soberania de tal nação. Esta doutrina política foi norteada pelos princípios de não-intervenção, resolução pacífica de disputas e autodeterminação de todas as nações.

Durante o governo do Partido da Ação Nacional (PAN), Vicente Fox apontou Jorge Castañeda como seu Secretário de Relações Exteriores. Castañeda imediatamente rompeu com a Doutrina Estrada, promovendo o que foi alcunhado pelos especialistas como "Doutrina Castañeda". A nova política externa resumia-se em abertura e aceitação de criticismo da comunidade internacional, porém visando maior envolvimento mexicano em assuntos estrangeiros.

Em novembro de 2006, o então Presidente-eleito Felipe Calderón anunciou a diplomata Patricia Espinosa como sua Secretária de Relações Exteriores. Suas prioridades incluíam a diversificação da temática Estados Unidos-México - que julgava demasiadamente focada nas questões de imigração - e a reconstrução das relações diplomáticas com Cuba e Venezuela, que haviam sido muito prejudicadas durante o governo anterior. Assim como, maior atenção aos países latino-americanos, com destaque para o Brasil.

Relações diplomáticas thumb|right|400px|Mapa das missões diplomáticas do México no exterior (2008).

A rede de missões diplomáticas mexicana foi oficializada em 1822, o ano da assinatura do Tratado de Córdoba, que marcou o início da independência do país. Em 1831, foi aprovada legislação sustentando o estabelecimento de representações diplomáticas em outras nações da Europa e das Américas.

Como uma potência regional e mercado emergente, o México detém uma significante presença global. Em dados do ano de 2009, a Secretaria de Relações Exteriores administrava mais de 150 representações diplomáticas no exterior, sendo:

81 embaixadas 69 consulados 6 missões permanentes

Em meados da década de 1970, o México reconheceu a República Popular da China como único e legítimo governo da China, portanto, questões relativas à República da China (Taiwan) são gerenciadas por meio de escritórios especiais do Consulado Geral Mexicano em Hong Kong e Macau. O México também não reconhece o Kosovo como um Estado independente.

Historicamente, o México têm mantido posição de neutralidade em conflitos internacionais. Contudo, nos anos recentes, alguns partidos políticos propuseram emendas à Constituição permitindo que as forças armadas do país colaborem nas Missões de paz das Nações Unidas ou ofereçam suporte militar a países aliados.

Relações bilaterais América do Norte thumb|right|230px|Assinatura do NAFTA, em 1992. Da esquerda para a direita: Carlos Salinas de Gortari, George H. W. Bush, Brian Mulroney. Abaixo: Jaime Serra Puche, Carla Hills e Michael Wilson. Desde a efetivação do Tratado de Livre-Comércio Norte-Americano (NAFTA), em 1 de janeiro de 1994, as relações entre Canadá, México e Estados Unidos foram fortalecidas no âmbito político, econômico, social e cultural. Durante o governo de Vicente Fox, foi priorizada uma maior integração entre os países da América do Norte. Os Ataques de 11 de Setembro de 2001, no entanto, modificaram em parte as prioridades da política externa estadunidense, conduzindo-as a uma política de segurança regional. Como resultado, inúmeros encontro bilaterais foram organizados com a finalidade de prover maior cooperação em assuntos de segurança e economia.

Outros tópicos de destaque são aqueles relacionados à conservação e proteção do meio ambiente, o Acordo Norte-Americano em Cooperação Natural (NAAEC), por exemplo, consiste em uma declaração de princípios e objetivos assim como medidas concretas para maior cooperação dos três países em questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Por outro lado, o Independent Task Force on North America defende uma integração política e social maior dos países como uma região.

Canadá e México não mantiveram relações formais até 1944, no cenário da Segunda Guerra Mundial, durante o qual ambos os países tomaram parte como apoio aos Aliados. Pouco antes das negociações sobre o NAFTA, laços políticos e econômicos entre os dois países estavam enfraquecidos. Desde a efetivação do NAFTA, ambos os países passaram ao posto de parceiros comerciais um do outro, e colaboraram nas negociações com os Estados Unidos, como por exemplo, nas questões referentes ao embargo a Cuba.

Atualmente, México e Canadá são parceiros políticos e estratégicos e beneficiam-se de uma proveitosa relação bilateral, que inclui laços comerciais cada vez mais fortes, trocas políticas positivas e expansão da rede de colaboração entre mexicanos e canadenses em áreas como as alterações climáticas, a cultura, a energia, a educação, os direitos humanos e a modernização do serviço público. E, mais recentemente, os dois países têm construído uma relação mais próxima de segurança e defesa.

Nos anos recentes, ambos os países tornaram-se parceiros de Itália, Argentina, Paquistão e outros oito países que buscam uma reforma na estrutura e procedimentos do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O grupo é conhecido como União pelo consenso ou informalmente como "Clube do Café", em oposição ao G4.

Américas

País Início das relações formais Notas 1824 Ver Relações entre Argentina e México

Os primeiros contatos entre os dois países se deu em 1818 com a formação das Províncias Unidas da América do Sul. Devido à conflitos internos de cada nação, as relações entre México e Argentina foram oficializadas somente em 1880, quando ambos os países enviaram as credenciais de seus respectivos representantes. As representações foram promovidas a embaixada em 1927. Em 20 de maio de 1914, diplomatas da Argentina, Brasil e Chile, conhecidos como Países ABC, reuniram-se em Niagara Falls com o intuito de evitar um conflito entre o México e os Estados Unidos por conta do Incidente de Tampico.

As relações se degradaram durante o governo militar argentino, por conta do asilo político concedido pelo México a Héctor Cámpora e Abal Medina. Próximo ao fim da presidência de López Portillo, em abril de 1982, a Argentina invadiu as Ilhas Malvinas, iniciando um tenso conflito com o Reino Unido. O governo mexicano reconheceu os direitos argentinos sobre o arquipélago, mas condenou publicamente o uso de força bélica como caminho para resolução do conflito.

Em 2005, durante a 4.ª Cúpula das Américas, em Mar del Plata, ambos os países tiveram tensões diplomáticas quando o então presidente mexicano Vicente Fox cancelou uma reunião bilateral com o então presidente argentino Néstor Kirchner. Na cimeira, Fox propôs a criação da Área de Livre Comércio das Américas, excluindo as nações que não concordassem com a medida. Argentina, Brasil e Venezuela argumentaram que o objetivo da cimeira não era a discussão da ALCA. Ao fim do evento, Vicente Fox e Néstor Kirchner trocaram críticas quanto às políticas externa dos respectivos países. Contudo, em 2007, Kirchner e Felipe Calderón assinaram um "Acordo de Parceria Estratégica" com a finalidade de fortalecer os laços bilaterais. 1831 A Bolívia possui uma embaixada na Cidade do México. O México possui uma embaixada em La Paz.

Ambos os países são membros da Associação de Academias da Língua Espanhola, da Organização dos Estados Americanos, da Organização dos Estados Ibero-americanos e do Grupo do Rio. 7 de agosto de 1824 Ver Relações entre Brasil e México

México e Brasil representam mais da metade da população, território e desenvolvimento econômico da América Latina e possuem maior prestígio político na região. Considerados potências regionais por especialistas, ambos os países possuem boas relações. Na área econômica, ambos são membros da ALADI, do G8+5 e do G20.

As relações diplomáticas foram formalmente estabelecidas na década de 1820. Durante a Intervenção Francesa e o subsequente Segundo Império Mexicano, todos os países latino-americanos, com exceção da Guatemala e do Império do Brasil, recusaram-se a reconhecer o governo de Maximiliano I. Em 1914, após o Incidente de Tampico, tropas estadunidenses ocuparam o Porto de Veracruz e os governos de Argentina, Brasil e Chile providenciaram negociações para solução pacífica da disputa.