Guesdismo foi a designação pela qual ficou conhecida a doutrina política dominante no seio do socialismo francês agrupado na Secção Francesa da Internacional Operária (Section française de l'Internationale ouvrière, SFIO) durante os primeiros anos do século XX. A corrente política deriva o seu nome do líder socialista Jules Guesde (1845-1922), o seu principal proponente. A corrente foi dominante até 1914, perdendo terreno com a Primeira Guerra Mundial, mantendo-se contudo influente até quase desaparecer com a Frente Popular de 1935-1938. Descrição O pensamento político de Jules Guesde prevaleceu como linha política dominante na criação da SFIO em 1905, sendo a principal linha enformadora do programa da instituição. Após o Congresso de Tours, realizado em 1920, e da consequente separação da Secção Francesa da Internacional Operária, de orientação socialista, da SFIC comunista), o «guesdismo» continuou a ser a linha oficial do SFIO. Esta dominância manteve-se de facto até ao advento da Frente Popular de 1935-1938, e oficialmente até à Segunda Guerra Mundial. Esta linha de pensamento opôs-se, relativamente a determinados pontos, à tendência, considerada mais de reformista, de Jean Jaurès.

No plano da acção política, as grandes linhas do «guesdismo» assentavam nos seguintes elementos: Recusa do socialismo reformista e da participação em governos burgueses (neles se incluindo os liderados pelos radicais-socialistas do Parti républicain, radical et radical-socialiste); Recusa de revolução imediata enquanto as condições para o sucesso não estivessem reunidas, premissa que distingue os guesdistas (como equivalente francês dos mencheviques russos) dos bolcheviques; Preparação metódica da revolução pelo fomento da luta de classes.

Como balanço, considera-se que o «guesdismo» trouxe ao socialismo francês as seguintes contribuições: Uma estrutura organizativa rigorosa, a qual contribuiu em muito para consolidar o socialismo na França. O Partido Operário Francês (Parti ouvrier français), um pequeno grupo de cerca de pessoas na década de 1880, tornou-se num grande partido político no poder em muitas cidades na década de 1890; Estabeleceu uma organização muito forte e eficaz e uma disciplina partidária que deixou traços duradouros no socialismo francês. Apesar das importantes contribuições trazidas ao socialismo em França e na Europa, na actualidade são apontadas críticas aos resultados obtidos pelo »guesdismo», nomedamente: A orientação de «ni-ni» (nem-nem de «nem reformismo, nem revolução imediata») teria conduzido ao imobilismo da SFIO, à qual Jules Guesde soube imprimir a sua marca. Em consequência, a SFIO recusou por diversas vezes a sua participação, ou mesmo de sustentar plenamente, os governos "burgueses" radicais-socialistas, em 1924 (Cartel des gauches), 1929 e 1932 (Bloc des gauches). Apenas aceitou participar no governo em 1914 e, depois, em 1936. No entanto, é a maioria da SFIO, para além de únicos herdeiros do «guesdismo», que hesitaram até 1936 em participar no governo com os radicais, numa lógica não-reformista que pode ser interpretado como pós-traumática após a cisão com os comunistas ocorrida no Congresso de Tours; O "marxismo" propagado pelo «guesdismo» é uma versão simplificada e primária do pensamento de Karl Marx, mais próxima do blanquismo que do verdadeiro marxismo.N. McInnes, Les débuts du marxisme théorique en France et en Italie (1880-1897), Études de Marxologie n° 3, juin 1960. Para Édouard Berth, «o guesdismo é mais lassalliano que marxista».D'Aristote à Marx (l'ancienne et la nouvelle métaphysique), Paris, Marcel Rivière, 1935. Olhando ao legado do «guesdismo», pode-se concluir que o Partido Comunista Francês (PCF) e, especialmente, a esquerda da SFIO anterior à Segunda Guerra Mundial, reivindicou o legado de Guesde. A esquerda do Partido Socialista Francês, gradualmente organizada em tendências (a "Bataille socialiste" de Jean Zyromski), defendendo a negação da participação ministerial nos governos de unidade das esquerdas, recusando a unidade de ação com os comunistas e unidade antifascista no apoio à Espanha republicana. Ver também Jules Guesde Marxismo Jean Zyromski

Bibliografia Claude Willard, Les Guesdistes, Paris, Éditions sociales, 1968 Gaëtan Pirou, Les doctrines économiques en France depuis 1870, Librairie Armand Colin, Livre 1, chapitre 1 : De la Commune à 1914, 1925 (les classiques de l'uqac) Ligações externas Guesde e guesdismo (London Metropolitan University) Jaurès-Guesde, "Les Deux méthodes", discours du 26 novembre 1900 (à propos de la participation socialiste à un gouvernement bourgeois)

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