Tempestade de Neve: Aníbal e o seu Exército a Atravessar os Alpes (Snow Storm: Hannibal and his Army Crossing the Alps) é uma pintura a óleo sobre tela do mestre inglês J. M. W. Turner, e que foi exibida ao público pela primeira vez em 1812.
A tela aborda a fragilidade humana ante as forças da natureza, sendo a própria composição um redemoinho. Turner volta a utilizar a ideia de vórtice, numa encenação do terror que se apossa do homem ante a grandiosidade da natureza. Montes altíssimos e blocos de neve fustigam a presunção humana que ousou desafiá-los. O sol é um pálido círculo distante, como que um olho indiferente a observar a audácia do homem diante da inclemência do tempo. Neoclássicos, Românticos e Realistas (II), Colecção Génios da Pintura, Abril Cultural, Editor Victor Civita, 1984, pag. 190
Deixada ao património público nacional pelo Turner Bequest, ficou primeiro na National Gallery tendo em 1910 transitado para a Tate Gallery onde permanece atualmente.
Descrição A pintura representa o esforço dos soldados de Aníbal a cruzar os Alpes Marítimos em contrariados pelas forças da natureza e pelas tribos locais. Uma nuvem de tempestade escura encurvada domina o céu preparada para desabar sobre os soldados que estão por baixo no vale e o sol amarelo-alaranjado tenta romper através das nuvens. Uma avalanche branca desliza pela montanha na direita. Aníbal não está claramente identificado, mas pode estar a ser transportado pelo elefante visível à distância. O enorme animal parece minúsculo face à tempestade e à paisagem, aparecendo as planícies soalheiras de Itália em frente. Em primeiro plano, guerreiros salssos anos estão a combater a rectaguarda de Aníbal, confrontos que são descritos nas histórias de Políbio e Tito Lívio.Tate Illustrated Companion
Nesta obra surge pela primeira vez um remoinho oval de mistura de vento, chuva e nuvens, uma composição dinâmica de contraste de luz e escuridão a que Turner recorrerá em obras posteriores, como na obra de 1842, Tempestade de Neve: Barco a Vapor a sair da Embocadura do Porto (Snow Storm: Steam-Boat off a Harbour's Mouth).
O desequilíbrio da composição, sem eixos geométricos ou perspectiva, rompe com as regras tradicionais da composição. É similar à sua aguarela de 1800-2, Edward I's Army in Wales, pintada para ilustrar uma passagem do poema O Bardo de Thomas Gray, em que um exército marcha diagonalmente através de uma passagem de montanha, e que é atacado por um arqueiro no lado esquerdo da pintura.
História Turner via paralelismo entre Aníbal e Napoleão,Ficha da Tate Gallery sobre a obra entre as Guerras Púnicas em que se confrontaram Roma e Cartago e as Guerras Napoleónicas contemporâneas do artista em que se defrontavam o Reino Unido e a França. A obra é a resposta de Turner ao retrato Napoleão cruzando os Alpes de Jacques-Louis David em que este vangloria Napoleão a liderar o seu exército no Grande São Bernardo que aconteceu em Maio de 1800, obra que Turner tinha visto durante a sua visita a Paris em 1802. Turner situou a sua obra no Vale d'Aosta, uma das possíveis vias que Aníbal pode ter usado para cruzar os Alpes, e que Turner também visitou em 1802. Albert Boime, Art in an Age of Bonapartism, 1800–1815p. 111–116,
Identificar Napoleão e a França com Aníbal e Cartago era invulgar: enquanto potência continental e com uma armada relativamente fraca, a França era usualmente mais identificada com Roma, assemelhando-se o Reino Unido enquanto potência naval a Cartago. Um simbolismo mais usual, ligando o poder naval moderno dos Britânicos ao antigo poder naval de Cartago, pode ser encontrado em obras posteriores de Turner como Dido Building Carthage e The Decline of the Carthaginian Empire.Gerald E. Finley, Angel in the Sun: Turner's Vision of History, p. 98–101
Turner esboçou as figuras de primeiro plano logo em 1804 e tinha observado uma impressionante tempestade numa casa em Yorkshire, em 1810; fazendo anotações na parte de trás de uma carta ao dona da casa, comentou que seria provável que veria a obra de novo dentro de dois anos, e que se chamaria "Aníbal cruzando os Alpes". Turner também pode ter sido inspirado por uma pintura a óleo (perdida) do exército de Aníbal a descer dos Alpes para o norte da Itália do artista John Robert Cozens, Paisagem com Aníbal na sua marcha sobre os Alpes, a única pintura a óleo que Cozens expôs na Royal Academy, e também uma entrada na lista de pinturas imaginárias, escrita por Thomas Gray que especulou que Salvator Rosa poderia ter pintado Aníbal passando os Alpes. Outro impulso para a feitura por Turner da sua obra pode ter sido a visita de uma delegação do Tirol a Londres, em 1809, na procura de apoio para se oporem a Napoleão.Entrada no Catálogo da Tate
A pintura foi exposta ao público pela primeira vez na exposição de verão da Royal Academy na Somerset House em 1812, tendo o catálogo alguns versos do poema inacabado de Turner, Fallacies of Hope: Lynn R Matteson,The Poetics and Politics of Alpine Passage: Turner's Snowstorm: Hannibal and His Army Crossing the Alps, The Art Bulletin, Vol.62, No.3 (Set 1980) 385–398 Turner exigia que o quadro estivesse exposto numa posição baixa na parede da exposição de modo a ser visto de um ângulo correcto. Foi amplamente considerado como impressionante, terrível, magnífico e sublime.
Referências
Categoria:Pinturas de 1812 Categoria:Pinturas de William Turner Categoria:Pintura do Reino Unido Categoria:Aníbal Categoria:Travessia dos Alpes Categoria:Tempestades nas artes