Marco Horácio Barbato () foi um político da gente Horácia nos primeiros anos da República Romana eleito cônsul em 449 a.C. com Lúcio Valério Poplícola Potito.Lívio, Ab urbe condita libri III, 44, 55.

Consulado (449 a.C.)

Marco Horácio pertencia ao ramo Barbato da nobre gente Horácia, uma gente patrícia da Roma Antiga. Foi, assim como seu colega Lúcio Valério, um dos mais firmes adversários do Segundo Decenvirato,Smith, p. 461 especialmente quando ficou claro que os decênviros não renunciariam ao poder depois de terminado seu mandato.Lívio, Ab urbe condita libri III, 38,1.

Depois do assassinato de Lúcio Sício Dentato por mercenários armados a mando dos decênviros,Lívio, Ab urbe condita libri III, 43,2-5. enviado para combater os sabinos, e depois da morte de Vergínia, assassinada por seu pai para que não fosse vítima dos desejos sexuais de Ápio Cláudio Crasso Inregilense Sabino, membro mais influente do decenvirato,Smith, p. 767 começaram os tumultos entre as tropas do exército, que estava acampado fora de Roma, e cujos soldados começaram a desertar para se reunirem no Aventino. Horácio e Valério, à frente da revolta popular, foram enviados pelo Senado ao Monte Sacro, onde a plebe estava reunida, com o objetivo de negociarem condições para o fim da revolta, a segunda secessão da plebe.

Foram restaurados o direito de apelação e os poderes dos tribunos da plebe e se combinou a abolição do decenvirato. No mesmo ano, Marco Horácio e Lúcio Valério foram eleitos cônsules e reforçaram os direitos da plebe promulgando as "Leges Valeriae Horatiae", que, entre outros direitos, estabeleceu a inviolabilidade dos tribunos e definiu como seriam as eleições, além de reconhecer o valor jurídico dos plebiscitos.Lívio, Ab urbe condita libri III, 55. Ápio Cláudio e Espúrio Ópio Córnice se suicidaram enquanto estavam presos,Lívio, Ab urbe condita libri III, 58, 6, 9. enquanto os outros oito decênviros foram condenados ao exílio.Lívio, Ab urbe condita libri III, 58, 9.

Neste ínterim, équos, volscos e sabinos novamente entraram em guerra contra Roma. Antes de partirem para enfrentá-los, os dois cônsules mandaram fundir em bronze a Lei das Doze Tábuas.Lívio, Ab urbe condita libri III, 57, 10. Enquanto Horácio se ocupou dos sabinos, Valério marchou contra volscos e équos, derrotando-os com facilidade,Lívio, Ab urbe condita libri III, 61, 10. mesmo à frente de um exército desmoralizado e derrotado sob o comando dos decênviros.Lívio, Ab urbe condita libri III, 60, 2. Contra os sabinos, Horácio, depois de um início de resultados duvidosos,Lívio, Ab urbe condita libri III, 62, 6-9. consegue finalmente derrotar o inimigo.Lívio, Ab urbe condita libri III, 63, 1-4.

Roma tinha então dois exércitos consulares vitoriosos. Mas o Senado, não perdoando a forma como os dois resolveram a crise, especialmente o recurso ao povo, se recusou a conceder triunfos aos dois.Lívio, Ab urbe condita libri III, 63, 7. Todavia, pela primeira vez na história de Roma, a assembleia tribal (comitia tributa), ignorando a vontade do senado, decretou um triunfo para os dois.Lívio, Ab urbe condita libri III, 63, 11.

Lívio conclui seu relato assim:

Marco Horácio aparece ainda uma última vez, em 444 a.C., o único, junto com Lúcio Valério, entre os ex-cônsules a não participar dos encontros que se seguiram à crise da possibilidade de candidatura da plebe às eleições consulares. Depois que vários senadores propuseram e aprovaram uma sangrenta repressão, prevaleceu a opinião de Tito Quíncio Capitolino Barbato e de Cincinato e foi criada uma nova magistratura: o tribuno consular ("Tribuni militum consulari potestate").Lívio, Ab urbe condita libri III, 64, 7-8.

Ver também

Bibliografia

Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século V a.C. Categoria:Mortos no século V a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Ano de morte desconhecido Categoria:Horatii