miniaturadaimagem|Saxofone alto 'Selmer Pennsylvania Special' banhado a prata, um saxofone “stencil” fabricado pela Kohlert na Tchecoslováquia, por volta da década de 1930. Ele tem orifícios de tom enrolados, como um saxofone Conn pré-1947. A Julius Keilwerth é uma empresa Alemã que fabrica saxofones desde 1925.

História da companhia

Início da história Johann Baptist Keilwerth (1873 - ), é o primeiro membro da família Keilwerth a se aventurar na fabricação de instrumentos musicais. Em 1903, aos 30 anos de idade Johann foi aprendiz na fabricação de instrumentos de sopro na oficina de Vinzenz Riedl em Kraslice (Graslitz em alemão). Em 1908 Johann já trabalhava para o Luthier para Franz Than em Sudetenland (atualmente parte da República Checa), essa região era conhecida na época como “Klingende Taeler” Vale Sonoro, essa fama vinha do fato da grande ocupação da área por fabricantes de instrumentos musicais, chegando a marca de 59 companhias entre 1914 e 1938.

Johann teve 4 filhos, Josef, Richard, Julius e Max, todos aprenderam o ofício do pai na fabricação de instrumentos musicais. Aos 47 anos Johann começou a fabricar clarinetes e fundou a sua própria empresa, a Keilwerth. Hoje a Keilwerth é chamada de Richard Keilwerth Musik-GmbH & Co. A companhia é atualmente administrada por Thomas Keilwerth, bisneto de Johann, e fabrica saxofones, clarinetes e flautas transversais.

Fundação da companhia na Checoslováquia (1925 - 1947) Em 1914, Julius Keilwerth (1894-1962) foi contratado para trabalhar na V. F. Kohlert & Sons, importante fabricante de saxofones da época, onde trabalhou até ser chamado para servir na Primeira Guerra Mundial. Ao fim da guerra Julius retornou e passou a trabalhar para o fabricante de clarinetes Friedrich Schimmer. Em 1920 Julius começou a montar os primeiros saxofones em casa com partes fornecidas pelo fabricante de saxofones Oscar Adler. Em 1925 Julius fundou sua própria empresa a Julius Keilwerth Saxophones. Tão grande era a visão deste empreendedor, que em 1930 Julius já havia construído sua própria fábrica de instrumentos em Kraslice, e apesar da crise econômica mundial de 1937, Keilwerth continuou a expandir seus negócios mundo afora.

Em 1938 a Julius Keilwerth era a maior fabricante de saxofones da região, tendo 150 colaboradores e exportando 2.024 saxofones para mais de 22 países. Nos primeiros anos da companhia Julius procurava produzir saxofones com a melhor qualidade possível para a época, por isso fabricava todos os acessórios para os seus instrumentos como: cases, palhetas, boquilhas, sapatilhas, etc...

A cidade de Kraslice fica localizada na fronteira entre Alemanha e a antiga Checoslováquia, esse fato influenciou diretamente a produção de instrumentos musicais naquela região durante a Segunda Guerra Mundial.

A assinatura do Acordo de Munique em setembro de 1938 deixou a cidade em plena zona de tensão, centenas de Tchecos foram expulsos da região. Em março de 1939 Hitler desrespeitou o tratado e ocupou todo o país.

Primeiros modelos

Os primeiros saxofones fabricados em Kraslice eram nomeados de King e Toneking. Estes saxofones tinham as chaves da campana divididas no lado esquerdo e direito do instrumento, e quando fabricados saiam da linha de produção com 98 versões. Entre as versões havia instrumentos mais básicos, sem laqueado e desenhos na campana, e versões mais completas com banho de ouro e perolado.

As versões de saxofones fabricadas eram as seguintes: Soprano: 20 variações Alto: 22 variações Tenor: 22 variações Barítono: 24 variações Baixo: 10 variações A J.K. nunca fabricou saxofones em Dó (C Melody), e todos os J.K. são afinados em A=440.

Os modelos e características dos saxofones J.K. da época eram as seguintes: Modell L: Modelo mais básico, sem roletes de madrepérola. Modell IV: Modelo simples, porém com botões e roletes em madrepérola. Modell III: Alguns possuem a chave recurso Fá frontal; Eram fabricados com "drawn tone holes" e "rolled tone holes"; Possuía micro afinador no tudel, e botões em madrepérola. Modell II AKA Amerikanisches Modell: Esse modelo intermediário possuía as mesmas características do Modell III, porém havia alguns adicionais de fábrica no saxofone como um recurso já extinto nos modelos modernos de sax chamado de "G# trill key", o qual consiste em uma chave de trinado para o Sol sustenido localizada próxima a chave do Fá natural; e a guarnição da volta inferior da campana foi reforçada. Modell I: Considerado o modelo profissional da J.K., este tinha todas as características do Modell II, porém possuía um recurso já extinto chamado "Fork Eb", que consistia em um Mi bemol que era acionado com as chaves 1 e 3 da mão esquerda do saxofonista; roletes de madrepérola e guarda chave da campana no lado esquerdo. Modell Soloist: Igual ao Modell I, mas com acabamento extra em madrepérola.

Ao contrário de muitos fabricantes locais da época, Julius optou por não construir saxofones seguindo os padrões franceses French-style, ao invés disso seus saxofones seguiam o padrão americano de construção American-style, com calibre mais grosso. Esse fato é notado no Modell II que carregava em seu sobrenome Amerikanisches Modell, ou seja modelo americano. Esse fato foi considerado apenas como uma jogada de marketing da época, pois todos os modelos eram construídos iguais, apenas diferiam em seus acabamentos e recursos.

Com o passar do tempo Julius diminuiu o número de variações oferecidas em seus saxofones, e realizou melhorias nas variações restantes. Os modelos mais básicos, Modell L e Modell IV saíram de linha, e em todos os modelos restantes o Si bemol grave foi passado para o lado direito junto ao Si grave.

Durante e imediatamente após a Segunda Guerra Mundial

Com a ocupação da Checoslováquia pela Alemanha Nazista em março de 1939, e o desenrolar da guerra a maior parte dos fabricantes de instrumentos musicais da região fecharam ou tiveram que converter suas fábricas de instrumentos em fábricas nazistas, produzindo principalmente componentes aeronáuticos e chapas metálicas. Não se tem muitos dados históricos da J.K. entre 1938 e 1945, mas o fato da produção de saxofones não cessar neste período é um forte indício que a J.K. não fabricou equipamentos bélicos.

Com o fim da guerra em maio de 1945 os alemães étnicos foram expulsos da Checoslováquia, gerando assim uma grande escassez de mão de obra, com isso em setembro do mesmo ano os principais fabricantes de instrumentos musicais Julius Keilwerth, Kolhert, Huller e outros menores se reuniram, juntaram os empregados Checos restantes, e fundaram a Cooperativa dos Fabricantes de Instrumentos Musicais, a qual foi chamada de "AMATI". A Amati funcionava nas instalações da J.K., fabricando saxofones com a marca JKG. A J.K. neste período esporadicamente montava stencils para outros fabricantes, tais como a Austríaca Musica Steyr

Em 1946 se deu o inicio a ocupação comunistas na Checoslováquia, levando assim a expulsão dos últimos alemães étnicos da região, e nacionalização de toda a industria, incluindo a Amati. Julius e parte de sua família teve que deixar Kraslice e tudo para trás, pertences, saxofones e equipamentos.

Em 1948 a Amati era 100% controlada pelo Estado Soviético, esta continuava fabricando saxofones com o logo JKG, comercializar o modelo Toneking, e mantinha os mesmos seriais da J.K.. Esse fato causa até hoje problemas no reconhecimento e datação dos sax Amati e Julius Keilwerth desta época. A Amati seguiu este modelo de fabricação até 1955.

O irmão de Julius, Richard Keilwerth trabalhou para a Amati até 1949.

Reabertura da companhia na Alemanha (1947 - 1962) No final de 1946 Julius Keilwerth e sua família mudaram-se para Nauheim, Alemanha, e para não deixar de praticar seu ofício Julius montou uma pequena oficina para reparo de saxofones na cozinha de uma padaria da cidade, onde ele trabalhava junto a mais 5 funcionários.

A nova Julius Keilwerth foi fundada em 19 de janeiro de 1947, e dois anos depois Julius já trabalhava em uma oficina maior com 80 pessoas, sendo parte destes empregados funcionários da antiga J.K. em Kraslice. A nova fábrica produzia saxofones, trompetes, trombones, e realizava reparos em todos os tipos de instrumentos musicais.

Durante toda a sua trajetória Julius sempre foi auxiliado por seu filho Josef Keilwerth (1919 - 1982). Josef assim como o pai era um excelente luthier, sendo que quando ainda estavam na Checoslováquia Josef foi gerente da unidade da J.K. em Kraslice.

Os primeiros Julius Keilwerth fabricados na Alemanha

Os primeiros saxofones construídos em Nauheim não possuíam tanta qualidade quanto os de Kraslice, isso ocorria pelo fato de Julius não possuir os materiais e equipamentos adequados na nova fábrica Alemã. Os saxofones feitos na Alemanha tinham as chaves da campana do lado esquerdo, simples guarda chaves de metal sem adornos, "tone holes" soldados ao corpo do instrumento, e não mais perfurados e moldados, esse fato ocorrera pois "tone holes" soldados são mais simples de serem fabricados, e não necessitam de equipamentos especializados como os para "tone holes" perfurados e moldados.

O modelo inicial foi nomeado de The New King, seu entalhe da campana foi remodelado, porém o logo JK Trade Mark, The Best in the World foi mantido.

Batalha judicial

No começo de 1950 foi travada uma batalha judicial entre a Julius Keilwerth e a Amati pelo direito do uso do nome Toneking. A Amati afirmava que possuía os direitos legais de usar o nome, pois eles eram os sucessores legítimos da empresa de Kraslice.

Em 1955 a Corte de Justiça Europeia de Haag decidiu por dar o direito do uso exclusivo do nome Toneking a Julius Keilwerth. A partir desta data disputas entre a J.K. e Amati cessaram, e em meados dos anos de 1960 a J.K. chegou a cooperar com o competidor Checo.

A despedida do fundador

No ano 1962 a Julius Keilwerth ficou órfã de seu fundador. Julius morreu aos 68 anos de idade em Nauheim, deixando um grande legado, um exemplo de determinação e empreendedorismo. A partir de 1962 a companhia foi assumida por seu filho Josef.

Fabricação de "Stencils"

Início Um "stencil" é uma termo especificamente usado no mundo dos saxofones para se referir a um instrumento construído por um grande fabricante de instrumentos para outra empresa ou loja. A partir de 1915 houve um grande movimento nos Estados Unidos em prol dos "stencils", isso gerou um aquecimento dos fabricantes europeus, e a fixação deste seguimento na indústria de saxofones.

Com a mudança da companhia da Checoslováquia para a Alemanha, Julius se mostrou mais interessado em promover seu produto através da Europa e mundo. Seu primeiro passo no segmento dos "stencils' foi dado em 1949, data a qual a J.K. começou a fabricar os corpos de saxofones para Dörfler & Jörka.

Para atingir seu objetivo Keilwerth iniciou o desenvolvimento de novas versões de seus modelos Toneking e New King, e ainda no mercado europeu a J.K. mantinha boas relações com a Selmer, fato que levou a fabricação do "Selmer Bundy" e "Selmer Bundy Special" na década de 1950. Ambos os modelos não foram produzidos como modelos profissionais, porém são bem conceituados entre saxofonistas do mundo inteiro.

A Keilwerth desenvolveu também um modelo estudante e um intermediário para a companhia Inglesa Boosey & Hawkes. Novas pesquisas indicam que esses saxofones foram produzidos em pequenas quantidades, sendo que nem mesmo a J.K. sabe quantos saxofones foram montados, e em quais datas.

Keilwerth e Armstrong

Em 1965 a J.K. fabricou o mais famoso de seus "stencis" o H. COUF, nome dado em homenagem ao presidente da W. T. Armstrong, Herb Couf.

Herb e Josef Keilwerth assinaram um contrato de fidelidade onde a J.K. produziria saxofones para a Armstrong até 1987.

Os modelos produzidos na Alemanha pela J.K. foram:

H. Couf Superba I - Modelo baseado no Toneking H. Couf Superba II - Modelo baseado no Toneking Special Royalist - Modelo baseado no New King.