O Rali Dakar 2016 foi a 37ª edição do rali-raid mais exigente do mundo. Teve lugar entre 3 e 16 de Janeiro e pela oitava vez consecutiva ocorreu na América do Sul. A empresa francesa ASO (Amaury Sport Organisation) é a organizadora do Dakar, que percorreu terras da Argentina e Bolívia. Pela primeira vez desde que a prova é realizada no continente americano, o Chile não fez parte da rota. Marc Coma, após conquistar o 5º título em motos na edição de 2015, assumiu o papel de director da prova de 2016.

O rali foi ganho pelo estreante de 2015 Toby Price, continuando o domínio da KTM, com a Honda a continuar a sofrer de falta de fiabilidade. Os irmãos Patronelli dominaram nos Quads (desta vez por Marcos), enquanto a Peugeot voltou com um carro superior que a concorrência. O estreante Sébastien Loeb dominou a primeira semana, mas no final a vitória foi para o Sr. Dakar Stephane Peterhansel. Gerard de Rooy ganhou o Dakar novamente, pondo fim ao domínio Kamaz. Honda, Mini, Toyota e Kamaz 2016 foram maiores decepções.

Historia da prova Desde cedo o ASO enfrentou problemas de planeamento do rali de 2016. O Chile recusou-se a receber o rali, pela primeira vez desde que o Dakar se realiza na América do Sul, e a apenas 4 meses para o início, o Peru também se recusou receber o rali. Sem o Deserto do Atacama e os Andes, o rali foi baseado principalmente na Argentina, com muitas etapas rápidas em pistas fechadas ao estilo WRC, e com poucas etapas de navegação em terreno aberto. O maior problema que os competidores enfrentaram foi o fenómeno climático El Niño, que encurtou a maioria das etapas devido à chuva forte (na primeira semana) e calor enorme (na segunda). Todos estes problemas levaram a muitas críticas e o diretor do Dakar Étienne Lavigne chegou a anunciar uma possível mudança do rali para o sul do continente africano, com o objetivo de pressionar os países sul-americanos. Mais tarde, ele viria anunciar que o rali permaneceria na América do Sul estando à procura de novos países.

Participantes + Número de participantesEtapaMotosQuadsCarrosCamiõesTotalInício do Rali 136 45 111 55 347Dia de descanso 112 36 90 51 289Fim do Rali 84 (61%) 23 (51%) 67 (60%) 41 (75%) 215 (62%)

Motos + Principais CandidatosMarcaNo.Piloto KTM3 Toby Price5 Štefan Svitko9101114 Matthias Walkner2536 Honda26192224 Jean Azevedo Yamaha71518 Husqvarna4 Pablo Quintanilla8 Sherco1720

Automóveis + Principais CandidatosMarcaNo.Pilotonavegador Ford 320 Xavier Pons Ricardo Torlaschi Peugeot 302 Stéphane Peterhansel Jean-Paul Cottret 303 Carlos Sainz Lucas Cruz 314 Sébastien Loeb Daniel Elena 321 Cyril Despres David Castera 328 Romain Dumas Denis Giraudet Mini 300 Nasser Al-Attiyah Matthieu Baumel 304 Nani Roma Alex Haro 306 Erik Van Loon Wouter Rosegaar 310 Orlando Terranova Bernardo Graue 315 Mikko Hirvonen Michel Périn 325 Adam Malysz Xavier Panseri Toyota 301 Giniel de Villiers Dirk von Zitzewitz 305 Yazeed Al-Rajhi Timo Gottschalk 307 Vladimir Vasilyev Konstantin Zhiltsov 311 Bernhard ten Brinke Tom Colsoul 316 Ronan Chabot Gilles Pillot 322 Marek Dabrowski Jacek Czachor 329 Martin Prokop Jan Tománek

Quads + Principais CandidatosMarcaNo.Piloto Yamaha250251252253254264265 Honda255266267 Can-Am258260

Camiões + Principais CandidatosMarcaNo.PilotoCo-Pilotos Kamaz500502504508 Iveco501503518 MAN506 Tatra505 Ginaf520 MAZ 507 Siarhei Viazovich Pavel Haranin Andrei Zhyulin

Etapas Distância de acordo com o site oficial.

EtapaDataPartidaChegadaMotosQuadsCarrosCamiõesVencedorVencedorVencedorVencedor2 Janeiro Buenos Aires Rosário34611 J. Barreda I. Casale34611 B. Ten Brinke346<s>11Etapa neutralizada |- !1 |3 Janeiro | Buenos Aires | Villa Carlos Paz |632 |<s>227 |colspan=2|Etapa cancelada devido ao mau tempo662<s>258Etapa cancelada |662 |<s>258 |Etapa cancelada24 Janeiro Villa Carlos Paz Termas Río Hondo786450354 T. Price I. Casale858521387 S. Loeb858521387 P. Versluis35 Janeiro Termas Río Hondo San Salvador de Jujuy663314200 K. Benavides B. Baragwanath663314200 S. Loeb663314130 M. Kolomy4M6 Janeiro San Salvador de Jujuy San Salvador de Jujuy629429 P. Gonçalves Juan C. Carignani629429 S. Peterhansel619418 G. Rooy57 Janeiro San Salvador de Jujuy Uyuni624327 T. Price A. Hernández624327 S. Loeb624327 E. Nikolaev68 Janeiro Uyuni Uyuni723542 T. Price M. Patronelli723542 S. Peterhansel600295 H. Stacey79 Janeiro Uyuni Salta793353230 A. Meo L. Bonetto793353 C. Sainz793353 E. Nikolaev10 Janeiro SaltaDia de descanso811 Janeiro Salta Belén766393 T. Price M. Patronelli766393 N. Al-Attiyah766393 G. Rooy912 Janeiro Belén Belén436M285M T. Price P. Copetti396285 C. Sainz396285 G. Rooy1015 Janeiro Belén La Rioja561278 Š. Svitko B. Baragwanath763278 S. Peterhansel763431 P. Baar1114 Janeiro La Rioja San Juan712431 A. Méo A. Patronelli712431 N. Al-Attiyah712431 E. Nikolaev1215 Janeiro San Juan Villa Carlos Paz931481 H. Rodrigues M. Patronelli866481 M. Hirvonen866267 P. Versluis1316 Janeiro Villa Carlos Paz Rosário699180 P. Quintanilla B. Baragwanath699180 S. Loeb699180 H. Stacey Notas: M: Etapa Maratona (sem parque de assistência). Prólogo neutralizado após um despiste de um automóvel, que impediu os camiões de partirem. 1ª etapa cancelada devido ao mau tempo. 2ª etapa encurtada devido ao mau tempo. 3ª etapa encurtada devido ao mau tempo. A etapa dos camiões foi ainda encurtada uma segunda vez após a anulação do troço após o segundo waypoint devido a um abatimento da pista. 7ª etapa para motos e quads foi encurtada devido ao mau tempo (anulado o segundo sector cronometrado). Etapas 9 e 11 encurtadas devido às altas temperaturas Etapa 10 encurtada devido à chuva que caiu aumentando o caudal dos rios no ultimo troço cronometrado.

Resumo http://www.dakar.com/dakar/2016/us/media-area.html#tab3 Dakar Press Releases A corrida começou com um prólogo de 11 km em Buenos Aires, marcado por um acidente quando uma piloto perdeu o controlo do seu carro atingindo os espectadores ferindo 10 pessoas, com a organização neutralizar a corrida para os restantes concorrentes. A primeira etapa "real" foi cancelada devido ao mau tempo. Devido à mesma razão, as segunda e terceira etapas foram encurtados em cerca de 100 km. A terceira etapa para camiões foi encurtada uma segunda vez depois de uma parte da pista ter colapsado devido à chuva forte. As quarta e quinta etapa foram as duas parte da primeira etapa maratona do rali de 2016, com a inovação deste ano os veículos entrarem em parque fechado no final da primeira etapa, com os concorrentes impedidos de intervir nas viaturas, mesmo sem assistência. A sétima etapa foi uma das mais dramáticas. Primeiro, o retorno à Argentina e El Niño, cancelando o segundo sector cronometrado para motos e quads. Em seguida, o grave acidente de Matthias Walkner e o despiste de Lionel Baud em Mitsubishi, matando um espectador na Bolívia. O calor extremo levaram ao encurtamento das etapas 9 e 11, enquanto os últimos 33 km da etapa 10 foram cancelados devido à chuva que fez aumentar o caudal dos rios.

Motos Primeira corrida sem Cyril Despres e Marc Coma, que dominaram as 10 edições anteriores. Esperava-se uma corrida completamente aberta com um grande grupo de candidatos à vitória da KTM e Honda, mas também da Husqvarna (competindo com motos KTM) reforçada pelo candidato à vitória Ruben Faria, enquanto a Yamaha (que perdeu alguns dos seus melhores pilotos mas teve o regresso de Hélder Rodrigues) desempenhou um papel secundário. Sherco também estava à espreita de fazer uma surpresa principalmente por Alain Duclos. Joan Barreda, como lhe é habitual, começou o rali com um ritmo forte, venceu o prólogo e fez o melhor tempo na 3ª e 4ª etapas, mas foi penalizado por 2 vezes por excesso de velocidade nas ligações. Isso levou à vitória do estreante argentino Kevin Benavides e à liderança do privado Štefan Svitko na terceira etapa. Na etapa 4 uma dobradinha para Portugal com Paulo Gonçalves a vencer a etapa à frente de Ruben Faria, e garantir a liderança. Vitórias na etapas 5 e 6 para Toby Price da KTM mas Gonçalves manteve liderança. Na etapa 6, um acidente levou ao abandono de Ruben Faria com um pulso quebrado quando era 7º da geral, e Joan Barreda perdeu todas as hipóteses de ganhar o Dakar de 2016, com problemas mecânicos terminando 5 horas atrás de Price. Na etapa 7, o abandono de 2 candidatos à vitória: Joan Barreda, recusou-se a continuar após a pesada perda de tempo no dia anterior, apesar da moto ter sido reparada e se encontrar em perfeitas condições, e depois o acidente de Matthias Walkner, que levou ao seu abandono com uma fratura do fémur. Paulo Gonçalves foi o primeiro piloto a chegar e ficou como ele até o resgate médico chegar. Mais tarde, a organização tirou os 10,53 minutos, que ele ficou com seu rival. Antoine Méo venceu a etapa e Gonçalves aumentou a vantagem sobre Toby Price. Svitko foi o terceiro antes do dia de descanso.

Na etapa 8 Toby Price venceu à frente de Paulo Gonçalves (que sofreu uma aparatosa queda) e tomou a liderança. Na etapa 9 Paulo Gonçalves furou o radiador no 2º sector. No entanto a anulação deste sector permitiu que chegasse ao fim, perdendo mais de meia hora e caindo para 3º. No final, sendo etapa maratona, a moto foi reparada pelos pilotos da Honda e pelo compatriota Mário Patrão que conseguiram reconstruir o motor, sem necessidade de o substituir e consequente penalização. No entanto no final da etapa 10 viria a ser penalizado na mesma em quase 40 minutos acabando com as possibilidade de vitória. Na etapa 10 Toby price geriu a vantagem, e a vitória foi para o privado Svitko, seguido de Benavides. Na 11ª etapa, Paulo Gonçalves, após ter sofrido a penalização, partiu ao ataque mas caiu no início da prova, caindo novamente ao km 118, sofrendo um traumatismo craniano e sendo obrigado a retirar. Svitko e Benavides perderam tempo para Antoine Méo e Toby Price. Na 12ª etapa a vitória foi para Hélder Rodrigues em Yamaha, a primeira não KTM e não Honda, enquanto na 13ª etapa foi a vez da Husqvarna por Pablo Quintanilla.

Quads 2016 foi o regresso dos irmãos Patronelli, que dominaram o Dakar sul-americano entre 2010 e 2013. Mas foi o campeão de 2014 Ignacio Casale que dominou o início da corrida vencendo as primeiras etapas. O rookie Brian Baragwanath foi o herói da etapa 3, vencendo depois de ter sido segundo na etapa 2. Na etapa 4, o que poderia ser a primeira vitória para Marcos Patronelli mais tarde se tornou numa vitória para o italiano Juan Carlos Carignani, após a organização cancelar o último sector cronometrado. A segunda parte da etapa maratona revolucionou a classificação geral com muitos acidentes e problemas mecânicos que levaram a muitos abandonos, como Marcelo Medeiros (terceiro da geral) Rafal Sonik (atual campeão) e o qatari Abu-Issa. O russo vencedor 2014 Ignacio Casale perdeu uma quantidade enorme de tempo para Alexis Hernandez o vencedor do dia. O piloto russo Sergey surpreendente Karyakin assumiu a liderança. Na etapa 6, finalmente, o regresso dos irmãos Patronelli às vitórias, com Marcos vencendo à frente de Alejandro, que subiu para o topo da classificação geral, no dia do abandono de Casale devido a uma fratura na clavícula após um acidente. Na etapa 7 a vitória foi para Lucas Bonetto, sem alterações significativas em geral. Na segunda semana de corrida, os irmãos Patronelli terminaram quase todas as etapas no top-3 aumentando assim a sua vantagem.

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