João Místico (; fl. ca. 926-946) fi um oficial bizantino, que serviu como ministro chefe (paradinástevo) do império no começo do reinado de . Após surgirem suspeitas dele estar interessado no trono, foi deposto e enviado ao exílio num mosteiro. Posteriormente recuperou seu lugar na corte, liderando uma missão de três anos no exterior nos anos 930, e aparentemente readquirindo sua antiga posição elevada com a ascensão de como governante única em 945. Ele é mencionado pela última vez liderando uma embaixada para Maomé ibne Tugueje em 946.

Vida

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Nada se sabe sobre sua origem ou infância. Aparentemente, foi nomeado paradinástevo pelo imperador em algum momento entre 922 e 924, após a queda de seu predecessor, , contra quem foram apresentadas acusações ao imperador, levando-o a abandonar o cargo e a receber a tonsura monástica. João aparece pela primeira vez nessa função durante as negociações com o imperador búlgaro , em 924. Fez parte de uma embaixada, juntamente com o patriarca e o patrício , que o governante búlgaro enviou de volta a Constantinopla, exigindo negociar pessoalmente com Romano.

João foi elevado à alta dignidade cortesã de patrício e antípato em 19 de abril de 924 ou 925, promoção que teria despertado a inveja de vários cortesãos. Segundo Steven Runciman, o acontecimento esteve possivelmente relacionado à crescente proeminência de João nos assuntos de Estado, até então dominados pelo patriarca Nicolau, cuja saúde se encontrava debilitada. Embora gozasse da confiança e estima do imperador Romano I, em outubro de 925 João foi acusado de aspirar ao trono com o auxílio de seu sogro, o logóteta do dromo Cosme. Romano inicialmente recusou-se a acreditar nas acusações, mas os rivais de João conseguiram reunir provas suficientes para que ele fosse obrigado a refugiar-se no Mosteiro de Monocastano e tornar-se monge juntamente com seu amigo Constantino Boilas, enquanto seu sogro foi preso e açoitado. O camareiro Teófanes sucedeu-lhe como paradinástevo.

thumb|esquerda|upright=1.05|Dinar de ouro do emir iquíxida Maomé ibne Tugueje thumb|esquerda|upright=1.05|Dinar de ouro dos emires hamedânidas Ceife Adaulá e Nácer Adaulá

A carreira posterior de João é parcialmente documentada por doze cartas trocadas entre 925 e 927/928 com , um antigo alto funcionário que igualmente caíra em desgraça. Nicetas dirige-se consistentemente a João pelo título de "patrício e místico". Por essas cartas, sabe-se que João posteriormente retornou ao serviço imperial, deixando o mosteiro e reintegrando-se à corte como ecônomo. Romano I enviou-o então numa missão de três anos como emissário junto a "bárbaros" não especificados, da qual retornou em algum momento entre 938 e 940. João valeu-se de sua posição restaurada para patrocinar Nicetas com sucesso, assegurando-lhe um estipêndio anual (roga). Após a queda de Romano I e a restauração de como único detentor do poder imperial, em janeiro de 945, João aparentemente recuperou sua posição proeminente e sua influência na corte, como indica uma carta que lhe foi dirigida pelo metropolita de Niceia Alexandre, na qual este solicitava sua intervenção para conseguir ser reconvocado do exílio na Crimeia.

Segundo Almaçudi, em 946, quando o governante semi-independente do Egito e da Síria, Maomé ibne Tugueje , enviou uma embaixada chefiada por Abu Umair Adi ibne Amade Aladani de modo a negociar uma trégua e uma troca de prisioneiros, João chefiou, em resposta, a embaixada bizantina enviada a Maomé. Na ocasião, Almaçudi descreveu-o como antípato, patrício, místico e monge. João encontrou-se com Maomé em Damasco pouco antes da morte deste, em julho de 946. As negociações prosseguiram com Abu Almisque Cafur, que retornou ao Egito. João acompanhou-o até a Palestina juntamente com Aladani, onde lhes entregou 30 mil dinares de ouro para o resgate dos prisioneiros. João e seu colega árabe partiram então de Tarso por mar para Constantinopla, onde uma embaixada enviada pelo novo governante do norte da Síria, Ceife Adaulá , aguardava a continuação das negociações. A troca de prisioneiros ocorreu em setembro/outubro de 946 no rio Lamos, na Cilícia, na presença de João e do magistro Cosme. Na ocasião, Almaçudi elogiou a erudição de João e seu conhecimento dos antigos escritores e filósofos gregos e romanos. Nada mais se sabe sobre ele.

Bibliografia

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