A economia da felicidade é o estudo quantitativo e teórico da felicidade, e da evolução positiva ou negativa do bem-estar, da qualidade de vida, da satisfação de vida e de conceitos relacionados, normalmente combinando a economia com outros campos como a psicologia e a sociologia. Trata normalmente de indicadores relacionadas com a felicidade que devem ser maximizados em vez de riqueza, rendimento ou lucro. O campo tem crescido substancialmente desde o final do século XX, por exemplo com o desenvolvimento de métodos, pesquisas e índices para medir a felicidade e conceitos correlacionados.• Carol Graham, 2008. "Happiness, economics of," The New Palgrave Dictionary of Economics, 2ª Edição. Resumo: Pre-publicação copy.  • Carol Graham, 2005. "The Economics of Happiness: Insights on Globalization from a Novel Approach," World Economics, 6(3), pp. 41-58 (indicado como tendo sido adaptado de fonte anterior).  • David G. Blanchflower, 2008. "Happiness Economics," NBER Reporter Online, (2), pp. 7-10. Notas do Resumo As suas conclusões têm sido descritas como um desafio para os economistas.Richard Layard, 2006. "Happiness and Public Policy: A Challenge to the Profession," Economic Journal, 116 (510), Conference Papers, pp. C24-C33.

Classificações da matéria A matéria pode ser classificada de várias formas, dependendo da especificidade, interseção e da classificação cruzada. Por exemplo, dentro dos Códigos de classificação da Journal of Economic Literature (JEL), tem sido classificado em: Economia do bem-estar em Microeconomia Subcategorias D: D63 – Equidade, Justiça, Desigualdade, e Outros Critérios Normativos e Medidas Saúde, educação e bem-estar em Subcategorias I: I31 – Bem-estar geral; Necessidades básicas; Níveis de vida; Qualidade de vida; FelicidadeUlf-G Gerdtham e Magnus Johannesson, 2001. "The Relationship Between Happiness, Health, and Socio-economic Factors: Results Based on Swedish Microdata," Journal of Socio-Economics, 30(6), pp. 553–557. Resumo: Economia demográfica em Subcategorias J:J18: – Política pública.Carol Graham, 2010. "The Challenges of Incorporating Empowerment into the HDI: Some Lessons from Happiness Economics and Quality of Life Research," 54 páginas, , Human Development Reports Research Paper, 2010/13 United Nations.

Metrologia Dada a sua natureza, os níveis declarados de felicidade são subjetivos.Ruut Veenhoven, World Database of Happiness, 2007 É difícil comparar a felicidade de uma pessoa com a de outra. Pode ser especialmente difícil comparar a felicidade em culturas diferentes. No entanto, muitos economistas da felicidade consideram que resolveram este problema da comparação. Secções transversais de amostras alargadas de dados entre nações e ao longo do tempo demonstram padrões consistentes nos determinantes da felicidade.

A felicidade é normalmente medida usando medidas subjetivas - por exemplo, inquéritos auto-relatados - e/ou medidas objetivas. Uma das permanentes preocupações tendo sido a precisão e fiabilidade (estatística) das respostas das pessoas aos inquéritos sobre felicidade. São muitas vezes usadas medidas objetivas tais como esperança de vida, rendimento e educação em conjunto ou em vez da felicidade relatada subjetivamente, no pressuposto de que geralmente geram felicidade, o que plausivelmente possa não ser necessariamente o caso. Os termos qualidade de vida ou bem-estar são usados frequentemente para abranger estas medidas mais objetivas.

Alguns cientistas afirmam que a felicidade pode ser medida, tanto subjetiva como objetivamente, observando o centro de alegria do cérebro visionado com imagiologia avançada, embora isto levante questões filosóficas, por exemplo, sobre se tal pode ser considerado como mais fiável do que a felicidade relatada subjetivamente.

As equações micro-econométricas da felicidade têm usualmente a seguinte forma: , em que é o bem-estar individual reportado de no momento , e é um vector de variáveis conhecidas que incluem as características sócio-demográficas e sócio-económicas.

Determinantes

PIB e PNB

Indicadores tipicamente financeiros de âmbito nacional, como o produto interno bruto (PIB) e o produto nacional bruto (PNB), têm sido usados como medida de sucesso da política económica. Há uma associação significativa entre o PIB e felicidade, sendo os cidadãos dos países mais ricos mais felizes do que os dos países mais pobres. Tem sido argumentado que esta relação se aplica apenas até uma média de PIB per capita de cerca de US$15.000.Bruno S. Frey e Alois Stutzer (2002). Happiness and Economics: How the Economy and Institutions Affect Human Well-Being, Princeton University Press; Descrição: e As conclusões sobre esta matéria são controversasVer Paradoxo de Easterlin para detalhe. Outros economistas têm contestado a precisão destes estudos e encontraram uma correlação logarítmica entre o PIB per capita e a felicidade auto-avaliada o que se verifica sem limite de rendimento.Também tem vindo a ser observado que, dado que a esperança de vida tem aumentado continuamente nos países com maior PIB, que é frequentemente parcialmente atribuída ao crescimento económico, os anos de vida feliz têm continuado a aumentar.

Rendimento individual Historicamente, os economistas têm afirmado que o bem-estar é uma simples função do rendimento. No entanto, verificou-se que, uma vez atingido um nível de subsistência, a eficácia da riqueza como geradora de bem-estar diminui muito.Richard A. Easterlin, Explaining Economics, 2002, PNAS Este paradoxo tem sido referido como o paradoxo de Easterlin. Os economistas da felicidade esperam mudar a forma como os governos consideram o bem-estar e como gerir e alocar os recursos da forma mais eficaz atendendo a este paradoxo.

Em 2010, Daniel Kahneman e Angus Deaton descobriram que as pessoas com rendimentos superiores, em geral, declaram uma melhor satisfação de vida, mas o bem-estar emocional no dia-a-dia das pessoas só aumenta com o aumento do rendimento até que o rendimento anual atinge o limiar de $75.000.

Têm sido sugeridos outros fatores que podem tornar as pessoas mais felizes do que o dinheiro.Rana Foroohar, "Money v. Happiness: Nations Rethink Priorities", Newsweek, 5 de Abril de 2007 Um curso breve de terapia psicológica é 32 vezes mais eficaz em termos de custo no aumento da felicidade do que o simples aumento do rendimento.Money does not make you happy 'but therapy does', The Telegraph, 20 de Novembro de 2009, Boyce, C. J., & Wood, A. M. Money or mental health: The cost of alleviating psychological distress with monetary compensation versus psychological therapy, Health Economics, Policy and Law

Investigadores das universidades da Virginia, da British Columbia e de Harvard publicaram um estudo em 2011 após a análise de inúmeros trabalhos académicos em resposta a uma aparente contradição: "Quando solicitados para fazer um balanço das suas vidas, as pessoas possuidoras de mais dinheiro relatam que estão muito mais satisfeitas. Mas quando se lhes perguntou quão felizes estavam no momento, as pessoas com mais dinheiro pouco se diferenciavam dos que tinham menos." Publicado com o título "Se o dinheiro não te faz feliz, então provavelmente não estás a gastá-lo bem", o estudo incluiu as seguintes oito recomendações gerais:

Gaste dinheiro em "experiências" em vez de em bens físicos. Doe dinheiro a outros, incluindo a instituições de caridade, em vez de gastá-lo unicamente em si mesmo. Gaste pequenas quantidades de dinheiro em muitos, pequenos e temporários prazeres e não em menos frequentes e mais dispendiosos. Não gaste dinheiro em "extensão de garantias e outras formas inflacionadas de seguro." Alterar a mentalidade de "Consuma agora, pague depois" para "Pague agora, consuma depois". Seja circunspecto sobre as consequências no futuro de uma compra feita com antecedência. Em vez de comprar produtos que proporcionam o "melhor negócio", faça compras tendo em vista o que irá melhorar o bem-estar. Procure a opinião de outras pessoas que têm experiência prévia de um produto antes de o comprar.

No seu estudo "Cidades infelizes" de 2014 publicado pelo NBER, Edward Glaeser, Joshua Gottlieb e Oren Ziv examinaram o bem-estar subjetivo auto-avaliado de pessoas que vivem em áreas metropolitanas norte-americanas, particularmente em relação à noção de que "os indivíduos fazem compromissos entre objetivos concorrentes, incluindo mas não limitados à felicidade". Os investigadores revelaram que as pessoas que vivem em áreas metropolitanas, onde são reportados os níveis mais baixos de felicidade, recebem salários reais mais elevados, e sugerem na sua conclusão que "os seres humanos estão muito compreensivelmente dispostos a sacrificar tanto a felicidade como a satisfação de vida se o preço for justo."Edward L. Glaeser, Joshua D. Gottlieb, Oren Ziv, "Unhappy Cities", NBER Working Paper Series, Editor: The National Bureau of Economic Research (NBER); Julho de 2014; http://www.nber.org/papers/w20291.pdf|website

Segurança social Segundo Ruut Veenhoven, os montantes recebidos da segurança social não parecem aumentar a felicidade. Isto pode ser devido ao fato de que o rendimento que não é contrapartida do trabalho (por exemplo, o prémio de uma lotaria) em geral também não acrescenta à felicidade. A felicidade pode ser a recompensa da mente para uma ação útil. Johan Norberg coloca a hipótese de que, como as pessoas pensam que são mais felizes quando elas próprias controlam as suas vidas, as instituições paternalistas podem fazer diminuir a felicidade.Johan Norberg, 2005, The Scientist's Pursuit of Happiness, Policy, Primavera 2005

Uma perspectiva alternativa foca o papel do estado social como um meio para melhorar a qualidade de vida, não só aumentando o grau de satisfação das necessidades humanas básicas, como também promovendo um maior controle de vida por cada um, limitando o grau em que os indivíduos se encontram à mercê das forças impessoais do mercado que são indiferentes ao destino dos indivíduos. Este é o argumento apresentado pelo cientista político Benjamin Radcliff numa série de artigos em periódicos académicos, em que demonstra que um estado social mais generoso contribui para níveis mais elevados de satisfação de vida e tanto para ricos como para pobres.Radcliff, Benjamin. 2001. "Politics, Markets, and Life Satisfaction," American Political Science Review, 95 (4): 939-952.Radcliff, Benjamin e Alexander Pacek. 2008. "Assessing the Welfare State: the Politics of Happiness," Perspectives on Politics, 6: 267-277.Alvarez-Diaz, A., Gonzalez, L., e Radcliff, B. 2010. "The Politics of Happiness: On the Political Determinants of Quality of Life in the American States", The Journal of Politics, 72 (3): 894-905.

Emprego O trabalho é importante para a felicidade, pois gera um sentimento de propósito, relações benéficas com os colegas de trabalho e também permite ganhar dinheiro. A perda do emprego pode ser uma grande fonte de infelicidade.Andrew Oswald, A Non-Technical Introduction to the Economics of Happiness, 1999, Warwick University,

Convivência e crianças O declínio relativo da felicidade feminina erodiu o hiato de género na felicidade, no qual as mulheres, na década de 1970, relatavam normalmente um maior bem-estar subjetivo do que os homens.Federal Reserve Bank of San Francisco, The Paradox of Declining Female Happiness, Maio 2009

Nas sociedades ricas, onde um aumento de renda não equivale a um aumento nos níveis do bem-estar subjetivo, as relações pessoais são os fatores determinantes da felicidade.Layard, R. (2007). Setting happiness as a national goal. The Futurist, 41(4), 37.

Glaeser, Gottlieb e Ziv afirmam nas suas conclusões que os compromissos para a felicidade que os indivíduos parecem dispostos a fazer se alinham com a tendência dos pais para relatar menos felicidade quando sacrificam o seu bem-estar pessoal como o "preço" por terem filhos.

Liberdade e controle