Valérios () foi uma família da Roma Antiga de status patrício e que depois incorporou ramos plebeus. A gente Valéria foi uma das mais antigas e celebradas de Roma, e nenhuma outra gente se destacou por tanto tempo, embora de algumas, como a gente Cornélia, surgiram diversas pessoas ilustres. Públio Valério, depois chamado de "Publícola", teve um papel de destaque na história da expulsão dos antigos reis de Roma e foi eleito cônsul no primeiro ano da República Romana, 509 a.C. Desta data em diante até os últimos anos do Império Romano, por quase mil anos, o nome "Valério" () apareceu com certa frequência nos fastos consulares e foi ostentado pelos imperadores Maximino, Maximiano, Maxêncio, Diocleciano, Constâncio Cloro, Constantino e outros.Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, William Smith, Editor.

A gente Valéria gozou de muitas honrarias e privilégios extraordinários em Roma. A casa da família ficava no sopé do monte Vélia e era a única da cidade com permissão para que as portas se abrissem para a rua (e não para o interior da casa)Dionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia v. 39.Plutarco, Vidas Paralelas, Publicola 20.. No Circo Máximo, um lugar muito destacado era exclusivo da família e contava com um pequeno trono, uma honra sem paralelos entre os nobres romanosLívio, Ab Urbe Condita ii. 31.. Eles podiam também enterrar seus mortos dentro do perímetro das muralhas, um privilégio que também foi concedido a algumas outras gentes; e, quando eles trocaram o antigo costume do enterro pela queima do corpo, apesar de a pira funerária não ser acesa na cidade, a carruagem funerária passava pelo local como forma simbólica de preservação do antigo direito da famíliaCícero, De Legibus ii. 23.Plutarco, Vidas Paralelas, Publicola 23..

Niebuhr, que menciona estas distinções, conjecturou que, entre as mudanças gradativas de constituição, de uma monarquia para uma aristocracia, a gente Valéria por um tempo teve o direito de que nomear um de seus membros para exercer o poder real pelos tícios, a tribo da qual os valérios devem ter se originado, como sua origem sabina indicaBarthold Georg Niebuhr, History of Rome, vol. i. p. 538.. Contudo, como quase todos os fatos referentes ao período mais remoto da história romana, é impossível ter certeza. Os primeiros valérios sempre estiveram entre os principais defensores dos direitos das plebe e as leis que eles propuseram em épocas variadas foram grandes marcos para as liberdades da segunda classe romanaDictionary of Antiquities, s. v. Leges Valeriae..

Origem Acredita-se universalmente que os Valérios (Valerii) sejam de origem sabina e acredita-se que seu ancestral, Voleso ou Voluso (Volesus ou Volusus) tenha se mudado para Roma com Tito Tácio. Públio Valério Publícola e seus irmãos, Marco Valério Voluso e Mânio Valério Máximo, eram descendentes diretos deleDionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia ii. 46.Plutarco, Vidas Paralelas, Numa 5, Publicola 1.. O nomen Valerius é um sobrenome patronímico derivado do praenomen Volesus, que é, por sua vez, derivado de "valere" ("ser forte")George Davis Chase, "The Origin of Roman Praenomina", in Harvard Studies in Classical Philology, vol. VIII (1897). D.P. Simpson, Cassell's Latin & English Dictionary (1963). .

Prenomes Os mais antigos valérios conhecidos tinha o praenomen Voleso (Volesus). Outros prenomes populares entre os primeiros valérios estão Públio, Marco, Mânio e Lúcio.

Ramos e cognomes A gente Valéria estava dividida em várias famílias durante o período romano, cujos nomes são Corvo (Corvus ou Corvinus), Falto, Falco (Flaccus), Levino (Laevinus), Máximo (Maximus), Messala (Messalla), Potito (Potitus), Públicola (Poplicola ou Publicola), Tapo (Tappo), Triário (Triarius) e Voluso (Volusus). Além destas, encontram-se outros cognomens dos valérios no período republicano, muitos deles de libertos ou clientes da gente Valéria. Nas moedas dos valérios, encontramos os cognomes Acísculo (Acisculus), Cátulo (Catullus), Flaco (Flaccus) e Barbato (Barbatus). Outros mais foram usados pelos valérios no período imperial.

Os "Valérios Publícolas" são descendentes de Públio Valério, o cônsul em 509 a.C. Seus irmãos, Marco e Mânio, tinha o prenome de seu pai na forma "Voluso", como sobrenome. Mânio tinha ainda o cognome adicional "Máximo", que passou para seus descendentes. Publícola (Poplicola) significa "o que corteja o povo", de "populus" e "colo", que significa "amigo do povo". A forma "Poplicola" é a mais antiga e ocorre geralmente em inscrições, nas quais se encontra também "Poplicula"Johann Caspar von Orelli, Inscriptionum Latinarum Selectarum Collectio n. 547. . Publícola (Publicola) era a forma mais moderna e parece ter sido a geralmente empregada pelos romanos tardios. Encontramo-la nos melhores manuscritos de Lívio e no manuscrito palimpsesto de Cícero, De Republica.

Os "Valério Potítios" (Valerii Potiti) são aparentemente descendentes de Lúcio Valério, um filho de Marco Valério Voluso e sobrinho de Publícola. Esta família, como muitas outras famílias da Roma Antiga, desapareceu na época das Guerras Samnitas; mas o nome foi revivido depois pela gente Valéria como prenome; um Potito Valério Messala foi cônsul sufecto em 29 a.C. A prática de utilizar nomes de famílias extintas como prenomes era comum em outras gentes; na gente Cornélia, os Lêntulos adotaram o cognome extinto "Cossus" como prenome.

Corvo (Corvus ou Corvinus) era um sobrenome da família dos "Valérios Máximos" (Valerii Maximi). O primeiro desta família ganhou este cognome durante a guerra contra os gauleses em 349 a.C. depois de derrotar um gigantesco gaulês em combate singular com a ajuda de um corvo. Marco Valério Corvino era considerado um dos grandes heróis da República e foi duas vezes ditador, seis vezes cônsul e utilizou a cadeira curul vinte e uma vezes, vivendo até os cem anos de idade. Aparentemente ele utilizava a forma Corvo (Corvus), embora alguns escritores o chamem de Corvino; seus descendentes invariavelmente adotaram a forma "Corvino", que era simplesmente a forma mais longa de "Corvo".

O sobrenome Messala (Messalla) foi originalmente assumido por Mânio Valério Máximo Corvino depois de ter libertado Messana (moderna Messina, na Sicília) de um bloqueio cartaginês no segundo ano da Primeira Guerra Púnica em 263 a.C. Membros desta família apareceram pela primeira vez nos fastos consulares neste mesmo ano e, pela última, em 506. Neste período de quase 800 anos, detiveram vinte e dois consulados e três censorados. O cognome Messala era originalmente um agnomen romano que significava "de Messana". Ele aparece juntamente com os agnomes Barbato (Barbatus), Níger (Niger) e Rufo (Rufus).

Membros Voleso ou Voluso, o epônimo ancestral da gente Valéria; acredita-se que tenha vindo para Roma com Tito Tácio na época de Rômulo, o primeiro rei de Roma. Voleso Valério, um descendente do primeiro Voleso, era o pai de Públio Valério Publícola, Marco Valério Voluso e Mânio Valério Voluso Máximo.

Valérios Publícolas Públio Valério Vol. f. Publícola, cônsul em 509 a.C., o primeiro cônsul da República Romana; triunfou sobre as forças do rei Lúcio Tarquínio Soberbo. Cônsul novamente em 508, 507 e 504, quando triunfou sobre os sabinos. Públio Valério P. f. Vol. n. Publícola, que Dionísio afirma ter perecido juntamente com seu irmão, Marco, depois de recuperar o corpo do tio, Marco Valério Voluso, durante a Batalha do Lago Regilo, em 498 a.C.. Porém, acredita-se que o Públio Valério Publícola que foi cônsul em 475 e 460 a.C. seja esta mesma pessoaDionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia vi. 12.. Marco Valério P. f. Vol. n. Publícola, acredita-se ter perecido com seu irmão, Públio, na Batalha do Lago Regilo. Públio Valério P. f. Vol. n. Publícola, cônsul em 475 e 460 a.C., e inter-rei em 462; triunfou sobre os veios e sabinos durante seu primeiro consulado, mas, em seu segundo, foi morto lutando contra Ápio Erdônio. Acredita-se ter sido filho do cônsul de 509, mas, de acordo com outra tradição, este mesmo filho foi morto em combate na Batalha do Lago Regilo; talvez tenha sido seu netoLívio, Ab Urbe Condita ii. 52, 53, iii. 15-19.Dionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia ix. 28, x. 14-17.. Lúcio Valério Publícola, avô do tribuno consular de 394 a.C.. Lúcio Valério L. f. Publícola, pai do tribuno consular de 394 a.C.. Lúcio Valério L. f. L. n. Publícola, tribuno consular em 394, 389, 387, 383 e 380 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita v. 26, vi. 1, 5, 21, 27.. Públio Valério L. f. Publícola, pai do cônsul de 352 a.C.. Marco Valério L. f. Publícola, mestre dos cavalos em 358 a.C. e cônsul em 355 e 353Lívio, Ab Urbe Condita vii. 12, 17-19.. Públio Valério P. f. L. n. Publícola, cônsul em 352 a.C.; como pretor em 350, comandou as forças de reserva na guerra contra os gauleses. Em 344 a.C., foi nomeado ditador para poder celebrar jogos excepcionais depois que prodígios foram avistadosLívio, Ab Urbe Condita vii. 21, 23, 28.. Provavelmente é o mesmo que foi mestre dos cavalos em 332 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita viii. 17..

Valérios Potitos Marco Valério Vol. f. Voluso, cônsul em 505 a.C.; morreu na Batalha do Lago Regilo (498). Lúcio Valério M. f. Vol. n. Potito, cônsul em 483 e 470 a.C.. Voleso Valério Potito, avô do cônsul de 410 a.C.. Públio Valério Potito, avô do cônsul de 393 a.C.. Lúcio Valério L. f. M. n. Potito, por vezes chamado de Lúcio Valério Publícola Potito, adversário dos decênviros, foi eleito cônsul em 449 a.C.. Derrotou os équos e os volscos; quando o Senado Romano recusou-lhe um triunfo, a população lhe conferiu a honra. Lúcio Valério Vol. f. Potito, pai do cônsul de 410 a.C.. Lúcio Valério P. f. Potito, pai do cônsul de 393 a.C.. Caio Valério L. f. Vol. n. Potito Voluso, tribuno consular em 415, 407 e 404 a.C.; cônsul em 410. Como cônsul, lutou contra a lei agrária de Marco Mênio e recuperou a Arx Carventana dos volscos e recebeu, por isso, uma ovaçãoLívio, Ab Urbe Condita iv. 49, 57, 61.. Lúcio Valério L. f. P. n. Potito, tribuno consular em 414, 406, 403, 401 e 398 a.C.; cônsul em 393 e 392; triunfou sobre os équos. Inter-rei para poder realizar a comitia em 392 e mestre dos cavalos na época do ditador Marco Fúrio Camilo, em 390, quando Roma foi tomada pelos gaulesesLívio, Ab Urbe Condita iv. 49, 58, v. 1, 10, 14, 31, 48.Dionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia i. 74.. Públio Valério L. f. L. n. Potito Publícola, tribuno consular em 386, 384, 380, 377, 370 e 367 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita vi. 6, 18, 27, 32, 36, 42.. Caio Valério (C. f. L. n.) Potito, tribuno consular em 370 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita vi. 36.. Caio Valério L. f. L. n. Potito Flaco, cônsul em 331 a.C.. É provavelmente o ancestral dos Valérios FlacosLívio, Ab Urbe Condita viii. 18.. Lúcio Valério (L. f. L. n.) Potito, mestre dos cavalos em 331 a.C...

Valérios Máximos Mânio Valério Vol. f. Voluso Máximo, ditador em 494 a.C., prometeu aliviar as duras condições dos que estavam com dívidas se a população servisse em sua batalha contra os sabinos e équos. Depois de vencer os inimigos, Valério não pôde cumprir sua promessa e renunciou à sua ditadura, mas foi homenageado pelo povoDionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia vi. 39-45.Lívio, Ab Urbe Condita ii. 30, 31.Cícero , Brutus 14.. Marco Valério M'. f. Vol. n. Lactuca Máximo, cônsul em 456 a.C.; contrário ao plano de Icílio, tribuno da plebe, de entregar o monte Aventino à plebeDionísio de Halicarnasso, Romaike Archaiologia x. 31-33.Lívio, Ab Urbe Condita iii. 31.. Marco Valério M. f. Latucino Máximo, pai do tribuno consular de 398 a.C.. Marco Valério M. f. M. n. Latucino Máximo, tribuno consular em 398 e 395 a.C..Lívio, Ab Urbe Condita v. 14, 24..