São Nicetas, o Patrício (; 761/762 - ), geralmente identificado com Nicetas Monômaco (), foi um oficial eunuco e general bizantino da Paflagônia ativo na virada do , que mais tarde na vida se tornou um monge e um oponente fervoroso da iconoclastia. Ele é honrado como santo e um Confessor da Fé pela Igreja Ortodoxa. Seu dia de festa é em 13 de outubro ou 3 de abril.

Vida

Infância e carreira

thumb|Soldo de e Teodora thumb|Soldo de Irene thumb|Soldo de e seu filho e sucessor Estaurácio

Nicetas nasceu na Paflagônia em 761-762, e seus pais provavelmente chamavam-se Gregório e Ana. A tradição posterior afirma que ele era descendente da imperatriz Teodora, esposa de Teófilo Isso é provavelmente impossível, mas algum tipo de relação não pode ser excluída. Outra tradição relata que ele também foi um parente da imperatriz Irene . Segundo sua hagiografia, foi castrado por seus pais na infância, recebeu uma boa educação e foi enviado para Constantinopla aos 17 anos (ca. 778), onde entrou em serviço da corte imperial. Segundo a mesma fonte, Nicetas distinguiu-se entre os eunucos cortesãos e chamou a atenção da imperatriz-mãe Irene, que cuidou dos assuntos imperiais como regente após 780. Irene promoveu-o devido sua habilidade e seus laços de parentesco. Em 787, aparentemente Nicetas representou a imperatriz Irene no Segundo Concílio de Niceia, porém, dado a juventude de Nicetas é provável ser uma invenção de seu hagiógrafo,

Logo depois, ele foi promovido para a posição de patrício, e foi enviado à Sicília como governador (estratego) do tema. Por conta dessa informação, ele é normalmente identificado com o patrício e estratego da Sicília Nicetas, que em 797 enviou uma embaixada para Carlos Magno, bem como com o patrício Nicetas Monômaco, que levou a mão de Santa Eufêmia para Constantinopla ca. 796 e construiu uma igreja na Sicília para abrigar as relíquias sagradas. O mandato de Niceta como governador da Sicília é, assim, colocado ca. 796-797, e terminou antes de 799, quando um certo Miguel foi governador do Tema da Sicília. Se "Monômaco" represente um nome familiar em vez de uma alcunha (significa "combatente único"), Nicetas seria o primeiro membro atestado da família Monômaco, que ascenderia no e produziria membros que ocupariam cargos, bem como um imperador, .

Quase nada se sabe das atividades de Nicetas na década após a deposição de Irene em 802. Segundo sua hagiografia, ele queria retirar-se para um mosteiro, mas foi proibido de fazê-lo pelo então imperador e seu filho Estaurácio. Contudo, ele foi tentativamente identificado com algumas pessoas de mesmo nome e posição mencionadas nas crônicas: assim, pode ser o patrício Nicetas, que era dono da casa onde o Mosteiro de Gastria foi construído, ou o patrício Nicetas que foi um dos fundadores da Igreja de Santo Estêvão em Trigleia, Bitínia. Ele é também frequentemente equacionado com o almirante Nicetas que em 807-808 liderou a frota bizantina para recuperar a Dalmácia e Veneza, que por sua vez é às vezes identificado com o Nicetas que era logóteta geral em 808-811.

Vida monástica

thumb|esquerda|Soldo de e seu coimperador Teofilacto thumb|esquerda|Soldo de e seu filho Teófilo

Com a ascensão de para o trono, Nicetas foi ao menos capaz de receber tonsura (final de 811). De fato, o novo imperador encorajou-o nessa empreitada, serviu como seu patrocinador, e deu-lhe o Convento de Crisonice, próximo da Porta Dourada, onde Nicetas aposentou-se. Nicetas permaneceu no mosteiro como seu hegúmeno (abade) até final de 815, quando a segunda fase da iconoclastia começou sob auspícios de . Recusando-se a reconhecer as políticas iconoclastas do imperador, Nicetas deixou a capital e dirigiu-se para um de seus subúrbios. Ele foi acusado em certo momento de abrigar um ícone, mas sofreu punimento algum exceto a confiscação da imagem e seu confinamento para prisão domiciliar.

Nada se sabe de sua vida durante o reinado de , mas no começo do reinado do filho e sucessor de Miguel, Teófilo, a perseguição dos iconófilos intensificou, e monges em particular tornaram-se os alvos do zelo iconoclasta do imperador. Apesar de sua provável conexão familiar com a esposa de Teófilo, Nicetas foi forçado a aceitar a comunhão com o patriarca iconoclasta, Antônio I Cassímata, ou então exilar-se. Niceta escolheu a última, e com um punhado de discípulos e outros monges partiu para a Bitínia. Ele gastou os anos seguintes movendo-de de localidade para localidade em torno da costa do mar de Mármara para evitar assédio dos oficiais iconoclastas, antes de finalmente estabelecer-se nas vilas de Zulupas e então Catésia, onde morreu em 8 de outubro de 836. Segundo as fontes, Nicetas era especialista em "curar homens das atormentados por desejos sexuais" (K. Ringrose).

Fontes hagiográficas

As principais fontes sobre Nicetas são sua hagiografia e os sinaxários A hagiografia sobreviveu em um manuscrito do , agora situado no Biblioteca Nacional da Grécia em Atenas. Foi formalmente atribuído à Nicetas de Medício, mas foi escrito por um monge anônimo do Mosteiro de Asomaton, fundado por Nicetas em Catésia, em algum momento logo após a morte de Nicetas. O relato foi baseado em notas do sobrinho homônimo e discípulo de Nicetas, que sucedeu-o como abade do mosteiro.

Bibliografia

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