A filosofia da percepção é uma área da filosofia que se dedica à natureza da experiência sensorial e perceptiva, o estatuto daquilo que é dado em tais experiências, e em particular à maneira como as crenças ou o conhecimento acerca do mundo físico podem ser baseados e justificados nessa base.cf. http://plato.stanford.edu/entries/perception-episprob/ BonJour, Laurence (2007): Epistemological Problems of Perception. Stanford Encyclopedia of Philosophy

Eis uma questão antiga na filosofia da percepção: "Aqui estou eu, olhando para a tela do meu computador". Presumivelmente, eu realmente estou vendo essa tela. Mesmo assim, eu poderia estar tendo uma experiência alucinatória exatamente como a experiência que eu estou tendo agora, sem qualquer objecto estar na minha frente. Então, a filosofia da percepção pergunta: "Como é possivel a experiência que estou tendo realmente envolver consciência direta da tela do computador"?Alston, William P., 1993. The Reliability of Sense Perception, Ithaca, NY: Cornell University Press.BonJour, Laurence, 2004. “In Search of Direct Realism,” Philosophy and Phenomenological Research, 69: 349–67.Descartes, Rene, 1641. Meditations on First Philosophy Parece que a presença da tela não é essencial para a maneira como a experiência é.

Tradicionalmente, esta questão foi utilizada para levantar preocupações céticas quanto a experiência perceptiva e motivar a tese de dados sensoriais, segundo a qual experiências perceptivas, mesmo as mais verídicas, estão diretamente ligadas a objetos mentais ou privados e apenas indiretamente conectados a seus objetos físicos.

O trabalho de John Searle na filosofia da percepção tem-se distinguido por muitas razões, a principal entre elas, segundo Freeman, é que ele nunca aceitou o funcionalismo e, ao contrário de muitos filósofos, sempre abraçou entusiasticamente neurociência.Freeman, W. and Skarda, C. (1985) "Spatial EEG patterns, nonlinear dynamics and perception: The neo–Sherringtonian view," Brain Research Reviews 10, pp. 147–75. A descrição de Searle de estados de percepção é que ele incorpora o modelo reflexivo. A caracterização do conteúdo perceptual de Searle implica que o que é importante para o sistema são o objeto com as suas características e o impacto causal do objeto sobre o sujeito que percebe.Churchland, P. (1986) Neurophilosophy: Toward a Unified Science of the Mind–Brain (MIT Press/ Bradford: Cambridge, Mass.). A percepção é algo que acontece com o sistema quando é posto em prática por um objeto; para nós, a percepção é um processo que ocorre apenas quando o organismo inicia a interação com o seu ambiente.Freeman, W. and Skarda, C. Mind/Brain Science: Neuroscience on Philosophy of Mind

Experiência perceptiva Na filosofia da percepção, o que a Searle interessa é o que poderia ser chamado de "problema semântico" da experiência perceptiva. Trata-se do fato de que as experiências são dirigidas a objetos. Isto é o que Searle e outros filósofos chamam a intencionalidade da experiência.

O que faz com que seja o caso que é esta tela que você está experimentando visualmente que é o que aparece para você de tal e tal forma, tamanho e cor? O problema aqui é que não há nada na característica de sua experiência visual para distinguir esta tela de qualquer tela de outro computador que pareceria exatamente como ela. Se esta tela foi substituída instantaneamente por uma outra, você não iria e não podia dizer a diferença. Assim, a resposta de alguns filosofos para a questão de por que essa tela de computador é aquela que você está tendo a experiência é que ela é o que provoca (em uma maneira característica específica) a sua experiência visual. Se tivesse sido outra tela em seu lugar, a outra tela teria sido o que você está experimentando. Se esta tela fora substituída por uma outra instantaneamente, a outra tela teria imediatamente tornado-se em que você está experimentando.Jackson, Frank, 1977. Perception: A Representative Theory, Cambridge: Cambridge University Press.McDowell, John, 1987. “Singular Thought and the Extent of Inner Space,” in P. Pettit and J. McDowell (eds.), Subject, Thought and Context, Oxford: Oxford University Press.

John Searle considera esta uma resposta indesejável. Não é tanto que a resposta está incorreta como que é dada a partir do "ponto de vista da terceira pessoa." É o tipo de resposta que seria dada à questão, o que faria uma fotografia de uma tela de computador uma fotografia desta tela? Nesse caso, uma direta resposta causal é claramente o caminho certo. Para ser a tela "na" fotografia, esta tela teria que ter refletido a luz para a lente da câmera e para o filme ser exposto, etc, etc.Mill, J. S., 1865. An Examination of Sir William Hamilton's Philosophy, London: Longmans, Green (Ch. 11 and appendix to Ch. 12) Se uma tela diferente foi aquela que fez isso, teria sido esta outra tela na imagem. Apelando para o análogo fato causal no caso da experiência visual "falha", segundo Searle, "para responder à pergunta de como este fato entra no conteúdo intencional". Searle chama isso de "pergunta interna de primeira pessoa".TEORIA DOS ATOS DE FALA por Gustavo Adolfo da Silva (2006) (UERJ– UGF)

Searle reconhece que, na percepção (e tátil) visual, estamos cientes de coisas particulares do mundo. Estamos cientes dessa caneta, não apenas que existe uma coisa de um certo tipo. Quando ele vê um objeto, como sua caneta, ele diz que a experiência que ele tem "é diretamente do objeto". Ela não apenas "representa" o objeto, ela fornece acesso direto a ele.Searle, John, 1983. Intentionality, Cambridge: Cambridge University Press (Chapter 2)Pryor, James, 2000. “The Skeptic and the Dogmatist,” Noûs, 34: 517–49. A experiência tem uma espécie de "imediatismo direto, e involuntário que não é compartilhada por uma crença que eu possa ter sobre o objeto em sua ausência".An Essay in the Philosophy of Mind por John Searle pg. 45 - Intentionality (1983). Cambridge, Inglaterra A questão, porém, é se a consideração, de Searle, do conteúdo da experiência perceptiva faz jus ao fato de que as experiências são dirigidas para coisas particulares.Dancy, Jonathan (ed.), 1988. Perceptual Knowledge, Oxford: Oxford University Press.

Alston cita uma linha de argumentação que vai partir da premissa de que "a experiência alucinatória pode ser (subjetivamente ou qualitativamente) indistinguível da coisa real" à conclusão de que "não podemos considerá-la como algo intrínseco às experiências perceptivas que há uma percepção direta de objetos"Searle on Perception Alston questiona no argumento, como pode um objeto ser apresentado a nós em uma experiência se uma experiência qualitativamente indistinguível não envolve a presença de qualquer objeto? Mesmo quando o objeto está lá, parece que ele não é essencial para a experiência, a experiência poderia ter sido apenas como é, sem o objeto estar lá.

Em contrapartida, parece que na experiência perceptiva normal estamos diretamente conscientes de objetos externos, eles aparecem para nós, eles estão presentes para nós. Portanto, temos um dilema apontado por J. J. ValbergThe puzzle of experience por J. J. Valberg 1992 Como pode uma experiência perceptiva ser uma percepção direta de um objeto se ele é indistinguível de uma alucinação possível? O quebra-cabeças de Valberg é que o objeto parece "potencialmente irrelevante". A questão para Searle é: É verdade realmente, então, que a caneta "apresenta-se" a nós? O suporte fenomenológico para a sua apresentação direta parece ser compensada por simples considerações causais, por exemplo, que a própria experiência da caneta poderia ser exatamente como é mesmo que os estados do cérebro subjacente a isso foram causados ​​por uma droga, um demônio, ou um cientista louco que tem um cérebro imerso numa cuba borbulhante.Locke, John, 1689. An Essay concerning Human Understanding, any edition.Whiteley, C. H., 1959. “Physical Objects,” Philosophy, 34: 142–149. Searle, um internalista inveterado diz que ele "pode ​​ter exatamente isso [experiência], mesmo que seja uma alucinação, mesmo que a caneta não exista"A Redescoberta da Mente 1992 J. Searle Ele concorda com epistemólogos tradicionais que não há nada sobre o caráter de uma experiência perceptiva que se opõe à possibilidade de que ela não tenha o objeto ou a causa que parece ter. Mas isso cria um problema. Este problema provém da questão de Searle, " O que é isso sobre a experiência que exige que ela seja satisfeita pela presença desta caneta e não apenas por uma caneta com características tais e tais tipo-idêntica a essa caneta? ".Intentionality. An Essay in the Philosophy of Mind 1983 pagina 63 John Searle aponta o problema de que a experiência exige que ela seja satisfeita pela presença da minha caneta e não apenas por uma caneta com identicas características a essa minha caneta. Ele resolve o problema de como é que as nossas percepções são "de" objetos particulares no que ele chama de "problema da particularidade." Problema da particularidade

Esta argumentação procura remediar quaisquer objeções à consideração de causação intencional de percepções proposta por ele. Searle argumenta que a causação intencional é apenas uma subespécie dentre uma vasta gama de causalidades. A noção de causalidade é difícil de definir, na sua integralidade. Porque todos nós percebemos e fazemos ações, no entanto, todos nós temos a experiência direta de "fazer algo acontecer," tais ideias são as razões para sua convicção que a teoria causal não vai resolver o "problema da particularidade" e, portanto, Intencionalidade, precisa ser revista.

John Searle tem a noção que a Teoria causal da percepção não consegue explicar como, no exemplo a seguir, todos esses fatos se tornam uma parte do conteúdo intencional. Searle prevê a "Problema da Particularidade" assim: " O que é, sobre a experiência visual de Jones aqui na nossa Terra, que torna o caso de que ela só pode ser satisfeita por uma mulher em particular previamente identificada e não por alguma outra mulher que por acaso pode ser uma tipo-idêntica à aquela mulher, que Jones pode dizer a diferença ou não? "J. Searle Intentionality, an Essay in the Philosophy of Mind por J. Searle 1983 pg. 278 Em outras palavras, a teoria causal deixa de explicar como é que Jones é capaz de ver uma mulher em particular previamente identificada. Parece que o problema existente aqui é simplesmente resolvido a partir de um ponto de vista da terceira pessoa ao invés de na perspectiva de Jones, a perspectiva de si mesmo. Searle procura avançar sua compreensão da percepção de Jones, perguntando: "sob que condição ele leva a si mesmo a perceber que Sally está na frente dele?" Ao invés de perguntar "sob quais condições é que, de fato, ele vê Sally seja por ele sabido ou não". Mudando a pergunta, ele parece apontar o que exatamente a teoria intencional causal não pode dar conta, o problema existe na crença de Jones de que Sally é Jane, apesar de que a sua percepção é causada por sua percepção de Sally.Anti-Individualism and Knowledge por Jessica Brown

Agora que ele tem uma compreensão de o que a teoria causal não pode explicar, John Searle apela para o conceito de Cenário e Rede. Ele afirma: O que está dentro da cabeça é perfeitamente suficiente para determinar a identidade de cada um dos nossos estados intencionais. As várias condições "causal" e "contextual" referidas pelos externalistas são inteiramente representada pela mente. No entanto, as condições de satisfação de cada estado intencional só são fixas relativamente ao "Cenário e a Rede", o que não é uma parte de cada estado intencional no entanto, é claro, o cenário e a rede são, todavia, partes da mente.SEARLE'S THEORY OF INTENTIONALITY: PROVIDING THE FOUNDATION FOR A NATURALIZED THEORY OF CONSCIOUSNESS por Vanessa Lehan