Sônia Bone de Sousa Silva Santos, conhecida como Sônia Guajajara (Terra Indígena Arariboia, Bom Jesus das Selvas, 6 de março de 1974), é uma líder indígena brasileira e política filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). É formada em Letras e em Enfermagem, especialista em Educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão.

Guajajara foi coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), integrante do Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil, iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em 2022 integrou a equipe de transição do terceiro governo Lula, e foi anunciada como a primeira ministra dos Povos Índigenas.

Recebeu em 2015 a Ordem do Mérito Cultural. Em 2022 foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time, e em 2023 foi apontada uma das 100 mulheres mais inspiradoras do mundo pela BBC.

Biografia Sônia Guajajara é do povo guajajara/Tenetehara, que habita nas matas da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão. Seus pais eram analfabetos, mas aos 10 anos, saiu da sua terra para estudar na cidade de Imperatriz, onde trabalhou em casas de família em troca de moradia.

Deixou Arariboia, aos quinze anos, contrariando a vontade dos pais, para estudar o ensino médio, em Minas Gerais, com o suporte da Funai. Após se formar na escola, retornou ao Maranhão e estudou Letras e Enfermagem na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Além das duas graduações, Guajajara fez pós-graduação em Educação Especial. Foi conquistando espaço com a militância e ganhou projeção em órgãos internacionais, como no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Em 2023, Sônia Guajajara foi entrevistada no programa Roda Viva, onde falou sobre sua trajetória pessoal e política.

Trajetória política miniaturadaimagem|esquerda|Sônia na Comissão Mista da Medida Provisória nº 756, de 2016. Sua militância em ocupações e protestos começou na coordenação das organizações e articulações dos povos indígenas no Maranhão (COAPIMA) e levou-a à coordenação executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). Antes disso, ainda passou pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).

Entre 2000 e 2011, Guajajara foi militante filiada ao Partido do Trabalhadores (PT) e em 2011 entrou no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).

Em 2010, Sônia Guajajara entregou o prêmio Motosserra de Ouro para Kátia Abreu, que na época era ministra da Agricultura, em protesto contra as alterações do Código Florestal.

Em 2017, Alicia Keys, artista engajada com diversas causas sociais, cedeu seu espaço no palco principal do Rock in Rio para que a líder indígena Sônia Guajajara discursasse pela demarcação de terras na Amazônia, momento em que foi ovacionada pelo público ao som de "Fora Temer!". A fala aconteceu durante a execução da música "Kill Your Mama", que aborda justamente a devastação do meio ambiente.Em 31 de novembro de 2017, Sônia Guajajara foi apresentada pelo setorial ecossocialista do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) como pré-candidata à presidência da república. Através de um manifesto "Por uma candidatura indígena, anticapitalista e ecossocialista" no site 518anosdepois.com, que faz menção aos 518 anos da colonização europeia no Brasil.

Em 2017, na “Carta por uma candidatura indígena, anticapitalista e ecossocialista”, Sônia Guajajara se declarou ecossocialista e defendeu a ideia de que a contradição capital-natureza é estruturante em nossa sociedade. Ela também criticou a direita tradicional brasileira e também o modelo neoliberal desenvolvimentista realizado pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) nos seus 13 anos de governo.

No dia 3 de fevereiro de 2018, Sônia Guajajara foi lançada como pré-candidata a vice-presidente da república na chapa encabeçada por Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, tornando-se a primeira pré-candidata de origem indígena à presidência da república. A chapa Boulos/Sônia alcançou a 10ª colocação no primeiro turno da eleição presidencial, com 617.122 votos, 0,58% dos votos válidos.

Em 2019, Guajajara liderou a Jornada Sangue Indígena Nenhuma Gota a Menos, que percorreu o Brasil e mais 12 países europeus para denunciar o desmonte dos direitos indígenas durante o governo Bolsonaro.

Sônia Guajajara tem voz no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas e já levou denúncias às Conferências Mundiais do Clima (COP) e ao Parlamento Europeu.

Em 22 de março de 2022, Guajajara foi confirmada como pré-candidata ao cargo de deputada federal pelo estado de São Paulo nas eleições legislativas deste ano. Em 03 de outubro do mesmo ano ela se torna a primeira indígena a ser eleita deputada federal pelo estado de São Paulo. Foi eleita com 156.966 votos.

Ministra dos Povos Indígenas miniaturadaimagem|Assinando o termo de posse no cargo de Ministra de Estado dos Povos Originários

Em dezembro de 2022, Sonia foi anunciada como a primeira ministra dos Povos Índigenas, tomando posse em 1 de janeiro de 2023. Sua administração foi marcada pelo forte antagonismo do Congresso, que tem uma maioria contrária aos interesses indígenas.Martins, Rafael Moro. "Lula pode cumprir o que prometeu aos indígenas?" Sumaúma Jornalismo, 18 de maio de 2023Borges, André. "O que trava o avanço das políticas indígenas sob Lula". Nexo Jornal, 18 de abril de 2024 O Congresso tem trabalhado para validar a tese do Marco Temporal, que dificulta as novas demarcações de terras indígenas, mesmo tendo sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal;Fasolo, Carolina. "Senado aprova projeto que desestrutura demarcação de Terras Indígenas". Instituto Socioambiental, 29 de maio de 2025Cauany, Ester & Prestes, Helena. "Entenda o que muda após STF derrubar o marco temporal para demarcações". CNN Brasil, 20 de dezembro de 2025 e retirou do Ministério o poder de emitir as portarias declaratórias de terras a serem demarcadas, transferido para o Ministério da Justiça,Martins, Rafael Moro. "Como o PT abraçou o Centrão e deixou Marina e Sonia à deriva". Sumaúma Jornalismo, 26 de maio de 2023

Seu primeiro ano à frente da pasta foi particularmente difícil, recebendo escasso apoio da própria base governista,Martins, Rafael Moro. "Isolamento, preconceito e déficit de poder marcam primeiro ano do Ministério dos Povos Indígenas". Sumaúma Jornalismo, 3 de abril de 2024 trabalhando sem orçamento próprio e contando apenas com a verba destinada à Funai."Ministério dos Povos Indígenas enfrenta 'terra arrasada' e orçamento escasso". ClimaInfo, 16 de janeiro de 2023 Sua estrutura física era precária, usava equipamentos emprestados, e até abril de 2024 nenhum servidor havia sido oficialmente designado, tendo de recorrer a colaboradores voluntários e servidores cedidos provisoriamente por outros órgãos. Além disso, a Funai havia sido profundamente desorganizada no governo de Jair Bolsonaro, e Guajajara a encontrou disfuncional e com um grande déficit de funcionários e verbas. Susui, Ariene. "Joenia Wapichana: ‘Tirar Funai do buraco será imenso desafio’". Nexo Jornal, 3 de fevereiro de 2023"Fundação Anti-indígena: um retrato da Funai sob o governo Bolsonaro". Instituto de Estudos Socioeconômicos, 13 de junho de 2022Nóbrega, Luciana Nogueira. "A Funai sob Bolsonaro". In: Conhecer: Debate entre o Público e o Privado, 2023; 13 (31)

Em sua gestão foi reiniciada a demarcação de terras, que havia sido paralisada no governo anterior, foram criados grupos técnicos e o Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas, o Comitê Gestor da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas foi reativado, e foram lançados programas para ampliar o acesso dos povos indígenas aos recursos e promover as áreas da saúde, cultura, esporte, agricultura sustentável, direitos, gestão territorial, participação social, assistência social, educação e proteção contra a violência."MPI apresenta balanço das atividades e resultados ao Conselho Nacional de Política Indigenista". Ministério dos Povos Indígenas, 5 de dezembro de 2024 Em 2024, Sônia Guajajara participou da cerimônia oficial de retorno do Manto Tupinambá que permaneceu no Museu Nacional da Dinamarca por 335 anos.

Deixou o Ministério em 31 de março de 2026 para retomar sua carreira como parlamentar e tentar a reeleição como deputada federal de São Paulo pelo PSOL, declarando: "Saio com a certeza de que tem muito ainda o que se fazer, mas o caminho está aberto. Esse ministério fica consolidado para que ninguém nunca mais tenha coragem de retirar esse ministério dos povos indígenas".Cambraia, Duda. "Guajajara passa chefia do ministério dos Povos Indígenas a Eloy Terena". CNN Brasil, 31 de março de 2026

Desempenho eleitoral Ano Eleição Partido Cargo Votos% ResultadoRef 2018 Presidencial no Brasil PSOL Vice-presidente Titular: Guilherme Boulos (PSOL) 617.1220,58% 2022 Estaduais em São Paulo Deputada federal 156.9660,66%

Vida pessoal Sônia Guajajara, chamada de “Soninha” por amigos e familiares, é mãe de Yaponã, 22 anos, Mahkai, 20, Ywara, 16, e Intaniara, que morreu de hepatite aos 2 anos. Foi casada por 18 anos com Lindomir, pai de seus filhos, de quem se separou em 2014.

Premiações e reconhecimento

2015 - Prêmio Ordem do Mérito Cultural, condedido pelo Ministério da Cultura (Minc). 2015 - Medalha 18 de Janeiro, condedida pelo Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Padre Josimo. 2015 - Medalha Honra ao Mérito do Governo do Estado do Maranhão. 2019 - Prêmio João Canuto pelos Direitos Humanos da Amazônia e da Liberdade, concedido pelo Movimento Humanos Direitos (MHuD). 2019 - Prêmio Packard, concedido pela Comissão Mundial de áreas protegidas da União Internacional para Conservação da Natureza (UICN). 2020 - Prêmio Letelier-Moffitt de Direitos Humanos em nome da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), em reconhecimento a jornada “Sangue Indígena: Nenhuma Gota a Mais”. 2022 - Time 100 - categoria Pioneiros, concedido pela revista Time. 2023 - 100 mulheres mais inspiradoras do mundo, da BBC. 2023 - Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco. 2024 - Doutora Honoris Causa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Ver também

Zezico Rodrigues Guajajara Povos indígenas do Brasil Movimento indígena no Brasil Guajajaras

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