O Triângulo Mineiro é uma região localizada no oeste do estado de Minas Gerais, na Região Sudeste do Brasil. Está situada entre os rios Grande e Paranaíba, que são afluentes do rio Paraná.
De acordo com a divisão geográfica do IBGE, vigente de 1989 até 2017, o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba formavam a mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, que compreendia 66 municípios distribuídos em sete microrregiões.
A partir de 2017, o IBGE substituiu as mesorregiões e microrregiões por um novo modelo de divisão, denominado regiões geográficas intermediárias e imediatas. Segundo essa nova divisão, o território do Triângulo Mineiro corresponde, em sua maior parte, às regiões geográficas intermediárias de Uberaba e de Uberlândia. Segundo a classificação do Governo do Estado de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro correspondia à Região de Planejamento IV, composta por 35 municípios. Essa definição exclui municípios da antiga mesorregião, como Patrocínio, Patos de Minas e Araxá, que pertencem à Região de Planejamento V – Alto Paranaíba.
História 225px|thumb|esquerda|Bandeirantes Em 1722, partiu de São Paulo uma expedição com destino a Goiás. Os bandeirantes desbravaram a região e abriram a estrada do Anhanguera, ligando São Paulo ao Planalto Central. Na época, a região, povoada pelos índios Caiapós, recebeu o nome de Sertão da Farinha Podre, denominação atribuída pelas expedições que, ao atravessarem o local, marcavam o caminho com alimentos secos para indicar a rota de retorno. Com a escassez de ouro e diamantes no campo das vertentes e na região central de Minas Gerais, os mineiros buscaram novos locais e fundaram o povoado de Desemboque em 1743, o primeiro núcleo do Triângulo Mineiro, que até 1748 foi subordinado à capitania de São Paulo.
A partir de 1748, o Sertão da Farinha Podre foi anexado à capitania de Goiás, adotando o nome de Julgado do Desemboque. Em 1811, a região, que fazia parte do Julgado do Desemboque, foi dividida em Julgado do Desemboque e Julgado de Araxá, estabelecendo assim a divisão administrativa da Campanha do Araxá. Em 1816, após pedido popular, Araxá incorporou sua campanha a Minas Gerais, e em 1830 foi elevado a município. Desse ponto em diante, o Sertão da Farinha Podre conquistou autonomia política e administrativa, tendo Araxá como sede.
Motivado pelo crescimento da pecuária, em 1836, Uberaba separou-se de Araxá e foi elevada à categoria de município. Para oficializar a posse da nova câmara, o presidente da Câmara de Araxá deslocou-se até Uberaba. Mais adiante, em 1842, Patrocínio também se desvinculou de Araxá, buscando maior autonomia, motivada pelo ciclo do café e pela expansão pecuária. Na década seguinte, Patos de Minas, que era então um distrito de Patrocínio, manifestou o desejo de emancipar-se. Após prolongados esforços locais, que enfrentaram resistência das lideranças de Patrocínio, a emancipação de Patos de Minas concretizou-se em 1868.
Com a decadência do café paulista e fluminense na década de 1870, o Brasil voltou-se para sua vocação agrária. Na pecuária, predominavam as raças europeias, que foram gradualmente substituídas pelas indianas por serem mais adaptadas ao clima tropical.
Na década de 1880, com a chegada da ferrovia e o crescimento populacional decorrente das atividades agrícolas e comerciais, as localidades de Araguari e Uberlândia buscaram maior autonomia administrativa e se separaram de Uberaba em 1888, formando novas unidades administrativas. Durante o auge da ferrovia no Brasil, Araguari se destacou como um dos principais centros de escoamento ferroviário do Triângulo Mineiro. A partir de 1896, a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro alcançou a cidade e, em 1906, a Estrada de Ferro Goiás também a conectou. Esse papel de destaque permaneceu até a década de 1950, quando o declínio das ferrovias e o avanço das rodovias deslocaram a dinâmica logística e comercial da região para Uberlândia, favorecida por sua maior diversificação econômica à época.
Sítios paleontológicos 225px|thumb|esquerda|Esqueleto reconstituído do dinossauro Maxakalisaurus topai em exposição no Museu Nacional, Rio de Janeiro (2006) O Triângulo Mineiro abriga dois dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil, localizados nos municípios de Prata e Uberaba.
Em Prata, foi descoberto o maior dinossauro já encontrado no Brasil, o Maxakalisaurus topai, que viveu há mais de 80 milhões de anos na região da Serra da Boa Vista, situada a cerca de 40 quilômetros da cidade. Após votação popular, o dinossauro foi apelidado de Dinoprata. A réplica em resina do titanossauro, com cerca de 13 metros de comprimento, foi exposta no Museu Nacional do Rio de Janeiro até ser destruída no incêndio de 2018. A réplica foi apresentada à comunidade científica brasileira e internacional em 2006, pelo paleontólogo Alexander Kellner....
Na década de 1940, a descoberta de fósseis durante obras de manutenção dos trilhos ferroviários no distrito de Peirópolis, em Uberaba, chamou a atenção do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), que designou o paleontólogo Llewellyn Ivor Price para a região. Entre 1947 e 1961, Price realizou escavações sistemáticas, recuperando centenas de ossos fossilizados datados do Cretáceo Superior, incluindo o Peirosaurus, um dos primeiros fósseis identificados na região. Ao longo dos anos, outros fósseis de dinossauros, como saurópodes, terópodes e velociraptores, além de fósseis de peixes, sapos e crocodilomorfos, foram encontrados....
Em 1988, após mobilização de ativistas e da comunidade de Peirópolis, foi criado o Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price, destinado a preservar os fósseis e fortalecer a pesquisa paleontológica da região. Inaugurado no início da década de 1990, o local trabalha oferecendo apoio a instituições nacionais e internacionais dedicadas ao estudo paleontológico e geológico, além de manter exposições de fósseis encontrados na região de Uberaba.... Em 2011, sua estrutura foi integrada ao Complexo Cultural e Científico de Peirópolis (CCCP), por meio de parceria entre a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e a SEDECTES....
Campanha de emancipação A proposta para a criação do estado do Triângulo Mineiro, representa uma tentativa histórica de desmembramento do estado de Minas Gerais, sendo formado a partir da porção oeste do território mineiro, correspondendo à antiga mesorregião do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba.
Com Uberlândia como capital sugerida, o estado abrigaria três universidades federais: a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Uberlândia; a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), em Uberaba; e um campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), localizado em Rio Paranaíba. Há também unidades da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), em Ituiutaba e Frutal, além do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM).
Segundo estimativas de 2007, o Triângulo Mineiro poderia se posicionar entre as regiões mais ricas do país, com Produto Interno Bruto (PIB) equivalente a aproximadamente 17% do total mineiro.
Antecedentes Em 1873, o Visconde do Serro Frio apresentou à Assembleia Geral o Projeto de uma Nova Divisão Administrativa do Império do Brasil, que previa a criação da província de Entre Rios. A proposta incluía parte de Goiás, o Triângulo Mineiro e o oeste mineiro. É considerada precursora das iniciativas contemporâneas de emancipação da região.
Historicamente, o Triângulo Mineiro integrou os territórios da capitania de São Paulo e Minas de Ouro e, posteriormente, da capitania de Goiás. Em 1816, foi anexado por Carta Régia de João VI de Portugal à capitania de Minas Gerais.
Em 1989, durante o processo de reestruturação federativa do país, chegou-se a propor a criação do Estado do Triângulo. Apesar da aprovação de outros projetos — como o que originou o estado do Tocantins —, a proposta referente ao Triângulo Mineiro não foi aprovada nas etapas finais de tramitação.
Em 2008, o deputado federal Elismar Prado apresentou um Projeto de Decreto Legislativo propondo a realização de plebiscito sobre a criação do novo estado. A proposta abrangia o desmembramento de 66 municípios de Minas Gerais, listados no artigo 1º do projeto. Após aprovado, o plebiscito foi encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, e o parecer da proposta seguiu para apreciação no Senado Federal do Brasil.
A tramitação da proposta gerou repercussão na imprensa, com manifestações públicas de apoio por parte de alguns políticos e setores da sociedade. Segundo alegação de Elismar Prado, 70% da população da região se mostraria favorável à emancipação; contudo, nenhum critério para a apuração dessa estimativa foi apresentado.
Viabilidade De acordo com estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), somente os projetos de criação dos estados de São Paulo do Leste e Triângulo apresentavam viabilidade econômica. A análise indicou um aumento de 3,44% nos gastos públicos em relação à situação atual, mas o custo do novo estado em relação ao seu PIB seria inferior à média nacional de 12,74%, o que o tornaria economicamente sustentável.
Geografia
Solo Caracterizado pela presença de planaltos, serras e chapadas que se estendem pela Bacia do Paraná, e com a ocorrência de formações geológicas pertencentes ao período Maastrichtiano.
Clima A região é influenciada por duas estações bem definidas: o verão, quente e chuvoso, e o inverno, bastante seco e com temperaturas amenas, definindo um clima tropical de altitude, semelhante ao clima de savanas, com temperaturas médias entre 17 °C e 25 °C e amplitude térmica anual entre 7 °C e 9 °C.
Pelo menos 85% do índice pluviométrico anual da região ocorre durante o período chuvoso, principalmente em janeiro, enquanto os 15% restantes das chuvas são distribuídos entre abril e setembro. O padrão pluviométrico segue o típico clima tropical, caracterizando-se por um inverno seco com baixa intensidade de chuvas, e um verão quente e chuvoso.
Demografia
Municípios O Triângulo Mineiro é composto por 35 municípios, os quais estão distribuídos entre as regiões geográficas intermediárias de Uberaba e de Uberlândia, segundo a divisão do IBGE em 2017.
Classificação Município População (IBGE/2022) 1 Uberlândia 713 232 2 Uberaba 337 846 3 Araguari 117 808 4 Ituiutaba 102 217 5 Frutal 58 588 6 Iturama 38 295 7 Conceição das Alagoas 28 381 8 Prata 28 342 9 Tupaciguara 25 470 10 Santa Vitória 20 973 11 Monte Alegre de Minas 20 170 12 Campina Verde 18 011 13 Capinópolis 14 655 14 Itapagipe 13 690 15 Planura 11 145 16 Delta 10 494 17 Fronteira 14 533 18 Canápolis 10 608 19 Centralina 10 207 20 Carneirinho 9 422 21 Limeira do Oeste 8 687 22 Araporã 8 479 23 Campo Florido 8 466 24 Cachoeira Dourada 7 782 25 Conquista 6 694 26 Indianópolis 6 171 27 São Francisco de Sales 5 732 28 Pirajuba 5 537 29 Gurinhatã 5 192 30 União de Minas 3 828 31 Ipiaçu 3 775 32 Veríssimo 3 411 33 Água Comprida 2 108 34 Comendador Gomes 2 773 35 Cascalho Rico 2 712
Economia 220x220px|thumb|Uberlândia, é o maior município do Triângulo Mineiro, e o segundo maior de Minas Gerais, ficando atrás apenas de Belo Horizonte, a capital do estado.A economia do Triângulo Mineiro é baseada principalmente na agroindústria, no comércio, nos serviços e na logística, apoiada por polos de transporte intermodal que facilitam a circulação de produtos na região.
Uberlândia destaca-se pela diversidade econômica, com atuação relevante em comércio, tecnologia, logística e serviços, além de apresentar um dos maiores PIB de Minas Gerais.
Uberaba possui forte atividade agropecuária, com produção de grãos, cana-de-açúcar e melhoramento genético do gado zebu. A indústria local inclui fertilizantes, agroindústria e biotecnologia, além de iniciativas recentes voltadas à inovação tecnológica e à exportação.