thumb|direita|Sede do SPLC em Montgomery

O Southern Poverty Law Center (SPLC) é uma organização jurídica 501(c)(3) sem fins lucrativos dos Estados Unidos, especializada em direitos civis e litígios de interesse público. Com sede em Montgomery, sua atuação inclui processos contra grupos supremacistas brancos, a classificação de grupos de ódio e outras organizações extremistas e programas educacionais voltados ao combate a preconceitos. Morris Dees, Joseph J. Levin Jr. e Julian Bond fundaram o SPLC em 1971 como um escritório de advocacia de direitos civis em Montgomery.

Em 1980, o SPLC adotou uma estratégia de ajuizar ações civis contra a Ku Klux Klan em nome de vítimas de sua violência, buscando indenizações. A organização também passou a atuar em outras causas de direitos civis, entre elas processos contra segregação racial institucional e discriminação, condições desumanas ou inconstitucionais em prisões e centros de detenção, discriminação por orientação sexual, maus-tratos a imigrantes em situação irregular e violações da separação entre Igreja e Estado. O SPLC forneceu informações sobre grupos de ódio ao Federal Bureau of Investigation (FBI) e a outros órgãos de segurança pública.

Desde a década de 2000, as classificações e listas de grupos de ódio e extremistas antigoverno produzidas pelo SPLC vêm sendo usadas por fontes acadêmicas e meios de comunicação. As listas também receberam críticas de pessoas que as julgam excessivamente abrangentes, politicamente motivadas ou injustificadas. Em outubro de 2025, o diretor do FBI, Kash Patel, rompeu os vínculos da agência com o SPLC após uma campanha de aliados da direita do presidente republicano Donald Trump.

História O Southern Poverty Law Center foi fundado pelos advogados de direitos civis Morris Dees e Joseph J. Levin Jr. em agosto de 1971, como um escritório jurídico inicialmente voltado a questões como pobreza, discriminação racial e pena de morte nos Estados Unidos. Dees convidou o ativista de direitos civis Julian Bond a ocupar a presidência, cargo em grande parte honorífico. Bond deixou a função em 1979, mas permaneceu no conselho de administração até morrer em 2015.

Em 1979, Dees e o SPLC começaram a ajuizar ações civis contra capítulos da Ku Klux Klan e organizações semelhantes, buscando indenizações em nome das vítimas. As decisões favoráveis levaram a KKK e outras organizações processadas à falência. Uma matéria publicada pelo The New York Times em 1996 atribuiu a Dees e ao SPLC a criação de métodos jurídicos inovadores para enfraquecer grupos de ódio, entre eles a apreensão de seus bens. Alguns defensores das liberdades civis argumentaram que as táticas do SPLC poderiam inibir a liberdade de expressão e estabelecer precedentes jurídicos aplicáveis também a organizações ativistas que não fossem grupos de ódio.

Em 1981, o centro criou o projeto Klanwatch para acompanhar as atividades da KKK. O projeto, mais tarde chamado Hatewatch, passou a abranger sete outros tipos de organizações de ódio.

Em 1986, toda a equipe jurídica do SPLC, exceto Dees, pediu demissão quando a organização mudou o foco de seu trabalho tradicional de direitos civis para o combate ao extremismo de direita. Em 1989, o centro inaugurou o Memorial dos Direitos Civis, projetado por Maya Lin.

O projeto Teaching Tolerance começou em 1991.

Em 1995, a equipe do Montgomery Advertiser recebeu reconhecimento do Prêmio Pulitzer ao chegar à final da categoria de jornalismo explicativo com uma investigação sobre interesse próprio da administração, práticas questionáveis e acusações de discriminação racial contra funcionários do SPLC.

Em 2008, o SPLC e Dees participaram do programa Inside American Terror, da National Geographic, explicando a estratégia de litígios usada contra a Ku Klux Klan.

Em 2011, o SPLC participou de disputas estaduais de grande repercussão, entre elas a controvérsia sobre a lei estadual da Geórgia HB 87. Em junho daquele ano, o SPLC se uniu à ACLU, ao Asian Law Caucus e ao National Immigration Law Center para contestar judicialmente a HB 87. O processo levou, em 2013, a uma ordem judicial permanente que bloqueou partes da lei.

Em 2013, Teaching Tolerance foi chamado de "um dos periódicos mais lidos dedicados à diversidade e à justiça social na educação".

Em 2016, depois da eleição do presidente Donald Trump, o quadro da organização cresceu e seu fundo patrimonial aumentou, levando à contratação de 200 novos funcionários.

Em 2018, o SPLC ajuizou processos relacionados às condições de encarceramento de adultos e menores.

Em março de 2019, Dees foi demitido. Karen Baynes-Dunning foi nomeada presidente e diretora-executiva interina em abril. Em meados de dezembro, depois de um ano de turbulência, os funcionários votaram pela sindicalização, com 142 votos a favor e 45 contra. A organização já havia enfrentado acusações recorrentes de discriminação interna contra funcionários pertencentes a minorias, especialmente nas promoções. Margaret Huang assumiu a presidência e a direção executiva no início de fevereiro de 2020.

O SPLC e a ACLU também atuaram em disputas sobre o tratamento de presos no Alabama. Em abril de 2020, as duas organizações fizeram um pedido emergencial pela libertação de dezenas de milhares de pessoas mantidas sob custódia do ICE caso a agência não pudesse proteger detentos vulneráveis durante a pandemia de COVID-19. O pedido integrou uma ação coletiva já existente sobre as condições nas instalações do ICE.

Em junho de 2024, 80 pessoas, correspondentes a 25% da força de trabalho do SPLC, foram demitidas. Em setembro, 92% dos funcionários restantes apoiaram uma moção de desconfiança contra Huang. Os trabalhadores pediram a reversão das demissões em massa, que classificaram como uma tentativa de enfraquecer o sindicato, e a contratação de outro diretor-executivo. A presidência da comissão de negociação sindical chamou as demissões de desorganizadas, insensíveis e desumanas e disse que elas haviam criado caos dentro da organização e contradiziam os valores declarados pelo SPLC. A direção rejeitou o pedido do sindicato para afastar Huang. Huang deixou o cargo em julho de 2025 e Bryan Fair assumiu interinamente.

Crise de liderança em meio a alegações de assédio Em março de 2019, o SPLC demitiu seu fundador Morris Dees sem divulgar o motivo e removeu o perfil dele de seu site. Ao anunciar a demissão, a organização informou que contrataria uma entidade externa para fazer uma avaliação abrangente do ambiente interno e das práticas de trabalho.

Depois da demissão, cerca de duas dezenas de funcionários enviaram uma carta à direção afirmando que denúncias de maus-tratos, assédio sexual, discriminação de gênero e racismo ameaçavam a autoridade moral e a integridade da organização. Um ex-funcionário escreveu que o poder sem controle de homens brancos muito bem remunerados na cúpula do SPLC havia alimentado uma cultura em que funcionários negros e mulheres se tornavam alvos de assédio.

Uma semana depois, o presidente Richard Cohen e a diretora jurídica Rhonda Brownstein anunciaram suas demissões. Meredith Horton, diretora jurídica associada, também pediu demissão e citou problemas com a cultura do local de trabalho. Cohen assumiu responsabilidade pelos problemas ocorridos durante sua gestão.

Administração No início de fevereiro de 2020, Margaret Huang, que havia dirigido a Anistia Internacional dos Estados Unidos, tornou-se presidente e diretora-executiva do SPLC. Ela substituiu Karen Baynes-Dunning, ex-juíza de um tribunal juvenil que exercia as funções interinamente desde abril de 2019, após a demissão de Morris Dees. O SPLC também havia contratado Tina Tchen, ex-chefe de gabinete da ex-primeira-dama Michelle Obama, para examinar problemas no ambiente de trabalho relacionados à demissão de Dees. Huang deixou o cargo em julho de 2025 e Bryan Fair assumiu interinamente.

Captação de recursos e finanças As atividades do SPLC, inclusive os processos judiciais, são financiadas por campanhas de arrecadação. A organização não cobra honorários nem recebe parte das indenizações concedidas aos clientes que representa.

A partir de 1974, o SPLC passou a reservar recursos para seu fundo patrimonial. A organização afirmava prever um momento em que entidades sem fins lucrativos deixariam de poder depender de campanhas pelo correio devido aos custos postais e de impressão.

Em 2017, os ativos financeiros da organização já se aproximavam de US$ 500 milhões. Em 2023, o fundo patrimonial era de US$ 749 milhões, a receita de US$ 170 milhões e as despesas de US$ 122 milhões. Em 2024, a receita foi de US$ 204,8 milhões, as despesas chegaram a US$ 127,7 milhões e o fundo patrimonial somava US$ 738,4 milhões.

Antes de deixar o SPLC em 2019, Dees se dedicava principalmente ao relacionamento com doadores e à ampliação dos recursos financeiros do centro.

A organização relacionada SPLC Action Fund, registrada sob a seção 501(c)(4), criou dois comitês de ação política em 2022, o New Southern Leaders federal PAC e o New Southern Majority federal Super PAC. O New Southern Leaders PAC gastou mais de US$ 21 mil em 2023 e 2024, em sua maior parte com o SPLC Action Fund, que havia desembolsado mais de US$ 1 milhão em gastos independentes no ciclo eleitoral de 2019 e 2020.

Avaliações de entidades beneficentes Em 2023, com base nos números do exercício fiscal de 2022, o Charity Navigator atribuiu ao SPLC quatro de quatro estrelas e uma pontuação geral de 99 em 100 em "Accountability & Finance". O ponto não obtido se devia à ausência de uma política de privacidade de doadores publicada no site. Em 2022, a receita do SPLC foi de US$ 140.350.982 e as despesas chegaram a US$ 111.043.025. O SPLC recebe quatro estrelas do Charity Navigator desde 2019.

Em 2023, o SPLC tinha o selo Gold Seal of Transparency do GuideStar, concedido a organizações que divulgam voluntariamente dados financeiros e informações sobre inclusão para aumentar a confiança de financiadores. O SPLC já havia recebido o Platinum Seal of Transparency do GuideStar, mas não o manteve.

Em 3 de fevereiro de 2023, o CharityWatch inicialmente atribuía ao SPLC nota B com base nas demonstrações financeiras de 2021. A entidade rebaixa organizações beneficentes que acumulam reservas superiores a três anos de orçamento anual, e dá automaticamente nota F quando as reservas correspondem a cinco anos ou mais do orçamento anual. Com esse critério, o CharityWatch rebaixou o SPLC de B para F porque a organização tinha reservas equivalentes a 7,3 anos de orçamento, destinava 68% dos recursos a programas e gastava US$ 20 para arrecadar US$ 100.

O SPLC recusou-se a fornecer informações ou a passar por uma avaliação da seção Charity Accountability do Better Business Bureau.

Ataques criminosos e planos contra o SPLC Em julho de 1983, a sede do SPLC foi atacada com uma bomba incendiária, que destruiu o prédio e arquivos da organização. Em fevereiro de 1985, os integrantes da Klan Joe M. Garner e Roy T. Downs Jr. e o simpatizante Charles Bailey declararam-se culpados de conspirar para intimidar, oprimir e ameaçar integrantes de organizações negras representadas pelo SPLC. O SPLC construiu uma nova sede entre 1999 e 2001.

Em 1984, Morris Dees tornou-se alvo de assassinato da organização revolucionária supremacista branca The Order. Em 2007, Dees afirmou que mais de 30 pessoas haviam sido presas por envolvimento em planos para matá-lo ou explodir escritórios do SPLC.

Em 1995, quatro homens foram acusados de planejar explodir a sede do SPLC. Em maio de 1998, três supremacistas brancos foram presos por planejar uma campanha nacional de assassinatos e atentados contra Dees e o SPLC no Alabama, o Centro Simon Wiesenthal em Los Angeles, a Liga Antidifamação em Nova York, um juiz federal não identificado em Illinois e um radialista negro no Missouri."Group is accused of plotting assassinations, bombings. Two others will plead guilty Thursday." St. Louis Post-Dispatch, 13 de maio de 1998, p. B1.