miniaturadaimagem|Nómada digital (nômade digital) a trabalhar num café no Vietname. Um é um indivíduo que viaja livremente enquanto trabalha remotamente (teletrabalho), utilizando as Tecnologias de Informação e Comunicação, como a Internet. Estes indivíduos possuem, geralmente, poucos bens materiais e trabalham remotamente em alojamentos temporários, hotéis, cafés, bibliotecas públicas, espaços de coworking ou veículos de recreio, utilizando Wi-Fi, smartphones ou hotspots móveis para aceder à Internet.
A maioria dos nómadas digitais (nômades digitais) descreve-se como programadores, criadores de conteúdo, designers ou desenvolvedores. Alguns nómadas digitais (nômades digitais) são viajantes perpétuos (perpetual traveler), enquanto outros mantêm este estilo de vida apenas por um curto período. Enquanto alguns nómadas (nômades) viajam por vários países, outros permanecem numa área específica, e alguns podem optar por viajar enquanto vivem num veículo, prática frequentemente conhecida como alojamento de furgão, alojamento de carrinha ou alojamento de combi (van-dwelling).
Em 2023, existiam 17,3 milhões de nómadas digitais (nômades digitais) norte-americanos, um aumento de 131% em relação a 2019, e este número subiu para 18,1 milhões em 2024. miniaturadaimagem|Uma Fiat Ducato com carroçaria adaptada, um veículo habitualmente utilizado pelos nómadas digitais (nômades digitais) como alojamento de furgão, alojamento de carrinha ou alojamento de combi (van-dwelling).
Etimologia Um dos primeiros nómadas digitais (nômades digitais) foi Steven K. Roberts, que de 1983 a 1991 percorreu mais de 16.000 quilómetros pelos Estados Unidos numa bicicleta reclinada computorizada equipada com rádio amador (indicativo de chamada N4RVE) e outros equipamentos (e-mail por satélite e sistema de pesquisa) que lhe permitiam conversar, digitar e trabalhar em movimento durante o dia, antes de acampar à noite. Roberts foi destacado na revista Popular Computing, que o apelidou de "nómada de alta tecnologia".
O termo "nómada digital" ("nômade digital") começou a ser utilizado no início da década de 1990 para descrever um novo tipo de estilo de vida nómada e altamente tecnológico, possibilitado pelo crescimento das redes de computadores e pela popularização de dispositivos móveis como computadores portáteis, tablets e PDAs. No seu relato de viagem de 1992, "Exploring the Internet", Carl Malamud descreveu um "nómada digital" ("nômade digital") que "viaja pelo mundo com um computador portátil, instalando nós da FidoNet". Em 1993, a Random House publicou a série de guias "Guia do Nómada Digital", de Mitch Ratcliffe e Andrew Gore. Os guias, "PowerBook", "AT&T EO Personal Communicator" e "A Lei de Newton", usaram o termo "nómada digital" para se referirem à maior mobilidade e às tecnologias de comunicação e produtividade mais poderosas introduzidas pelos novos dispositivos móveis.
Craig McCaw previu em 1993 que a união das telecomunicações e da computação criaria uma nova indústria nómada. Ao permitir que as pessoas conduzissem negócios a partir de qualquer local, a comunicação sem fios e os assistentes digitais facilitariam o regresso a um estilo de vida nómada, onde as pessoas se moviam como desejavam e levavam consigo o seu ambiente e os seus pertences. miniaturadaimagem|Bansko Nomad Fest, uma conferência anual na Bulgária para os nómadas digitais (nômades digitais). O livro de 1997, Digital Nomad, de Tsugio Makimoto e David Manners, utilizou o termo para descrever a forma como a tecnologia permite o regresso das sociedades a um estilo de vida nómada. Makimoto e Manners identificaram um estilo de vida emergente de "nómada digital", libertado pela tecnologia "das restrições da geografia e da distância". Uma das primeiras utilizações do termo nómadas digitais em investigação foi em 2006, no artigo Towards the Epistemology of digital nomads, de Patokorpi.
No uso contemporâneo, o termo descreve amplamente uma categoria de profissionais altamente móveis e independentes de localização, capazes de viver e trabalhar remotamente a partir de qualquer parte do mundo com acesso à internet, devido à integração da tecnologia móvel no quotidiano e nos ambientes de trabalho.
Desafios e impactos negativos
Embora os nómadas digitais (nômades digitais) usufruam de vantagens em termos de liberdade e flexibilidade, reportam a solidão como a sua maior dificuldade, seguida pela síndrome de burnout. Os sentimentos de solidão são frequentemente um problema para os nómadas digitais, uma vez que o nomadismo exige frequentemente a liberdade de laços pessoais, como o casamento. A importância de desenvolver relações presenciais de qualidade tem sido enfatizada para manter a saúde mental dos trabalhadores remotos.
Outros desafios incluem a manutenção de um seguro de saúde internacional com cobertura global, o cumprimento de diferentes leis locais, incluindo o pagamento de impostos obrigatórios e a obtenção de vistos de trabalho, e a manutenção de relações à distância com amigos e familiares nos seus países de origem. Os nómadas digitais também raramente têm acesso a benefícios de reforma (aposentadoria), seguro de desemprego ou férias remuneradas, e muitas vezes ganham menos do que ganhariam num emprego tradicional. Como muitos nómadas digitais recorrem a atividades como trabalhadores de plataformas digitais (gig worker) ou independentes ou autônomos (freelancers), as suas oportunidades de remuneração podem ser inconsistentes e esporádicas (uberização). Outros desafios podem incluir as diferenças de fuso horário, a dificuldade de encontrar uma ligação fiável à internet e a ausência de uma distinção clara entre tempo de trabalho e lazer.
Existem alguns fatores que contribuem para a indefinição desta linha divisória; certos trabalhos remunerados podem ser vistos como lazer quando são prazerosos, mas muitas tarefas que envolvem viagens e obtenção de alojamento podem ser vistas como outro tipo de trabalho, mesmo que tradicionalmente se enquadrem na categoria de lazer. Outra questão enfrentada pelos nómadas digitais é a da mobilidade; um trabalhador viajante precisa de levar consigo todo o equipamento necessário enquanto se desloca de um lugar para outro, e é difícil para um nómada digital gerir os seus bens pessoais. De facto, muitos nómadas digitais não têm uma base fixa e, por isso, precisam de adotar um estilo de vida minimalista.
Um impacto potencialmente negativo do nomadismo digital, que não afeta os próprios nómadas (nômades), é a gentrificação transnacional. Foram levantadas preocupações sobre a natureza da relação entre os nómadas digitais, que na sua maioria são do Norte Global, e os países para onde viajam, geralmente no Sul Global. O problema surge relativamente à concorrência desleal pela escassez de habitação (crise da habitação) entre os cidadãos habitantes nativos e os estrangeiros viajantes, bem como nas interações pessoais e no risco de dependência excessiva do turismo, gerando problemas de sobreturismo e turistificação. No entanto, o alcance exato e os impactos reais deste problema ainda não foram definidos pela investigação.
Impacto da COVID-19 Em 2020, um estudo revelou que 10,9 milhões de trabalhadores norte-americanos se autodenominavam nómadas digitais (nômades digitais), um aumento de 49% em relação a 2019. A principal razão para este rápido crescimento foi o encerramento de escritórios e a transição para o trabalho remoto devido à pandemia de COVID-19. Diversos países foram levados a oferecer novos programas de vistos e a alterar as suas políticas em relação aos trabalhadores estrangeiros, como resultado da pandemia.
A pandemia teve um impacto maior, em termos de mobilidade, nos trabalhadores com empregos tradicionais do que nos trabalhadores independentes. Embora o número de trabalhadores independentes ou autônomos (freelancers) que vivem como nómadas digitais tenha aumentado ligeiramente em 2020, o número de trabalhadores tradicionais que mudaram o seu estilo de vida para viver como nómadas digitais quase duplicou, passando de 3,2 milhões de pessoas em 2019 para 6,3 milhões em 2020. Isto ocorreu porque muitos empregos tradicionais deixaram de exigir que os seus funcionários comparecessem fisicamente num escritório ou local fixo todos os dias, permitindo que muitas pessoas viajassem livremente enquanto continuavam a trabalhar.
A maior parte deste aumento consistiu em trabalhadores da geração Millennial e da Geração Z, possivelmente devido, em parte, à sua menor preocupação com a COVID-19. Ao mesmo tempo, outro efeito da pandemia foi a capacidade limitada de viajar, particularmente através das fronteiras nacionais. Por esta razão, cada vez mais nómadas digitais (nômades digitais) optaram por permanecer nos seus países de origem, especialmente nos Estados Unidos. Viver como nómada digital implica, muitas vezes, viajar de áreas de alto custo (por exemplo, grandes cidades) para regiões mais baratas (no estrangeiro ou no país).
Limites legais Muitos nómadas digitais (nômades digitais) preferem viajar com um visto de turismo (travel visa), que é mais fácil de obter do que um visto de trabalho, mas que, regra geral, não permite que o turista trabalhe durante a sua estadia. Diferentes países têm diferentes permissões em relação ao trabalho remoto (teletrabalho) para uma empresa sediada noutro país, colocando alguns nómadas digitais (nômades digitais) numa zona cinzenta legal. Alguns países introduziram vistos específicos para nómadas digitais (nômades digitais) para cobrir esta zona cinzenta, permitindo que os indivíduos permaneçam no país legalmente enquanto trabalham como independentes ou autônomos (freelancers) para empresas estrangeiras.
Vistos para nómadas digitais (nômades digitais) Diversos programas de vistos em todo o mundo são direcionados para nómadas digitais (nômades digitais):
Antígua e Barbuda Em 2020, a Antígua e Barbuda anunciou um visto para nómadas digitais chamado Residência Digital Nómada (Nomad Digital Residence, NDR). O visto permite que os nómadas digitais que trabalham para uma empresa fora de Antígua e Barbuda permaneçam no país durante dois anos.
Argentina Em maio de 2022, o governo da Argentina anunciou a implementação de um visto temporário dirigido aos nómadas digitais. O visto é válido por seis meses e pode ser renovado por mais seis.
Brasil Em janeiro de 2022, o Brasil introduziu o Visto de Nômades Digitais (VITEM XIV) através da Resolução Normativa n.º 45/2021 do CNIg (publicada no DOU em 24 de janeiro de 2022), tornando-se um dos primeiros países sul-americanos a oferecer um visto específico para trabalhadores remotos. O visto permite que estrangeiros empregados por empresas fora do Brasil residam no país durante um ano, renovável por mais um ano. Os candidatos devem demonstrar um rendimento mensal de pelo menos 1.500 dólares ou um saldo bancário disponível de 18.000 dólares, juntamente com um contrato de trabalho remoto, seguro de saúde válido no Brasil e um certificado de antecedentes criminais apostilado.
Cabo Verde Cabo Verde dispõe do Programa de Trabalho Remoto em Cabo Verde, um programa temporário de trabalho e turismo destinado a trabalhadores independentes e trabalhadores remotos cuja atividade profissional possa ser exercida em linha, sem necessidade de escritório fixo. O programa permite aos trabalhadores remotos elegíveis permanecer no país por seis meses, com possibilidade de renovação por mais seis meses, constituindo uma opção de permanência temporária de duração prolongada para o exercício de trabalho remoto em contexto insular.