Carlos de Dios Murias foi um frei franciscano, simpatizante da Teologia da Libertação com a opção preferencial pelos pobresFrancisco e aquele ciclo que talvez irá se fechar, acesso em 18 de abril de 2015., que, em 1976, foi torturado e morto por agentes da Ditadura Militar na Argentina, liderados pelo General Luciano Benjamín Menéndez, na Província de La Rioja (Argentina).
Biografia Primeiros anos e Ordenação Sacerdotal
Carlos Murias nasceu em 1945, em Córdoba, filho de um rico agente imobiliário que era um político muito conhecido na região. O pai pretendia que o filho seguisse uma carreira militar e o matriculou na Escola Militar, mas logo depois dos estudos, Carlos entrou no seminário e foi ordenado como sacerdote por Enrique Angelelli, Bispo de La Rioja, famoso pela sua "pastoral dos campesinos".
Depois, ele foi enviado para realizar um trabalho pastoral junto com camponeses em uma pequena cidade chamada El Chamical, juntamente com o padre francês Rogelio Gabriel Longueville. Assassinato
Em 24 de março de 1976, no contexto do Golpe Militar na Argentina, Carlos Murias começou a ser ameaçado pelos militares que se opunham ao seu trabalho pastoral. No dia 18 de julho de 1976, Carlos foi preso juntamente com Gabriel Longueville e com o leigo Wenceslao Pedernera, na Base da Força Aérea de Chamical. Esta perseguição acontece devido às novas linhas pastorais que o Bispo Enrique Angelelli estava tomando na Diocese de La Rioja, segundo as novas diretrizes da Igreja Católica com o Concílio do Vaticano II, que propôs uma linha de opção preferencial pelos pobres e suas lutas contra sistemas opressores.
Antes de ser fuzilado, teve seus olhos furados e as suas mãos cortadas. Dois dias depois, o seu cadáver foi encontrado junto com o do Padre Gabriel. O leigo Wenceslao foi fuzilado uma semana depois. Seu funeral foi celebrado pelo Bispo Enrique Angelelli, que, naquela oportunidade, atacou os militares. Último sermão de Dom Enrique Angelelli
Julgamento dos assassinos e beatificação
Duas semanas depois, Dom Angelelli morreu em decorrência de um acidente automobilístico provocado por outro veículo. Em abril de 2008, Luis Fernando Estrella e Miguel Ricardo Pessetta, dois oficias aposentados da Força Aérea Argentina, foram presos por participação no assassinato dos padres Carlos Murias e Gabriel Longueville.Mártires da outra Igreja, acesso em 17 de abril de 2015.
Em maio de 2011, o Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires, Mário Jorge Bergoglio, que futuramente seria o Papa Francisco, assinou um documento em apoio à canonização (conhecido como "causa para a canonização") de Carlos Murias.Um padre morto pelo regime: o primeiro beato do Papa Francisco, acesso em 17 de abril de 2015. O julgamento pelo homicídio de Murias e Longueville foi concluído em dezembro de 2012 com a condenação à prisão perpétua de Menéndez, Estrella e do policial Domingo Benito.O julgamento pelo assassinato do bispo Angeleli começará em outubro, acesso em 18 de abril de 2015.
No dia 14 de maio de 2018, a comissão de teólogos da Congregação para as Causas dos Santos iniciou o trabalho que averiguava a beatificação de Dom Enrique Angelelli, Carlos de Dios Murias, Gabriel Longueville e Wenceslao Pedernera.Teólogos começam a trabalhar pela beatificação de Dom Enrique Angelelli e outros companheiros mártires, acesso em 11 de junho de 2018. O processo se concluiu no dia 9 de junho de 2018, quando o Papa Francisco declarou como mártires Dom Enrique Angeleli, Carlos de Dios Murias, Gabriel Longueville e Wenceslao Pedernera.Francisco reconhece o martírio de dom Angelelli e seus três colaboradores, acesso em 11 de junho de 2018.Vaticano reconhece o martírio de 4 vítimas da ditadura argentina, acesso em 11 de junho de 2018.
Ver também Ordem dos Frades Menores Conventuais São Francisco de Assis Bispo Enrique Angelelli
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