O Bunker da Batalha da Grã-Bretanha é uma sala de operações subterrânea da Base aérea de Uxbridge, anteriormente utilizada pelo Grupo N.º 11 da RAF do Comando de Caças da RAF durante a Segunda Guerra Mundial. As operações de aeronaves de caça foram controladas a partir dali durante toda a guerra, mas principalmente durante a Batalha da Grã-Bretanha e no Dia-D. Hoje, é administrado pelo Conselho de Hillingdon como uma atração histórica com um museu anexo. O museu foi inaugurado em 1985, e um centro de visitantes acima do solo foi aberto em março de 2018.
O Bunker está localizado na Base aérea de Uxbridge, não muito longe do centro da cidade de Uxbridge e da estação de metrô de Uxbridge.
Contexto thumb|left|Fluxograma ilustrando o Sistema Dowding Como local da Sala de Operações do Grupo N.º 11 da RAF, o Bunker da Batalha da Grã-Bretanha foi uma das peças-chave do primeiro sistema integrado de defesa aérea do mundo. Frequentemente conhecido como "Sistema Dowding" (em homenagem ao marechal-do-ar Hugh Dowding, comandante-em-chefe do Comando de Caças da RAF na época da instalação), o sistema interligava o Comando de Caças com o Comando Antiaéreo, Comando de Balões de Barragem, Corpo Real de Observadores, sistema de radiogoniometria Chain Home (radar) e os serviços de inteligência. Sob o sistema, essas organizações trabalharam juntas pela primeira vez para alcançar um objetivo: a defesa bem-sucedida do espaço aéreo do Reino Unido.
O Grupo N.º 11 era uma parte importante do sistema por vários motivos: Primeiro, como um dos 4 quartéis-generais de grupo, o Controlador de Operações do Grupo N.º 11 era responsável por tomar decisões cruciais que afetariam os resultados dos combates aéreos, quantos caças mobilizar, que tipo de aeronave, quais esquadrões usar, quando mobilizá-los, de onde mobilizá-los, para onde mobilizá-los, etc. Segundo, e também devido ao seu papel como quartel-general de grupo, o Grupo N.º 11 era responsável por organizar e coordenar as atividades de 7 bases setoriais onde seus esquadrões de caça estavam baseados, Kenley, North Weald, Debden, Biggin Hill, Tangmere, Hornchurch e Northolt. E em terceiro lugar, o Bunker e sua Sala de Operações foram os protótipos pelos quais os outros 5 quartéis-generais de grupo (Grupo N.º 9 Barton Hall, Grupo N.º 10 em Box, Grupo N.º 12 Watnall, Grupo N.º 13 Newcastle e Grupo N.º 14 em Raigmore) foram planejados e construídos.Bungay 2010, p. 47
A Sala de Operações exibia diversas informações de diferentes maneiras, que o controlador utilizava para tomar decisões importantes. A localização das formações de aeronaves inimigas e amigas era exibida por meio de blocos numerados em uma mesa de mapas. As atividades atuais dos esquadrões do Grupo N.º 11, como "Em Alerta", "Inimigo Avistado", "Ordem de Pouso", etc., eram exibidas em um painel luminoso. As condições meteorológicas atuais nas estações setoriais do Grupo N.º 11 eram indicadas por um sistema de discos coloridos. E a passagem do tempo era monitorada por meio de um sistema coordenado de relógio e indicadores coloridos. Todas as informações eram recebidas do quartel-general do Comando de Caças ou das estações setoriais por telefone.
História Construção thumb|Réplica de um Supermarine Spitfire Mark IXc como guardião do portão em frente ao Bunker da Batalha da Grã-Bretanha thumb|right|Gráficos na mesa Após escavações em 1938, o Bunker foi construído entre fevereiro à agosto de 1939 com a intenção expressa de abrigar a Sala de Operações do Grupo N.º 11 da RAF (Comando de Caças da RAF), essencialmente um conjunto de salas com diversas funções. Sua Sala de Operações anterior ficava em um prédio acima do solo na Base aérea de Uxbridge, mas após a Crise de Munique em setembro de 1938 e com o espectro da guerra no horizonte, a Força Aérea Real Britânica (RAF) começou a trabalhar em uma alternativa subterrânea protegida. O Bunker foi construído pela Sir Robert McAlpine, uma empresa civil, mas sua construção deveria permanecer ultrassecreta para evitar que os planos caíssem em mãos inimigas.
O piso do Bunker fica a 18 metros abaixo da superfície e o acesso é feito por uma escadaria de 76 degraus. Todas as instalações de entrada e saída do edifício, eletricidade, água, linhas telefônicas, esgoto, são conduzidas por tubulações que descem por esta escadaria. As paredes, o piso e o teto têm aproximadamente 1 metro de espessura e são feitos de concreto com revestimento impermeável. As paredes sólidas de concreto e os aproximadamente 9 metros de terra acima do teto do Bunker impediam que qualquer bomba da época o penetrasse. Um sistema de ventilação e filtragem de ar, que ainda está em operação, foi instalado para fornecer ar à equipe da Sala de Operações.
Segunda Guerra Mundial thumb|Uniforme do Corpo Real de Observadores exposto no Bunker da Batalha da Grã-Bretanha. Em 6 de setembro de 1939, na Batalha de Barking Creek, 3 dias após o início da Segunda Guerra Mundial, o Grupo N.º 11 da RAF envolveu-se num incidente de fogo amigo. O sistema de radar Chain Home reportou, pela primeira vez, aeronaves inimigas a aproximarem-se e o Controlador do Grupo N.º 11, que trabalhava no bunker, enviou os esquadrões N.º 56 e 74 da Força Aérea Real Britânica (RAF) para lidar com a ameaça. Infelizmente, os Supermarine Spitfire do Esquadrão N.º 74 confundiram os Hawker Hurricane do Esquadrão N.º 56 com o inimigo e abateram 2 deles.Bishop 2004, p. 108 Em abril de 1940, o vice-marechal-do-ar Keith Park foi destacado para o Grupo N.º 11 como seu comandante aéreo e juntou-se à equipe no bunker.
A Luftwaffe lançou uma campanha contra a RAF com o objetivo de destruir o Comando de Caças da RAF. Dos 4 grupos do Comando de Caças, o Grupo N.º 11, controlado a partir do bunker, foi o que teve mais ações e abateu muitas das 1.733 aeronaves alemãs perdidas. Em 12 de agosto de 1940, a Luftwaffe, que vinha atacando portos britânicos, mudou de alvo e atacou o sistema de radar Chain Home, mas sofreu apenas danos leves. No dia seguinte, conhecido pelos alemães como Adlertag ("Dia da Águia"), eles começaram a atacar aeródromos britânicos. O primeiro-ministro, Winston Churchill, visitou o bunker em 16 de agosto de 1940 e proferiu as famosas palavras: "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos". Ele disse a frase ao entrar em seu carro, perto da entrada do Bunker, e a repetiu na Câmara dos Comuns em 20 de agosto de 1940. O Rei Jorge VI do Reino Unido e a Rainha Isabel Bowes-Lyon visitaram o bunker em 6 de setembro de 1940. Depois que a Luftwaffe mudou seu alvo para Londres em 1 de setembro de 1940, Churchill visitou novamente em 15 de setembro de 1940 e escreveu em suas memórias sobre o momento em que "todas as lâmpadas brilharam em vermelho", referindo-se aos quadros de estado do esquadrão na Sala de Operações e indicando que todos os esquadrões do Grupo N.º 11 estavam engajados em combate ao mesmo tempo.
Em dezembro de 1940, o vice-marechal-do-ar Trafford Leigh-Mallory tornou-se o Comandante do Grupo N.º 11. O antigo sistema de plotagem com marcadores de madeira e varetas de madeira estilo crupiê foi substituído por marcadores de metal e varetas magnéticas, e o antigo sistema de indicadores luminosos foi substituído por um sistema de painel ripado com informações suspensas. Após os estágios finais da Batalha da Grã-Bretanha, o Grupo N.º 11 ficou amplamente ocupado com a defesa de Londres contra a Blitz. O Grupo N.º 11 esteve envolvido no fornecimento de apoio aéreo para o Ataque à Dieppe em 19 de agosto de 1942. A seção de operações aéreas da Operação Overlord, os desembarques da Normandia em 6 de junho de 1944 (Dia-D), também foi controlada a partir da Base aérea de Uxbridge.
Pós-guerra O Grupo N.º 11 da RAF mudou-se para a Base aérea de Martlesham Heath em 14 de abril de 1958 e Hugh Dowding inaugurou um memorial perto da entrada do bunker, comemorando seu papel durante a Batalha da Grã-Bretanha. Ao longo de 9 meses em 1975, a Sala de Operações do Grupo N.º 11 foi restaurada ao seu estado original.Crozier 2007, p. 22
Em 1985, um museu ocupando 6 salas foi criado dentro do bunker pelo suboficial Robert "Chris" Wren e a Sala de Operações foi aberta para visitas diárias.Crozier 2007, p. 23 Em julho de 2015, o Governo prometeu 1 milhão de libras para a restauração do bunker e a construção de um novo centro de visitantes acima do solo. O Conselho de Hillingdon forneceu mais 4.5 milhões de libras para o novo centro. O centro de visitantes foi inaugurado em março de 2018.
Fontes
Bungay, Stephen. (2010) The Most Dangerous Enemy: A History of the Battle of Britain. Aurum Press Crozier, Hazel. (2007) RAF Uxbridge 90th Anniversary 1917–2007. RAF High Wycombe: Air Command Media Services
Leitura adicional No. 11 Group Operations Room Museum. The Battle of Britain 70th Anniversary. RAF Uxbridge Orange, Vincent. (2000) Park: The Biography of Air Chief Marshal Sir Keith Park, GCB, KBE, MC, DFC, DCL . Grub Street Wood, Derek; Dempster, Derek. (2010) Narrow Margin. Pen & Sword Aviation
Ligações externas
Official Website Battle of Britain Bunker, RAF Northolt Uxbridge Group 11 Bunker Film location information by the Ministry of Defence An article about the bunker in The Telegraph, 26 January 2011
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