thumb|upright=1.22|Tari de Roberto Guiscardo
O tratado bizantino-veneziano de 1082 foi um pacto de comércio e defesa entre o Império Bizantino e a República de Veneza, na forma de uma bula dourada emitida pelo imperador Aleixo I Comneno . Nos anos anteriores ao tratado, o Império Bizantino estava sofrendo inúmeros reveses frente ao avanço normando na Itália, bem como na costa balcânica do Adriático, em grande parte devido a falência da marinha bizantina.
O tratado, que tinha por objetivo a aquisição da ajuda militar veneziana nas guerras contra os normandos, forneceu a República de Veneza grandes concessões comerciais, tendo grande impacto em ambos os Estados. Com ele, Veneza construiu seu império marítimo mediterrâneo às custas dos bizantinos, ao mesmo tempo que o Império Bizantino ficou economicamente debilitado, o que a longo prazo contribuiu para sua decadência e queda definitiva.
Antecedentes
No início do , as províncias bizantinas no sul da Itália enfrentaram os normandos, que chegaram à Itália. Durante o período de conflito entre Constantinopla e Roma que terminou com o Grande Cisma, os normandos começaram a avançar, lenta, mas firmemente, na Itália bizantina. Régio, a capital do tagma da Calábria, foi capturada em 1060 por Roberto Guiscardo, seguido por Otranto em 1068. Bari, a principal fortaleza bizantina na Apúlia, foi sitiada em agosto de 1068 e caiu em abril de 1071. No início do reinado do imperador , o império enfrentou um ataque formidável dos normandos de Roberto Guiscardo e de seu filho, Boemundo de Tarento, que capturaram Dirráquio e Corfu, e sitiaram Lárissa na Tessália.
A República de Veneza ao longo de sua história manteve laços estreitos com o Império Bizantino, primeiro como província fronteiriça, e depois, conforme a autoridade bizantina esmoreceu no Ocidente, como parceira comercial. No último quartel do , a marinha bizantina era uma sombra do que tinha sido no passado, tendo declinado por negligência, incompetência dos seus oficiais e falta de fundos. Em vista de tal situação calamitosa, Aleixo I Comneno foi forçado a pedir ajuda aos venezianos que na década de 1070 já tinham assegurado o seu controle no Adriático e na Dalmácia contra os Normandos.
Proposições e consequências
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Em vista de ajuda militar contra esta ameaça, o Império Bizantino, por meio de um bula dourada emitida por Aleixo I, fez um grande número de concessões comerciais à República de Veneza de Domenico Selvo. De acordo com o tratado, os bizantinos permitiam aos venezianos o direito de comércio através do império sem a imposição de taxas. A eles também foi permitido controlar os principais estabelecimentos portuários de Constantinopla, junto com o controle de vários ofícios público chave. O tratado também garantiu várias honras ao doge de Veneza, junto com uma renda. Finalmente, aos venezianos foi garantido o distrito () deles na capital, com lojas, uma igreja e uma padaria.
A ajuda militar prometida pela República de Veneza nunca chegou realmente. Os venezianos não fizeram nada para parar os normandos, mas colheram grandes benefícios de suas novas vantagens. Mais adiante, durante o reinado do imperador João II Comneno , filho e sucessor de Aleixo I, o Império Bizantino recusou-se a renovar o acordo comercial de 1082 com Veneza, o que provocou retaliações por parte dos venezianos, que sitiaram muitas ilhas do Egeu, forçando o imperador a reconsiderar.
Segundo o historiador Timothy E. Gregory, esta série de concessões foi o marco fundador do império marítimo de Veneza. A habilidade bizantina de recuperar-se após suas perdas foi significativamente reduzida, devido à imensa receita que deixou de receber ao permitir aos venezianos comercializar livremente sem a imposição de tributos. Isto sufocou o poder de recuperação do império e, em última análise, começou seu declínio terminal. Segundo o historiador John Birkenmeier:
Bibliografia
Categoria:1082 Categoria:Economia do Império Bizantino Categoria:Tratados do Império Bizantino Categoria:Tratados da República de Veneza Categoria:Século XI no Império Bizantino