Renan Castellón (Tarija, Bolívia, 29 de março de 1937), é um bailarino, professor e coreógrafo boliviano radicado no Brasil.
Biografia Renán é diplomado no Ballet Oficial de La Paz, Bolívia, com formação completa em dança clássica e espanhola. Iniciou sua formação artística dedicando-se aos estudos de baile espanhol sob a orientação da professora Carmen Bravo, reconhecida por sua contribuição ao ensino da dança. Demonstrando talento e disciplina desde cedo, em 1951 ingressou na Escola de Ballet Oficial, onde teve a oportunidade de aprimorar sua técnica, ampliar seu repertório e consolidar sua base na dança clássica e nas expressões cênicas. Alguns anos depois, em 1955, participou do espetáculo “Fantasia Boliviana”, uma produção do grupo dirigido por Txela Urquidi, experiência que marcou sua trajetória ao proporcionar vivência em palco e contato com elementos culturais e coreográficos de influência latino-americana.
Participou de cursos de dança na Argentina e na Espanha, trabalhando com mestres da dança como Graciela Urquidi, Augusto Vasques Saavedra, Emma Sintani, Marília Franco, Ismael Guise, dentre outros. Renan Castellón retornou à Bolívia no início da década de 1960 e, em 1962, reintegrou-se ao corpo do Ballet Oficial de La Paz, onde foi diretor e professor, retomando sua atuação no cenário artístico nacional. No entanto, naquele período, o Ministério da Cultura passou a cogitar o encerramento das atividades do grupo, o que gerou instabilidade e incertezas para os profissionais envolvidos. Diante desse contexto desfavorável e buscando novas oportunidades para dar continuidade à sua carreira na dança, Renan decidiu migrar para o Brasil.
Já em território brasileiro, passou a atuar no meio televisivo, participando de produções em importantes centros urbanos como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, ampliando sua visibilidade e experiência artística. Em reconhecimento ao seu talento e trajetória, recebeu, em 1963, um convite da Sociedade Brasil e Tiberi (SCABI) para fundar e dirigir uma escola de dança na cidade de Ponta Grossa, iniciativa que marcou o início de sua contribuição para a formação de novos bailarinos no país.
Veio para o Brasil acompanhado da bailarina Emma Sintani, que foi sua professora.
Castellón, acompanhado por um grupo de seus alunos, teve a oportunidade de representar o Brasil em um importante evento internacional realizado em Assunção, no Paraguai. A apresentação ocorreu em um contexto solene e de grande relevância política e econômica, contando com a presença do então presidente paraguaio Alfredo Stroessner. Na ocasião, o grupo participou das cerimônias que marcaram o início das obras da Hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, um dos maiores projetos de geração de energia do mundo. Essa participação evidenciou o reconhecimento do trabalho artístico desenvolvido por Castellón e seus alunos, além de destacar a dança como instrumento de integração cultural entre os países da América do Sul.
Excursionou por países como Argentina, Paraguai, Chile, Colômbia, México, China, Rússia e Tchecoslováquia, onde recebeu prêmios, diplomas e troféus. Entre os dias 4 e 12 de junho de 1966, Castellón participou do primeiro Festival de Danças do Paraná, realizado nas dependências da Universidade Federal do Paraná. O evento reuniu grupos, bailarinos e coreógrafos de diferentes regiões, configurando-se como um marco para o desenvolvimento e a valorização da dança no estado. Durante o festival, Castellón teve a oportunidade de apresentar seu trabalho, trocar experiências com outros artistas e contribuir para a difusão das diversas linguagens da dança.
Em 1973, Castellón passou a atuar como professor de dança na Faculdade de Educação Musical do Paraná, onde contribuiu para a formação de alunos e para o fortalecimento do ensino artístico na instituição. No ano seguinte, em 1974, deu continuidade à sua trajetória profissional ao integrar as atividades da Fundação Teatro Guaíra, ampliando sua participação no cenário cultural do estado.
Já em 1979, em reconhecimento à sua experiência e competência na área, foi convidado pelo Ministério da Cultura da Bolívia para assumir uma importante missão: reestruturar a escola oficial de dança do país. Nessa função, ficou responsável por desenvolver e implementar uma nova metodologia de ensino, voltada especialmente à formação e ao aprimoramento técnico do Corpo de Baile Oficial da Bolívia, contribuindo para a modernização e valorização da dança no país.
Em 1982, Renán Castellón mudou-se para a cidade de Telêmaco Borba, onde passou a atuar junto à Secretaria Municipal de Cultura. Na ocasião, assumiu a importante missão de criar e dirigir a primeira escola de dança do município, iniciativa pioneira que marcou o início da formação artística na área da dança na cidade. À frente desse projeto, Castellón organizou as atividades pedagógicas, estruturou o ensino e contribuiu diretamente para o desenvolvimento cultural local, oferecendo oportunidades para que crianças, jovens e adultos tivessem acesso à dança e à expressão artística.
Em 1985 e 1986, Renán Castellón teve participação de destaque no Festival de Dança de Joinville, reconhecido como um dos maiores e mais importantes festivais de dança do país. Realizado anualmente na cidade de Joinville, o evento reúne bailarinos, professores e coreógrafos de diversas regiões do Brasil e também do exterior, promovendo intercâmbio cultural, formação artística e apresentações de alto nível técnico. Nessas duas edições, Castellón atuou como jurado nas categorias de balé clássico e baile espanhol, áreas em que possuía ampla experiência e domínio técnico. Sua presença no corpo de jurados reforçou o prestígio do festival, já que sua avaliação contribuía para reconhecer talentos, orientar participantes e valorizar a qualidade artística das apresentações.
Em 2009, foi chamado, carinhosamente, de "Patrimônio Vivo da Dança", como referência à sua longa trajetória como bailarino, professor e coreógrafo, contribuindo na difusão, formação de plateias e desenvolvimento da arte da Dança no Paraná e no Brasil. Atualmente é diretor e professor da Escola Municipal de Dança de Telêmaco Borba, Paraná, que ajudou a fundar, oferecendo aulas gratuitas para crianças e adolescentes.
Teatro Guaíra thumb|Teatro Guaíra, em Curitiba, onde integrou o corpo de Baile. Fez parte do corpo de Baile do Teatro Guaíra, em Curitiba. Na temporada de 1972, o Teatro contou com a montagem da obra Paixões Rebeldes, com coreografia de Yurek Shabelewski, com apresentações em vários palcos do Brasil, inclusive na reinauguração do Teatro Sabará, em Minas Gerais.
Na temporada de 1974, um dos grandes acontecimentos foi a apresentação no Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto, mais conhecido como Guairão, durante sua reinauguração.
Prêmios e Títulos Honra ao Mérito, como diretor e professor do Corpo de Baile Oficial de La Paz Melhor profissional do ano, pelo International American Press de Jornalismo 'Amigo Especial da Dança', da Fundação Cultural de Joinvile Cidadão Honorário de Telêmaco Borba (2005)
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Categoria:Bailarinos da Bolívia Categoria:Bolivianos expatriados no Brasil Categoria:Coreógrafos da Bolívia Categoria:Naturais de Tarija