1989 é o quinto álbum de estúdio da artista musical estadunidense Taylor Swift, lançado em 27 de outubro de 2014, através da gravadora Big Machine. Inicialmente, o álbum foi comercializado somente nos formatos físico e digital, não sendo disponibilizado em serviços de streaming, uma decisão vinda da própria artista. O disco foi desenvolvido e gravado entre 2013 e 2014 durante a turnê The Red Tour; e Swift colaborou com uma série de compositores e produtores, incluindo Max Martin, Shellback, Jack Antonoff, Greg Kurstin e Ryan Tedder. O título foi inspirado no ano de nascimento da artista e pela cena musical da década. Seu encarte é composto por fotos de câmeras instantâneas Polaroid, sortidas em cada cópia do trabalho, com cada uma delas contendo trechos das canções escritos pela própria artista.
Descrito por Swift como seu "primeiro álbum oficialmente pop", 1989 apresenta como gêneros musicais predominantes o pop e o synthpop, sendo um notável afastamento dos trabalhos anteriores da cantora, que eram fortemente influenciados pelo country. Sua produção também se difere dos projetos anteriores da artista, sendo mais eletrônica e constituída por percussão programada, sintetizadores, acordes pulsantes de baixo, vocais de apoio processados e guitarras. O conteúdo lírico das canções possuem temas como amor e a complexidade de relacionamentos.
Em geral, 1989 foi recebido de forma positiva por críticos musicais, que prezaram a mudança musical de Swift e sentiram que sua produção estava bem executada. Consequentemente, foi incluso em diversas listas que compilaram os melhores álbuns de 2014, com as revistas Billboard e Cosmopolitan citando-o como o melhor do ano, e rendeu à intérprete uma série de prêmios, incluindo um Grammy Awards para Álbum do Ano, o que fez de Swift a primeira mulher a conquistar o gramofone duas vezes com seus próprios trabalhos. Um dos lançamentos mais aguardados de 2014, 1989 obteve um desempenho comercial bastante positivo, chegando ao topo das tabelas de diversos países, incluindo a Austrália, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos, onde fez da artista a única a estrear no cume da Billboard 200 com mais de 1 milhão de cópias vendidas por três vezes consecutivas. Como resultado, foi o terceiro disco mais vendido de 2014 no país, com apenas dois meses de disponibilização. Mundialmente, vendeu mais de dez milhões de cópias.
De 1989 surgiram sete singles oficiais, dos quais "Shake It Off", "Blank Space" e "Bad Blood" tornaram-se sucessos internacionais; todos atingiram o topo da Billboard Hot 100, sendo que o primeiro estreou no ápice da tabela e o segundo fez de Swift a primeira mulher a suceder-se no topo da parada. Outras faixas de trabalho lançadas — "Style", "Wildest Dreams", "Out of the Woods" e "New Romantics" — alcançaram um desempenho comercial moderado. Para a divulgação do produto, Swift fechou parcerias com diversas empresas, apresentou-se em programas televisivos e premiações, e ingressou na turnê The 1989 World Tour, que tornou-se a mais lucrativa de 2015. Uma regravação do disco foi lançada em setembro de 2015 pelo estadunidense Ryan Adams e, em 2023, pela própria Swift, sob o título 1989 (Taylor's Version).
Antecedentes e desenvolvimento
Em julho de 2013, Swift revelou que as sessões de composição para seu novo álbum já haviam começado e que havia formado uma lista de colaboradores com quem queria trabalhar, uma experiência descrita por si como finalmente ter encontrado "as pessoas com as quais teve bastante conexão no estúdio" e que, embora soubesse com quem queria voltar a trabalhar, desenvolveu "uma longa lista de pessoas que admirava e com quem queria manter contato". As sessões de composição das canções do álbum tiveram duração de seis meses, com a artista afirmando que o disco se estava "certamente transformando", indicando que o seu objetivo era de prosseguir com as mudanças que havia iniciado com Red; todavia, questionava-se sobre as técnicas a usar para tal. Segundo Swift, foi preciso que os produtores Max Martin e Shellback a pressionassem para mudar as direções de suas ideias durante o processo de elaboração do material. No mesmo mês, a artista informou já ter bastante material pronto, comentando: "Estou feliz porque já evoluí para um novo som, e era tudo que eu queria". Segundo ela, a mudança "ocorreu naturalmente", embora tenha levado dois anos para se concluir, explicando que normalmente levava, no mínimo, um ano para encontrar um novo som e escrever novas canções, sendo esse o tempo necessário para que pudesse "se despojar do som do último álbum e recomeçar". "No processo de todas essas mudanças que ocorreram nos últimos dois anos, minha música mudou. Eu acordava todos os dias gravando este disco, mas não queria fazer um estilo musical que nunca ouvi antes", declarou a artista. Em meados de dezembro, Swift revelou haver uma grande possibilidade de voltar a trabalhar com Jack Antonoff, pois tinha ficado fascinada pela sua maneira de "misturar a nostalgia dos anos 1980 em sua música".
Scott Borchetta, chefe executivo e presidente da Big Machine Records, revelou à Rolling Stone que Martin havia trabalhado na maior parte do material do disco, induzindo a revista a concluir que este seria o projeto "mais pop" de Swift. Em setembro, a intérprete afirmou ter ficado encantada por como Borchetta a permitiu trabalhar com Martin na produção do projeto, tendo ela quatro meses mais tarde acrescentado Martin como produtor executivo do álbum por sua constante presença e assistência no processo de criação. O produtor se ofereceu para gravar seus vocais com o intuito de que a obra fosse "um álbum, não uma coleção de músicas que soam como se tivessem sido gravadas em diferentes estúdios por diferentes pessoas".
Capa, encarte e título thumb|170px|Além das imagens do encarte de 1989, o produto é acompanhado por treze fotos Polaroid sortidas que contêm letras das canções em sua parte inferior, como a gravura acima, que apresenta letras de "Clean", última faixa de edição padrão do disco. A capa do disco é uma foto Polaroid da cantora que mostra a partir dos seus olhos até à parte inferior do torso, com suas iniciais escritas na parte inferior esquerda e o título do álbum na parte inferior direita. Swift, que vestiu uma camisa de mangas largas com gaivotas voando, revelou que após ter fotografado as imagens para o encarte com uma câmera Polaroid por acidente, decidiu usar uma delas para a capa oficial do produto. Além disso, cada CD possui treze fotos que fazem parte de um pacote de 65 sortidas para cada cópia do projeto, das quais onze que estão em preto-e-branco. A decisão de fotografar as imagens em Polaroid impulsionou as vendas da empresa fotográfica Polaroid Corporation. Em entrevista à Time, a intérprete comentou a respeito da luta para conseguir manter o controle do processo criativo de 1989; segundo ela, sua gravadora e seu empresário lhe avisaram que, entre outras coisas, a capa parecia "arriscada". Ela declarou que eles haviam lhe questionado sobre cada proposta que estava fazendo: "Quando eu coloquei diante deles uma capa que não mostrava nem metade do meu rosto, e tentei convencer a minha gravadora de que esta a melhor maneira de se vender um álbum, recebi alguns olhares ameaçadores. Mas eu sabia que era a melhor capa para representar esse disco, porque queria que [ele] tivesse um ar de mistério. Não queria que as pessoas soubessem o DNA emocional desse álbum. Não queria que vissem uma foto sorridente na capa e pensassem que esse era um álbum feliz, ou que vissem uma expressão de tristeza e pensassem: 'Oh, esse é mais um disco sobre ruptura'." Christopher Bonanos, da coluna Vulture, achou "interessante" que "seu álbum mais eletrônico até à data tivesse o tipo de imagem mais analógica — única, difícil de ser copiada — em sua capa", e brincou sobre o fato de o rosto de Swift estar cortado, comentando que "há um precedente (acidental) na arte antiga, a qual pode ser uma reminiscência, apesar de a face [da cantora] estar incompleta", referindo-se ao fragmento do busto de uma rainha egípcia.
O conceito visual do álbum utiliza cores pastel e luzes de cor neônio, e também implementa fotos Polaroid. O encarte de 1989 inicia-se com uma breve introdução na qual Swift se dirige aos seus fãs para explicar que precisou mudar seu estilo musical com o objetivo de se redescobrir. Depois de agradecer-lhes por "valorizar a mudança", conclui a introdução se descrevendo como "a garota que dizia que nunca cortaria o cabelo, que nunca iria mudar para Nova Iorque e que encontrou a felicidade em um mundo onde ela não está apaixonada". Assim como nos álbuns anteriores da intérprete, 1989 contém mensagem secretas nas letras das músicas, que se formam a partir da união de letras minúsculas. Cada mensagem está relacionada com a faixa na qual está localizada. Entretanto, separadamente, as "reflexões vagamente poéticas não oferecem muitos detalhes sobre suas respectivas canções" mas, em conjunto, lidam sobre "um garoto e uma garota que se amavam muito mas que simplesmente não conseguiram fazer [o relacionamento] dar certo". A história, que representa uma mudança na forma de como Taylor apresentava as obras e ajuda a limpar sua imagem de "louca por garotos" formada pela mídia, transcorre da seguinte forma: "Começamos nossa história em Nova Iorque. Era uma vez uma menina conhecida por todos e por ninguém. Seu coração pertencia a alguém que não pôde permanecer. Eles se amavam de forma imprudente. Eles pagaram o preço. Ela dançava para esquecê-lo. Ele andava por sua rua todas as noites. Ela tinha amigos e inimigos. Ele só a via em seus sonhos. Logo, um dia, ele voltou. O passar do tempo é algo engraçado. E todo mundo estava observando. Ela o perdeu, mas encontrou a si mesma e de alguma maneira isso era tudo". Ao anunciar o lançamento do projeto, Swift comentou que o título originou-se de seu nascimento: "Tendo nascido em 13 de dezembro de 1989, este álbum se chama 1989".
Lançamento e divulgação
thumb|esquerda|Swift se apresentando no concerto da The 1989 World Tour na cidade de Houston, Texas, acompanhada pelo rapper Wiz Khalifa. 1989 foi considerado um dos mais aguardados de 2014 antes mesmo de ter seu lançamento anunciado. Em uma enquete realizada pela Billboard ao final de 2013, cerca de 14% dos leitores nomearam "o próximo álbum de Taylor Swift" como o terceiro evento mais aguardado do ano seguinte, depois da "próxima turnê de Lady Gaga" (29%) e da "residência em [Las] Vegas de Britney Spears" (19%). Em janeiro de 2014, o portal Zimbio e a MTV incluíram o disco na lista de mais esperados do ano. Enquanto que a MTV não enumerou as obras, o Zimbio colocou o trabalho de Swift em terceiro lugar. Pouco depois do produto ter sido anunciado oficialmente, a CBS News colocou-o em sua lista de "lançamentos musicais essenciais do outono de 2014" e chamou-o de "o mais aguardado da temporada".