O Grupo Oficcina Multimédia, popularmente conhecido como GOM, é um grupo de teatro de Belo Horizonte ligado, desde sua criação, em 1977, à Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte.
História
O Grupo Oficcina Multimédia foi fundado pelo compositor Rufo Herrera em 1977, por ocasião do Curso de Arte Integrada do XI Festival de Inverno da UFMG.
Desde sua criação, o GOM pertence à Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte, instituição com a qual mantém uma forte ligação até os dias atuais.
Em 1978, o espetáculo “Sinfonia em Ré-fazer” inaugurou a linguagem multimeios do GOM e levou ao palco pela primeira vez os instrumentos inventados e construídos por Marco Antônio Guimarães (fundador do grupo Uakti) integrados ao texto, ao movimento e ao material cênico.
Desde 1983 o grupo está sob a direção de Ione de Medeiros, mantendo um trabalho permanente de corpo, voz, Rítmica Corporal e pesquisa de material cênico, no processo de elaboração de seus espetáculos.
Desde 1977, a partir da fundação do Grupo, Ione atuava e ainda fazia assistência de direção do diretor na época Rufo Herrera. Em 1983 Rufo, decidiu se afastar do grupo para se dedicar exclusivamente à sua carreira musical. Surgiu então a oportunidade do Grupo montar “Biografia”. A pedido das integrantes, que eram todas mulheres, Ione foi solicitada a assumir a direção do espetáculo e do GOM. “Acho que a direção é isso. Não é o que o diretor quer, mas é a pessoa que viu a melhor maneira de resolver uma cena, o que é mais adequado, e isso quase gera um acordo entre todo mundo”, conta a diretora. Até 1985, ela ainda se dividia entre atuação e direção, até que, em cena, durante uma apresentação do espetáculo Domingo de Sol, sentada em uma cadeira torta como se imitasse um quadro mal colocado, preocupada com o que se passava na coxia, na cabine, Ione deixou de atuar. “Eu estava em cena e ficava pensando que inferno era atuar e ficar tensa, pensando em todo o resto que estava acontecendo. A partir disso vi que não queria trabalhar com teatro daquele jeito e comecei a fazer apenas direção”.
alt=Domingo de Sol (1985) - Último espetáculo em que Ione, se dividiu entre as funções de atriz e diretora.|miniaturadaimagem|Domingo de Sol (1985) - Último espetáculo em que Ione, se dividiu entre as funções de atriz e diretora. No canto direito da foto, ela está sentada na segunda cadeira, da direita para esquerda, em cima do palco, com um vestido cinza, segurando um guarda-chuvas preto.
"Eu era atriz. Erámos 4 pessoas e fomos arriscar fazer alguma coisa. E foi fazendo as coisas que eu fui vendo que as minhas ideias eram mais aceitas, não por mim, mas eram sugestões que eu dava e depois, ao final, disseram: “Ione, você dirigiu, você tem que assinar a direção”. Aí eu comecei a assinar a direção. Não foi assim, “eu vou ser a diretora do grupo”. Comecei a assinar a direção muito insegura, porque tem horas que é bem melhor ser atriz, adoraria ter uma diretora. E fui até 1985, aí um dia eu estava em cena e preocupadíssima com o que estava acontecendo em volta. Foi em Domingo de Sol, que era totalmente abstrato, era um espetáculo rígido, com muita marcação, transição do figurativo para a abstração, saia de um quadro do Georges Seurat e ia para um do Kazimir Malevich – que era o branco sobre branco, eram os anos 70/80 com todas aquelas coisas que aconteciam. Nesse momento eu vi que estava exausta ali, porque eu estava ali e não estava, estava dividida, e percebi que eu deveria ficar de fora, que eu estaria ajudando mais e cumprindo uma função. E assim eu comecei a ficar do lado de fora e realmente acho que faz-se um lugar, eu não “escolhi” ser diretora, foi uma espécie desses “acertos”, lembra.
Primeira Formação A Oficina Multimédia é essencialmente uma proposta de integração ao nível de linguagem experimental que, orientada desde 1978 pelo compositor Rufo Herrera, tenta desenvolver um trabalho de ampliação das possibilidades de expressão e novos conteúdos para a composição contemporânea, através de um grupo composto por jovens iniciados nas diversas áreas artísticas: Estevão [Machado], Ione [de Medeiros], Vera [Lúcia de Mesquita], Conceição [Nicolau (Ção)], Hermínio, Leonardo, Alexandrino [Ducarmo], Edla [Lobão Lacerda], segundo oTexto do programa do Projeto Musicanto, do Museu de Arte da Pampulha, datado de e 21 de junho de 1980.
Atuação Cultural
Paralelamente ao trabalho cênico, o grupo idealiza, promove e participa de diversos eventos culturais referentes a várias áreas da criação artística, como é o caso do Verão Arte Contemporânea, que acontece desde 2007, sempre no verão, promovendo atividades em diversas as áreas artísticas como o teatro, música, artes visuais e literatura. Outros eventos promovidos pelo grupo são o Bloomsday, homenagem a James Joyce que ocorre desde 1990, sempre no dia 16 de junho; a Bienal dos Piores Poemas, evento e concurso literário criado em 1998; o Kafé K Cultural, evento multidisciplinar, iniciado em 2006; e o MARP (Movimento de Arte e Reflexão Política), que teve quatro edições no ano de 2006 e outras três edições dentro do Verão Arte Contemporânea, nos anos de 2018, 2019 e 2020.
Em 2007, Ione de Medeiros, lançou um livro com o registro dos primeiros 30 anos de trajetória do coletivo, com o título Grupo Oficcina Multimédia - 30 anos de Integração das Artes no Teatro. Em 2023 foi lançado o segundo livro do Grupo, em parceria com o Selo Lucias, da SP Escola de Teatro, com o título Grupo Oficcina Multimédia 45 anos e autoria também de Ione de Medeiros, o livro contém a trajetória dos 15 anos posteriores à primeira publicação.
Em 2012, o GOM completou 35 anos de atuação cultural Peça teatral "Aldebaran" trata dos descaminhos da modernidade e, em 2017, chegou aos 40 anos de atividade ininterrupta, tendo recebido homenagem do Festival de Inverno da UFMG, que na ocasião comemorava 50 anos.Festival de Inverno começa nesta sexta, portal UFMG 90 anos
Considerado um dos grupos de vanguarda da capital mineira, o GOM é um dos grupos de teatro mais longevos de Belo Horizonte.
Atualmente, a companhia tem em seu núcleo, a diretora Ione de Medeiros e os atores Jonnatha Horta Fortes e Henrique Torres Mourão. Durante a crise da pandemia do Covid-19, as apresentações dos espetáculos do grupo foram suspensas. Apesar de terem sido obrigados a entregar o galpão que sediava o coletivo, o grupo manteve o trabalho artístico virtualmente e retornou ao trabalho presencial em 2023.
Espetáculos dirigidos por Rufo Herrera (1978 - 1983) +AnoTítuloNotas1978Sinfonia em Ré-Fazer"Sinfonia em Ré-fazer" marca a estreia do Grupo Oficcina Multimédia como grupo profissional. O termo "peça multimeios" é utilizado pela primeira vez. Este trabalho foi resultado de um proceso criativo dentro do curso "oficina multimédia" coordenado por Rufo Herrera durante o 11º Festival de Inverno em Ouro Preto, Minas Gerais. Os instrumentos inventados e construídos por Marco Antônio Guimarães (fundador do grupo Uakti) são tocados em cena, pela primeira vez. Os locais de apresentação foram o extinto teatro Heloísa Guimarães, na antiga sede da Fundação de Educação Artística, Auditório da Reitoria da UFMG (em 25 de outubro de 1978 - Parte da programação do 15º aniversário da Fundação de Educação Artística) e o Teatro Municipal de Ouro Preto, em 29 de julho de 1978. A peça se apresentou ainda na Casa Paroquial de Antonio Dias, em Ouro Preto no dia 19 de julho de 1979, dentro da programação do 13º Festival de Inverno da UFMG.1979CurióPrimeiro espetáculo infantil do GOM. A peça se apresentou em escolas estaduais no centro e em bairros de Belo Horizonte durante o projeto "Música na escola" da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, entre agosto e outubro de 1979.Nheengari - Cantata nº 1 Cantata multimeios baseada na antífona do romance Maíra de Darcy Ribeiro para vozes masculinas e feiminas e farta instrumentação: flauta em sol, clarineta em si bemol, violino, violoncelo, teclado, piano preparado, flauta indígena e tupã, instrumentos de percussão afinados de Marco Antônio Guimarães. O significado da palavra Nheengari é cantar, na língua Tupi ou nheengatu. O local de apresentação foi o Teatro Municipal de Ouro Preto, durante o 13º Festival de Inverno da UFMG, o que marca a primeira apresentação do Grupo fora de Belo Horizonte.1980"1º Ato - Vivencial" e " 2º Ato - Recreação"Os dois trabalhos foram apresentados em conjunto no Museu de Arte da Pampulha no dia 21 de junho de 1980. Vivencial: Trabalho vocal-Instrumental sobre texto e poemas de Ferreira Gullar, envolvendo ator, vozes, flauta, oboé, bandoneón, piano preparado e percussão. Recreação: Trabalho cênico-integrado sobre o 7º poema da "Grande Fala do índio Guarani", de Affonso Romano de Sant'Anna, com instrumentos ideofônicos, vozes, expressão corporal e cenografia.1981"4 lendas indígenas" - O jabuti, a onça e a raposaSegundo espetáculo infantil. Foi uma criação coletiva baseada em 4 lendas indígenas recolhidas no livro "O Selvagem" do político, militar e etnólogo Couto de Magalhães. No espetáculo havia cantos, máscaras e cenário de papelão criados pelos integrantes. A peça foi apresentada em vários grupos escolares da cidade de Diamantina, no mês de julho de 1981, durante o 14º Festival de Inverno da UFMG.1982Sete+7Balé cantata, inspirado em "Os 7 pecados capitais dos pequenos burgueses", de Kurt Weill e Bertolt Brecht. A partir deste trabalho Rufo Herrera, deixa de fazer a direção de cena e assume as funções de roteiro, criação e direção musical. A diretora baiana Carmem Paternostro assume a direção dos atores e músicos em cena. O espetáculo contou com o importante patrocínio da Goethe-Institut, instituição do governo alemão que atuava na cidade, na promoção da cultura alemã em Belo Horizonte e que patrocinava espetáculos de teatro que utilizassem em suas montagens textos escritos originalmente em língua alemã. Foi apresentado no Teatro Marília, em Belo Horizonte, entre os dias 14 e 18 de abril de 1982.1983Continente Zero HoraCantata composta por Rufo Herrera para coro misto, orquestra de câmara, atores e bailarinos. Rufo dirigiu a parte musical e a direção de cena ficou a cargo do diretor carioca João das Neves. Contou com a participação de parte dos atores do Grupo Oficcina Multimédia e de Eládio Pérz Gonzales como protagonista.
Espetáculos dirigidos por Ione de Medeiros Esses são os espetáculos dirigidos pela diretora Ione de Medeiros a partir de 1983: