As eleições estaduais no Amapá em 2014 foram realizadas em 5 de outubro, sendo parte das eleições gerais no Brasil. Como nenhum dos candidatos conquistou mais de 50% dos votos válidos, um segundo turno foi realizado em 26 de outubro. Os 455.514 eleitores do estado elegerão o presidente da República, o governador e um senador para o estado, além de vinte e quatro deputados estaduais e oito federais. O atual governador do estado, Camilo Capiberibe, concorreu à reeleição pelo PSB e perdeu. Ele teve como principais adversários Waldez Góes (PDT), Jorge Amanajás (PPS) e Lucas Barreto (PSD). Waldez Góes foi eleito com 60,58% dos votos válidos o novo governador do Amapá.

Contexto Eleição de 2010

Em 31 de outubro de 2010, no segundo turno das eleições de 2010, Camilo Capiberibe tornou-se o sétimo governador do estado do Amapá após derrotar o então candidato do PTB Lucas Barreto. Com a vitória, Capiberibe trouxe o Partido Socialista Brasileiro de volta ao poder executivo estadual após oito anos. A campanha foi dominada por temas morais, como a corrupção, em razão da Operação Mãos Limpas que prendeu, em setembro do mesmo ano, o ex-governador Waldez Góes, o governador Pedro Paulo Dias, o prefeito de Macapá Roberto Góes e outros políticos locais. O candidato Lucas Barreto foi acusado de apoiar a corrupção e teve seu nome envolvido no escândalo dos atos secretos. Como consequência, a abstenção no segundo turno superou a marca de 81 mil de eleitores. Além disso, a polarização entre PDT e PSB presente na política local desde 1998 se viu ameaçada pela votação expressiva em Lucas Barreto, que acabou indo para o segundo turno como o candidato mais votado.Lucas Barreto e Camilo Capiberibe vão para o segundo turno no Amapá - Agência Brasil, 04/10/2010 (visitado em 20-1-2014). Dos 16 prefeitos do estado, Camilo Capiberibe contou com o apoio de apenas três,Candidato Lucas Barreto recebe aval de 13 prefeitos do Amapá - JusBrasil mesmo assim, conseguiu se eleger com mais de 53% dos votos válidos (o que representa mais de 170 mil votos), sendo esta a maior votação obtida por um candidato ao governo do Amapá.

Primeiros anos do governo Camilo

Em 2011, a economia amapaense cresceu de R$ 8.2 bilhões para R$ 8.9 bilhões. Na área política, as sucessivas trocas de secretários estaduais desgastaram a imagem do governo. Os ex-secretários da saúde Evandro Gama, Edilson Pereira e Lineu da Silva Facundes além do secretário-adjunto Robério Monteiro de Souza foram denunciados pelo Ministério Público por manterem contratos sem licitação. Ainda segundo o MP, os empresários Francisco Odilon Filho, Charles Gomes de Jesus e Diego Soares de Castro, que se beneficiaram da falta de licitação, também respondem à Ação Civil Pública.- MP denuncia empresários e secretários de Saúde de Camilo Capiberibe. Acessado em 31/01/2014. miniaturadaimagem|Mapa por município no 1º turno (16): Waldez (15) Camilo (1) No ano de 2012, o governo Camilo enfrentou uma das maiores greves na área da educação da história do Amapá. Os professores da rede estadual de ensino deflagraram a paralisação em busca de um aumento salarial de 20% (o que contemplaria o Piso Nacional da Educação). O governo ofertou proposta de mais de 16%, o que foi rejeitado pela categoria.http://www.cnte.org.br/index.php/giro-pelos-estados/549-ap/10573-professores-do-amapa-mantem-estado-de-greve.html - Professores do Amapá mantém estado de greve. Acessado em 30 Julho 2012. A greve durou mais de 60 dias e a Secretaria da Educação chegou a determinar o corte das gratificações dos professores. Durante este período, um pedido de impeachment do Governador Camilo Capiberibe foi protocolado na Assembleia Legislativa. O pedido alegava que o governador desrespeitou a Lei Nacional do Piso. Em setembro do mesmo ano, um novo pedido de impeachment foi apresentado contra o governador alegando improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

No final de junho de 2013, ocorreram no Brasil as maiores manifestações populares da história. No Amapá, os manifestantes voltaram sua pauta de reivindicações para temas como corrupção, melhorias na saúde pública, na educação e contra a alta dos preços dos produtos, causada pela inflação. Conforme as manifestações foram se tornando cada vez mais violentas a partir de julho, a participação popular nos protestos acabou diminuindo. Atos de vandalismo e quebra-quebra se tornaram comuns e o patrimônio público acabou sendo depredado. Após os protestos de 2013, uma pesquisa realizada pelo instituto Ibope mostrou que a rejeição de Camilo chega a 73%, sendo a terceira mais alta do país. A aprovação pessoal do governador é de apenas 26%, superando apenas os governadores do Distrito Federal e do Rio Grande do Norte.- Ibope diz que governo do Amazonas tem melhor avaliação e do RN, a pior. Acessado em 13/12/2013.http://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2013/12/governo-camilo-tem-reprovacao-de-73-da-populacao-do-ap-diz-ibope.html - Governo Camilo tem reprovação de 73% da população do AP, diz Ibope. Acessado em 15/12/2013.

Relação da mídia com o governo O ex-senador Gilvam Borges (PMDB) passou a veicular em seus meios de comunicação (TV Tucuju, rádio Tarumã e rádio 102 FM) o programa Opinião com Gilvam Borges, que criticava a gestão de Camilo Capiberibe e enaltecia suas qualidades. O Diretório Regional do Partido Socialista Brasileiro fez uma representação contra Gilvam e conseguiu duas liminares que impediam a veiculação do programa, sob pena de multa individual no valor de R$ 50 mil para cada reincidência. Ao deferir a tutela liminar, o desembargador Agostino Silvério afirmou: "Após assistir ao vídeo da mídia questionada, (...) verifiquei que, em linhas gerais, a publicidade guerreada, superficialmente, se assemelha a possível propaganda eleitoral extemporânea, que, mantida até a apreciação final da lide, pode vir a causar desequilíbrio na corrida ao pleito vindouro, pois a propaganda é protagonizada por Gilvam Borges, que notoriamente é pré-candidato às eleições majoritárias de 2014, tendo inclusive se pronunciado a esse respeito em entrevista na Radio Antena 1 FM, que foi objeto de demanda nos autos da Representação 99-26.2013, julgada procedente por esta Corte". Mais tarde, no plenário do TRE, Borges foi condenado à pagar três multas de R$ 5 mil. Além disso, a proibição de exibição do programa foi mantida por se tratar de propaganda antecipada.

No dia 30 de Outubro de 2013, o senador amapaense João Capiberibe (PSB) denunciou no Plenário do Senado Federal o uso de uma rede de rádios comunitárias no Amapá para caluniar adversários políticos do PMDB. Esses veículos, segundo Capiberibe, pertencem à família do ex-senador Gilvam Borges e "fazem oposição sistemática no Amapá ao governador, Camilo Capiberibe, ao prefeito de Macapá, Clécio Luís, e também ao senador Randolfe Rodrigues", disse o senador. Ainda segundo a denúncia, a família de Borges teria criado associações de moradores de fachada para receber as autorizações para a operação de rádios comunitárias. Todavia, após receberem a outorga, as rádios passaram a funcionar como emissoras comerciais. O MZ Portal, um site de notícias local, noticiou em 29 de Novembro de 2013 que a Anatel havia comprovado irregularidades em rede formada por emissoras de Gilvam. Segundo o informe, um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público Federal a partir de representação sobre possível formação de monopólio pelo Sistema Beija-Flor de Radiodifusão nos estados do Pará, Amapá e Maranhão. A 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF pediu que o Ministério das Comunicações tome providências para corrigir as irregularidades.

Em 20 de Fevereiro de 2014, o governador Camilo Capiberibe moveu uma ação judicial contra o jornal A Gazeta alegando que uma matéria publicada pelo jornal seria ofensiva à sua honra. Capiberibe pede, na ação, uma indenização de quarenta salários mínimos e a proibição do diário de publicar qualquer conteúdo que faça referência a ele. A reportagem que acarretou o processo trazia informações sobre a viagem do governador à América Central, em Setembro de 2013. O jornal se pronunciou afirmando que "apenas tratou as informações oficiais com um tom crítico". O advogado de Capiberibe, contudo, afirma que a reportagem teve como objetivo "denegrir e criar opiniões negativas diante das massas acerca da pessoa do governador".

Articulação das candidaturas Após as eleições de 2010, na qual Camilo sagrou-se campeão, os partidos de oposição começaram a articular um bloco único de oposição ao governo. Na Assembleia Legislativa, PDT, PP, PSC e outras legendas se declararam opositoras do governo desde o início de seu mandato. Em outubro de 2012, nas eleições municipais, o PSOL, uma sigla de esquerda, que no Amapá é dirigido por um setor mais moderado (a dissidência da APS), tendo um arco de alianças mais amplo que o habitual, conquistou sua primeira prefeitura (Macapá) no estado e tornou-se uma peça-chave no cenário pré-2014. Entretanto, no interior do estado, as legendas de oposição se fortaleceram. No terceiro maior município do estado, Laranjal do Jari, Zeca Madeireiro (PP) foi eleito prefeito, todavia teve seu mandato cassado e Bode Queiroga (PDT) assumiu o cargo. Em Mazagão, Dilson Borges (PMDB) foi eleito prefeito com mais de 30% dos votos. Na segunda maior cidade do estado, Santana, Robson Rocha do PTB foi eleito, derrotando a candidata da coligação PT-PSB.

Após a derrota de Roberto Góes (PDT) na capital do estado, o nome de Waldez Góes se fortaleceu como o "potencial candidato" do partido ao governo. O pré-candidato criou, ao lado de Gilvam Borges e Jorge Amanajás, a "Caravana do Desenvolvimento". A caravana viajou o estado discutindo os problemas e buscando soluções para os municípios do interior. No entanto, a Procuradoria Regional Eleitoral no Amapá obteve liminar que proíbe a realização das caravanas pois entende que os eventos eram uma forma de angariar eleitores.

Paralelamente às articulações de Waldez Góes, Lucas Barreto saiu do PTB e filiou-se ao PSD, visando a candidatura ao governo. Foi eleito vereador de Macapá em 2012 com expressiva votação e passou a compor a Câmara Municipal. Barreto, contudo, informou que sua candidatura ao Palácio do Setentrião só será lançada em meados de Março, no início das desincompatibilizações para as eleições de outubro, a partir de 5 de abril.- Primeiro prazo para pré-candidatos deixarem cargos encerra em 5 de abril. Acessado em 11/03/2014. O candidato busca ainda apoio de partidos tradicionais como o Partido dos Trabalhadores e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro e de legendas novas como o Partido Socialismo e Liberdade.

O ex-deputado estadual Jorge Amanajás saiu do PSDB no final de 2012 acusando a direção nacional de ter usado o partido no Amapá como "moeda de troca para viabilizar candidaturas a prefeito em outras capitais". No começo de 2013, Amanajás filiou-se ao PPS e iniciou o diálogo com outras siglas para formar parcerias. Em Março de 2014, em entrevista ao Jornal do Dia, Jorge falou sobre suas articulações políticas: "Temos liberdade de conversar com praticamente todas as vertentes políticas, vemos fazendo isso, nos alinhar com aqueles que tem o posicionamento parecido com o nosso (...). Tudo são fatores que vão converter para a definição em junho."- Estão esquecendo de discutir o Amapá, dizem Jorge Amanajás e Allan Sales. Acessado em 20/03/2014.

Aposentadoria de José Sarney