"Mr. Lisa Goes to Washington" (no Brasil, "A Verdade Sempre Triunfa") é o segundo episódio da terceira temporada da série de televisão animada norte-americana The Simpsons. Foi exibido originalmente nos Estados Unidos em 26 de setembro de 1991 pela Fox Broadcasting Company. Escrito por George Meyer e dirigido por Wes Archer, acompanha Lisa, que viaja com a família a Washington, D.C. para disputar a final de um concurso de redação sobre o país. Ao ver um deputado recebendo dinheiro ilegal, abandona o texto patriótico que havia preparado e denuncia a corrupção diante dos jurados.

Foi o primeiro episódio produzido sob a supervisão de Al Jean e Mike Reiss como responsáveis pela condução da série. O título e a história fazem referência a Mr. Smith Goes to Washington (1939), e a viagem permite que a família visite monumentos e edifícios conhecidos da capital norte-americana. Na estreia, registrou 12,9 pontos de audiência e foi o terceiro programa mais assistido da Fox naquela semana. A crítica elogiou sobretudo a sátira política, mas representantes da indústria madeireira protestaram contra a cena em que um representante do setor oferece dinheiro a um deputado para obter autorização para derrubar a floresta de Springfield.

Enredo Ao encontrar um anúncio de concurso de redação na revista Reading Digest, Homer incentiva Lisa a participar. Inspirada por uma visita à floresta de Springfield, onde vê uma águia-de-cabeça-branca, a menina escreve "As raízes da democracia" e se classifica para a final em Washington, D.C.. Enquanto Homer e Bart aproveitam as comodidades da viagem, Lisa busca inspiração nos monumentos da cidade. Durante uma visita a um memorial dedicado a uma defensora dos direitos das mulheres, surpreende o deputado Bob Arnold recebendo propina de um representante da indústria madeireira para autorizar a derrubada da floresta de Springfield. Desiludida, rasga sua redação e escreve outra, "Fossa no Potomac", na qual denuncia o parlamentar e condena a corrupção do governo. O discurso desagrada aos jurados e ao público, mas a notícia se espalha pela capital e leva à prisão e à perda do mandato de Arnold. Lisa não vence o concurso, porém recupera a confiança nas instituições e recebe o reconhecimento do vencedor por sua coragem e honestidade.

Produção George Meyer escreveu o roteiro, dirigido por Wes Archer. Este foi o primeiro episódio sob a supervisão de Al Jean e Mike Reiss como responsáveis pela condução criativa da série. Jean contou que a pressão de assumir o cargo levou os dois a reescrever o texto seis ou sete vezes para aprimorar as piadas. Como a história se passa em grande parte fora de Springfield, os animadores criaram novos cenários e personagens, utilizando fotografias do acervo do estúdio para representar os monumentos de Washington. David Silverman, que cresceu na região, ajudou a equipe a desenhar a cidade. Segundo Jean, a viagem permitiu aos roteiristas usar experiências familiares como inspiração para o episódio.

Referências culturais O título e a trama fazem referência a Mr. Smith Goes to Washington (1939), no qual o personagem de James Stewart chega à capital com entusiasmo patriótico e descobre a corrupção do governo. A cena em que Lisa busca orientação diante da estátua de Abraham Lincoln, no Memorial Lincoln, reproduz uma passagem do filme. A revista Reading Digest parodia a Reader's Digest, e o humorista que toca piano e irrita Bart faz alusão a Mark Russell e Tom Lehrer. Já a afirmação de Lisa de que havia apenas duas mulheres no Senado correspondia à composição da instituição na época: Nancy Kassebaum e Barbara Mikulski.

Temas e análises Em um capítulo do livro Homer Simpson Goes to Washington, escrito por Joseph Foy e Stanley Schultz, Michael Bitzer analisou a sátira como uma exploração das virtudes e dos vícios da cultura política norte-americana, da opinião pública e do sonho americano. Já Paul Arthur Cantor, em Gilligan Unbound: Pop Culture in the Age of Globalization, destacou a crítica aos mitos patrióticos que sustentam a legitimidade do governo e aos concursos que incentivam crianças a produzir elogios às instituições. Para Benedict Anderson, em The Spectre of Comparisons, a recuperação da confiança de Lisa no desfecho sugere que, mesmo após as críticas feitas ao país ao longo do episódio, Groening ainda demonstra certa esperança nos Estados Unidos.

Em artigo publicado na revista acadêmica Americana, Günter Beck comparou a atitude de Lisa ao pensamento de Henry David Thoreau. Segundo o autor, a menina enfrenta a indiferença coletiva e defende seus princípios, levando os representantes do Estado a cumprir suas obrigações democráticas. Beck, porém, apontou uma diferença: Lisa recupera a confiança nas instituições, enquanto Thoreau depositava sua esperança nas pessoas e na capacidade de cada indivíduo de promover mudanças.

Repercussão Audiência e análise da crítica Em sua exibição original nos Estados Unidos, "Mr. Lisa Goes to Washington" registrou 12,9 pontos de audiência, conforme a Nielsen Ratings, equivalentes a aproximadamente 11,9 milhões de domicílios. Terminou em 36.º lugar na classificação semanal de 23 a 29 de setembro de 1991 e foi o terceiro programa mais assistido da Fox naquele período, atrás de Married... with Children e In Living Color.

Warren Martyn e Adrian Wood, em sua análise para o site da BBC, consideraram o episódio um dos melhores centrados em Lisa e destacaram a conversa com Thomas Jefferson e a cena em que os políticos aparecem como porcos. Nate Meyers, do site Digitally Obsessed, deu nota 4,5 e elogiou as observações sobre política, especialmente a participação de Barbara Bush. Bill Gibron, do DVD Verdict, destacou a sátira política construída em torno do concurso, das redações patrióticas e da própria capital. Por outro lado, Colin Jacobson, do DVD Movie Guide, elogiou o início centrado na obsessão de Homer pela revista, mas considerou a narrativa irregular e avaliou que o desfecho destoava do tom crítico habitual da série. Nathan Rabin, do The A.V. Club, interpretou o desfecho de forma diferente: para ele, a rapidez com que todos tentam restaurar a confiança de Lisa no sistema é tão exagerada que transforma o final aparentemente feliz em uma sátira. O crítico elogiou a combinação de idealismo e desconfiança diante da política.

Reação da indústria madeireira A cena em que um representante do setor oferece propina para obter autorização para derrubar a floresta de Springfield provocou protestos da indústria madeireira. Segundo Rodney Ferguson, do The Plain Dealer, a Oregon Lands Coalition, organização favorável ao setor sediada em Salem, enviou cartas e telefonou aos produtores para reclamar da representação dos trabalhadores. Em carta aberta a James L. Brooks, a entidade acusou a série de atacar pessoas trabalhadoras e favorecer ambientalistas radicais, conforme noticiou Kathie Durbin no The Oregonian. Luke Popovich, vice-presidente do American Forest Council, também protestou, argumentando que a representação priorizava o impacto sobre o público em detrimento de uma discussão séria do tema.

Matt Groening declarou à TV Guide que havia pesquisado os efeitos do desmatamento e da exploração excessiva sobre o meio ambiente. Em comunicado de 15 de outubro de 1991, ressaltou o caráter cômico da série. David Reinhard, do The Oregonian, considerou a reação da organização exagerada, mas também criticou a postura ambientalista do episódio e a resposta de Groening. Wayne Giesy, gerente de vendas da Hull-Oakes Lumber Co., convidou a assessora de imprensa Antonia Coffman a visitar o Oregon para conhecer as práticas de extração, fabricação e replantio da empresa.

Lançamentos "Mr. Lisa Goes to Washington" foi lançado em videocassete em 1999, ao lado de "When Flanders Failed", na coleção The Best of the Simpsons. Também integrou o conjunto de DVDs da terceira temporada, lançado em 26 de agosto de 2003, com comentários de Wes Archer, David Silverman, Matt Groening, Al Jean, Mike Reiss e Julie Kavner.

Ligações externas "Mr. Lisa Goes to Washington" no The Simpsons Archive

Categoria:Episódios da 3.ª temporada de The Simpsons Categoria:Episódios de 1991