miniaturadaimagem|Imagem da Localização das Guerras croato-búlgaras. As Guerras croato-búlgaras foram uma série de conflitos que irromperam por três vezes durante os séculos IX e X entre os reinos medievais da Croácia e da Bulgária. Neste período, a Croácia se aliou com a Frância Oriental e com o Império Bizantino contra o Império Búlgaro.

Primeira guerra (854) Em meados do , a Bulgária era a principal potência no norte, centro e leste dos Bálcãs. Em 854, o cã Bóris I firmou uma aliança com o príncipe da Grande Morávia Rastislau contra Luís, o Germânico, da Frância Oriental. O duque Trepimiro da Croácia Dálmata, um leal vassalo dos francos, ficou preocupado com a expansão búlgara, principalmente depois que ela alcançou a fronteira croata depois da campanha contra a Ráscia. Acredita-se que os búlgaros tenham invadido a Croácia por volta de 854,Sobre a Administração Imperial mas existe também a possibilidade de que o rei Luís tenha subornado Trepimiro para que ele atacasse primeiro.К. Грот, Известия о сербах и хорватах, стр. 125—127 Durante a guerra de 854, houve apenas uma grande batalha, travada na região nordeste da moderna Bósnia e Herzegovina e o resultado foi inconclusivo. Logo depois, começaram as negociações de paz entre Bóris e Trepimiro que resultaram numa troca de presentes e na assinatura de um tratado de paz. A fronteira foi determinada como sendo no rio Drina (atualmente também a fronteira entre a Bósnia e a República da Sérvia).

Segunda guerra (926) Uma longa e árdua guerra foi travada entre o czar , que queria tomar para si o trono bizantino, e o imperador Romano I Lecapeno. Sob forte pressão búlgara e colecionando derrota após derrota, o Império Bizantino negociou com a Sérvia e a Croácia numa tentativa de forjar uma aliança contra o Império da Bulgária. Ao saber dos planos através do príncipe Miguel da Zaclúmia, que fora expulso pelos sérvios quando eles tomaram suas terras, Simeão invadiu e anexou a Sérvia em 924. Zacarias buscou refúgio na corte croata do rei , que receberia, logo depois, o enorme influxo de refugiados sérvios tentando escapar da destruição provocada pelos búlgaros. Numa tentativa de atrair os croatas para a luta, Romano I ofereceu aos croatas os rendimentos da província da Dalmácia por volta de 925."Tempore Joannis pape sanctissimo consulatu peragente in provincia Croatorum et Dalmatiarum finibus Tamisclao rege et Michael in suis finibus presidente duce" A Dalmácia, incluindo a maior parte das cidades e das ilhas setentrionais, passou a ser governada por Tomislau. Os sérvios da Zaclúmia, aliados com a Croácia e com o príncipe Miguel, tornaram-se vassalos de Tomislau em algum momento antes de 926. Como resposta, Simeão enviou o duque Alogobotur para expulsar os refugiados sérvios para a Croácia, o que provocou uma guerra por volta de 926.

O clímax do conflito foi a Batalha do Planalto Bósnio em 926, quando forças croatas comandadas pelo rei Tomislau derrotaram completamente os búlgaros comandados por Alogobotur, eliminando a maior parte dos soldados búlgaros. A vitória croata foi tão decisiva e a batalha, tão grande, que as fontes contemporâneas exageraram enormemente o exército croata, citando números de até soldados, e o búlgaro, com um número um pouco maior.Sobre a Administração Imperial, 948, Constantino VII Porfirogênito Esta foi a única batalha que Simeão foi derrotado. Como ambos os monarcas mantinham uma boa relação com o papa João X, o papa conseguiu negociar a paz com base no status quo. Embora a fronteira oriental tenha se estendido até o rio Bosna, o reino croata se fortaleceu muito militarmente e conquistou importantes recursos naturais: ela emergiu como um dos mais modernos reinos do período e chegou até mesmo a criar uma modesta marinha. No mesmo dia da batalha, Simeão morreu em Preslava e seu sucessor, Pedro I da Bulgária, teve que enfrentar a revolta de seus irmãos Miguel (Michail) e João (Ivan). Os sérvios aproveitaram-se da situação e, já em 931, muitos haviam retornado para casa no renovado reino sérvio, encerrando assim a efêmera fronteira oriental búlgaro-croata.

Terceira guerra (997) Na segunda metade do , o Reino da Croácia era governado por Estêvão Dirzislau, que, em troca de ser reconhecido como rei em seus domínios, firmou uma aliança com o Império Bizantino.Recipiebant enim regie dignitatis insignia ab imperatoribus Constantinopolitanis et dicebantur eorum eparchi siue patritii Depois de sua morte, em 997, seu filho, , continuou a política pró-Bizâncio do pai. Seus irmãos, Cresimiro III e Goislau, não queriam Esvetoslau como monarca e tentaram depô-lo, pedindo ajuda do tsar Samuel da Bulgária. Respondendo ao pedido, Samuel atacou em 998 e arrasou as cidades dálmatas de Trogir e Split, mas acabou sendo interrompido no cerco de Zadar. Logo em seguida, as forças búlgaras retornaram para casaCrônica do Padre de Dóclea utilizando uma rota pela Bósnia. O território tomado por Samuel foi entregue a e Goislau, que, ainda contando com a ajuda búlgara, venceram a guerra civil croata e tomaram o reino croata em 1000. Esvetoslau, aliado dos bizantinos e dos venezianos, foi exilado em Veneza, mas, depois de uma mudança no governo da cidade, acabou exilado para Hungria. Depois da morte de João Vladislau em 1018, a Bulgária caiu frente às forças do imperador e Cresimiro III e Goislau, os dois reis croatas, tornaram-se vassalos bizantinos.

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