Ondina Clais Castilho (São Paulo, 6 de abril de 1970) é uma atriz e bailarina brasileira.

Biografia

Ondina Clais iniciou sua carreira artística como bailarina clássica na década de 1980. Durante sua formação, foi aluna de mestres renomados da dança, como Klauss Vianna, Rainer Vianna, Jane Blauth, Sasha Svetlov, Neyde Rossi, Ady Addor e Gaby Imparato. Em 1990, ingressou no icônico coletivo teatral brasileiro Grupo Macunaíma, dirigido por Antunes Filho, marcando sua transição para a carreira de atriz. Entre as diversas montagens que realizou com a companhia, ganhou destaque ao interpretar a protagonista Geni na peça Toda Nudez Será Castigada. A montagem foi uma celebração conjunta do centenário de nascimento de Nelson Rodrigues e dos 30 anos do Centro de Pesquisa Teatral (CPT-Sesc).

Graduou-se em Comunicação e Artes do corpo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e, entre os anos de 2008 e 2012, integrou o corpo docente do Célia Helena Centro de Artes e Educação. Em sua trajetória teatral, trabalhou em parceria com o diretor Nelson Baskerville na fundação da Cia. AntiKatártiKa Teatral. Juntos, realizaram a montagem de 17 x Nelson - O Inferno de Todos Nós, espetáculo que reúne cenas e fragmentos de 17 peças escritas por Nelson Rodrigues. Além disso, colaborou ativamente na criação de outras obras premiadas, como os espetáculos Por Que a Criança Cozinha na Polenta (2009) e Luís Antônio-Gabriela (2011), ambos pela Cia. Mungunzá de Teatro.

A partir de 2009, a atriz iniciou uma parceria com o dramaturgo e diretor Francisco Carlos, com quem desenvolveu uma pesquisa sobre o pensamento selvagem e o perspectivismo ameríndio. Esse trabalho culminou nas montagens Jaguar Cibernético (2011), Crepúsculo da Terra Guarani (2017) e Relatos Efêmeros da França-Antártica (2019), além de diversas leituras dramáticas promovidas pelo Sesc. Outro marco em sua trajetória de experimentações ocorreu anteriormente, em 2001, quando realizou, ao lado de Peter Pál Pelbart, a performance filosófica Pérolas aos porcos, performance para suínos em torno de O Anti-Édipo de Gilles Deleuze e Félix Guattari.

Entre 2006 e 2010, Ondina produziu seis trabalhos de videoarte em parceria com o artista plástico uruguaio Victor Lema Rique. Essas obras circularam por diversos festivais internacionais em países como Grécia, Cuba, Alemanha, Portugal, Espanha e Uruguai. Dentre as produções, destacam-se Toilette, Me rendo ao crepúsculo e Siempre hay una cama e una ventana, que também integraram a exposição "Intimidades", realizada no Sesc Pompeia em 2009.

Em 2012, dirigiu a peça Coração na Bolsa em parceria com Ruy Cortez, como parte do projeto de novas dramaturgias do SESI-SP.

Em 2013, Ondina Clais Castilho protagonizou um dos momentos mais marcantes de sua trajetória teatral ao integrar o elenco da montagem brasileira de A Dama do Mar, clássico de Henrik Ibsen. Sob a direção do renomado encenador norte-americano Bob Wilson, a produção apresentou uma estética rigorosa e visualmente impactante, característica do trabalho do diretor. Dividindo o protagonismo com Lígia Cortez, Ondina interpretou a enigmática Ellida Wangel, personagem marcada pelo desejo de liberdade e pela profunda conexão metafórica com o oceano. A montagem, que estreou no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, foi amplamente celebrada pela crítica especializada por sua atmosfera onírica, o uso preciso da luz e o trabalho refinado de movimento dos atores, consolidando-se como um divisor de águas na carreira da atriz e um projeto de prestígio no teatro contemporâneo brasileiro.

A partir de 2015, ao lado de Cortez, assumiu a direção artística da Companhia da Memória, passando também a ministrar aulas e workshops em diversos espaços culturais. Juntos, desenvolveram o projeto "Pentalogia do Feminino", um conjunto de cinco espetáculos que propõe uma análise dramatúrgica sob a perspectiva feminina e da linhagem matrilinear. O projeto teve início em 2017 com o monólogo K.I. / Katerina Ivânovna (2017) , baseado na personagem da obra Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski. Na montagem, dirigida por Ruy Cortez e Marina Nogaeva Tenório, Ondina interpretou a personagem-título. A pentalogia seguiu com as montagens de Punk Rock (2018), do dramaturgo Simon Stephens, focada nos desafios e na violência da juventude e Réquiem para o Desejo (2018): Recriação do clássico Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams com dramaturgia inédita de Alexandre Dal Farra.

Na televisão e no streaming, consolidou sua carreira no audiovisual participando de diversas produções de destaque. Integrou o elenco da série Sessão de Terapia (2014), do canal GNT. Também atuou em O Hipnotizador (2015), no papel de Madame Zoraide; em A Vida Secreta dos Casais (2017–2018), como a personagem Elisa; e na série Coisa Mais Linda (2018–2019), da plataforma Netflix, interpretando Esther.

Ondina Clais consolidou sua trajetória no cinema brasileiro por meio de colaborações com nomes expressivos do cinema nacional. Em 2015, a atriz integrou o projeto Ateliê da Rua do Brum, sob a direção de Juliano Dornelles que se destacou no cenário independente pela investigação estética e atmosfera singular. Até o primeiro semestre de 2026, a obra encontrava-se em fase de pós-produção, aguardando a sua data de estreia.. Na sequência, em 2016, integrou o elenco de Meu Amigo Hindu, o último longa-metragem dirigido por Hector Babenco. O filme, uma produção de forte carga autobiográfica, narra a jornada de um cineasta que, ao enfrentar um diagnóstico de saúde grave, estabelece uma amizade improvável com um menino hindu, explorando os limites entre a realidade e o delírio da fantasia.

No ano de 2017, integrou o elenco de O Filme da Minha Vida, dirigido por Selton Mello. Adaptado da obra Un padre de película, de Antonio Skármeta, o drama é ambientado na Serra Gaúcha durante os anos 1960 e explora com sensibilidade temas como amadurecimento, a busca pela figura paterna e o papel transformador da literatura. No mesmo ano, a atriz participou de João, O Maestro, cinebiografia de Mauro Lima que narra a trajetória extraordinária do pianista João Carlos Martins.

Na virada da década, a atriz manteve presença no cinema e nos palcos, mesmo diante dos desafios do período. Nas telonas, participou do drama Vou Nadar Até Você (2020), de Klaus Mitteldorf, protagonizado por Bruna Marquezine, interpretando a personagem Talia.

Em 2021, celebrando mais de três décadas de dedicação às artes, Ondina publicou sua autobiografia intitulada Ondina Clais: A Dama do Mar – 35 Anos de Travessia. A obra foi lançada pelo selo CineZen Edições Literárias, integrando a Coleção Santos Film Fest — um projeto dedicado a preservar a memória audiovisual nacional, coordenado por André e Paula Azenha. O reconhecimento de sua trajetória também se consolidou naquele ano ao ser homenageada como madrinha do Santos Film Fest (Festival Internacional de Cinema de Santos).

Em 2022, dando continuidade à "Pentalogia do Feminino", Ondina integrou o elenco da Companhia da Memória na encenação dos espetáculos simultâneos As Três Irmãs (de Anton Tchekhov) e A Semente da Romã (de Luis Alberto de Abreu). As obras, que propõem uma recriação livre do universo tchekhoviano, tiveram sua estreia presencial no Sesc Pompeia em julho daquele ano, após terem sido apresentadas em formato audiovisual e monólogos entre 2020 e 2021.

O ciclo da "Pentalogia do Feminino" encerra-se com a obra Charlotte. O espetáculo é uma livre criação baseada em Vida? ou Teatro? (Leben? Oder Theater? Ein Singspiel), da artista plástica judaico-alemã Charlotte Salomon, morta em Auschwitz aos 26 anos. A peça aborda a criação artística sob contextos de fascismo e genocídio, conectando aniquilações históricas a opressões de grupos minorizados na sociedade contemporânea. O espetáculo iniciou seu processo de viabilização e desenvolvimento em 2026. Até o primeiro semestre de 2026, a montagem encontrava-se em fase de produção, sem previsão de estreia.

Em 2024, a atriz retornou ao formato de séries dramáticas atuando na produção Da Ponte Pra Lá, da plataforma Max. Na trama, que explora contrastes sociais e mistério em São Paulo, ela interpretou a personagem Cléo ao longo de cinco episódios da temporada.

O ano de 2025 foi marcado por grandes produções e pela partilha de conhecimento. Ondina integrou o elenco grandioso de O Jardim das Cerejeiras, clássico de Anton Tchekhov, em uma elogiada montagem da Companhia da Memória que celebrou os 18 anos do grupo. Com direção de Ruy Cortez e direção de atores de Miriam Rinaldi, a peça ocupou o Sesc Consolação (Teatro Anchieta) com uma cenografia ousada e imersiva. Além do sucesso nos palcos, Ondina também dedicou-se à formação de novos atores, ministrando o "Laboratório Stanislavski" na Inbox Cultural, reforçando sua vocação como pesquisadora do ofício da atuação.

Em 2026, seu forte vínculo com o universo de Tchekhov ganhou as telas do cinema com o longa-metragem dramático Quase Inverno, dirigido por Rodrigo Grota. O filme, uma adaptação livre da clássica peça "As Três Irmãs", transporta a história da Rússia Imperial para o interior do Paraná nos anos 1970, em pleno contexto da Ditadura Militar. Produzido pela Kinopus, o longa teve sua estreia de destaque no circuito nacional durante a 15ª edição do Olhar de Cinema - Festival Internacional de Curitiba, reafirmando a afinidade da atriz com tramas de forte carga dramática que envolvem segredos familiares e fantasmas do passado .

Carreira

Ballet 1986 - O Guarani - corpo de baile

Literatura +AnoTítuloEditoraGenero 2021 Ondina Clais: A Dama do Mar – 35 Anos de Travessia CineZen Edições Literárias Autobiografia

Cinema Ano Título Papel 1996 A Janela Camila 2001 Mater Dei Ana 2002 Noites Brancas em Sábado de Glória Nina e Glória 2011 O Encontro A Mulher 2013 O Bailado do Deus Morto Dançarina e Narradora 2015 Meu Amigo Hindu Luiza O Ateliê da Rua do Brum Clarissa 2017 O Filme da Minha Vida Sofia Terranova João, O Maestro Alay 2020 Vou Nadar Até Você Talia 2026 Quase Inverno Catarina

Televisão Ano Título Personagem Notas 2014 Sessão de Terapia Neuza 4 episódios 2015 O Hipnotizador Madame Zoraide 2 episódios 2017-2019 A Vida Secreta dos Casais Elisa Andreazza 12 episódios 2018 Desnude Elisa Episódio: Tirando Onda 2019-2020 Coisa Mais Linda Ester Carone Furtado 11 episódios 2024 Da Ponte Pra Lá Cléo 5 episódios

Teatro +AnoTítuloPapel1991 Nova Velha História Amiga da Chapeuzinho Vermelho1992 Paraíso Zona Norte Arlete 1993 Trono de Sangue - Macbeth Lady McDuff 1996 Drácula Vampira menina 1999 Cantos de Maldoror O Hermafrodita Matéria Amor Incubus Sucubus 2000 Dédalus Perséfone 2001 Gotham SP Narradora 2004 Fátima Luiza 2005 Umbigo Camila 2006 17 x Nelson Madame Clessy - a Falecida - Ligia 2007 Hamlet-Gashô Rainha Gertrude 2008 Closer - Perto Demais Ana 2009 Namorados da Catedral Bêbada Sandra Spotlight 2010 Olerê, Olará - Samba Cabaret Ana Gardênia 2011 Jaguar Cibernético Loira do Táxi Chuvoso 2013 Toda Nudez Será Castigada Geni A Dama do Mar Élida Wangel 2014 Banana Mecânica Medusa 2017 K.I. / Katerina Ivânovna Katerina Ivânovna 2018 Punk Rock Direção Artística Réquiem para o Desejo Stella 2022 As Três Irmãs Olga A Semente de Romã Kátia 2025 O jardim das Cerejeiras Charlotta

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