Butirilcolinesterase, pseudocolinesterase ou colinesterase inespecífica é uma colinesterase que desempenha papel menor na degradação de acetilcolina no corpo humano e animal.Golan, David E. - Tashjian, Armen H. - Armstrong, Ehrin J. - Armstrong, April W. Principios de farmacologia. 2. ed. Guanabara Koogan. Pode ser encontrada no intestino, plasma e em outros tecidos em menor quantidade. Acredita-se que atua no intestino regulando os movimentos ritmicos e a tonicidade muscular,LARINI, Lourival. Fármacos e medicamentos. Porto Alegre: Artmed, 2008 além de pesquisas indicarem que participa do desenvolvimento neural inicial.

Suas funções ainda não são bem esclarecidas pela ciência.

Importância clínica

A deficiência de butirilcolinesterase (pseudocolinesterase) resulta no atraso do metabolismo de alguns compostos de importância clínica, como os seguintes: succinilcolina, mivacúrio, procaína, heroína e cocaína. Destes, o seu substrato mais importante clinicamente é o agente bloqueador neuromuscular despolarizante succinilcolina, que a enzima butirilcolinesterase (pseudocolinesterase) hidrolisa a succinilmonocolina e depois a ácido succínico.

Em indivíduos com níveis plasmáticos normais da enzima butirilcolinesterase funcional, a hidrólise e a inativação de aproximadamente 90–95% de uma dose intravenosa de succinilcolina ocorre antes de chegar à junção neuromuscular. Os restantes 5–10% da dose de succinilcolina atuam como um agonista do receptor de acetilcolina na junção neuromuscular, causando uma despolarização prolongada da placa terminal motora pós-sináptica. Esta despolarização inicialmente produz fasciculação do músculo esquelético. Como resultado da prolongada despolarização, a acetilcolina endógena libertada da membrana pré-sináptica do neurónio motor não produz qualquer alteração adicional no potencial de membrana após se ligar ao seu receptor no miócito. A paralisia flácida dos músculos esqueléticos desenvolve-se num minuto. Em sujeitos normais, a função do músculo esquelético retorna ao normal aproximadamente em cinco minutos após uma única injeção em bólus de succinilcolina, à medida que esta difunde passivamente para fora da junção neuromuscular. A deficiência de butirilcolinesterase pode originar altos níveis de moléculas de succinilcolina intactas a chegar aos recetores da junção neuromuscular, fazendo com que o efeito paralítico continue durante oito horas. Esta condição é reconhecida clinicamente quando a paralisia dos músculos respiratórios e outros músculos esqueléticos não se resolve espontaneamente após a administração de succinilcolina como agente paralisante adicional durante procedimentos de anestesia. Nesses casos, é necessário recorrer à respiração assistida.

Os alelos mutantes no locus BCHE são responsáveis pela sensibilidade ao suxametónio. As pessoas homozigotas mantêm uma apneia prolongada após a administração do relaxante muscular suxametónio em conexão com a anestesia cirúrgica. A atividade da butirilcolinesterase (pseudocolinesterase) no soro é baixa e o seu comportamento com o substrato é atípico. Na ausência do relaxante, o homozigoto não tem desvantagens conhecidas. Finalmente, o metabolismo influenciado pela butirilcolinesterase da procaína resulta na formação de ácido para-aminobenzoico (PABA). Se o paciente que recebe procaína estiver a receber antibióticos sulfonamidas como o bactrim, o efeito antibiótico será antagonizado ao fornecer uma nova fonte de PABA ao micróbio para a subsequente síntese de ácido fólico.

Contramedida profilática contra os agentes nervosos

A butirilcolinesterase é uma contramedida profilática contra os agentes nervosos organofosforados. Liga-se ao agente nervoso na corrente sanguínea antes que este possa exercer efeitos sobre o sistema nervoso. Como é um "limpador biológico" (e alvo universal), é atualmente o único agente terapêutico eficaz que proporciona uma proteção estequiométrica completa contra o espectro inteiro de agentes nervosos organofosforados.

Agente profilático contra a adicção à cocaína

Foi descoberto um novo fármaco experimental para o possível tratamento do abuso e sobredosagem da cocaína baseado na estrutura da butirilcolinesterase. Trata-se de um mutante BChE humano com uma eficiência catalítica melhorada. Elimina a cocaína do corpo 2000 vezes mais rapidamente que a forma natural do BChE. Estudos em ratos indicaram que o fármaco prevenia as convulsões e a morte quando eram administradas sobredosagens de cocaína. * O transplante de células da pele modificadas para expressar a forma potenciada da butirilcolinesterase em ratos permite a libertação a longo prazo da enzima e protege eficientemente os ratos do comportamento de procura de cocaína e da sobredosagem de cocaína.

Marcador para o risco de SMSL

Investigações publicadas em 2022 pelo Grupo de Investigação da Apneia do Sono e SMSL do Hospital Infantil de Westmead, Nova Gales do Sul, Austrália, na The Lancet indicam que a BChE pode ser um marcador para os bebés que estão em risco de sofrer a Síndrome de Morte Súbita do Lactente (SMSL ou, na literatura inglesa, SIDS). Isto quer dizer que níveis mais baixos de BChE estavam associados a um incremento do risco de SMSL.

Categoria:Proteínas humanas