Silvina Carmen Furtado de Sousa DmIH (Horta, 19 de Janeiro de 1877 — Horta, 6 de Setembro de 1973), conhecida nos meios literários pelo pseudónimo de Iracema, foi uma professora de música e activista cultural que se distinguiu como poetisa. Impulsionou diversas actividades culturais na ilha do Faial, nomeadamente a criação do Colégio Insulano e a construção do Salão Teatro Éden (1916)."Silvina Furtado de Sousa" na Enciclopédia Açoriana.

Biografia Silvina Furtado de Sousa nasceu a 19 de Janeiro de 1877 na cidade da Horta, ilha do Faial, no seio de uma família urbana com importante participação na vida social e cultural local, filha de Virgínia Adelaide Furtado de Sousa e de Cândido Maria de Sousa, funcionário da Alfândega e talentoso amador teatral. O seu tio-avô era José Leal Furtado, consagrado organista e mestre da capela da Matriz da Matriz.Fernando Faria, "Retalhos da nossa história – CLIII - Furtados, uma família de artistas (5)". Horta, Tribuna das Ilhas, 26 julho 2013.

Os pais separaram-se em 1882, quando Silvina tinha 5 anos de idade. Os seus dois irmãos mais novos ficaram a viver com a mãe, mas Silvina acompanhou o pai, que se transferiu para Lisboa para ocupar um lugar de escrivão judicial naquela cidade. A mãe emigraria para o Brasil em 1883, numa separação definitiva, pois jamais retomou o contacto com a filha. Silvina cresceu em Lisboa, onde além de uma sólida cultura literária, estudou piano, pintura e dactilografia. O pai faleceu repentinamente, vítima de tísica pulmonar, no dia em que Silvina fazia 16 anos de idade (19 de Janeiro de 1893).

O falecimento do pai forçou o seu regresso à Horta, onde ficou a viver com a família do seu tio José Cândido Bettencourt Furtado. Nunca casaria, mantendo-se sempre na esfera da família Furtado, desenvolvendo uma sentimentalidade que transparece na vasta obra poética que assinaria sob o pseudónimo de Iracema. A partir de 1926 foi funcionária do Banco Fayal, o que fez dela a primeira mulher a trabalhar numa instituição bancária açoriana.Fernando Faria, "Retalhos da nossa história – CLIV - Furtados, uma família de artistas (6)". Tribuna das Ilhas, 9 de Agosto de 2013.

A vasta obra literária de Iracema foi publicando em múltiplos órgãos da imprensa açoriana da época, com destaque para O Telégrafo, A Ordem, Sinos da Aldeia, Correio da Horta, Horta Desportiva, Diário dos Açores, Correio dos Açores, O Dever, Bom Combate e Vigília. Para além da poesia, género em que se destacou, escreveu contosOs primeiros foram publicados pelo O Telégrafo no ano de 1904, incluindo títulos como Trio, Berço Celeste e No Cemitério. Também foi autora de muitos artigos em prosa que publicou ao longo da sua longa vida, quase sempre sob o título genérico de Aguarelas.

Rui Galvão de Carvalho considerou a sua poesia como «trabalhada à moda dos poetas parnasianos», reflectindo o «lirismo da sua alma idealista e nostálgica»Rui Galvão de Carvalho, Antologia Poética dos Açores, vol. I, pp. 263-264. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1979. Recebeu em 1967 o 1.º prémio dos Jogos Florais Açores, na modalidade de soneto.O Telégrafo, Horta, n.º 20407, 7 de Novembro de 1967, "1.º prémio para Silvina de Sousa".

Manteve ao longo de toda a sua longa vida uma intensa actividade como professora, ensinando piano e dactilografia. Foi a impulsionadora da criação do Colégio Insulano (1918), onde eram leccionadas disciplinas como Língua e Literatura Francesa e Inglesa, Música e Dança.Retalhos da nossa história – CLIV - Furtados, uma família de artistas (6). Com sua prima Lídia Furtado esteve na origem da fundação do Salão Teatro Éden (1916) que se manteve em actividade na cidade da Horta durante cerca de 25 anos e por onde passaram récitas teatrais e filmes.

Para além da vasta obra dispersa por múltiplos periódicos, publicou em 1960 a colectânea poética Saudade (Coimbra, 1960), com prefácio de Rui Galvão de Carvalho. Para além da sua actividade como poetisa e professora, também se dedicou à música e foi pianista reconhecida e maestrina da capela da Matriz.

Silvina Furtado de Sousa faleceu na Horta, aos 96 anos de idade, a 6 de Setembro de 1973, deixando várias gerações de discípulos.

Homenagens Foi agraciada a 10 de Julho de 1965 com o grau de Dama da Ordem do Infante D. Henrique. Na fachada da casa da cidade da Horta onde viveu está colocada uma lápide com a inscrição: Silvina Furtado de Sousa / “Iracema” / Aqui viveu e ensinou / 21.8.1965.

Referências Iracema, Saudade. Coimbra, 1960. J. Carlos, "Sobre o açorianismo de Silvina de Sousa (Iracema)", O Telégrafo, Horta, n.º 18956, 19 de Janeiro de 1963. Rui Galvão de Carvalho, Antologia Poética dos Açores. Angra do Heroísmo, Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1979. O Telégrafo, Horta, n.º 12416, 18 de Janeiro de 1941, "A nossa homenagem a D. Silvina Furtado de Sousa". O Telégrafo, Horta, n.º 20407, 7 de Novembro de 1967, "1.º prémio para Silvina de Sousa".

Ligações externas Retalhos da nossa história – CLIII - Furtados, uma família de artistas (5) Retalhos da nossa história – CLIV - Furtados, uma família de artistas (6)

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