Arnaldo dos Santos Andrade (Manaus, 17 de julho de 1938 — Manaus, 6 de janeiro de 2025), popularmente conhecido como Arnaldo Santos, foi um radialista e cronista esportivo brasileiro.

Vida Filho de Francisco Caetano de Andrade e Ayda dos Santos Andrade, Arnaldo Santos começou a carreira de locutor esportivo, em 1959, aos 20 anos de idade, transmitindo jogos de voleibol, basquetebol, e futebol de salão (também referido pelo acrônimo futsal), nos serviços de alto-falante, na quadra Francisco Guimarães, situada no Atlético Rio Negro Clube; o que levou a Luis Verçosa, então narrador de esporte da rádio Rio Mar, a indicá-lo ao Erasmo Linhares, diretor artístico da Rádio Rio Mar, para compor a equipe de esporte num período de aproximadamente três meses, vindo a ser convidado pelo chefe do departamento da Rádio Baré (Diários Associados), Luis Saraiva, para realizar um teste que acabou culminado com a sua contratação, iniciando assim uma carreira de locutor esportivo, fazendo oficialmente a primeira narração de um jogo em 1961, do Campeonato Amazonense, no Parque Amazonense -, entre Fast e São Raimundo.

Atualmente pertence ao quadro de funcionários da Rádio Difusora do Amazonas. É um narrador eclético, que além da sua grande paixão, o futebol - já transmitiu Fórmula 1, Box, Voleibol, Basquetebol, Handebol, Futsal, Ginástica, provas de atletismo, não só a nível local, mas também nacional e internacional.

Em março de 1970, apresentou por 14 anos o programa “AS nos Esportes”, na TV Ajuricaba, a época filiada a TV Globo, e tinha como destaque a trilogia: seja bom filho, bom aluno e bom de bola, passando a ser lembrada por uma geração de apaixonados por esporte.

Na função de cronista esportivo, foi presidente da (ACLEA) Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas, convite feito pelo governador Danilo Duarte de Matos Areosa, em 1968, para fazer parte do grupo executivo de construção do Estádio Vivaldo Lima, composto por: cel. Temisthocles Trigueiro, Flaviano Limongi, João Augusto Souto Loureiro, Hugo Silva Reis, Carlos Lins, Erisaldo Godôt.

No dia 16 de março de 1995, governo Amazonino Mendes foi nomeado subsecretário de Desportos da secretaria de Estado, Cultura e Deportos–Seduc, respondendo pela presidência da Fundação Vila Olímpica de Manaus, cuja primeira missão foi a recuperação do Estádio Vivaldo Lima.

O senhor das Copas No dia 31 de maio de 1978, chegou à Mar Del Plata no avião da Cruzeiro, fretado pela Aero Lines Argentina, numa temperatura de 4 graus. Já no dia 1º de junho de 78, percorreu as ruas Buenos Aires, com o motorista Alberto, que não conhecia as ruas de Buenos Aires.

Uma das cabeças pensantes que trabalharam na elaboração do projeto amazonense para receber o mundial de 2014, Arnaldo guarda suas memórias de quatro Copas vividas como torcedor.

A narrativa descrita na agenda daquele incipiente torcedor acabou com final feliz. Era uma viagem de 400 quilômetros. O radialista correu contra o tempo para alcançar a abertura e quando percebeu que o motorista não iria deixá-lo a tempo em Buenos Aires, pegou um táxi e foi embora acompanhado de um amigo.

Arnaldo e o colega chegaram a tempo de ver a festa preparada pelos Argentinos. Eram cinco mil crianças construindo uma imagem bem diferente da realidade dos Hermanos, afogados pelo regime militar. Ele chorou bastante. Três tentativas

Nem foi ta grande a decepção pela eliminação da Seleção, depois da famosa e suspeita goleada argentina sobre o Peru, por 6 a 0. Era a primeira, era só empolgação.

Só que o sonho de ver o Brasil campeão ao vivo foi se tornando pesadelo. Em 82, a derrota para a Itália de para os franceses. Começou a pensar se o problema não era com ele. Foi tomando um espírito crítico e em 1986, no México, viveu a maior das decepções.

Castigado pelas seguidas derrotas, e cético quanto ao título de Lazaroni, Arnaldo não foi à Itália, em 1990.

Quatro anos depois, nos EUA, vingou-se dos fantasmas, viu o Brasil de Romário levantar o tetra e curou as feridas. Foi o maior prêmio da vida do cronista. Porque a final foi no dia 17 de julho no dia do seu aniversário. Em 2014 aquela conquista completará 20 anos. Irá viver essa emoção em Manaus.

Tristeza no Sarriá pela geração de 82 - Maior decepção foi o tetra quase certo que acabou não vindo na Espanha

De um lado Zico, Sócrates, Falcão e uma campanha irretocável. Do outro uma Itália desacreditada, em pé de guerra com a imprensa e que passou para a segunda fase com três empates. De quebra, a vantagem de jogar pela igualdade no marcador.

Selou o destino que Arnaldo Santos sentasse na linha da grande área, onde Valdir Péres sofreria o segundo e o terceiro gols da Azurra, obra de Paolo Rossi, numa das maiores tragédias que a Seleção já sofreu, só comparável à perda do título para o Uruguai, em 1950.

Naquela tarde de 5 de julho, os Italianos tiveram um desempenho surpreendente até mesmo para o mais fanático torcedor da Azzurra e com três gols de Paolo Rossi derrotaram o Brasil por 3 a 2 e foram para as semifinais contra a Polônia e depois a Itália foi tricampeã vencendo a Alemanha.

Depois do jogo uma história para guardar, Arnaldo, decepcionado com o fim melancólico dos Canarinhos, se livrou da camisa da Seleção no meio da rua de Barcelona.

Tirou a camisa e a entregou para um espanhol. O sujeito começou a beijar a camisa, emocionado, tamanha a paixão daquele povo por aquela Seleção. Chegou a frequentar um Cassino, ganhando 3 500 dólares sem saber nem o que era jogo.

Pilhas e rádio

Arnaldo ficou intrigado, com as reações do goleiro Leão, no empate em 0 a 0 com a Argentina, na Copa de 1978. Anos depois, a resposta, vinda pessoalmente do goleiro. O Leão disse para o cronista que jogavam pilhas nas costas deles. Quando acabaram as pilhas, jogaram os rádios.

Arnaldo e sua forte ligação com o Estádio Vivaldo Lima Plínio Ramos Coelho eleito governador no seu segundo mandato em 1963. Torcedor do Nacional F.C. depois de ver o seu time sagrar-se campeão, não tinha mais dúvida que o futebol amazonense precisava de um novo estádio que desde o seu primeiro governo nos anos 50, sonhava para o seu desenvolvimento.

Plínio achava que um bom local para a construção do novo estádio seria a primeira ponte, como era chamada, localizada ao lado do Palácio Rio Negro. Ele foi desaconselhado pelos engenheiros, o mesmo acontecendo quando pediu estudos para a ponte de ferro, ou seja, Benjamin Costant. Obcecado quando queria concretizar uma ideia e só podia entender isso alguns amigos, como o pai do radialista Arnaldo Santos, o seu Caetano de Andrade, outro “Nacionalino doente” que entre as discussões políticas, tudo no fim terminava em futebol.

Aos 19 anos de idade, Arnaldo foi testemunha em ver o governador Plínio Ramos Coelho no seu jeito incisivo de ser, falar para o Caetano (pai de Arnaldo), que na inauguração de uma Feira Agropecuária, no bairro de Flores, havia encontrado finalmente o lugar ideal para a construção do novo estádio.

Nem mesmo os questionamentos levantados pelos opositores de ser o lugar, um charco perigoso, de onças, cobras e jacarés, a decisão estava tomada – com o argumento de que a engenharia não resolvesse. Colocou a pedra fundamental e deu o nome de Estádio Vivaldo Lima em homenagem ao amigo e grande expressão da política nacional do seu partido, o PTB. Uma corrente de oposição falava que mais do que uma homenagem, foi uma acomodação política, visto que o médico advogado, professor e deputado federal, Vivaldo Lima era uma figura muito estimada - capaz de mudar rumos da política amazonense.

No imaginário popular, o bairro de Flores estava completo com o “Vivaldão” que tinha como referência o balneário da Verônica, o famoso Shangrillá e o hospício, com o privilégio de ter possuído uma linha exclusiva de bonde que terminava no bar Bom Futuro, que para alguns era cabaré, para os intelectuais “Rendes Vouz” e Lupanar para os boêmios.

O governador Plínio Coelho fez o possível para manter acesa a chama do “Vivaldão” mesmo com grandes dificuldades financeiras conseguiu desapropriar a área e colocar a pedra fundamental. – No dia 27 de junho de 1964, era cassado pela Ditadura Militar.

O início da história de Arnaldo no Vivaldão Artur César Ferreira Reis assumiu no dia 29 de junho de 1964 o governo do estado do Amazonas - como primeiro mandatário da revolução. Teve participação importante no “Vivaldão” dando cunho oficial ao grupo de trabalho na sua construção. O arquiteto Severiano Mário Porto, autor do projeto, mudou-se definitivamente do Rio de Janeiro para Manaus com a missão de acompanhar o início das obras, como a terraplanagem feita pelos tratores, trabalhando diuturnamente, na abertura de uma grande clareira que se consumou no governo seguinte; do governador Danilo Duarte de Matos Areosa e seu grupo de trabalho, do qual Arnaldo Santos participou.

A partir daí, começa a história do cronista Arnaldo Santos no Estádio Vivaldo Lima até a sua demolição, para a construção da Arena da Amazônia, que para Arnaldo será o seu último grito de gol, o “Vivaldão”.

Não foi fácil chegar ao primeiro jogo no gramado do “Vivaldão”, era mais do que um sonho; era preciso acreditar - afinal, de 1957 de Plínio Coelho, quando começou a pensar num novo estádio, para 1968 de Danilo Areosa, já havia passado 11 anos. O povo cobrava, os amantes do futebol gritavam – os opositores do regime militar pregavam o descrédito e Arnaldo mesmo sendo um noviço na crônica esportiva, falava todos os dias na resenha da Rádio Baré sobre a necessidade de um novo estádio, já que o Parque Amazonense e a Colina não atendiam a evolução que o povo almeja para o futebol local. Arnaldo não sabia que mais tarde viria ser chamado a compor o grupo de trabalho para a construção do “Vivaldão”.

Das críticas, havia a necessidade urgente de uma resposta imediata. Para não alimentar o descrédito - só existia um caminho: o gramado para um jogo junto com uma parte de lances de arquibancadas, prioritariamente, no harmonioso e simples projeto do arquiteto Severiano Mário Porto, que recebeu menção honrosa na 3ª premiação anual do Instituto de Arquitetura do Brasil. Estratégia surgida numa reunião emergencial no barracão de madeira e cobertura de zinco deixado na terraplanagem primária do governo Arthur Reis, e que tinha como ponto principal mostrar à cidade de Manaus que o “Vivaldão” não era mais do que um sonho.

O governador Danilo Areosa, em reunião com os membros de sua gestão, sentiu que o “Vivaldão” era o caminho para despertar a simpatia do povo amazonense não muito comum nos governos revolucionários. Aderiu a estratégia imediatamente oferecida e fez questão de colocar na programação oficial dos festejos do 4º ano da revolução militar, e, na presença de autoridades, tendo à frente o general Edmundo Costa Neves, anunciou que muito breve, o Amazonas teria finalmente um estádio digno dentro dos melhores do Brasil, nascendo a alcunha de “Colosso do Norte” para uma elite do que se contrapunha o povo que só falava “Vivaldão”. Todos ficaram admirados com o roncar dos tratores do DER-AM (Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas), abrindo os espaços da nova casa do futebol amazonense no pacato bairro de Flores.

Estava certo o governador Danilo Duarte de Matos Areosa, que imediatamente atingiu um alto índice de popularidade, ao ponto de ter sua segurança reforçada – principalmente, junto aos amantes do futebol.

Passados 11 meses, lá estava o governador Danilo Areosa cercado de meninos das equipes infanto-juvenil dos clubes tradicionais de Manaus hasteando o pavilhão nacional em solenidade simples, sem discurso e foguetes, muito menos faixas, balões e papéis picados, mas somente os sorrisos e abraços, principalmente quando o garoto ‘Caroço’, do São Raimundo E.C. marcava o primeiro gol, no campo do “Vivaldão”, num cenário que misturava concreto, máquinas e o verde das árvores num horizonte sem fim, era 31 de janeiro de 1969, onde começava a longa caminhada para a sua fugaz realidade.