Dom La Nena (Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil em 1989) é uma violoncelista, compositora e cantora franco-brasileira. Seu álbum de estreia, Ela, foi lançado em janeiro de 2013 (nos EUA e Canadá).
Vida
Infância entre Porto Alegre e Paris Dominique Pinto, conhecida profissionalmente como Dom La Nena, nasceu em 1989, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Começou a estudar piano aos cinco anos de idade, antes de mudar para o violoncelo, três anos depois por conta de uma conversa com o professor de violoncelo de sua escola durante uma viagem a Florianópolis, em Santa Catarina. Ela conta que as duas escolas que mais a marcaram foi a Escola Projeto, onde ela cursou o ensino fundamental, e a escola Tio Zequinha, onde teve as primeiras aulas de música. Com a idade de oito Dom La Nena mudou-se para Paris, França, onde o pai foi fazer o doutorado em Filosofia Medieval. Suas primeiras impressões da Cidade Luz foram o frio e o cinza dos prédios, já que a família se mudou durante o inverno setentrional. Com o passar dos anos, ela acabou por se habituar à capital francesa.
Adolescência em Buenos Aires Ao mudar de volta ao Brasil, cinco anos depois e diante da impossibilidade de estudar seu instrumento em Porto Alegre, Dom La Nena entrou em contato com a aclamada violoncelista americana Christine Walevska, conhecida como "deusa do violoncelo", depois de buscá-la na lista telefônica de Nova York. Walevska incentivou Dom La Nena se mudar para Buenos Aires, na Argentina, e tornar-se sua aluna. Com o consentimento de seus pais, Dom Lana Nena mudou-se sozinha para a Argentina apenas seis meses depois de voltar de Paris, onde estudou com Walevska e outros professores por vários anos. Também fez prática orquestral no Teatro Colón. Seu nome artístico, Dom La Nena, vem do seu nome de nascimento (Dominique) e de seu apelido de quando estudava violoncelo na Argentina: por ser sempre a mais nova da sala, seus colegas a chamavam de la nena (a menina, a pequena, a miúda).
Depois cinco anos vivendo na cidade portenha, Dom La Nena se mudou de volta para Paris onde atualmente mora. Este desapego geográfico fica explícito em sua arte.
Carreira As primeiras apresentações de Dom La Nena aconteceram ainda na infância em Porto Alegre quando ela e os demais alunos de sua escola tocavam pequenos concertos todas as semanas para os pais. Sua primeira atuação profissional, contudo, aconteceu na Aliança Francesa de Buenos Aires num concerto produzido pela Association Saint-Exupery chamado Vol de Nuit para ajudar crianças carentes na Argentina sob os auspícios da atriz francesa Marie-Christine Barrault. Dom La Nena não tinha muita certeza o que queria fazer com seu talento musical até que começou a tocar música popular.
Dom La Nena voltou para Paris aos 18 anos e logo foi chamada para tocar o seu primeiro concerto de música pop: uma sessão com britânica cantora-atriz Jane Birkin, tocando sem partituras ou maestros pela primeira vez. Foi convidada por uma das produtoras de Birkin para tocar violoncelo no álbum Enfants d'Hirvern (2008). Ao longo dos próximos 2 anos, Dom La Nena excursionou com Birkin, apoiando também cantora e atriz francesa Jeanne Moreau. Ao retornar da turnê internacional de Birkin, Dom La Nena estava definida a trabalhar em seu primeiro álbum. O processo de escrita, no entanto, mostrou-se bastante desafiador – segundo ela, as diversas facetas de compor, escrever e cantar eram muitas novidades de uma só vez. Foi em um jantar social em Paris que Dom La Nena conheceu e logo iniciou uma parceria artística com o cantor e compositor Piers Faccini, com quem seu marido, o diretor Jeremiah, tinha feito vários vídeos. Seus álbuns seguintes foram fruto de canções compostas durante a turnê do primeiro disco e parceiras com diversos outros artistas.
Dom La Nena não considera seu processo criativo de composição das canções como algo consciente, classificando-o, inclusive, como algo bastante abstrato e aleatório. A artista prefere não catalogar o seu estilo musical, frisando que seu objetivo é apenas fazer uma música sincera, sem imitações. Dom La Nena não escolhe a língua com que comporá uma canção; segundo ela, o processo de escrita é natural e espontâneo. Seu processo criativo também é indefinido: algumas vezes ela compõe no violoncelo, outras no piano – depende de qual instrumento ela tem ao lado. Sua música já foi definida, entre outros adjetivos, como minimalista.
Referências Musicais Dom La Nena tem uma lista de inspirações tanto na música brasileira, como na música francesa, hispanoamericana e clássica. Suas principais influências na música popular brasileira são Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Jorge Ben Jor e Novos Baianos, além de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Ela, contudo, não vê uma relação direta destes artistas brasileiros em sua obra. Em relação a cantores e compositores de música popular fora do Brasil, Dom La Nena sempre expressou sua admiração por Lhasa de Sela. A música francesa também está muito presente na obra de Dom La Nena e ela cita, por exemplo, a ritournelle – o que fica bastante evidente em seus concertos e o uso extenso dos pedais de looping. Já na música clássica, Dom La Nena tem Fréderic Chopin, Antonio Vivaldi (que foi convidado para sua festa de aniversário de 4 anos) e Jacqueline Du Pré como principais referências – o primeiro álbum comprado por Dom La Nena foi uma obra da violoncelista britânica quando tinha 10 anos.
Concertos alt=Dom La Nena usa diversos pedais de looping para criar sua música como um "castelo de cartas".|miniaturadaimagem|Dom La Nena usa diversos pedais de looping para criar sua música como um "castelo de cartas". Em seus concertos, Dom La Nena está sozinha no palco e toca todos os instrumentos – não só o violoncelo, mas também ukulele, guitarra elétrica, percussão e teclado. Para isso, ela se vale de pedais de looping, tanto para os instrumentos como para a voz, que a ajudam a construir a música como um "castelo de cartas". Dom La Nena tem uma extensa produção visual produzida pelo seu marido, o diretor e produtor cinematográfico Jeremiah. Dom La Nena canta em diversas línguas, entre elas português, espanhol, inglês e francês – o EP Cantando mostra essa faceta poliglota da cantora e traz quatro versões, uma em cada língua. Dom La Nena classifica sua música como melancólica, mas de uma boa maneira. Dom La Nena toca sem outros músicos quando apresenta seu trabalho autoral. Segundo ela, a relação com o público é mais interessante e intensa quando ela está sozinha no palco.
Ela Dom La Nena não tinha pretensões de gravar suas próprias músicas. Escreveu e gravou as canções do seu primeiro álbum no GarageBand antes mesmo de ter qualquer contato com gravadoras, pois queria gravá-las apenas para ouvir sozinha. O processo de escrita, arranjos, seleção e gravações desta demo durou um mês e meio. Foi Faccini que sugeriu que Dom La Nena utilizasse o estúdio de sua casa nas montanhas de Cevenas da França,Dom La Nena. Ela. Som Livre / Six Degrees Records. 2013 onde, em menos de uma semana ela gravou quase todas as suas partes. Facinni então adicionou diversos instrumentos nas faixas da Dom La Nena. O que resultou fora desta parceria foram as composições 13 que se tornaria conhecido como álbum de estreia, Ela. A gravadora Six Degrees Records foi a primera opção de Dom La Nena por que a artista já conhecia e apreciava o catálogo – que inclui outros diversos cantores brasileiros, como Bebel Gilberto, Céu, Lenine, entre outros. O álbum é distribuído no Brasil pela Som Livre. O disco teve diversas críticas positivas de vários meios de comunicação dos EUA e da Europa. O concerto inaugural deste álbum aconteceu na sala La Boule Noire de Paris em março de 2013.
Dom La Nena - voz, violoncelo, piano, violão, glockenspiel, harmônio, harmônica, ukulele, vibrafone, palmas, percussão e contrabaixo Músicos convidados Piers Faccini - produção musical, violão, guitarra elétrica, harmônica, harmônio, xilofone e corá Kiko Dinucci - percussão em Batuque Guilherme Kastrup - percussão em Batuque Annika Grill - violoncelos e contrabaixo em Ela e Você Kieran Smith: baixo em No Meu País Participações especiais Camille Dalmais - voz em Você Thiago Pethit - voz em Buenos Aires Piers Faccini - voz em Dessa Vez Equipe técnica Patrick Jeauneaud - mixagem François Fanelli - masterização
Golondrina No mesmo ano de 2013, Dom La Nena publicou um EP que contava com canções que ela já cantava em seus concertos, mas que não apareciam no primeiro álbum. Como foi pensado, produzido e gravado anos antes do seu lançamento, Dom La Nena sentia que deveria mostrar conteúdo novo já que levava muito tempo tocando as mesmas canções. O EP se chamou Golondrina, como a primera das quatro canções – a única escrita por Dom La Nena. As outras três são versões de artistas admirados pela violoncelista: 'Start a War', de Matthew Berninger e Aaron Dessner; 'Djian's Waltz', de Philippe Djian; e 'Con Toda Palabra', de Lhasa de Sela. O EP foi lançado em CD e LP pela Six Degrees Records.
Dom La Nena - todos os instrumentos Equipe técnica François Gueurce - mixagem e masterização
Ela por Eles - Remixes Em fevereiro de 2014, Dom La Nena apresentou um álbum de sete canções do seu primeiro álbum, Ela, remixadas por diversos artistas chamado Ela por Eles - Remixes. Cada faixa do CD, lançado pela mesma Six Degrees Records, foi remixado por um produtor ou conjunto de produtores diferentes e isso deu uma identidade própria para cada canção. O álbum recebeu boas críticas por parte da mídia especializada e foi sucesso nas discotecas de sua cidade natal, Porto Alegre. A ideia dos remixes partiu da gravadora e Dom La Nena tem sentimentos diferentes para cada versão.
Birds on a Wire alt=Rosemary Standley e Dom La Nena tocam como Birds on a Wire na Basílica de Saint Denis em 2016.|miniaturadaimagem|Birds on a Wire na Basílica de Saint Denis em 2016.|esquerdaEm 2014, Dom La Nena gravou um songbook com a cantora franco-americana Rosemary Standley. O álbum contra de 15 canções de diversos artistas que inspiraram o duo ao longo de suas carreiras, além de uma canção de Dom La Nena (Sambinha, do álbum de estreia Ela). As canções, como as duas cantoras, são multiculturais: quase uma dezena de países e quase outra dezena de línguas dão forma ao ambiente quase barroco da obra tão eclética. O nome do álbum gravado pelas duas vem de uma das canções do repertório, 'Bird on the Wire', de Leonard Cohen. As duas artistas fazem concertos conjuntos desde 2012, principalmente na França, onde ambas moram e algumas vezes são acompanhadas por outros músicos, como a Britten Sinfonia. Os concertos, contudo, trazem também outras canções como 'La Marrelle', de Nazaré Pereira, e 'Cálice', de Chico Buarque. O projeto inicial era ideia apenas de Standley; Dom La Nena foi convidada a participar quando os produtores da Mademelune apresentaram as duas. O álbum teve críticas muito positivas. O songbook, que conta ainda com diversas reproduções de quadros famosos que ilustram as letras das canções, foi lançado pela Air Rythmo, mesma gravadora da banda Moriarty, da qual Standley faz parte.
Birds on a Wirde - produção, interpretação e arranjos Equipe técnica Maxime Le Guil - gravação e mixagem Mandy Parnell - masterização Béryl Caizzi - iconografia Ondine Pannet - grafismo
Arco