A Equatorial Energia é uma holding brasileira do setor de energia elétrica, saneamento básico e infraestrutura, com atuação em geração, transmissão, distribuição de energia e serviços correlatos. A empresa consolidou-se como um dos principais grupos do setor elétrico brasileiro por meio de uma estratégia de aquisição e reestruturação de concessionárias públicas em processo de privatização.

Originada no processo de privatização da Companhia Energética do Maranhão (Cemar) em 2000, a companhia expandiu sua atuação a partir da década de 2010, adquirindo distribuidoras de energia em diferentes estados do Brasil, além de ingressar no setor de saneamento básico e, em menor escala, em telecomunicações.

Com sede em Brasília, a Equatorial atua em todas as regiões do Brasil, sendo responsável por milhões de unidades consumidoras de energia elétrica e por concessões de saneamento de longo prazo.

História

Origem e reestruturação da Cemar (2000–2008) A Equatorial Energia tem suas origens na privatização da Companhia Energética do Maranhão (Cemar), ocorrida em 2000. O controle da distribuidora foi adquirido pela BRISK Participações, empresa criada pelo grupo norte-americano PPL Corporation para participar do leilão de privatização da concessionária. De acordo com parecer da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, a operação representou a entrada do Grupo PPL no mercado brasileiro de energia elétrica por meio da aquisição da Cemar. A reorganização societária decorrente desse investimento deu origem à Equatorial Energia, que posteriormente expandiu sua atuação para outros estados brasileiros por meio da aquisição e recuperação de distribuidoras de energia elétrica.

A partir de 2002, a Cemar enfrentou dificuldades econômico-financeiras que resultaram em intervenção administrativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e em um processo de reestruturação conduzido pela agência reguladora.

Em abril de 2004, o controle acionário da Cemar foi transferido à SVM Participações e Empreendimentos Ltda (controlada por fundos de private equity da GP Investments) e foi encerrada a intervenção na companhia pela ANEEL.

Em 6 de março de 2006, a ANEEL aprovou a implementação do plano de reestruturação societária proposto pela GP Investments, permitindo a venda das ações representando 46,25% do capital social total e de 50% do capital social votante da Companhia para o PCP Latin America Power Fund Ltd.

A SVM negociou com os principais credores da companhia o plano de reestruturação da empresa, o que incluía a renegociação das dívidas (que somavam cerca de R$ 800 milhões) bem como o aumento do capital da Cemar em 155 milhões de reais em conjunto com a Eletrobrás, passando a SVM a deter 65% do capital votante da empresa, enquanto a Eletrobrás passou a deter cerca de 35%.

Em 2006, a empresa abriu seu capital por meio de uma oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

A Companhia apresentou ao mercado um plano de reestruturação acionária em 2007, contemplando 3 etapas. A primeira delas estava relacionada à transação entre GP Investimentos e o PCP Latin America Power Fund Ltd., e propunha a transferência ao PCP Latin America Power Fund da totalidade das ações detidas pela GP Investimentos na Equatorial Energia Holdings LLC, que controlava indiretamente a Companhia. Na segunda etapa do plano de reestruturação, houve a incorporação da PCP Energia Participações S.A. pela Companhia.

Em 2008, a companhia migrou para o segmento Novo Mercado. Na continuidade da reestruturação societária, a PCP Latin America Power S.A. passou a controlar diretamente 55,5% na Companhia.

Expansão no setor de distribuição (2012–2023) Em 2012, a Equatorial Energia adquiriu o controle da Centrais Elétricas do Pará (Celpa), distribuidora de energia elétrica do estado do Pará que se encontrava em processo de recuperação judicial e integrava o Grupo Rede. A operação foi concluída mediante a aquisição de 61,37% do capital social da companhia por valor simbólico de R$ 1, refletindo a situação financeira da concessionária, que acumulava elevados passivos, incluindo dívidas tributárias. Com a incorporação da Celpa, a Equatorial expandiu sua atuação e passou a operar áreas de concessão contíguas nos estados do Maranhão e do Pará. A recuperação operacional e financeira da distribuidora foi posteriormente citada por analistas e veículos especializados como um dos fatores que contribuíram para a estratégia de expansão da companhia por meio da aquisição de concessionárias em dificuldades.

Em 2015, após duas operações no mercado acionário, as ações em circulação da Companhia passaram a ser de 100% e seu principal acionista passou a ser a Squadra Investimentos, com aproximadamente 15% do capital.

Durante o governo Temer, a Equatorial Energia ampliou sua presença no setor de distribuição de energia elétrica ao adquirir duas distribuidoras controladas pela Eletrobras no âmbito do programa federal de privatizações. Em julho de 2018, a companhia venceu o leilão da Companhia Energética do Piauí (Cepisa), comprometendo-se a realizar um aporte de aproximadamente R$ 720 milhões na concessionária e a pagar cerca de R$ 95 milhões em outorga à União. Em dezembro do mesmo ano, adquiriu a Companhia Energética de Alagoas (Ceal), assumindo a obrigação de aportar R$ 545,7 milhões em capital e realizar investimentos de cerca de R$ 837,2 milhões nos primeiros cinco anos da concessão pública. As aquisições integraram o processo de desestatização das distribuidoras federais de energia elétrica promovido pelo governo federal e ampliaram a atuação da empresa nos estados do Piauí e de Alagoas.

Sua estratégia de expansão por meio da aquisição de concessionárias de distribuição de energia em processos de privatização teve continuidade no governo de Jair Bolsonaro. Em março de 2021, a companhia adquiriu o controle da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE-D), do Rio Grande do Sul, em leilão realizado na B3. Embora o lance vencedor tenha sido de R$ 100 mil, a operação envolveu a assunção de passivos bilionários, incluindo aproximadamente R$ 1,7 bilhão em débitos de ICMS parceláveis, além de compromissos de investimento para a recuperação da concessionária. A distribuidora atendia cerca de 1,6 milhão de unidades consumidoras em 72 municípios localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre e nas regiões Sul, Campanha e Litoral do estado. Em julho do mesmo ano, a Equatorial venceu o leilão de privatização da Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), obtendo a concessão do serviço de distribuição de energia elétrica em todo o estado do Amapá por um período de 30 anos e comprometendo-se a realizar um aporte imediato de R$ 400 milhões, dos quais R$ 250 milhões seriam destinados ao pagamento de credores e R$ 150 milhões à capitalização da empresa.

Entrada no setor de saneamento (2021–presente) Ainda em 2021, a Equatorial Energia ampliou sua presença no Amapá e diversificou suas áreas de atuação ao ingressar no setor de saneamento básico. Em setembro, a companhia, por meio do Consórcio Marco Zero, no qual detinha 80% de participação, venceu o leilão de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário dos 16 municípios do estado, até então operados pela Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa). O contrato, com duração de 35 anos, foi arrematado mediante proposta de outorga de R$ 930 milhões e prevê investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões em infraestrutura de saneamento. A concessão passou a ser operada pela Concessionária de Saneamento do Amapá (CSA Equatorial), responsável pelo atendimento de cerca de 738 mil habitantes.

Em setembro de 2022, a Equatorial Energia anunciou a aquisição da Enel Distribuição Goiás (antiga Celg-D), concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica de cerca de 3,3 milhões de unidades consumidoras em 237 municípios em Goiás. A operação envolveu o pagamento de R$ 1,6 bilhão à Enel e a assunção de aproximadamente R$ 5,7 bilhões em obrigações financeiras da distribuidora. A transferência de controle foi aprovada pela Aneel em dezembro de 2022 e formalizada em fevereiro de 2023, quando a Equatorial Energia Goiás assumiu a operação da concessionária. A aquisição marcou a entrada da companhia na Região Centro-Oeste e integrou o processo de recuperação da concessão, que enfrentava problemas relacionados à qualidade do serviço e à sustentabilidade econômico-financeira.

Em 28 de junho de 2024, o governo de São Paulo anunciou que a Equatorial Energia foi a única finalista da oferta pública de ações da Sabesp, tendo oferecido R$ 6,9 bilhões por 15% de participação, tornando-se o acionista de referência da companhia.

Como parte da privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), a Equatorial adquiriu uma participação de 30% na companhia por R$ 5,5 bilhões, em operação concluída em junho de 2026. A privatização foi precedida por um prolongado debate político e por ações judiciais que contestavam a legalidade do processo. Com a conclusão da operação, a Equatorial tornou-se a acionista de referência da companhia. O governo de Minas Gerais, que anteriormente detinha 50% do capital da Copasa, passou a possuir 5% das ações e manteve uma ação de classe especial (golden share), que lhe garante poder de veto em determinadas decisões estratégicas. Como parte do acordo, a empresa comprometeu-se a universalizar os serviços de saneamento até 2033, em conformidade com as metas do novo Marco Legal do Saneamento Básico.

Negócios A Equatorial Energia atua em diferentes segmente e regiões do Brasil através das seguintes subsidiarias: Distribuição de energia: Equatorial Energia Alagoas; Equatorial Energia Maranhão; Equatorial Energia Pará; Equatorial Energia Piauí; CEEE Equatorial Energia (RS); Equatorial Energia Amapá; Equatorial Energia Goiás; Transmissão: Intensa (com mais de 3,2 mil km de linhas); Geração de energia renovável: Echoenergia (com 10 parques de energia eólica, totalizando 1.2 GW de capacidade instalada); Geração Distribuída: E-nova; Saneamento: CSA Equatorial; Sabesp (15%); Copasa (30%); Comercialização de energia: Solenergias; Telecomunicações: Equatorial Telecom; Serviços: Equatorial Serviços.

Estrutura acionária A estrutura acionária da Equatorial Energia, com base em dados de maio de 2026, era composta por:

Fundos Opportunity: 10,04% BlackRock: 9,98% Squadra Investimentos: 4,58% Canada Pension Plan Investment Board: 4,57% Outros acionistas (free-float): 70,48% Ações em tesouraria: 0,36%

Controvérsias

Apagão de Macapá Em abril de 2024, um incêndio ocorrido na Subestação Jardim Marco Zero, operada pela CEA Equatorial, provocou um apagão que afetou aproximadamente 36 mil consumidores em Macapá, no estado do Amapá, deixando parte da capital sem fornecimento de energia elétrica por mais de 31 horas.

Em maio de 2026, a 3.ª Vara Cível de Macapá condenou a concessionária ao pagamento de R$ 5 milhões por danos morais coletivos em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Amapá. Na decisão, a Justiça entendeu que houve falha na prestação do serviço e rejeitou a alegação da empresa de que o incidente teria sido causado exclusivamente por uma descarga atmosférica inevitável. Segundo a sentença, a concessionária não comprovou adequadamente a efetividade dos sistemas de proteção e contingência da subestação no momento do incidente.

A Equatorial declarou respeitar a decisão judicial, mas afirmou entender que o evento decorreu de circunstâncias de força maior e informou que adotaria as medidas judiciais cabíveis.

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