A Matriz de Nossa Senhora da Imaculada Conceição é um templo católico, histórico e localizado no município de Matias Cardoso, no norte de Minas Gerais, no Brasil. Com 33 metros de comprimento, 20 metros de largura e com duas torres de 20 metros de altura, a matriz está situada na Praça Cônego Maurício, no centro da cidade, a 300 metros da margem direita do Rio São Francisco. É a igreja mais antiga do estado de Minas Gerais.

Arquitetura A igreja possui uma estrutura em forma de fortaleza, construída com alvenaria de tijolos requeimados autoportante. Apresenta duas torres laterais quadrangulares com coruchéus nos quatro ângulos e um pináculo como cumeeira. É cercada por um muro com colunas nos ângulos e nos portões. Lateralmente, apresenta uma sucessão de arcos semicirculares que formam um avarandado no andar térreo, sob os corredores superiores.

História thumb|Altar da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Foi erguida entre 1670 e 1673 (embora estimativas historiográficas indiquem que os trabalhos de conclusão total tenham se estendido por cerca de 40 anos) e é provavelmente a construção mais antiga do Estado que ainda se encontra de pé, com pedra fundamental datando da época do desbravamento dos bandeirantes no atual território mineiro, anterior ao ciclo do ouro e da criação da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.

A edificação do templo marcou a ocupação do Vale do Rio São Francisco em Minas Gerais e o estabelecimento dos chamados "currais do Rio São Francisco" (ou Gerais). A construção da matriz teve suas origens nas expedições de bandeiras da nova leva de desbravadores oriundos de São Paulo que, além de se dedicarem à agricultura e à pecuária, buscavam também indígenas escravizados e acabaram se fixando naquela região do Norte de Minas, próximo à divisa com a Bahia.

Entre estes desbravadores estava Mathias Cardoso de Almeida, um bandeirante de origem portuguesa radicado em São Paulo, contratado pelo governo da Capitania da Bahia para combater combater a resistência de povos indígenas e de populações quilombolas que ameaçavam invadir as plantações de cana-de-açúcar e os pastos de criação de gado. Em 1660, o grupo de Mathias Cardoso se estabeleceu na região, fundando alguns arraiais, fazendas e o povoado de Morrinhos, onde hoje se situa a sede do município de Matias Cardoso. O lucrativo comércio de gêneros alimentícios com a cidade de Salvador e a existência de um caminho ligando o povoado à cidade baiana, além da criação de gado e da pacificação da área, proporcionou enriquecimento ao povoado de Morrinhos, que construiu uma igreja de grandes dimensions para a época, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

Patrimônio Histórico e Preservação

Tombamento Em 1954, a matriz foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O processo institucional de proteção do monumento contou com a participação direta do escritor Carlos Drummond de Andrade, que na época exercia a chefia da Seção de História do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN). Em parecer técnico favorável à preservação, Drummond registrou que o templo:

Com o aval do arquiteto Lúcio Costa, a recomendação foi encaminhada ao então diretor do órgão, Rodrigo Melo Franco de Andrade, que referendou o tombamento oficial da edificação devido à urgência de sua conservação.

Furto de imagens sacras No seu interior, imagens portuguesas esculpidas em madeira policromada do século XVII, como as de Sant'Anna Mestra, Nossa Senhora de Bonsucesso e São Miguel, decoravam o altar. Em 13 de agosto de 2008, estas imagens foram furtadas da igreja, sendo que o trabalho de recuperação das obras envolve a participação da Polícia Federal e da Interpol.

Intervenções ambientais e restauros thumb|direita|Igreja de Nossa Senhora da Conceição após restauração. Ao longo dos anos, o entorno e a integridade paisagística do templo sofreram intervenções inadequadas, incluindo a instalação de uma torre de antenas de internet no Morro do Jesuíta, nas proximidades da edificação. Em maio de 2018, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) obteve uma determinação judicial para a remoção da estrutura, devido ao impacto visual, elétrico e paisagístico causado ao conjunto arquitetônico protegido, resultando ainda em uma condenação por danos morais coletivos contra a empresa responsável.

Em 2024, após anos de deterioração nas estruturas de alvenaria, madeira e pintura, o MPMG assinou um Termo de Compromisso para o repasse de verbas destinadas a obras emergenciais através do programa "Minas para Sempre" e da Plataforma Semente. A primeira fase das obras de restauração completa foi oficialmente entregue em 29 de abril de 2026, com investimentos de cerca de R$ 2,18 milhões oriundos de medidas compensatórias conduzidas pelo MPMG em parceria com o Instituto Joaquim Artes e Ofícios. Esta etapa eliminou problemas graves na cobertura, recuperou revestimentos e superfícies estruturais, além de modernizar as instalações elétricas e implementar um sistema de proteção contra descargas atmosféricas.

Ligações externas

Categoria:Patrimônio histórico de Minas Gerais Nossa Senhora da Imaculada Conceição Categoria:Matias Cardoso Categoria:Fundações no Brasil em 1673 Categoria:Patrimônio tombado pelo IPHAN em Minas Gerais Categoria:Diocese de Janaúba