miniaturadaimagem|338x338px|A catedral da Igreja da Islândia em Reiquiavique, chamada de Hallgrimskirkja. O cristianismo é a principal religião na Islândia desde o ano 1000 d.C, quando o parlamento islandês, o Althing, o adotou como a religião oficial, influenciado pelo rei da Noruega, Olaf Tryggvason. Os colonos da Islândia eram majoritariamente noruegueses que fugiam da centralização do poder sob o rei Haroldo I, além de alguns suecos e britânicos nórdicos. Por tanto, antes da adoção do cristianismo, a religião predominante entre os islandeses era a religião nórdica, nos séculos IX e X. Mesmo após a cristianização oficial, a religião nórdica continuou a ser praticada por séculos.

A partir da década de 1530, a Islândia, que até então estava em comunhão com a Igreja Católica Romana, adotou formalmente a reforma luterana, que alcançou o seu ápice no país em 1550.Lacy, 2000. Página 166: "The Old Treaty, signed in 1262, that led to Iceland's being first under the Norwegian and later the Danish kings was such a milestone, as was the Reformation in 1550 whereby Lutheranism became, and remains, Iceland's state religion" Desde então, a Igreja da Islândia, de confissão luterana, permaneceu como a igreja estabelecida por lei no país. No entanto, desde 1874, a liberdade religiosa é garantida aos cidadãos islandeses. A Igreja da Islândia recebe apoio do governo, assim como outras religiões oficialmente reconhecidas, que são financiadas pelo "sóknargjald", um imposto religioso pago às religiões por seus adeptos com mais de dezesseis anos. Cidadãos que não pertencem a nenhuma religião também pagam uma taxa equivalente, cujo valor é destinado à Universidade da Islândia. Section VI deals with religion.

Desde o final do século XX, e especialmente no início do século XXI, a religião na Islândia tem se tornado mais diversa, nota-se um declínio no número de aderentes dos principais ramos do cristianismo e um aumento de pessoas irreligiosas. Outras religiões tem emergido na sociedade, notavelmente o neopaganismo germânico, na Islândia chamado de Ásatrú, que busca reconstruir a religião cultural germânica, além do busdismo, Islamismo, neopaganismo mesopotâmico e outros.O Hagstofa Íslands é o principal instituto do governo que fornece estatísticas sobre a demografia da Islândia, em seu censo de 2023 cerca de 69.5% da população se declarou cristã, uma queda significativa se comparada aos 97.8% que se declararam cristãos em 1990. Os luteranos são o maior grupo do cristianismo Islandês, a maioria deles membros da Igreja nacional, mas a porcertagem de pessoas que se identificam como membros da Igreja diminuiu significativamente nas últimas décadas, caindo de 92.6% da população em 1990 para 58.6% em 2023. Outras igrejas luteranas independentes contabilizaram 5.3% da população, o catolicismo romano 3.8% e as outras denominações cristãs somadas são cerca de 1.78%. A comunidade católica romana cresceu de 0.9% da população em 1990 para 3.8% em 2023, principalmente devido a imigração de centro-europeus e filipinos. Outras denominações cristãs cresceram durante a década de 1990 e nos anos 2010, mas estabilizaram depois disso.

O censo de 2023 também mostrou o crescimento de religiões não cristãs e daqueles que se identificam como não religiosos. Por exemplo, cerca de 1.5% da população se declarou como praticante da Asatrú, uma religião politeísta nativa da Islândia, enquanto humanistas foram 1.39%, budistas 0.42% e muçulmanos 0.40%. Zuistas e aderentes de outras religiões representaram 0.14% e 0.16%, respectivamente.

Uma crescente parcela da população —18.73% em 2023— adere a religiões, filosofias ou modos de vida não reconhecidos pelo registro civil, ou não declarara qualquer filiação religiosa. Esta categoria teve um crescimento substancial, saindo de 0.6% em 1990 para 6.2% em 2010. Enquanto isso, a porcentagem de islandeses que se declararam explicitamente não aderentes de qualquer religião ou filosofia de vida, subiu de 1.3% em 1990 para 7.7% em 2023.

História

Primeiros assentamentos germânicos (séculos IX e X) Quando os primeiros colonos noruegueses chegaram a Islândia, juntamente com alguns suecos e habitantes dos assentamentos nórdicos nas ilhas britânicas, a Islândia já era povoada por um pequeno número de anacoretas irlandeses (ermitãos cristãos que viviam em retiro e solidão), eles eram conhecidos como Papar. Quando os escandinavos começaram a chegar em grandes números os anacoretas saíram ou foram expulsos. A migração de noruegueses foi parcialmente em resposta as políticas de Haroldo I, que estava unificando a Noruega em uma monarquia centralizada.Os primeiros islandeses, apesar de estarem acostumados a uma sociedade em que a monarquia era essencial para a vida religiosa, não estabeleceram uma nova monarquia na colônia, ao invés disso criaram uma assembleia de homens livres, chamada de Althing. Os ''tings'' eram assembleias de homens livres que governavam as sociedades germânicas, e eram lideradas por um rei, considerado sagrado. Ao contrário das outras assembleias germânicas, a assembleia recém formada na Islândia não tinha lealdade a um rei, eles tinham lealdade a um código de leis que foi primeiramente composto por Úlfljót, um estudioso nódico que estudou as leis e culturas norueguesas. Úlfljót foi escolhido como o primeiro orador do Althing, ele presidia as reuniões que aconteciam anualmente em Thingvellir.

Diferente das outras sociedades germânicas da época, a organização política e religiosa da Islândia primitiva é descrita como pagã e antimonárquica. Os proprietários de terras (landnámsmenn) eram organizados em grupos religiosos/políticos liderados pelos ''Godis''. Os godis eram parcialmente sacerdotes, ofereciam sacrifícios no templo local e possuíam algumas regalias como os reis germânicos. Em relação as suas práticas religiosas, os islandeses seguiam as mesmas normas dos escandinavos, construindo templos e consagrando imagens dos deuses.

A religião praticada pelos islandeses era chamada de Goðatrú ou Ásatrú (verdade dos deuses), eles adoravam aos Landvættir (espíritos da terra), e outros deuses comuns na religião nórdica, seus templos eram chamados de Hof e seus altares hörgar. Cada classe social adorava um deus diferente, os poetas adoravam ao supremo Odin, como é evidente nos poemas de Hallfreðr Óttarsson, no Landnámabók e na Saga Eyrbyggja. Entre a população geral, a deidade mais venerada era Thor, enquanto a classe de fazendeiros adoravam a Frey, conforme observado na saga Víga-Glúms.

A cristianização (séculos X e XI)

Além dos Papares irlandeses, os cristãos já estavam presentes da Islândia desde o início da colonização, mesmo entre os colonos germânicos. O livro Landnámabók menciona o nome dos colonos cristãos, incluindo uma mulher influente, que era chamada de ''Aud a Mente Profunda''. Os islandeses cristãos geralmente tendiam ao sincretismo, misturando Jesus com suas deidades ao invés de se converterem a doutrina cristã, por exemplo, Aud Mente Profunda anexou uma cruz em uma colina, onde ela rezava, mais tarde seus parentes consideraram o local sagrado e ali construíram um templo Ásatrú. Este sincretismo possibilitou que a religião nórdica sobrevivesse mesmo em períodos posteriores a adoção do cristianismo como religião de estado, por exemplo, a saga Eyrbyggja relata que quando a Noruega estava sendo cristianizada, um templo pagão foi desmontado ali para ser reconstruído na Islândia.

Acredita-se que estes primeiros cristãos foram influênciados pelo contato com nórdicos da Grã-Betanha, onde o cristianismo tinha forte presença. Dentre os primeiros colonos, a vasta maioria seguiam a religião germânica, com isso, em cerca de duas ou três gerações o cristianismo organizado morreu.

A conversão oficial ao cristianismo se deu por volta de 999/1000 D.C por decisão do Althing, por sua vez, influenciado pelo rei da Noruega Olaf Tryggvason. A essa altura, o cristianismo era praticado pela minoria dos islandeses e a religião germânica ainda era praticada pela maioria da população, no entanto, os cristãos tinham adquirido altas posições no sistema goðorð e, portanto, tinham considerável poder no parlamento. O cristianismo adotado como religião oficial na época era idêntico ao da Igreja Católica Romana em suas doutrinas.

Os missionários cristãos começaram pregar ativamente na Islândia por volta de 980 D.C. Um deles foi o nativo Thorvald Konradsson, que foi batizado no continente pelo bispo Saxão Fridrek, com o qual ele pregou o evangelho na Islândia em 981. Suas missões foram sem sucesso, apenas a família de Thorvald se converteu e ainda tiveram conflitos com os pagãos no Althing, resultando na morte de dois homens. Após estes eventos, Fridrek retornou para a Saxônia, enquanto Thorvald embarcou para uma expansão viking no Leste Europeu. Entre os outros proselitistas, o rei Olavo da Noruega enviou o nativo islandes Stefnir Thorgilsson em 995-996 e o padre saxão Thangbrand em 997-999. Ambas as missões foram sem sucesso, Stefnir destruiu templos e santuários pagãos de forma violenta, o que fez com que o Althing promulgasse uma lei contra os cristãos, que foram declarados frændaskomm, uma "desgraça para os parentes", e agora eles poderiam ser denunciados às autoridades. O parlamento também declarou Stefnir como foragido, o forçando a retornar para a Noruega. Thangbrand era um homem culto, mas violento, teve sucesso em converter famílias importantes, mas também enfrentou oponentes. Quando matou um poeta que compôs versos contra ele, ficou foragido e também retornou para a Noruega.Em resposta a lei promulgada pelo Althing, o rei da Noruega, Olavo I, suspendeu as relações comerciais com a Islândia, resultando em um perigo para a economia islandesa, que dependia do comércio que vinha da Noruega. Olavo também ameaçou executar islandeses residentes na Noruega enquanto a Islândia permanecesse um país pagão, a maioria desses islandeses eram filhos e parentes de proeminentes godis (sacerdotes de alto prestígio na sociedade islandesa). Buscando resolver o conflito, a Islândia enviou uma delação a Noruega, solicitando a libertação dos reféns em troca da conversão do país ao cristianismo. Enquanto isso, na Islândia a situação piorava, as duas facções religiosas dividiram o país e uma guerra civil estava prestes a estourar. Por mediação do Althing, presidido pelo orador Thorgeir Thorkelsson, o conflito foi contido. Thorgeir tinha a confiança de ambas as facções, e a ele ficou a responsabilidade de decidir se os islandeses seriam convertidos ao cristianismo ou se permaneceriam fiéis a religião dos seus ancestrais. Depois de analisar a situação, ele decidiu que para manter a paz a população deveria estar unida em uma lei e uma religião, o cristianismo, portanto, todos os que que não fossem cristãos deveriam receber o batismo. A princípio, foi mantido o direito da população de fazer sacrifícios aos seus deuses antigos, desde que fosse em sua residência privada. Entretanto, esta prática poderia ser punida se houvesse testemunhas. Alguns anos depois, estas permissões de cultos privados foram abolidas.