Ana Petra Costa (Belo Horizonte, 8 de julho de 1983) é uma cineasta, roteirista, produtora e narradora brasileira, cofundadora da produtora Busca Vida Filmes. Petra é um membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas desde 2018. Dirigiu os filmes Olhos de Ressaca (2009), Elena (2012), Olmo e a Gaivota (2015) e Democracia em Vertigem (2019), sendo indicado ao Oscar de melhor documentário, e Apocalipse nos Trópicos (2024) pela Netflix.

É reconhecida internacionalmente por sua abordagem híbrida e ensaística, na qual temas íntimos como luto, memória, trauma e identidade se entrelaçam com acontecimentos históricos e tensões políticas contemporâneas. Seus filmes circularam por mais de 40 países e conquistaram reconhecimento em festivais como Sundance, Veneza, IDFA, Locarno, CPH:DOX, entre outros. Em 2020, seu filme Democracia em Vertigem foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário no 92nd Academy Awards e ganhou o Peabody Award. Sua obra é influenciada pelo cinema de Gillo Pontecorvo, Agnès Varda, Chris Marker e Patricio Guzmán.

Biografia Ana Petra Costa nasceu em 1983 em Belo Horizonte, Minas Gerais, e passou a infância em São Paulo, sendo filha do ex-deputado federal Manuel da Silva Costa Júnior e da socióloga e jornalista Marília Furtado de Andrade (Li An).'Democracia em Vertigem' é sobre urgência de entender o País. Por Luiz Carlos Merten. Terra, 19 de junho de 2019.A Elena de Petra. Por Lúcio Flávio Pinto, 17 de setembro de 2016. Seus pais foram militantes de esquerda ligados ao PCdoB nos anos 1970 e batizaram Petra em homenagem a a Pedro Pomar (1913–1976).Chacina da Lapa é tema da Comissão da Verdade. Na ação, foram mortos dirigentes do PCdoB e presos militantes al.sp.gov.br, 8 de agosto de 2013.

Aos sete anos de idade, a infância de Petra seria dolorosamente marcada pelo suicídio de sua irmã, fato que se tornaria o tema central de sua primeira obra de longa duração, lançado em 2012.A tragédia de Elena e sua família. 8 de julho de 2013. Começou sua trajetória artística no teatro, ingressando aos 17 anos no curso de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo (USP). Posteriormente, graduou-se em Antropologia pelo Barnard College (Columbia University) e realizou mestrado em Desenvolvimento Social na London School of Economics, com foco no conceito de trauma coletivo.De Ofélia a Elena. Por Sérgio Rizzo. Cult, 13 de maio de 2013.Site do filme Elena. Diretora: Petra Costa

De volta ao Brasil, aos 24 anos, começou a dedicar seu tempo ao cinema, primeiro como pesquisadora e assistente e de direção, e depois como diretora. Suas obras são conhecidas por seu caráter ensaístico, com Costa estabelecendo diálogos entre temas íntimos e pessoais e questões sociais e políticas. Entre suas influências cinematográficas estão Gillo Pontecorvo, Agnès Varda, Chris Marker e Patricio Guzmán.

Carreira thumb|Depoimento de Petra sobre o filme Elena (2012) ao Jornal do Senado.

Petra iniciou sua carreira no cinema com o curta-metragem Olhos de Ressaca (2009) , um retrato poético sobre o amor e o envelhecer contado sob a perspectiva de seus avós. O filme foi exibido no MoMA (Nova York), além de ter a exibição e a premiação em mais de dez festivais nacionais e internacionais como: melhor curta-metragem no Festival do Rio, no Festival Internacional de Documentário de Londres (LIDF), no Festival Internacional Cine Las Americas (Estados Unidos) e prêmio especial do júri no Festival de Gramado, entre outros. Em Olhos de Ressaca Petra atuou como diretora, roteirista e produtora.

Em 2012, lançou seu primeiro longa-metragem, Elena, documentário autobiográfico que reconstrói a trajetória de sua irmã e sua própria relação com o luto, o corpo e a memória. O filme foi amplamente aclamado pela crítica internacional e tornou-se um marco do documentário brasileiro contemporâneo, sendo exibido em festivais como IDFA, SXSW, DocsBarcelona, Festival de Brasília, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na Semana dos Realizadores (Rio de Janeiro), entre outros. Recebeu dezenas de prêmios, entre eles Melhor Documentário no Festival de Havana, além de ter sido o documentário mais visto no Brasil em 2013. Elena também gerou campanhas de conscientização sobre saúde mental, e foi exibido em universidades, centros culturais, escolas públicas e sessões comentadas com especialistas, integrando ações educativas e de impacto social, como o concurso Memórias Inconsoláveis. Em 2014, Elena foi lançado nos Estados Unidos, com produção executiva dos cineastas Fernando Meirelles e Tim Robbins. Naquele ano, sagrou-se como o quarto filme no ranking de média de público por sala de exibição nos Estados Unidos e colecionou críticas positivas. Foi descrito como "um sonho cinematográfico” por Stephen Holden, em The New York Times, “espantoso e inesquecível” pelo Hollywood Reporter, e definido pela Indiewire como uma “estreia magistral que leva a não-ficção aonde ela raramente vai — longe do seu confortável acento nos fatos, adentrando um universo de possibilidades expressionistas”. A Indiewire o listou como um dos melhores documentários do ano. Em 2014, a Editora Arquipélago lançou o livro Elena, com ensaios sobre o filme, o roteiro e conteúdo inédito. Em 2014, a Editora Arquipélago lançou o livro Elena, com ensaios sobre o filme, o roteiro e conteúdo inédito.

O segundo longa-metragem de Petra Costa foi feito após um convite do Laboratório do Festival Internacional de Documentário de Copenhague (CPH:DOX) para uma co-direção com a dinamarquesa Lea Glob. Olmo e a Gaivota (2014), explora a gestação e os limites do corpo e da liberdade feminina dentro do processo criativo. A obra mescla realidade e ficção em uma estrutura híbrida e performática. O filme acompanha a descoberta de Olivia e Serge, atores da Companhia Théâtre du Soleil, de estarem esperando um filho. A partir daí os meses de gravidez se desdobram como um rito de passagem, que forçam a atriz a confrontar seus medos mais obscuros. O desejo de Olivia por liberdade e sucesso profissional, os limites impostos pelo próprio corpo e sua imagem como pessoa e personagem são alguns dos temas explorados no longa. Foi premiado no Festival de Locarno (Prêmio Jovem do Júri), Também ganhou o Best Nordic Dox Award no CPH:DOX, melhor documentário no Festival de Cinema do Rio, melhor documentário do Festival de Cinema do Cairo e melhor narrativa no RiverRun International Film Festival, entre outros, e também contou com a exibição no CPH:DOX, FID Marseille, entre outros. Em uma das primeiras exibições do filme no Brasil, Costa defendeu o direito das mulheres à autonomia sobre seus próprios corpos e a descriminalização do aborto, e seus comentários geraram bastante controvérsia. Para responder às críticas que recebeu, Costa criou a campanha nas redes sociais “Meu Corpo, Minhas Regras”, que foi vista por 13 milhões de pessoas no Facebook e no YouTube.

Seu projeto seguinte teve início na cobertura das manifestações a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Roussef, em 2016, e resultou no longa-metragem Democracia em Vertigem (2019).Petra Costa: "Foi uma experiência deprimente e única". Diretora de Democracia em Vertigem fala a Veja sobre indicação ao Oscar e reações extremadas ao documentário, Por Marcelo Marthe, Eduardo F. Filho. Veja, 17 de janeiro de 2020. Em 2019, Democracia em Vertigem teve estreia mundial na noite de abertura do Sundance Film Festival 2019 e posteriormente foi adquirido pela Netflix, tornando-se um dos documentários brasileiros mais assistidos globalmente, estreando mundialmente em 19 de junho de 2019. O filme acompanha o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff e a crise política brasileira a partir de uma perspectiva pessoal e familiar. Recebeu dezenas de prêmios e nomeações, incluindo a indicação ao Oscar de Melhor Documentário e o Prêmio Platino de Melhor Direção. A obra foi acompanhada de uma campanha internacional de debates sobre democracia, autoritarismo, mídia e polarização política, com exibições comentadas em universidades, parlamentos e coletivos ao redor do mundo. O filme foi bem recebido pela crítica internacional. "Um documentário absolutamente vital", escreveu The New York Times. "Um documentário vasto e petrificante", elogiou a Variety. Segundo o ScreenDaily, o filme é "um thriller político ao estilo de Todos os Homens do Presidente (...) com um toque de O Poderoso Chefão. Para a NBC News, o documentário revela "incrível acesso aos bastidores da política". "As imagens são de cair o queixo”, comentou o site Firstshowing.net. Para a POV Magazine, trata-se de “um documentário como nenhum outro, um trabalho íntimo e grandioso”. A revista especializada Variety incluiu Petra Costa na lista dos 10 documentaristas a "seguir com atenção", em 2019. Em 13 de janeiro de 2020, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulgou a lista dos indicados ao Oscar 2020. O documentário Democracia em Vertigem representou o Brasil na cerimônia, que aconteceu em 9 de fevereiro de 2020, quando o Oscar da categoria foi concedido ao filme American Factory.

Para a autora foi um desafio fazer um filme sobre um dos momentos mais dramáticos e turbulentos da História recente do Brasil, "enquanto os fatos ainda estavam se desenrolando" e "num momento em que o país ainda está tão polarizado, buscando refletir e entender processos políticos tão complexos." O documentário, narrado em primeira pessoa, combina a aspectos da vida pessoal e familiar da autora, que frequentemente se cruzam com o mundo político. O filme provocou "reações extremadas", por parte do público brasileiro. "Numa narrativa política em um país tão polarizado, a única coisa que posso oferecer é a minha perspectiva pessoal deste processo. A dor de ver a minha própria família dividida. Uma divisão que refletia conflitos históricos que pareciam superados e no entanto irrompiam como chagas abertas."Neves, Maria Laura. Em Democracia em vertigem, Petra Costa questiona os limites da democracia brasileira. Marie Claire, 17 de junho de 2019.

Ainda em 2020, coproduziu o filme Êxtase em parceria com a diretora Moara Passoni que, em seu filme de estreia, retrata a agonia de Clara em viver com a obsessão pela alimentação e também os desafios consequentes da anorexia enfrentada pela jovem. O filme foi destaque na 43ª Mostra Internacional de Cinema. Em 2023, Petra foi convidada a fazer parte do júri do Festival de Sundance de Cinema, juntamente com Alexander Nanau e Karim Amer.

Em 2024, Petra lançou Apocalipse nos Trópicos (2024), um documentário que investiga o entrelaçamento entre religião e política no Brasil e o papel das ideologias apocalípticas evangélicas na ascensão da extrema-direita. O filme estreou na mostra principal do Festival de Veneza (fora de competição) e teve lançamento global pela Netflix em julho de 2025. A partir do filme, foi organizada uma campanha de impacto com rodas de conversa em universidades, igrejas e cineclubes, promovendo debates sobre fé, democracia e o papel das lideranças religiosas na política brasileira. Ao longo do segundo semestre de 2025, encontros com lideranças e pesquisadores evangélicos ocorreram em diversas cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Curitiba e Fortaleza, visando construir pontes de escuta e resistência democrática.

Filmografia 2005 — Dom Quixote de Bethlehem (longa-metragem) 2009 — Olhos de Ressaca (curta-metragem) 2012 — Lira Paulistana (longa-metragem) 2012 — Elena (longa-metragem) 2014 — Olmo e a Gaivota (longa-metragem) 2019 — Democracia em Vertigem (longa-metragem) 2020 — Êxtase (longa-metragem) 2024 — Apocalipse nos Trópicos (longa-metragem)

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