"Disparada" é uma canção composta por Geraldo Vandré e Théo de Barros, lançada em 1966. A letra é de Vandré e a melodia é de Théo de Barros. Tornou-se um marco na história da Música Popular Brasileira ao vencer o II Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), empatada com "A Banda", de Chico Buarque.

A interpretação original de Jair Rodrigues, acompanhado pelo Trio Marayá e pelo Trio Novo, foi decisiva para o sucesso da obra. A canção inovou ao introduzir elementos da música sertaneja e da moda de viola no cenário dos festivais de MPB, que até então eram dominados pela bossa nova e pelo samba. A letra utiliza metáforas rurais para abordar temas sociais e políticos da época.

É uma das principais composições da época dos festivais de música popular brasileira. Foi a vencedora do Festival de Música Popular Brasileira 1966, dividindo o primeiro lugar com "A Banda" de Chico Buarque, quando houve verdadeira "disputa com apostas" em todo o país entre os adeptos de uma e outra composição.Disparada - Música brasileira A canção foi gravada em língua francesa pela cantora Frida Boccara, sob o título de "Taureau".

O compositor Geraldo Vandré, nascido na Paraíba mas educado no Rio de Janeiro, vivenciou todo o período do Golpe de 1964 ainda muito moço e ligado aos meios estudantis do Rio de Janeiro; era época de nacionalismo exacerbado quando os jovens com um pouco de cultura e sensibilidade não se conformavam com as injustiças sociais imperantes no Brasil; os meios musicais e literários, lideranças intelectuais do país, não estavam imunes aos movimentos sociais visando melhorias para as camadas mais pobres da população.

Geraldo Vandré também contribuiu significativamente com outra composição: Pra não Dizer que não Falei das Flores , que se junta a "Disparada" no campo das canções de protesto que marcaram época. Em "Disparada", Vandré faz uma comparação entre a exploração das classes sociais pobres pelas mais ricas e a exploração das boiadas pelos boiadeiros, entre a maneira de se lidar com gado e se lidar com gente. O Festival de 1966 e o empate histórico A finalíssima do II Festival de Música Popular Brasileira ocorreu na noite de 10 de outubro de 1966, no Teatro Record, em São Paulo. O evento é considerado um dos momentos mais tensos e emblemáticos da "Era dos Festivais", marcado pela polarização do público e do júri entre duas propostas estéticas distintas: o lirismo nostálgico de "A Banda" (de Chico Buarque) e a contundência social e regionalista de "Disparada".

A escolha do intérprete A escolha de Jair Rodrigues para defender a canção não foi consensual inicialmente. Geraldo Vandré via com desconfiança a indicação de Jair, pois o cantor era conhecido por seu sorriso largo e sua performance exuberante ligada ao samba. Vandré temia que essa "alegria" descaracterizasse a densidade dramática que a música exigia. Porém, Vandré teve que se render diante da acolhida de Disparada pelo público.

A performance A apresentação de "Disparada" foi construída para causar impacto. Jair Rodrigues, então conhecido apenas como sambista, surpreendeu a plateia ao interpretar uma moda de viola com uma performance teatral e vigorosa. O arranjo de Théo de Barros e Heraldo do Monte iniciava de forma lenta e melancólica, crescendo para um clímax apoteótico, impulsionado pela percussão (incluindo o uso de uma queixada de burro) e pelos vocais do Trio Marayá e Trio Novo. A performance foi recebida com euforia, transformando a canção em um hino imediato contra a ditadura militar, embora sua letra usasse metáforas rurais sobre gado e boiadeiros.

O resultado Nos bastidores, a disputa era acirrada. O júri estava dividido. Segundo relatos históricos confirmados por Zuza Homem de Mello, Chico Buarque, ao saber que "A Banda" venceria sozinha, ameaçou entregar o prêmio caso "Disparada" não fosse também consagrada, reconhecendo a qualidade da obra concorrente. Diante do impasse e da pressão popular (o auditório estava dividido aos gritos), a organização anunciou um resultado inédito: o empate no primeiro lugar.

Ambas as canções dividiram o prêmio máximo de Cr$ 10 milhões (dez milhões de cruzeiros) e receberam o troféu "Viola de Ouro".

Memória Mais de cinco décadas após o evento, Chico Buarque reavaliou o impacto daquele empate. Na série documental Noites de Festival (2020), produzida pelo Canal Brasil, Chico Buarque revelou que sua composição era intencionalmente alienada da situação política do Brasil na época e que havia rivalidade, mas não hostilidade nos bastidores.

Caetano Veloso, em depoimento para a mesma produção, analisou a importância da obra de Vandré e Théo de Barros, destacando sua superioridade poética diante da concorrente:

"...Disparada me parecia uma canção de certa força poética. É uma canção maior do que A Banda." — Caetano Veloso, sobre o impacto da canção em 1966.

Ano Artista Álbum / Contexto Notas 1966 Jair Rodrigues O Sorriso do Jair Versão original de estúdio. 1967 Wilson Simonal Alegria, Alegria !!! — 1967 Conjunto Ponta Porã — Versão instrumental e adaptação em espanhol pelo maestro Herminio Giménez. 1968 Frida Boccara Expression Versão em francês intitulada "Taureau". 1995 Amigos Amigos (Especial de TV) Interpretada em conjunto por Zezé Di Camargo & Luciano, Leandro & Leonardo e Chitãozinho & Xororó. 1998 Zé Ramalho Eu Sou Todos Nós — 2009 Daniel O Menino da Porteira Trilha sonora do filme homônimo.

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