Nicolás Maduro Moros (Caracas, ) é um político venezuelano e presidente da Venezuela de 2013 a 2026,Venezuela Events of 2022. Human Rights Watch, 2022. quando foi forçosamente removido do poder após sua captura e retirada do país numa ação militar dos Estados Unidos, permanecendo presidente de jure. Eleito vice-presidente na chapa de Hugo Chávez em 2012, assumiu interinamente a presidência da República logo após a vitória eleitoral, em razão de grave enfermidade do presidente eleito. Chávez morreu em 5 de março de 2013, e novas eleições foram convocadas. Em 14 de abril de 2013, Maduro foi eleito como o 57.º presidente da Venezuela, para cumprir um mandato integral. Foi reeleito em 2018, num pleito controverso e não reconhecido pela oposição e pela comunidade internacional, com muitos países e órgãos supranacionais não admitindo mais sua legitimidade como presidente. Maduro havia servido anteriormente como Ministro dos Negócios Estrangeiros do governo Hugo Chávez, de 2006 a 2013. Como presidente, era considerado um autocrata, concentrando a autoridade estatal em suas mãos enquanto exilava, perseguia, torturava e matava opositores do seu regime.Venezuela Events of 2022. Human Rights Watch, 2022.
Maduro governava a Venezuela por decreto, com poderes especiais, desde novembro de 2013. Sua presidência foi marcada pelo declínio socioeconômico venezuelano, com acentuado crescimento da pobreza, inflação, criminalidade e fome; seus críticos dizem que a crise que o país enfrentou na década de 2010 é resultado direto das políticas de Chávez e Maduro. Diversas instituições internacionais, governos e veículos de mídia qualificam Nicolás Maduro como ditador.Diversas fontes:
Maduro, por outro lado, culpa a especulação e uma "guerra econômica" imposta à nação pelos seus oponentes, internos e externos. A escassez de produtos de subsistência na Venezuela e uma queda considerável no índice de qualidade de vida no país, resultou numa série de protestos populares a partir de 2014 que foram aumentando de intensidade com o tempo, instigando uma resposta violenta das forças de segurança do governo, causando dezenas de mortes, ajudando a puxar ainda mais para baixo a popularidade de Maduro. Essa impopularidade levou a oposição a vencer as eleições parlamentares de 2015 e dominar a Assembleia Nacional, porém Maduro conseguiu contornar a autoridade do legislativo e manter seu poder total através da Suprema Corte e os Tribunais Eleitorais, junto com outros corpos políticos, todos dominados por seus apoiadores, contando também com apoio dos militares. Em 2017, o presidente conclamou uma constituinte, não sancionada ou apoiada pelo parlamento, enchendo-a com seus partidários, efetivamente removendo os poderes da Assembleia Nacional (dominada pela oposição). Esses movimentos antidemocráticos levaram a condenações dentro e fora da Venezuela, com várias nações (como os Estados Unidos) impondo sanções contra o país. No mesmo ano, foi sancionado pela Lei Magnitsky por minar a democracia e violar os direitos humanos.
Em maio de 2018, Maduro foi reeleito para um mandato de seis anos em uma polêmica eleição, não reconhecida pela oposição, pela Organização dos Estados Americanos e União Europeia, além de países como Estados Unidos e Brasil. Em janeiro de 2019, foi empossado para um segundo mandato. Isso acabou gerando uma grave crise política interna, com a Assembleia Nacional não reconhecendo a posse do presidente e várias nações do mundo removendo seus embaixadores de Caracas, como protesto. Para a oposição, Nicolás Maduro estava, efetivamente, transformando a Venezuela numa ditadura sob seu comando.
Um relatório da Organização dos Estados Americanos determinou que, durante sua gestão, foram cometidos crimes contra a humanidade, e as Nações Unidas reportaram mais de 9000 execuções extrajudiciais e mais de quatro milhões de venezuelanos foram forçados a deixar o país.• Em 10 de janeiro de 2019, minutos após Nicolás Maduro tomar posse perante o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela para o mandato presidencial 2019–2025, a Organização dos Estados Americanos, em uma reunião extraordinária de seu Conselho Permanente, aprovou uma resolução que declarava Maduro como ilegítimo presidente da Venezuela, pedindo novas eleições. Em 26 de março de 2020, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, emitiu um mandado de prisão contra Maduro com uma recompensa de 15 milhões de dólares por acusações relacionadas ao tráfico de drogas.• Em 10 de agosto de 2025, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em uma publicação feita no X, reafirmou apoio ao presidente venezuelano Nicolás Maduro. O pronunciamento ocorreu após a intensificação dos esforços dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, em associar Maduro ao narcotráfico a fim de justificar possíveis intervenções militares na América Latina. Durante seu mandato, especialmente desde meados de 2020, foram relatadas intervenções diretas e indiretas de potências estrangeiras na política interna da Venezuela, especialmente dos Estados Unidos, Rússia e China. Essas intervenções variaram desde sanções econômicas (Estados Unidos), apoio diplomático e logístico, até supostas incursões militares (Rússia e China).
Durante a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela em 2026, Donald Trump disse que Maduro e sua esposa, Cilia Flores, haviam sido capturados. Os dois foram então extraditados para Nova Iorque, onde permanecem presos, e espera-se que Maduro seja apresentado a um tribunal de Manhattan para enfrentar acusações de narcotráfico.
Primeiros anos e vida pessoal thumb|esquerda|Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em 2019 Nicolás Maduro Moros nasceu em 23 de novembro de 1962 em Caracas, em uma família proletária. Seu pai, Nicolás Maduro García, era um proeminente líder sindical e um "militante sonhador" do Movimiento Electoral del Pueblo (MEP); ele morreu em um acidente automobilístico em 22 de abril de 1989. Sua mãe, Teresa de Jesús Moros, nasceu em Cúcuta, uma cidade colombiana na fronteira com a Venezuela. Maduro foi criado na Calle 14, uma rua em Los Jardines, El Valle, um bairro operário na periferia oeste de Caracas. Único homem entre quatro filhos, teve três irmãs: María Teresa, Josefina e Anita.
Maduro foi criado como católico. Em 2012, o New York Times noticiou que ele era seguidor do guru hindu indiano Sathya Sai Baba e que o visitou na Índia em 2005. Em uma entrevista de 2013, afirmou que seus avós eram judeus, de origem sefardita moura, e que se converteram ao catolicismo na Venezuela.
Maduro foi casado duas vezes. Seu primeiro casamento foi com Adriana Guerra Angulo, com quem teve seu único filho, Nicolás Maduro Guerra, também conhecido como "Nicolasito", que foi nomeado para vários cargos governamentais importantes, incluindo Chefe do Corpo de Inspetores Especiais da Presidência e chefe da Escola Nacional de Cinema, além de ser deputado da Assembleia Nacional da Venezuela.
Em 15 de julho de 2013, casou-se com Cilia Flores, advogada e política que o substituiu como presidente da Assembleia Nacional em agosto de 2006, quando ele renunciou para se tornar Ministro das Relações Exteriores, tornando-se a primeira mulher a ocupar esse cargo. Os dois mantinham um relacionamento amoroso desde a década de 1990, quando Flores era advogada de Hugo Chávez após as tentativas de golpe de Estado na Venezuela em 1992 e se casaram meses depois de Maduro se tornar presidente.
Embora não tenham filhos juntos, Maduro tem três enteados do primeiro casamento de sua esposa com Walter Ramón Gavidia: Walter Jacob, Yoswel e Yosser.
Maduro é fã da música de John Lennon e de seu ativismo político pacifista e antiguerra. Ele disse que foi influenciado pela música e pela contracultura das décadas de 1960 e 1970, mencionando Robert Plant e Led Zeppelin.
Início de carreira
Educação e trabalho sindical Maduro frequentou o Liceo José Ávalos, escola pública de ensino médio em El Valle, onde foi apresentado à política como membro do grêmio estudantil. No entanto, de acordo com os registros escolares, ele não se formou.
Durante muitos anos, trabalhou como motorista de ônibus do Metrobus, pertencente ao Metrô de Caracas. Ele fundou um sindicato não oficial na empresa, que havia proibido sindicatos na época. Também foi empregado como guarda-costas de José Vicente Rangel durante a campanha presidencial de 1983.
Aos 24 anos, morava em Havana depois de ter sido enviado pela Liga Socialista para frequentar um curso de um ano na Escuela Nacional de Cuadros Julio Antonio Mella, um centro de formação política dirigido pela União de Jovens Comunistas. Segundo Carlos Peñaloza Zambrano, durante a estada de Maduro em Cuba ele foi instruído por Pedro Miret Prieto, um membro sênior do Politburo do Partido Comunista de Cuba que era próximo de Fidel Castro.
MBR–200 Segundo Zambrano, Maduro foi supostamente incumbido pelo governo Castro de servir como um "espião" trabalhando para a Diretoria de Inteligência Cubana para se aproximar de Hugo Chávez, que estava vivenciando uma carreira militar em ascensão.
No início da década de 1990, juntou-se ao MBR-200 e fez campanha pela libertação de Chávez quando este foi preso por seu papel nas tentativas de golpe de Estado venezuelano de 1992. No final da década, Maduro foi fundamental na fundação do Movimento V República, que apoiou Chávez em sua candidatura à presidência em 1998. Maduro foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte de 1999, que fez a redação de uma nova Constituição neste mesmo ano.
Ministro das Relações Exteriores (2006–2012) miniatura|Maduro e Chávez com Hillary Clinton, então Secretária de Estado dos Estados Unidos, na Cúpula das Américas de 2009
Maduro foi nomeado Ministro das Relações Exteriores em 2006 e ocupou o cargo durante o governo Chávez até ser nomeado Vice-Presidente da Venezuela em outubro de 2012, após a eleição presidencial. Segundo a BBC Mundo, durante o mandato de Maduro como ministro das Relações Exteriores, "ele era considerado uma figura-chave na expansão da política externa de seu país para além das fronteiras da América Latina, buscando aproximação com praticamente qualquer governo que rivalizasse com os Estados Unidos".
As posições de política externa da Venezuela durante seu mandato como ministro das relações exteriores incluíram o fim das relações não oficiais com Taiwan em favor da República Popular da China, o apoio à Líbia sob Muammar Gaddafi, o rompimento de laços diplomáticos com Israel durante a Guerra de Gaza de 2008–09, o reconhecimento e o estabelecimento de relações diplomáticas com o Estado da Palestina, uma reviravolta nas relações com a Colômbia em 2008 (com o Equador) e novamente em 2010, o reconhecimento da Abecásia e da Ossétia do Sul como estados independentes e o apoio a Bashar al-Assad durante a Guerra Civil Síria.
Temir Porras, que era professor visitante do Instituto de Estudos Políticos de Paris em 2019 e atuou como chefe de gabinete de Maduro durante seu mandato como ministro das Relações Exteriores, afirmou que, nos primórdios do chavismo, Maduro era considerado "pragmático" e um "político muito habilidoso", "bom em negociação e barganha". Segundo Rory Carroll, Maduro não falava nenhuma língua estrangeira enquanto era Ministro das Relações Exteriores.
Detenção em Nova Iorque em 2006 Em setembro de 2006, na cidade de Nova Iorque, ao tentar retornar à Venezuela via Miami, Maduro foi detido brevemente por agentes do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos no Aeroporto Internacional John F. Kennedy por cerca de 90 minutos, após pagar três passagens aéreas em dinheiro. Tanto Maduro quanto Chávez estavam na cidade participando da 61.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual Chávez chamou George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, de "diabo" durante seu discurso.