Nicéforo Xífias (; 1000–1028) foi um comandante militar bizantino do , ativo durante o reinado do imperador . Ele desempenhou um papel distinto na conquista bizantina da Bulgária, capturando vários territórios e fortalezas inimigas, assim como foi instrumental na vitória bizantina decisiva na batalha de Clídio em 1014. Por seus feitos acabou sendo nomeado estratego de Filipópolis e ascendeu à posição de patrício por esta época.
Em 1022, devido ao fato de não ter sido convocado para acompanhar o imperador em sua campanha contra o Reino da Geórgia de Jorge I da Geórgia , liderou, ao lado de Nicéforo Focas Baritráquelo, uma rebelião mal-sucedida contra Basílio II, e foi desgraçado, tonsurado e exilado para as Ilhas dos Príncipes. Ele é mencionado pela última vez em 1028, quando foi reconvocado do exílio por e retirou-se para o Mosteiro de Estúdio.
Biografia
Conquista da Bulgária
thumb|upright=1.05|Mapa das guerras bizantino-búlgaras à época do imperador bizantino e o czar Samuel
Nicéforo Xífias nasceu provavelmente em algum momento em torno ou antes de 980, e foi muito provavelmente o filho de Aleixo Xífias, que serviu como catepano da Itália em 1006-1008. Poucos membros da família Xífias são conhecidos e sua origem é incerta, mas eles muito provavelmente vieram da Ásia Menor, como muitas outras famílias prestigiosas da aristocracia militar do período. Nicéforo aparece pela primeira vez nas guerras búlgaras do imperador bizantino , em 999/1000, 1000/1 ou 1002, dependendo da fonte. Naquela época, era um protoespatário e junto com o patrício Teodorocano, comandou uma campanha a fundo em terras búlgaras. Partindo de Mosinópolis, os dois generais cruzaram os Bálcãs e capturaram as antigas capitais búlgaras de Plisca e Preslav, assim como Preslavets (lit. "Pequena Preslava"). Eles então saquearam Dobruja, deixando para trás guarnições e retornaram para sua base. É incerto se ele já era o governador militar (estratego) de Filipópolis naquele tempo, ou se foi nomeado para após a conclusão bem-sucedida da campanha, como João Escilitzes relata, quando Teodorocano, que é conhecido por ter anteriormente mantido o posto, retirou-se devido a sua idade avançada.
A próxima menção a Xífias ocorre em 1014, na batalha de Clídio, quando Basílio II estava tentando forçar o passo conhecido como Clídio ou Kiava Longos, que os búlgaros sob seu governante Samuel tinham fortemente fortificado. Xífias, ainda estratego de Filipópolis, sugeriu ao imperador que contornasse as posições búlgaras e atacasse-as pela retaguarda. Após Basílio concordar, Xífias liderou um seleto destacamento de infantaria sobre a cordilheira de Belasica, e em 29 de julho de 1014, liderou suas tropas em um ataque sobre os confiantes búlgaros, que entraram em pânico e quebraram diante do ataque inesperado. Por este feito, que resultou em uma das mais decisivas vitórias na guerra em curso, ele foi recompensado com a promoção para a posição de patrício. No começo de 1015, Xífias, junto com Constantino Diógenes, capturou a região de Moglena, que tinha se rebelado contra a autoridade imperial. Próximo ao fim do mesmo ano, ele fez campanha de Mosinópolis para a região de Triadzitza (Sófia), arrasando seus arredores e capturando o forte de Boiana. Finalmente, no último ano da guerra búlgara, em 1018, começando por Castória, ele subjugou os últimos redutos búlgaros na região da Sérvia.
Conspiração e exílio
thumb|upright=1.05|Histameno de e thumb|upright=1.05|Histameno de Constantino VIII
Em 1021/1022, contudo, Xífias, agora sediado em Cesareia Mázaca como estratego do Tema da Anatólia, desentendeu-se com Basílio II, pois não pode acompanhá-lo em sua campanha contra o Reino da Geórgia. Xífias aliou-se contra o imperador com o magnata Nicéforo Focas Baritráquelo, cujo pai tinha se erguido em revolta nos primeiros anos do reinado de Basílio II. Os dois homens planejaram matar Basílio e então um deles o substituiria; quem seria o sucessor permanece inconclusivo, mas foi principalmente o nome de Focas e seus apoiantes que deram peso à conspiração. A conspiração foi aparentemente também conhecida e apoiada pelo rei Jorge I da Geórgia , que assim esperava forçar Basílio a abandonar sua invasão.
Quando o imperador soube da conspiração, contudo, ele não retornou, e em vez disso enviou cartas aos dois generais rebeldes separadamente, almejando semear a discórdia entre eles. O plano de Basílio logo trouxe frutos, e por 15 de agosto de 1022, Xífias assassinou Focas. Os apoiantes do último desertaram, e a rebelião nascente colapsou. Xífias foi então forçado a render-se para o enviado imperial, Teofilacto Dalasseno, que tornou-se o novo estratego dos anatólios. Trazido para Constantinopla, Xífias foi tonsurado e banido para Antígona, uma das Ilhas dos Príncipes. Após seu retorno para a capital depois de sua expedição georgiana, Basílio II prendeu muito de seus co-conspiradores e confiscou suas propriedades. O patrício Ferses, o Ibério foi executado, enquanto dois camareiros imperiais também foram mortos: um pelas próprias mãos de Basílio, e o outro, que tinha tentado envenenar o imperador, foi lançado às feras.
Segundo o historiador contemporâneo Iáia de Antioquia, os conspiradores de 1022 foram libertados por Constantino VIII após a morte de Basílio II em 1025, mas Xífias permaneceu no exílio até 1028, quando o novo imperador, , libertou-o. Xífias, contudo, estava à época muito velho e cansado, e logo retirou-se para o Mosteiro de Estúdio. Nada mais se sabe sobre ele.
Bibliografia
Categoria:Rebeldes do Império Bizantino Categoria:Bizantinos envolvidos nas guerras bizantino-búlgaras Categoria:Bizantinos do século X Categoria:Bizantinos do século XI Categoria:Generais de Basílio II Categoria:Prisioneiros bizantinos Categoria:Guerras bizantino-georgianas Categoria:Patrícios do Império Bizantino Categoria:Protoespatários Categoria:Estuditas Categoria:Estrategos do Tema da Anatólia