thumb|250px|right|Antiga Estação Ferroviária de Curitiba. Correio dos Ferroviários foi uma revista de publicação oficial interna da RVPSC (Rede de Viação Paraná-Santa Catarina), editada desde outubro de 1933 e distribuída para todas as ferrovias do país e para a administração da RFFSA, chegando a alcançar, em alguns períodos, uma tiragem variável entre 11,5 a 13 mil exemplares.PETUBA, Rosângela Maria Silva. A RVPSC em revista: ferrovia e trabalho ferroviário em busca de novos sentidos – Paraná (1955 -1973), 2006 A revista foi fundada por Antônio Dantas, era editada em Curitiba, e tinha tiragem mensal, tendo veiculado até 1973/ 1974. Apresentava notícias nacionais, internacionais e, em especial, aquelas que dissessem respeito à Rede Ferroviária. Divulgava os “Atos da Diretoria”, a “Caixa de Aposentadoria e Pensão dos Ferroviários” (C.A.P.), crônicas de ferroviários apaixonados pela Rede, dicas de beleza e etiqueta na “Página da Mulher”, aniversariantes do mês, além de prestar homenagens a figuras que foram importantes para a RVPSC.MELO, Giselia dos Santos; BONI, Maria Ignês Mancini de. Ao Som do Apito: Vila Oficinas, Controle e Disciplinarização do Ferroviário (Curitiba, 1945-1960), Universidade Tuiuti do Paraná, 2008. Acessado em 22-09-2012.

A partir de 1949, teve início a segunda fase do “Correio dos Ferroviários”, caracterizada pela ausência de propagandas devido à tutela da RVPSC. Reiniciou, assim, a numeração como ano I, em 1949.Paisagens ferroviárias Acesso em 2010

Seções “Página da Mulher” “Crônicas Meu Marido Um Ferroviário”. O concurso de crônicas “Meu Marido Um Ferroviário” foi lançado em setembro de 1965, e era dirigido a todas as esposas de ferroviários, exceto aqueles que ocupassem cargos de confiança. Melo (2008) observa que “coincidentemente ou não, esse concurso foi lançado logo após o Golpe Militar de 1964. Nesse contexto, a valorização de um determinado perfil de trabalhador – o que não é novo na história – ganhava contornos significativos se pensarmos que as ferrovias eram consideradas áreas estratégicas dentro da concepção de segurança nacional dos Governos Militares”. “Nos Domínios da Gramática”, coluna mantida por Nilo Brandão de 1952 a 1961, na qual respondia questões e prestava os mais diversos esclarecimentos em torno da língua portuguesa. “Corrija se souber”: coluna também mantida por Nilo Brandão. O que vai pelo mundo e ferrovias pitorescas: notícias sobre as ferrovias internacionais, enfatizando sua importância social e econômica bem como os investimentos em tecnologia. “Notas ferroviárias”: informações pontuais sobre a carreira ferroviária como um todo e notícias específicas sobre as demais redes ferroviárias brasileiras. “Seja ilustrado”: dedicada a curiosidades e conhecimentos gerais. “Segurança do trabalho e higiene”: discorria sobre as condições de trabalho dentro da RVPSC. “Nossa gente” “Vida de um ferroviário”: as duas seções dedicavam-se a dar visibilidade à vida cotidiana, familiar e à trajetória profissional de alguns ferroviários, prestando, na maioria das vezes, homenagens póstumas. “Humor ferroviário”: representava por meio de charges situações “engraçadas” da vida nos trens e trilhos.

Todas as seções acima, com algumas pequenas variações, foram mais ou menos permanentes ao longo dos anos, além de artigos, entrevistas, crônicas e notícias sobre o mundo e sobre o contingente ferroviário.

Colaboradores A revista contou, ao longo de sua existência, com a colaboração literária de escritores, poetas, jornalistas e até anônimos, como era o caso das crônicas “Meu Marido Um Ferroviário”, escritas por esposas de ferroviários. Entre os colaboradores mais famosos figuraram: José Petroski, Denisar Zanello Miranda, Nilo Brandão, Euro Brandão, Raquel Prado, Adolpho Werneck, Newton Sampaio, Manoel de Oliveira Franco Sobrinho,Instituto Manoel de Oliveira Franco Leonor Castellano, Luiz Antônio Solda, Alceu Chichorro, Carlos Klug, Faria Júnior (caricaturas), Helmuth Erich Wagner, além de apresentar textos e poesias de autores como Cruz e Sousa, Raquel de Queirós, e outros.

José Maria Petroski José Petroski, falecido em 2005, teve entre outras atribuições, como funcionário da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina, a gerência da revista “Correio dos Ferroviários”.

Nilo Brandão O professor de português Nilo Brandão (1895-1967) foi diretor do “Correio dos Ferroviários” entre outubro de 1952 e 1961,Nilo Brandão e criou as colunas "Nos Domínios da Gramática" e "Corrija se souber", nas quais, respondendo a perguntas de leitores, transmitia informações gramaticais.

Adolpho Werneck O poeta, jornalista, humorista e charadista Adolpho Werneck (1877 – 1932) teve vários de seus trabalhos publicados, postumamente, nas páginas do “Correio dos Ferroviários”, inclusive uma homenagem, a poesia “In memoriam” de seu filho, Arion Werneck de Capistrano, na edição de setembro de 1934.

Newton Sampaio O romance incompleto “Dor”, de Newton Sampaio, tem o único registro na publicação do seu terceiro capítulo, intitulado "Volta ao lar", no número 9, de junho de 1934, do “Correio dos Ferroviários”.GUINSKI, Lílian Deise de Andrade Guinski. Newton Sampaio: um escritor paranaense Outro trabalho de Sampaio publicado pelo Correio foi “Carnaval de Camelô”, em janeiro de 1936.

Denisar Zanello Miranda Engenheiro graduado em 1956 pela Universidade Federal do Paraná, professor, foi editor por mais de 10 anos do “Correio dos Ferroviários”.MILLARCH, Aramis. Tablóide Digital, Jornal o Estado do Paraná, 16-10-1975, p. 4.

Leonor Castellano Na década de 1930, a escritora e feminista Leonor Castellano dirigiu algumas colunas femininas no “Correio dos Ferroviários”,ZOMER, Lorena. História de uma boa feminista: trajetória intelectual de Leonor Castellano em Curitiba, 1924-1967. Florianópolis: UFSC, 2011. pertencendo ao Conselho da revista por duas décadas. Atuou na revista ao lado de Ilnah Secundino e Rosy Pinheiro Lima, as três pertencentes ao Centro Paranaense Feminino de Cultura.

Raquel Prado Jornalista e escritora curitibana, Raquel Prado (1891-1943),Paraná On Line teve vários de seus textos publicados no “Correio dos Ferroviários”. . Luiz Antônio Solda Luiz Antônio Solda, paulista nascido em Itararé, mudou-se para Curitiba em 1966 e foi auxiliar de escritório na Rede Ferroviária Federal, participando como ilustrador da revista “Correio dos Ferroviários”.

Alceu Chichorro O jornalista, poeta e chargista curitibano Alceu Chichorro (1896-1977) participou do “Correio dos Ferroviários” na década de 1930.Revistas Curitibanas

Carlos Klug Trabalhou durante 35 anos nas áreas administrativas da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina (RVPSC) e Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA). Produziu contos, artigos e poemas para jornais e para a revista "Correio dos Ferroviários", assinando como Carlos Klug, Carlito ou, ainda, usando os pseudônimos "Cirano" e "K.Litto". Aposentou-se da RFFSA no ano de 1980. Possuía uma grande paixão a filha Perci Cristina Klug, única filha menina de seu segundo casamento com sua segunda esposa Iraci da Silva.

Manoel de Oliveira Franco Sobrinho Manoel de Oliveira Franco Sobrinho foi um advogado, juiz, jornalista, administrador público, político, professor e escritor que atuou na cidade de Curitiba, escrevendo vários livros na área jurídica. Colaborou com a revista “Correio dos Ferroviários” nos anos 1930.

Edições especiais