Lúcio Tarquínio Colatino () foi um dos quatro líderes da revolução que derrubou a monarquia romanaEutrópio, Breviarium ab Urbe condita, I, 8. e um dos dois primeiros cônsules de Roma, em 509 a.C., juntamente com Lúcio Júnio Bruto.Eutrópio, Breviarium ab Urbe condita, I, 9. Ironicamente Colatino foi obrigado a renunciar ao cargo e se exilar por causa do ódio que ele próprio ajudou a instigar entre os romanos contra a sua gente, os Tarquínios.

Contexto Colatino era filho de Arruns Tarquínio, conhecido como "Egério", um sobrinho de Lúcio Tarquínio Prisco, o quinto rei de Roma. Por acidente, Arruns nasceu em situação de pobreza,Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas III, 50, 3. mas, quando seu tio subjugou a cidade latina de Collatia, foi colocado no comando da guarnição romana da cidade.Lívio, Ab urbe condita I, 38, 1. O sobrenome "Colatino" é uma referência a este evento.

Sua esposa era Lucrécia, filha de Espúrio Lucrécio Tricipitino. Segundo a lenda, numa ocasião na qual Colatino estava fora de Roma, seu primo, Sexto Tarquínio, filho do rei Lúcio Tarquínio Soberbo, foi até sua casa numa noite. Impondo-se sobre Lucrécia, Sexto ameaçou matá-la juntamente com um escravo que a acompanhava e mentir para seu marido afirmando que teria pego os dois em adultério a não ser que ela o aceitasse. Depois que ele partiu, Lucrécia enviou emissários ao marido e ao pai e contou-lhes o ocorrido. Apesar das súplicas e protestos deles, Lucrécia enfiou uma adaga no peito por conta da vergonha que ela acreditava ter imposto a si e a sua família.

Queda da monarquia

Enfurecido pelo ato do primo, Colatino e seu sogro deram conhecimento ao povo do crime cometido, no que foram apoiados por Lúcio Júnio Bruto, um sobrinho do rei, e outros que haviam sofrido com a crueldade do rei e de seus filhos. Quando Soberbo estava fora numa campanha, os conspiradores fecharam os portões de Roma e criaram um governo republicano, liderado por dois cônsules, Bruto e Colatino,Lívio, Ab urbe condita I 50; Lívio, Ab urbe condita I, 60.Dionísio de Halicarnasso, Antiguidades Romanas V, 1, 2. depois de jurarem que Roma jamais seria governada por um rei novamente.Lívio, Ab urbe condita I, 57-60.Lívio, Ab urbe condita I 49.

Porém, o mandato de Colatino seria curto; embora ele próprio tenha sofrido nas mãos do rei e apoiado a nova República Romana, ele rapidamente tornou-se objeto da fúria dos que não toleravam a presença de nenhum Tarquínio no poder em Roma. Ele próprio ficou pasmo quando Bruto, seu colega e primo, pediu publicamente que ele renunciasse, mas resistiu até que Tricipitino também acrescentou sua voz ao coro. Temendo pelo seu próprio destino se recusasse ao apelo popular, Colatino renunciou e se exilou em Lanúvio. Públio Valério Publícola, amigo de Bruto, foi nomeado cônsul sufecto em seu lugar.Lívio, Ab urbe condita II, 2, 7-11.

Bruto, que era sobrinho do rei e ainda mais próximo da casa real, foi poupado da mesma humilhação, por pertencer a gente Júnia, mas acabou sendo mortalmente ferido na Batalha de Silva Arsia contra as forças reais. O já idoso Tricipitino foi nomeado cônsul sufecto em seu lugar, mas também morreu logo depois. Marco Horácio Púlvilo assumiu, o quinto e último cônsul do primeiro ano da República.Lívio, Ab urbe condita II 2

Ver também

Bibliografia

Ligações externas

Categoria:Cônsules da República Romana Categoria:Romanos antigos do século VI a.C. Categoria:Ano de nascimento desconhecido Categoria:Nascidos no século VI a.C. Categoria:Tarquinii Categoria:Exilados da Roma Antiga Categoria:Romanos antigos do século V a.C. Categoria:Mortos no século V a.C.