Placar é uma revista brasileira especializada em esporte. Lançada em 1970 pela Editora Abril, foi comprada pela Editora Caras em junho de 2015Revista Placar é vendida por Grupo Abril Portal Máquina do Esporte - acessado em 2 de junho de 2015 e readquirida pela Abril em outubro de 2016. Desde 2022, Placar é publicada pela Editora Score de São Paulo.
História Primeira fase semanal Seu primeiro número data de 20 de março de 1970"Placar, edição de 25 de maio de 1979", Google Books, acessada em 3/3/2013 e, em sua primeira fase, a revista foi semanal, ao longo dos anos 1970 e 1980, e assim permaneceu até agosto de 1990. Lançada pouco antes da Copa do Mundo de 1970, para preencher a lacuna de uma publicação nacional sobre o esporte,"38 anos da Placar ", Placar.com.br, 31/3/2008 a revista levantou como bandeira a estruturação e modernização do comando do futebol brasileiro. Pelé foi o personagem da capa da primeira edição, que vendeu quase duzentos mil exemplares e trouxe como brinde uma moeda cunhada em latão com a efígie do jogador."Aspas — Mídia em Crise", Eduardo Ribeiro, Observatório da Imprensa, janeiro de 2002 Em suas edições de número 23 e 24, ainda em 1970, série de reportagens de Michel Laurence e Narciso James, sob o nome de "A Falência dos Cartolas", propunha várias mudanças, entre elas a criação de um campeonato verdadeiramente nacional, o que foi adotado em 1971."Placar, o iniciador da revolução", Fausto Neto, Placar número 31, Editora Abril, 16/10/1970, pág. 36
Em 1977 Placar defendeu a criação de uma segunda divisão para o Campeonato Brasileiro"O bom podia ser melhor", Jairo Régis, Placar número 400, Editora Abril, 23/12/1977, pág. 3 e, dez anos depois, apoiou a criação da Copa União, fornecendo, inclusive, o troféu entregue ao campeão."Queremos acreditar. E oferecemos a Taça", Juca Kfouri, Placar número 894, 20/7/1987, Editora Abril, pág. 25
Consolidação Logo no início, a revista foi um sucesso de vendas, chegando a vender mais de cem mil exemplares semanais durante a Copa do Mundo de 1970. Mas, com o final da competição, a vendagem despencou para uma média de quarenta mil exemplares.Entrevista com Juca Kfouri , 28/09/2007, pág. 4 Para diminuir custos, em 1972 foi introduzido, a partir do número 131, um encarte em papel jornal que trazia o "Tabelão", conjunto de resultados e fichas técnicas que a própria revista chamava de "o Diário Oficial do futebol brasileiro"."O garoto do Placar", Placar número 115, 26/5/1972, Editora Abril, pág. 17 No encarte, vinham ainda as notícias mais "frescas", com a rodada do fim de semana, enquanto o miolo de revista trazia matérias menos pontuais, como perfis e reportagens sobre os jogos do meio da semana anterior. O encarte durou até o fim de 1974.
O que segurava as vendas da revista era a mesma Loteria Esportiva que depois viria a ser alvo de grande investigação por parte da revista. Com dicas para palpites e "bolões", em 1972, chegou a vender 250 mil exemplares de uma edição, "movida [pela Loteca]".Paulo Vinicius Coelho, Jornalismo Esportivo, Editora Contexto, 2003, pág. 98
Caso da Máfia da Loteria Esportiva Em 1979, Milton Coelho da Graça, então diretor da Placar, comentou com Juca Kfouri, então editor de projetos especiais e que cuidava da seção sobre a Loteria Esportiva, que vinha notando algumas coincidências quando poucas pessoas ganhavam em um teste.Carlos Alencar, Juca Kfouri: O Militante da Notícia, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006, pág. 45 A pedido de Milton, Juca foi a Brasília pedir para ver os bilhetes premiados, mas o pedido foi negado, com a alegação de sigilo bancário.Carlos Alencar, Juca Kfouri: O Militante da Notícia, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006, pág. 49
Nesse mesmo ano, Milton deixou a Abril, e Juca foi promovido a seu posto. Ainda com as suspeitas em relação à Loteria Esportiva, todo o fim de mês provocava a redação: "Quem é o macho para descobrir a sacanagem da Loteria Esportiva?" Mas ninguém se pronunciava.Carlos Alencar, Juca Kfouri: O Militante da Notícia, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006, pág. 51 Em outra viagem a Brasília, pediu novamente para ver os cartões ganhadores. Desta vez, mostraram-lhe alguns: "Nego colocava jogo triplo em partida que se cravaria seco", conta Juca. "Corinthians x Juventus, triplo. Flamengo x Olaria, triplo. Vasco x Botafogo, Vasco. Atlético-PR x Coritiba, Coritiba. Inter x Livramento, triplo. Não é possível. Eles cravam triplo em jogo fácil e seco para jogo difícil. Tem alguma coisa estranha nisso."Carlos Alencar, Juca Kfouri: O Militante da Notícia, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006, pág. 53
Quando comentou suas suspeitas na redação, no dia seguinte, conseguiu um voluntário para a empreitada: Sérgio Martins. Juca deu a ele prazo de um ano, cumprido à risca: no número 648, de 22 de outubro de 1982, foi publicada extensa reportagem sobre o caso, com denúncias de corrupção e manipulação de resultados.
Nenhum dos 125 denunciados, entre jogadores, dirigentes, árbitros, técnicos e personalidades, foi preso. A loteria perdeu credibilidade,Placar número 1.032-A, Editora Abril, março de 1990, pág. 55 que nunca mais recuperou. Por ironia do destino, as vendas de Placar também sofreram com as consequências da reportagem, já que muitos compravam a revista justamente por causa de suas análises de cada teste.
Fim das edições semanais Outros esforços para se alcançar novos públicos foram feitos, como em 1984, quando a revista passou a abrir um espaço muito maior para outros esportes, que não o futebol. A experiência durou de abril a novembro, quando os outros esportes, assim como o slogan "Todos os esportes", saíram da capa, passando a receber menor atenção dentro da revista. A exceção foi a Fórmula 1, que manteve a cobertura característica da revista ao longo dos anos. No final de 1986 foi lançada Grid, "filhote""O veículo da F 1", Placar número 881, 20/4/1987, Editora Abril, pág. 23 de Placar, revista dedicada ao automobilismo que continha a retrospectiva da temporada daquele ano. O segundo número da revista sairia em abril do ano seguinte, contendo um guia de 64 páginas da temporada de 1987, que foi acompanhada com revistas-pôster publicadas na semana seguinte a cada grande prêmio.
Em setembro de 1985, na edição número 800, a tradicional seção "Tabelão", que trazia resultados de vários campeonatos no Brasil e no mundo, foi extinta por ser muito cara de se fazer.Entrevista com Juca Kfouri , 28/09/2007, pág. 5 Exatas 50 edições depois, em setembro de 1986, a seção voltou, graças a protestos de mais de 600 leitoresPlacar número 858, Editora Abril, 3 de novembro de 1986, pág. 15 por meio de cartas e telefonemas, de início destacando apenas o Campeonato Brasileiro de 1986,Placar número 850, Editora Abril, 8 de setembro de 1986, pág. 15 mas depois, aos poucos, estendendo-se a outros campeonatos. No início daquele ano. a revista adiou em um dia sua data de publicação, passando a fechar às segundas-feiras, em vez de nas noites de domingo, para dar um novo enfoque às matérias, que "[fugiriam] do que já fora apresentado na televisão, nas emissoras de rádio e nos jornais"."Caro leitor", Placar número 817, Editora Abril, 20 de janeiro de 1986, pág. 15 Com as vendas estagnadas desde 1985,Paulo Vinicius Coelho, Jornalismo Esportivo, Editora Contexto, 2003, pág. 84 em setembro de 1988, mais uma tentativa, em formato maior, com tamanho maior, menos páginas e papel menos nobre, a chamada fase "Placar Mais". No início, ela passou a ser a revista mais vendida da Abril, embora desse prejuízo se vendesse demais, por isso a editora era obrigada a segurar a tiragem.
A boa fase não durou muito, já que a revista nunca vendeu muita publicidade, e o golpe fatal veio com o fracasso retumbante da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1990, que veio a se somar às péssimas campanhas dos times grandes no Campeonato Paulista (a final daquele ano foi disputada entre Bragantino e Novorizontino) e à polêmica final do Campeonato Carioca, em que o título só foi decidido no "Tapetão". A Placar sempre tinha lucro com as edições comemorativas dos campeões estaduais. Naquele ano não houve essa alternativa, e a Abril decidiu parar de investir em uma revista semanal de futebol.Entrevista com Juca Kfouri , 28/09/2007, pág. 2
Depois de anos "mal das pernas" (entre 1979 e 1995, por exemplo, a revista só ficou no azul em três anos), houve cortes na redação,Carlos Alencar, Juca Kfouri: O Militante da Notícia, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006, págs. 44-45 e a revista deixou de ser semanal. Isso apesar de, apenas um ano antes, o expediente da edição de número mil ter avisado que Placar chegava àquela marca "com saúde" e uma venda média de 127 mil exemplares.Placar número 1.000, Editora Abril, agosto de 1989, pág. 3
Fase de edições temáticas O último número semanal foi o 1.051, apesar de a data da capa do número 1.052, um Guia do Campeonato Brasileiro de 1990, constar como uma semana depois da data da edição anterior. No editorial desta edição, o diretor editorial Juca Kfouri escreveu que "sempre que o aquecimento do futebol justificar, Placar estará nas bancas do país inteiro com edições especiais",Placar número 1.052, Editora Abril, 17 de agosto de 1990, pág. 3 mas a revista quase acabou por aí. O que a salvou foi o lançamento de uma edição especial, o número 1.053, sobre o cinquentenário de Pelé, que acabou sendo um sucesso, com a venda de das cem mil revistas impressas.Carlos Alencar, Juca Kfouri: O Militante da Notícia, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006, pág. 104 A edição especial valeu até um Prêmio Esso à Placar, o terceiro ganho pela revista.Placar número 1.101, Editora Abril, março de 1995, pág. 48
O sucesso fez Kfouri propor à Abril manter uma linha de revistas temáticas, com redação "enxuta". A Abril aprovou a ideia, desde que não houvesse periodicidade, mas o cronograma para 1991 previa doze exemplares. "Fizemos as doze", conta Kfouri. "Ninguém dizia 'Placar, a revista mensal de futebol da Editora Abril', mas o fato é que ela era mensal. E passou a viver no azul." Só não houve edição numerada nos meses de dezembro de 1993, julho e agosto de 1994 e fevereiro de 1995. A revista manteve sua postura crítica em relação aos dirigentes do futebol brasileiro, o que levou o então presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, a proibir a entrada de fotógrafos da publicação no campo da final do Campeonato Brasileiro de 1991, entre Bragantino e São Paulo, em Bragança Paulista."Clubes aprovam Paulistão 2002", Estadão.com.br, 26/12/2001
Durante a Copa do Mundo de 1994, foram lançadas edições especiais após cada jogo do Brasil. Produzidas diretamente no Brasil e em papel inferior, a curva de vendas, fraca na primeira edição, subiu consistentemente. A partir da quarta edição, as vendas já eram satisfatórias e a edição que comemorou o título brasileiro vendeu mais de quinhentas mil cópias. A série rendeu um superávit de quinhentos mil dólares.Paulo Vinicius Coelho, Jornalismo Esportivo, Editora Contexto, 2003, pág. 104
Foi ainda nesse período que a revista teve seu maior preço facial: em agosto de 1993, ela custou 290 mil cruzeiros.
"Futebol, sexo e rock n' roll"