Uma invasão consiste de uma ação militar em que forças armadas de uma entidade geopolítica, entram em território controlado por outra entidade, geralmente com objetivos de conquista territorial ou de alterar o governo estabelecido na região. Uma invasão pode ser a causa de uma guerra como também pode ser parte de uma estratégia maior para acabar com uma guerra, ou pode constituir uma guerra em si.
Substancial; porque os objetivos de uma invasão são frequentemente de longa escala e em longo prazo, devido a isso uma força considerável é necessária para manter o território, e proteger os interesses da entidade invasora. Logo, ações de pequena escala que envolvem cruzar fronteiras de outros poderes, como infiltrações, guerra de guerrilha e incursões não são normalmente considerados invasões. Já que uma invasão é, por definição, um ataque de forças exteriores; rebeliões, guerras civis, golpes de estado, atos de domicílio ou outros atos de opressão, não são considerados invasões.
História Evidências arqueológicas indicam que invasões eram frequentes desde a pré-história. Na Antiguidade, antes da comunicação a rádio e de transportes rápidos, a única maneira de assegurar reforços adequados era a movimentação dos exércitos como uma única massa de tropas. Esse ato, por suas características, levou ao surgimento da estratégia de invasão. Com invasões vieram as trocas culturais na administração governamental, religião, filosofia, e tecnologia que forjaram o desenvolvimento da maior parte do mundo antigo.Bagnall, Nigel (1990). The Punic Wars : Rome, Carthage, and the Struggle for the Mediterranean. Thomas Dunne Books. ISBN 0-312-34214-4.
Defesas left|thumb|280px|A Grande Muralha da China, no inverno, em Pequim
Estados com vizinhos potencialmente hostis tipicamente adotam medidas defensivas para atrasar ou prevenir uma invasão. Em adição ao uso de barreiras geográficas como rios, pântanos, ou terreno irregular, medidas de defesa incluem também, historicamente, o uso de fortificações. A defesa pode ter a intenção de prevenir ativamente qualquer força invasora de entrar no país por meios de uma barreira extensa e bem defendida; a Muralha de Adriano,Ibeji, Mike (2001). Norman Conquest: Key Events of the Conquest . Recuperado em 11 de fevereiro de 2006. a Grande Muralha da China,Shea, Marilyn (1996). The Great Wall of China . Recuperado em 11 de fevereiro de 2006. e o Danevirke são exemplos famosos. Tais barreiras também incluem o uso linhas de trincheiras e, na era moderna, campos minados, câmeras e sensores de detecção de movimento.Defense Update (2006). Accelerating the Kill Chain: Closing the Sensor-to-shooter Cycle . Recuperado em 11 de fevereiro de 2006. Entretanto, essas barreiras podem necessitar de uma grande força militar para prover a defesa, e para manter os equipamentos e posições, o que pode impor um grande fardo econômico ao país que o mentem. Algumas dessas técnicas podem ser usadas contra os defensores, os impedindo de fugir ou de reabastecer tropas de defesa. Durante a Operação Inanição, Forças Aliadas usaram minas lançadas de aviões para romper severamente as operações logísticas japonesas dentro de suas próprias fronteiras.Mason, Gerald A. (2002). Operation Starvation. Recuparado em 11 de fevereiro de 2006.
Alternativamente, fortificações podem ser construídas em linha, por uma série de localidades, como castelos ou fortes posicionados próximos à fronteira. Essas construções têm o propósito de atrasar uma invasão tempo suficiente para a nação atacada mobilizar um exército com tamanho suficiente para a defesa ou, em alguns casos, para realizar uma contra-invasão - um exemplo é a Linha Maginot. Fortes podem ser posicionados de uma maneira que suas guarnições possam interditar as rotas de suprimento de tropas invasoras. A Teoria por trás da construção de vários fortes em linha e espaçados uns dos outros é a de que o invasor não possa se dar ao luxo de contornar essas defesas, e por isso tenha que sitiá-las, atrasando a invasão.Kaufmann, J.E. and Kaufmann, H.W. (2005). Fortress France: The Maginot Line and French Defenses in World War II. Prager Security International. ISBN 0-275-98345-5.
Em tempos modernos, a noção de construir defesas de larga escala e estáticas para combater ameaças por terra se tornou em maior parte um conceito obsoleto. O uso de campanhas aéreas de precisão e mecanização em larga escala criaram defesas moveis e mais ágeis, defesas desejáveis aos estrategistas militares. Nações se defendendo contra invasões modernas normalmente usam grandes centros populacionais (cidades) como pontos de defesa. O invasor então precisa capturar esses pontos para assim destruir a capacidade do defensor de empreender guerra. Já o defensor usa divisões moveis de blindados e infantaria para proteger esses pontos, mas os defensores têm a capacidade de se mover e recuar. Um exemplo proeminente do uso de cidades como fortificações pode ser visto na resistência do Exército do Iraque na invasão do Iraque de 2003 em Bagdá, Ticrite e Baçorá em um grande combate na Segunda Guerra do Golfo. Um defensor também pode usar unidade moveis para iniciar uma contra ofensiva como o Exército Vermelho Soviético fez na Batalha de Kursk ou a Aliança do Norte no Afeganistão.
Entretanto, posições estáticas ainda são úteis tanto para defesas contra-ataques navais como contra-ataques aéreos. O uso de minas navais ainda é um método eficiente e barato de defender portos e cortar rotas de suprimento. Sistemas de defesa aérea em larga escala que combinam armas antiaéreas com lançadores de mísseis ainda são a melhor maneira de defender-se contra-ataques aéreos. Tais sistemas foram usados efetivamente pelos Vietname do Norte ao redor de Hanói. Os Estados Unidos também investiu tempo e dinheiro na construção de um sistema de Defesa Nacional de Mísseis, uma rede de defesa estática com o objetivo de interceptar mísseis balísticos intercontinentais nucleares.
Nações ilhas, como o Reino Unido e o Japão, e Estados continentais como uma costa extensa, como o Estados Unidos, tem utilizado uma presença naval significativa para impedir uma invasão em seu país, ao invés de fortificar suas fronteiras. Uma defesa naval de sucesso, entretanto, normalmente requer uma preponderância de poder naval e a habilidade de sustentar e servir a força defensiva.
Em nações particularmente grandes, as forças de defesa podem também recuar, atraindo os invasores cada vez mais, dentro de território hostil para assim facilitar um contra-ataque. Um efeito dessa tática é que as forças invasoras ficam espaçadas pelo território, dificultando o reabastecimento das tropas e tornando as linhas mais suscetíveis a ataques. Essa tática, embora custosa, ajudou os soviéticos a parar o avanço alemão em Stalingrado.Matters, James T. (2003). Stalingrad - The Nazis Reach Beyond Their Grasp . Recuperado em 16 de fevereiro de 2006. Ela também pode fazer com que as tropas invasoras se estendam de mais em território inimigo, permitindo que um envolvimento duplo empeça a possibilidade de pedir reforços. Essa foi a causa de derrota britânica na Batalha de Cowpens durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos da América.Withrow, Scott (2005). The Battle of Cowpens. Recuperado em 16 de fevereiro de 2006. Finalmente, mandar tropas de reforço em excesso pode ocasionar numa escassez de tropas de defesa no território do invasor, permitindo um contra-ataque por outras áreas, como aconteceu na Segunda Guerra Púnica.
Métodos
Existem vários métodos diferentes pelos quais uma invasão pode ocorrer, cada método apresenta argumentos tanto a favor como contra a sua eficácia. Elas incluem invasões por terra, mar, ar, ou qualquer combinação desses.
Invasão por terra
Invasão por terra consiste na entrada direta de forças armadas em uma área usando conexões de terra previamente existentes, normalmente cruzando fronteiras ou zonas previamente definidas como neutras, por exemplo, zonas desmilitarizadas, esmagando posições e estruturas de defesa. Apesar de essa tática resultar em uma vitória rápida, o movimento de tropas é relativamente lento e sujeito a interrupção devido ao terreno ou ao tempo. Além disso, é difícil esconder planos para esse método de invasão, já que a maioria das entidades geopolíticas cria posições defensivas em áreas que são mais vulneráveis aos métodos descritos acima.
Em guerras modernas, invasões por terra podem ser realizadas após, ou algumas vezes ao mesmo tempo, em que o território invadido é atacado por outros meios. Ataques aéreos e mísseis de cruzeiro lançados por navios são métodos comuns de "suavizar" um alvo. Outras preparações, mais súbitas, podem envolver secretamente o ganho de apoio popular, assassinar figuras políticas ou militares potencialmente ameaçadoras, e fechar a parte das rotas de suprimento que passam por países vizinhos. Em alguns casos, esses outros meios de ataque que apoiam a invasão por terra podem eliminar a necessidade de um assalto por terra; o bombardeio de 1945 no Japão, fez com que as forças Aliadas não tivessem a necessidade de invadir as principais ilhas com tropas de infantaria. Em casos como esse, enquanto algumas tropas são necessárias para ocupar o território conquistado, sua entrada é permitida sobre termos de um tratado e devido a isso não é mais considerada uma força invasora. Enquanto um combate em larga escala e sem o uso de tropas evolui, o imperativo de uma invasão básica por terra se torna menor; frequentemente o combate convencional está efetivamente terminado mesmo antes de chegada da infantaria que toma então um papel de pacificador.
Invasão por mar thumb|275px|Um LCAC usado para carregar veículos em invasões por mar
Invasão por mar consiste no uso de uma massa de água para facilitar a entrada de forças armadas usando veículos aquáticos em uma área, frequentemente uma massa de terra adjunta a massa de água ou uma ilha. Isso é geralmente usado em conjunto com outro método de invasão, e especialmente antes da invenção do avião, em casos em que não existe outra maneira de entrar no território em questão. Argumentos a favor desse método normalmente consistem na habilidade de realizar um ataque surpresa a partir do mar, ou que as defesas navais da área em questão são inadequadas para repelir esse tipo de ataque. Entretanto, a grande quantidade de equipamentos especializados, como veículos anfíbios e a dificuldade de estabelecer defesas — o que normalmente resulta em um alto número de baixas — em troca do ganho relativamente pequeno, são usados como argumentos contra tal método de invasão. Perigos submersos na água e a falta de boa cobertura são problemas comuns durante invasões por mar. Na Batalha de Tarawa, o desembarque de uma embarcação dos Fuzileiros foi impedida por um recife de corais e o barco foi atacado da praia. Outras embarcações foram afundadas antes mesmo de chegarem à costa, e os tanques que elas carregavam foram perdidos na água. Além disso, a maioria dos sobreviventes do primeiro grupo terminam acuados na praia em frente ao fogo inimigo.Ashton, Douglas F. (1989). Tarawa: Testing Ground For The Amphibious Assault. Recuperado em 16 de fevereiro de 2006. A ilha foi conquistada, mas a um alto custo, e as baixas no conflito geraram protestos em massa de civis nos Estados Unidos.
Invasão por ar right|thumb|275px|Milhares de paraquedistas pousando durante a Operação Market Garden