Gabriel Léon Mba (Librevile, 9 de fevereiro de 1902 - Paris, 27 de novembro de 1967) foi um político, funcionário público e comerciante gabonês. Foi Primeiro-Ministro do Gabão entre fevereiro de 1959 e fevereiro de 1961 e primeiro Presidente do Gabão, governando entre fevereiro de 1961 a novembro de 1967.

Biografia Membro da etnia fangue, Mba nasceu em 9 de fevereiro de 1902 em Librevile, Gabão. Seu pai, um pequeno empresário e chefe tribal, trabalhou como cabeleireiro do explorador franco-italiano Pierre Savorgnan de Brazza. Sua mãe, Louise Bendome, era costureira. Ambos eram instruídos e estavam entre os primeiros "evoluídos" em Librevile. O abade Jean Obame, meio-irmão de Mba, também desempenhou um papel importante na hierarquia colonial: ele foi o primeiro padre católico originário do Gabão.

Em 1909, Mba ingressou em um seminário para receber sua educação primária. Obteve seu certificado de ensino fundamental em meados da década de 1910. A partir de 1920, trabalhou como gerente de loja, negociante de madeiras e comerciante antes de entrar para a administração colonial francesa como agente alfandegário.

Início do percurso político Apesar de seu bom desempenho no trabalho enquanto comerciante e funcionário público, Mba se interessou particularmente pelo ativismo em favor dos direitos tribais do povo fangue. Tal postura preocupava os administradores coloniais em Librevile. Sua militância e seus escritos irritaram as autoridades, e ele sofreu as consequências em dezembro de 1922, quando foi condenado à prisão após ter cometido um crime de fornecer documentos falsificados a um colega, além de outras contravenções geralmente nunca punidas como poligamia e por falta de compreensão das medidas de higiene.

Em meados da década de 1920, Mba reconciliou-se com as autoridades coloniais e foi escolhido para suceder o falecido chefe do bairro fangue de Librevile. Rapidamente ganhou reputação como um homem forte, confiante e capaz. No entanto, Mba não tinha uma visão idealista do seu trabalho como chefe do bairro fangue; pensava no trabalho como uma forma de enriquecer e ascender socialmente rapidamente. Em meados da década de 1920, se aproxima da Liga dos Direitos do Homem, entidade que lhe presta apoio e o ajuda na construção ideológica no período. Apesar de sua associação com setores mais à esquerda na Liga, as autoridades francesas não se opuseram à nomeação de Mba como chefe da província do Estuário. No período, abandonou o catolicismo e tornou-se seguidor da seita religiosa bwiti (ou bouiti), à qual os fangues eram particularmente receptivos.

Após o envolvimento de seguidores bwiti em crimes, particularmente no assassinato e ocultação de cadáver de uma mulher em 1931, da qual Mba teve conhecimento e encobertou os envolvidos, ele foi mandado para cumprir três anos prisão e dez anos de exílio na colônia francesa de Ubangui-Chari, actualmente Centráfrica, primeiro na cidade de Bambari e depois na de Bria. Oficialmente, a condenação se deu por peculato de impostos e maus-tratos à mão de obra local. Mba continuou a exercer influência entre os fangues através de correspondência com seus compatriotas em Librevile.

Durante seus anos de exílio, ele escreveu sobre os direitos consuetudinários do povo fangue numa obra intitulada "Ensaio sobre os direitos consuetudinários dos povos de lingua fangue" e o publicou no Boletim da Sociedade dos Pesquisadores Congoleses em 1938. Esta obra rapidamente se tornou a principal referência sobre o direito consuetudinário tribal fangue.

Ele também gozava de considerável prestígio entre seus congêneres fangues na Centráfrica, o qual obtinha por meio das atividades de religiosas que praticava. Explorou o preconceito e o temor pelas atividades ocultistas da seita bwiti para extorquir as pessoas que tinha sob sua influência, obrigando-as a se filiar a cabala que ele próprio havia criado. Por outro lado, sabia como bajular os representantes coloniais, enganando sua vigilância e conquistando sua confiança. Foi por isso que cometera todo tipo de abuso sem jamais se preocupar com as consequências.

Apesar de estar exilado, Mba foi empregado por administradores locais. Alocado em funções secundárias e sem poder propriamente dito, ele era um funcionário competente e valioso. Graças a relatórios elogiosos de seus superiores, ele foi novamente visto como um elemento nativo leal no qual a administração colonial podia confiar. Em 1942, foi-lhe concedida uma redução de pena. Após sua libertação, tornou-se funcionário público em Brazavile, àquela altura capital da França Livre, onde seu prestígio aumentou.

Retorno ao Gabão Em 1946, Mba retornou ao Gabão, onde foi recebido com entusiasmo por seus apoiadores. Ele conseguiu um emprego como gerente de loja da empresa comercial britânica John Holt. Nesse mesmo ano, fundou o Comitê Misto Gabonês (CMG), um partido político próximo a Assembleia Democrática Africana (RDA), um partido interafricano liderado por Félix Houphouët-Boigny. O principal objetivo do partido era obter autonomia para seus estados membros e opor-se à ideia de federalismo do líder senegalês Léopold Sédar Senghor. Explorando seu passado como exilado e por meio da rede de seguidores do bwiti, Mba conseguiu angariar apoio dos povos fangues e mienes. Seu objetivo era conquistar cargos administrativos e judiciais tribais.

Em 1951, o CMG decidiu romper definitivamente os seus laços com os setores da esquerda, alinhando-se com a posição conservadora defendida por Houphouët-Boigny, enquanto este fazia o mesmo. Ao mesmo tempo, Mba, embora mantivesse a sua aparência de "rebelde" perante o eleitorado, aproximou-se secretamente da administração francesa. As classes sociais mais urbanizadas e os franceses no Gabão tinham preferência pelo seu principal opositor, o congressista Jean-Hilaire Aubame, um antigo protegido de Mba e filho adotivo do seu meio-irmão Jean Obame. Em oposição a Mba, que tinha visões dúbias e tribalistas, Aubame deixava claro suas visões multirraciais e modernizantes ligadas à Secção Francesa da Internacional Operária (SFIO). Nas eleições legislativas de 17 de junho de 1951, Aubame foi facilmente reeleito, uma vez que Mba recebeu apenas 3.257 votos, apenas 11% do eleitorado. Nas eleições territoriais de março de 1952, a União Democrática e Social Gabonesa (UDSG) de Aubame ganhou 14 dos 24 lugares em disputa, contra dois do CMG; no entanto, o CMG recebeu 57% dos votos expressos em Librevile.

Ascensão ao poder no regime colonial Mba deixou o CMG para se juntar ao Bloco Democrático Gabonês (BDG) liderado por Paul Gondjout em 1954. Gondjout, secretário do BDG, nomeou Mba secretário-geral e formou uma aliança estratégica contra Aubame. Mba, porém, almejava a influência política de Gondjout e buscava maios de derrubá-lo. Nas eleições legislativas de 2 de janeiro de 1956, Mba recebeu 36% dos votos contra 47% de Aubame. Embora não tenha sido eleito, Mba tornou-se o líder do território tribal fangue em Librevile, e alguns membros da UDSG começaram a se aliar a ele.

Nas eleições municipais de 1956, Mba recebeu apoio da indústria madeireira francesa, especialmente da grande burguesia sob a figura de Roland Bru, e foi eleito prefeito de Librevile com 65,5% dos votos. Em 23 de novembro, foi nomeado o primeiro prefeito africano da capital. Foi a primeira vitória significativa do BDG sobre o UDSG. Na prática francesa de acumular vários cargos, Mba atuou como prefeito e vice-prefeito.

Nas eleições territoriais de março de 1957, sua reputação de "homem dos madeireiros" jogou contra ele; o BDG ficou em segundo lugar novamente, conquistando 16 das 40 cadeiras disputadas, contra 18 da UDSG. Bru e outros membros da burguesia francesa no Gabão subornaram vários deputados da UDSG para que mudassem de partido político para o BDG. O partido de Mba conquistou 21 cadeiras contra 19 do partido de Aubame após uma recontagem. No entanto, na ausência de uma maioria absoluta, ambos os partidos foram obrigados a apresentar, em 21 de maio de 1957, uma lista de indivíduos que ambos concordavam serem adequados para a formação de um governo. Nesse mesmo dia, Mba foi nomeado vice-presidente do conselho de governo sob o governador francês Yves Digo. Logo, as divisões aumentaram dentro do governo, e Aubame renunciou ao cargo e apresentou uma moção de censura contra o governo. A moção foi rejeitada por 21 votos a 19. Com a vitória de Mba, muitos membros eleitos da UDSG juntaram-se à maioria parlamentar, dando ao partido uma maioria com 29 dos 40 assentos legislativos. Bem instalado no governo, ele começou lentamente a reforçar o seu poder.

Ascensão a Primeiro-Ministro e Presidente miniatura|200px|esquerda|Em vistita de Estado a Israel, em 1962, Mba participa da Parada Militar do Dia da Independência de Israel, ladeado, dentre outras autoridades, do Chefe do Estado-Maior de Israel Zvi Tzur, do Presidente de Israel Yitzhak Ben-Zvi e do Primeiro-Ministro de Israel David Ben-Gurion A partir de julho de 1958, a mobilização do Partido da União Nacional Gabonesa (PUNGA), liderado por René-Paul Sousatte e Jean-Jacques Boucavel, passou a reunir as correntes mais radicais pela total e irrestrita independência nacional, conquistando forte apoio dos comunistas, socialistas, nacionalistas, sindicalistas e da população em geral. Tal movimeto, recebeu apoio da UDSG e exerceu enorme pressão sobre a posição dúbia e conservadora de Mba e sobre a burguesia francesa no Gabão, que muito se assustou com a rápida e avassaladora mobilização. Após votar a favor da Comunidade Franco-Africana, semelhante à Comunidade Britânica de Nações, no referendo constitucional de 28 de setembro de 1958, o Gabão tornou-se pseudopoliticamente independente, sob o nome Comunidade Gabonesa. Em dezembro de 1958, a Assembleia votou pela criação do legislativo e, em seguida, promulgou a constituição da República do Gabão em 19 de fevereiro de 1959. Como resultado imediato, e para conter a rápida evolução política popular sob liderança de Sousatte e Boucavel, Mba tornou-se primeiro-ministro do Gabão semi-independente em 27 de fevereiro de 1959. O jornalista francês Pierre Péan afirmou que Mba tentou de todas as maneiras secretamente impedir a independência gabonesa; em vez disso, fez lobby para que se tornasse um território ultramarino da França. Depois de Mba ter declarado abertamente a favor da departamentalização do Gabão em novembro de 1959, Jacques Foccart, porta-voz e assessor-geral de Charles de Gaulle para a política africana, disse-lhe que essa solução era impensável.

Em março de 1960, após a independência já ter sido conquistada de forma irrestrita, Mba reprimiu severamente o PUNGA, revogando o registro do partido e emitindo mandado de prisão contra Sousatte, e também contra membros da UDSG, acabando com qualquer possibilidade de organização de uma esquerda radical e nacionalista na nação recém-independente.

Em 20 de maio de 1960, o governo de Léon Mba recebeu, pelo voto da Assembleia Legislativa Gabonesa, o mandato de negociar com a antiga potência colonial as fases da transição entre o estado autônomo do Gabão e a independência plena. Em meados de julho de 1960, a comissão formada por Léon Mba, com o presidente da Assembleia Legislativa Paul Gondjout e vários outros políticos, como Félix Adande-Rapontchombo, Eugène Amogho, André Gustave Anguilé, Pierre Avaro, Jean Aveno Davin, Birinda de Boudieguy, Jean Félix Mba e N'Nah Bie, partem de Librevile para Paris. A delegação francesa era liderada por Michel Debré, primeiro ministro do General de Gaulle.