The MDNA Tour foi a nona turnê da cantora estadunidense Madonna, feita em suporte ao seu décimo segundo álbum de estúdio MDNA (2012). A excursão percorreu arenas e estádios pela Ásia, Europa, América do Norte e do Sul ao longo de 88 concertos, começando em 31 de maio de 2012 no Itztadion Ramat Gan em Ramat Gan, Israel, e encerrando-se em 22 de dezembro do mesmo ano no Estadio Mario Alberto Kempes em Córdova, Argentina. Rumores de que a artista embarcaria em uma excursão começaram no início de 2011, contudo, a confirmação apenas ocorreu no ano seguinte, após sua apresentação durante o show do intervalo do Super Bowl XLVI. Em sua quinta colaboração com a Live Nation, Madonna levou a The MDNA Tour a diversos países da Eurásia e das Américas, e regiões que ainda não havia se apresentado, como Escócia, Emirados Árabes Unidos, Ucrânia e Colômbia. Foi também a segunda vez que a artista se apresentou na Turquia após a The Girlie Show em 1993. Uma série de concertos na Austrália foi planejada para o início de 2013, mas acabou sendo cancelada.
Descrita como "uma combinação entre o teatro musical cinematográfico, e, ocasionalmente, arte performática", os espetáculos foram divididos em quatro segmentos temáticos: Transgression, Prophecy, Masculine/Feminine e Redemption. Enquanto, os figurinos foram concebidos por estilistas como Arianne Phillips e Jean Paul Gaultier. A turnê foi recebida com análises positivas de críticos de música e entretenimento, que destacaram a sua estrutura e apresentações, mas a ausência de sucessos antigos e a inclusão de faixas de MDNA no repertório, foram criticadas. A The MDNA Tour foi marcada por controvérsias devido ao uso de armas de fogo, violência, nudez e o teor político das declarações de Madonna. Marine Le Pen, política francesa de extrema-direita, moveu uma ação judicial contra Madonna após a exibição de um vídeo no qual a artista a comparava a Adolf Hitler. Na França, o concerto realizado no teatro Olympia, em Paris, gerou descontentamento entre os fãs por sua curta duração. Ao apoiar abertamente o grupo feminista Pussy Riot, criticar as leis "anti-gay" e marginalização da comunidade LGBTQ+ na Rússia, a atitude da cantora desencadeou uma série de críticas vindas da extrema-direita conservadora do país.
Após sua conclusão, a The MDNA Tour arrecadou 305,2 milhões de dólares com 88 apresentações, sendo a turnê mais lucrativa de 2012 e tornou-se a décima de maior bilheteria de todos os tempos. Madonna também venceu o troféu de Melhor Artista em Turnê durante o Billboard Music Awards de 2013. Os dois concertos realizados no American Airlines Arena, em Miami, foram gravados e em seguida transmitido sob o título de Madonna: The MDNA Tour pelo canal a cabo Epix. Um álbum ao vivo, intitulado MDNA World Tour, foi lançado no dia 10 de setembro de 2013 em vários formatos: CD duplo, DVD e Blu-ray.
Antecedentes miniatura|direita|230px|Madonna se apresentando durante o show do intervalo do Super Bowl XLVI, dois meses antes de iniciar a The MDNA Tour. Em 31 de janeiro de 2011, a MTV News informou que Madonna estava planejando sair em turnê com o elenco da série de televisão norte-americana Glee, mas este rumor foi desmentido por fontes próximas da cantora. Em outubro, o fã site DrownedMadonna divulgou um cronograma de uma suposta turnê, com apresentações em Auckland, Singapura, Tailândia, Filipinas, China, Coreia do Sul, Japão, Abu Dhabi e Tel Aviv. Posteriormente, Liz Rosenberg, publicitária de Madonna, negou a veracidade da informação. Um mês depois, Madonna fez uma parceria com a Smirnoff para criar o concurso global de dança "Smirnoff Nightlife Exchange Project". No Roseland Ballroom, em Nova Iorque, ela, acompanhada por seus coreógrafos e pelo empresário Guy Oseary, fizeram audições com vários dançarinos e o ganhador teria a oportunidade de integrar sua próxima turnê. Charles "Lil Buck" Riley foi o vencedor do concurso, sendo selecionado entre onze finalistas.
Em 5 de fevereiro de 2012, Madonna se apresentou no show do intervalo do Super Bowl XLVI no Lucas Oil Stadium em Indianápolis, Indiana. No dia seguinte, foi divulgado as primeiras datas da turnê, intitulada "2012 World Tour". Arthur Fogel, executivo da Live Nation, afirmou que essa seria a turnê de Madonna com o maior número de apresentações. Percorrendo 26 nações da Europa antes de seguir para as Américas e finalizando na Austrália no início de 2013. Essa seria a segunda que a artista se apresentaria na Austrália após a The Girlie Show em 1993. Os concertos foram agendados em arenas, estádios e "locais ao ar livre", como o Plaines d'Abraham, na cidade de Quebec. O décimo segundo álbum de estúdio de Madonna, MDNA, foi lançado em 26 de março de 2012. No dia seguinte, através do Twitter a artista celebrou o lançamento do disco, interagiu com os fãs e divulgou o nome da excursão: The MDNA Tour. Nos Estados Unidos, os ingressos adquiridos virtualmente davam direito, como bônus, a uma cópia digital ou física de MDNA. Segundo Fogel, cerca de 30% dos adquirentes solicitaram o álbum gratuitamente. O The Wall Street Journal informou que entre 200 e 250 mil cópias foram distribuídas junto aos ingressos.
No dia 18 de julho, foi anunciado o cancelamento dos concertos na Austrália. Um porta-voz declarou que "a turnê de Madonna terminará na América do Sul em dezembro, conforme o previsto. Isso é tudo o que podemos dizer". A notícia foi recebida de forma negativa pelos fãs australianos, que manifestaram sua frustração nas redes sociais. Então, a cantora divulgou um áudio no YouTube se desculpando com os fãs. Na gravação, enfatizou que seus filhos são sua prioridade e compartilhou as dificuldades de conciliar a vida artística com a maternidade. "Por favor, me perdoem. Quando eu for à Austrália, farei a espera valer a pena com um concerto espetacular. Não me esqueci de vocês", declarou.
Desenvolvimento Concepção e ensaios
A The MDNA Tour foi a quinta turnê de Madonna em colaboração com a Live Nation, sendo inicialmente discutida no verão de 2010, após diversas conversas entre o arquiteto Mark Fisher com Guy Oseary e Arthur Fogel. Jake Berry, que trabalhou na excursão U2 360° Tour (2009–2011) da banda irlandesa U2, também participou das reuniões iniciais, com a estrutura financeira e logística sendo definidas no final daquele ano. Fogel destacou que as turnês de Madonna evoluíram para verdadeiros "marcos culturais", distinguindo-se como uma forma singular de atingir o público-alvo e gerar ampla cobertura midiática. Em um bate-papo no Facebook com Jimmy Fallon, Madonna revelou que não repetiria nenhuma das apresentações do Super Bowl na digressão, a qual descreveu como "uma combinação entre o teatro musical cinematográfico, e, ocasionalmente, arte performática". Afirmando ainda que os concertos seriam estruturados em quatro segmentos temáticos – Transgression, Prophecy, Masculine/Feminine e Redemption –, característica comum em suas turnês. Incluindo que o espetáculo seria "bastante violento". Para a excursão, Jamie King foi selecionado como diretor artístico, Kiley Dean e Nicki Richards como vocalistas de apoio, Monte Pittman (que já havia trabalhado com Madonna) como guitarrista, além de contar com mais de 15 dançarinos. A cantora convidou o slackliner Andy Lewis para integrar a turnê, mas o mesmo acabou recusando a oferta. A banda basca Kalakan, a qual a musicista teve conhecimento enquanto estava de férias em Guéthary, foi contratada para se apresentar com ela durante a versão retrabalhada de "Open Your Heart".
Ainda durante a pré-produção, os ensaios ocorreram em um armazém desativado em Manhattan, adaptado como um estúdio. Em 27 de maio de 2012, os dançarinos começaram a ensaiar com a montagem completa do palco no Nassau Veterans Memorial Coliseum, em Uniondale. A qual Madonna caracterizou como "brutais" e "violentos", divulgando, por meio de sua conta no Facebook, fotos que evidenciavam hematomas em seu corpo. Imagens e vídeos dos ensaios no Itztadion Ramat Gan, em Tel Aviv, foram divulgadas na internet, confirmando a inclusão de canções como "Celebration" e "Express Yourself", sendo esta última apresentada em uma mescla-musical com "Born This Way" (2011), de Lady Gaga, cuja progressão de acordes de ambas é similar. Vários repertórios também circularam na internet, até que, em 14 de maio a MTV divulgou oficialmente as canções presentes na turnê. A The MDNA Tour teve início no dia 31 de maio de 2012 em Tel Aviv, sendo concluída em Córdova em 22 de dezembro. Ao explicar sua escolha de iniciar a turnê em Israel, Madonna afirmou: "Decidi começar aqui [em Israel] por uma razão muito específica e significativa [...] o Oriente Médio e os conflitos que ocorrem nessa região há milhares de anos têm que chegar ao fim".
Palco e figurinos A empresa Stageco foi responsável pelo desenvolvimento, fabricação e montagem do palco utilizado na The MDNA Tour, que foi projetado em forma triangular e contava com uma passarela que circundava a área VIP central, elevando-se a 2,4 m acima do público. Além de contar uma matriz de elevadores e dois "carrinhos de mineração" que corriam sobre trilhos em áreas baixas demais para caminhar e que eram empurrados para ganhar impulso. Sua estrutura de seis andares de altura garantia que até mesmo os espectadores mais distantes pudessem ter uma visão clara de Madonna. Uma coberta feita com estrutura inflável, composta por 11 almofadas cheias de ar e com cerca de 1.100 m², foi utilizada para os concertos ao ar livre. A estrutura, desenvolvida sob medida, destacava-se pela facilidade de montagem e pela proteção oferecida contra condições climáticas, sendo fabricado pela Buitink Technology em colaboração com a European Future Structures NV.
miniatura|direita|200px|Para a apresentação de "Vogue", Madonna usou um espartilho cônico criado por Jean Paul Gaultier. O palco contava com oito telões de vídeo rotativos e rastreáveis, considerados os maiores já criados para um espetáculo. Destacava-se também uma matriz de elevadores multicoloridos de LED, desenvolvida pela Tait Tower, composta por 36 cubos que se deslocavam verticalmente até 2,5 metros, permitindo a formação de superfícies planas, plataformas elevadas, degraus ou escadas. A turnê contou com diversos acessórios e cenários, a exemplo de um turíbulo, um confessionário de grandes proporções, um quarto de motel móvel, armas cenográficas – como um fuzil Kalashnikov e Uzis – além de lustres e espelhos cinéticos. Quatro aviões foram necessários para transportar a estrutura entre os países.
Dentre os estilistas que trabalharam nos figurinos da turnê, estavam Arianne Phillips, Jean Paul Gaultier, Jeremy Scott e Alexander Wang. A Dolce & Gabbana concebeu os trajes usados pela banda e pelas vocalistas de apoio, enquanto 700 pares de sapatos foram fornecidos pela Prada, Miu Miu e Truth or Dare. Entre os figurinos criados por Phillips, estão um vestido confeccionado em malha de metal com cristais Swarovski, inspirado em Joana D'Arc, e uma vestimenta de majorette dos anos 40. A qual destacou que um dos aspectos mais admiráveis da cantora é sua "criatividade prolífica"; "seja na direção de projetos ou em seu trabalho artístico durante uma turnê, a atenção meticulosa aos detalhes é a mesma". Para a apresentação de "Vogue", Jean Paul Gaultier criou um espartilho cônico complementado por uma camisa branca, gravata preta e luvas longas. O traje é uma referência ao usado por Madonna durante a Blond Ambition World Tour (1990), "mas refeito em três dimensões, com acabamento interno em couro metálico e couro envernizado no exterior", segundo o estilista. Além disso, a grife Hervé Leger by Max Azria desenvolveu arnês sob medida, a Truth or Dare criou lingeries exclusivas e a J Brand fabricou diversos pares de jeans customizados. Ao longo do espetáculo, a cantora trocava de figurino oito vezes.
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