The House of the Seven Gables é um romance gótico escrito em 1851 pelo escritor americano Nathaniel Hawthorne e publicado no mesmo ano pela Companhia Editora Ticknor and Fields, de Boston. Hawthorne explora temas envolvendo culpa, retribuição e expiação em uma família da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos, colorindo seus relatos com sugestões de ordem sobrenatural e bruxaria. A história foi inspirada em uma Casa de Sete Torres existente em Salem, pertencente à prima de Hawthorne, Susanna Ingersoll, e pelos antepassados Hawthorne que desempenharam algum papel na caça às Bruxas de Salém, em 1692. O livro foi bem recebido quando da sua publicação, e mais tarde teve uma forte influência sobre o trabalho de H. P. Lovecraft. The House of the Seven Gables foi adaptada diversas vezes para o cinema e a televisão.
Sumário A história ocorre na metade do Século XIX, e relata fatos envolvendo a Casa das Sete Torres, desde a sua construção, no Século XVII, até o momento em que uma jovem parente, Phoebe, passa a morar com os velhos proprietários, dois irmãos angustiados sob o peso de um passado em que um deles foi condenado injustamente pelo assassinato de seu antepassado. Durante o relato, um romance entre o jovem inquilino Holgrave e Phoebe acontece, e no final os motivos da trama são revelados.
Enredo 1º capítulo: A velha família Pyncheon
O primeiro capítulo tem início com a história da velha casa da família Pyncheon, localizada na Pyncheon Street, na Nova Inglaterra. Relata como a casa substituiu a humilde cabana do primeiro ocupante daquelas terras, Mathew Maule, que construira ali sua cabana, então longe do povoado, ao lado de uma fonte natural de água. Com o passar do tempo, o sítio se tornou desejável ao Coronel Pyncheon, o puritano que pretendia se apossar dele, e o fez quando Maule foi acusado e executado por bruxaria. Na hora da execução, o condenado apontara para o Coronel e vociferara: “Deus há de fazê-lo beber sangue!”. No local da humilde cabana, Pyncheon mandou construir sua mansão, e o mestre carpinteiro da obra foi justamente o filho de Maule, Thomas, o melhor operário da região, que foi o arquiteto da Casa das Sete Torres. Quando a casa ficou pronta, foi programada uma grande festa, em que foram convidadas todas as pessoas importantes da região, inclusive o vice-governador. No dia da inauguração, porém, foi encontrado em seu escritório, morto, embebido em sangue; nunca se estabeleceu, no entanto, a sua verdadeira causa mortis, e todos lembraram, na ocasião, das palavras de Maule. Mathew Maule e sua descendência caíram no esquecimento, enquanto a casa dos Pyncheon foi passando entre os herdeiros do velho coronel, mas as terras sempre tiveram problemas para o estabelecimento da posse, por falta da documentação, a qual jamais fora encontrada. Dessas pretensões e lutas pelas terras, gerou-se a ilusão de importância da família, que foi transmitida de geração em geração. Um dos descendentes Pyncheon, em dificuldades financeiras, acabou abrindo uma loja em uma das faces da residência, mas após sua morte a loja foi fechada até o período em que a história começa, no segundo capítulo do livro.
2º capítulo: A pequena loja
Miss Hepzibah, velha solteirona descendente dos Pyncheon, agora habita sozinha a Casa das Sete Torres. Passa por dificuldades financeiras, e aluga uma das torres da casa para um rapaz, artista no daguerreótipo. Como única paixão, secretamente admirava e chorava mediante uma miniatura do retrato de um rapaz, que guardava em sua velha escrivaninha. Por questões financeiras, Hepzibah resolvera reabrir a loja numa das faces da casa, apesar de tal fato lhe ser extremamente pesado e humilhante.
3º capítulo: O primeiro freguês
Miss Hepzibah abre, com relutância, sua loja, mas se sente profundamente humilhada por ter que se submeter a tal situação, ainda sob a ilusão da importância do passado. Mr. Holgrave, o daguerreotipista, é o primeiro a vir até a loja, para cumprimentá-la e animá-la, observando que é o fim de uma época e o começo de outra. Quando o primeiro freguês surge, um menino, Hepzibah lhe dá o produto pedido de graça, ainda se sentindo humilhada. Aparecem outros fregueses, mas ela continua acreditando que a loja seria a causa de sua ruína moral e religiosa, mal contribuindo para sua subsistência.
4º capítulo: Um dia atrás do balcão
Enquanto está atrás do balcão, seu primo, o Juiz Jaffrey Pyuncheon, passa pela casa, observando-a, e ela procura sua miniatura do retrato, encontrando as semelhanças entre ambos. Outros fregueses apareceram, entre eles o velho Tio Venner, com quem Hepzibah tem amizade. No fim do dia, chega de surpresa em sua casa uma nova hóspede, a jovem Phoebe, pequena descendente dos Pyncheon de uma zona rural da Nova Inglaterra. Hepzibah resolve consigo mesma que Phoebe só ficará aquela noite.
5º capítulo: Maio e novembro
Contra as expectativas de Hepzibah, Phoebe Pyncheon se acomoda na Casa das Sete Torres como se estivesse em sua casa. Salienta, gentilmente, que quer trabalhar pelo seu sustento, apesar de Hepzibah observar que o Juiz Jaffrey Pyncheon, dono da mansão, pode não querê-la ali. Confidencialmente lhe mostra o retrato em miniatura, que é de Clifford Pyncheon, que Phoebe desconhece. Phoebe se mostra brilhante, jovial e prestativa, além de boa vendedora, tomando conta da loja. Hepzibah, apesar de considerá-la camponesa e não uma verdadeira “lady”, lhe confidencia histórias dos antepassados, entre eles a da linda Alice Pyncheon, que ali vivera há mais de cem anos, morrera de doença misteriosa, e fora dona do cravo que ora tocava. Conta-lhe, também, sobre o hóspede Mr. Holgrave, sobre o qual lera que andava fazendo discursos “sobre doutrinas dissolventes e selvagens”, e que ela acredita praticar magia negra e magnetismo em seu quarto solitário.
6º capítulo: A Fonte Maule
Phoebe se adapta à casa, e vai conhecer o jardim, que admira por estar bem cuidado. Enquanto trata das aves do galinheiro, é surpreendida pela chegada de Mr. Holgrave, que conversa com ela e confessa ser ele a cuidar do jardim. Ele a convida para ver suas produções de daguerreotipista, e mostra-lhe uma miniatura que ela considera semelhante ao velho quadro do antepassado que Hepzibah tem na sala. Phoebe comenta sobre a miniatura que Hepzibah lhe mostrou e Holgrave fica curioso e interessado, pois nunca a viu. Holgrave comenta, sem cerimônias, que deixará o jardim e as aves aos cuidados de Phoebe, para ela ter uma ocupação, e que ambos serão camaradas cultivadores, como no comunismo. Após trabalharem, quando Holgrave se retira, diz a ela, em tom brincalhão, que nunca deverá beber água na fonte Maule, nem lavar lá o seu rosto, pois a água é enfeitiçada. Quando Phoebe entra em casa, tem a impressão de ouvir, na escuridão da sala, uma voz estranha, que não provinha de Hepzibah e, já no quarto de dormir, tem a impressão de ouvir passos leves e hesitantes subindo a escada, seguidos pelos sussurros de Hepzibah.
7º capítulo: O Hóspede
Phoebe ajuda Hepzibah a preparar o café da manhã para um misterioso hóspede, que ao chegar é apresentado como Clifford Pyncheon, e nele Phoebe reconhece, apesar de já avançado em idade, o jovem do retrato em miniatura que Hepzibah sempre carrega consigo. O hóspede se alegra ao ver Phoebe e faz a refeição com elas. Quando a campainha da loja toca, Hepzibah confessa a Clifford que as dificuldades financeiras a fizeram reabrir a loja, e ele se surpreende com a pobreza, mas aceita e se conforma com a situação.
8º capítulo: O Pyncheon atual
Phoebe está atendendo a loja, e descobre através de um pequeno freguês que Clifford é irmão de Hepzibah. Quando entra um senhor na loja, em quem Phoebe reconhece muitos dos traços do retrato do velho Coronel Pyncheon, chegando a compará-los, ele se apresenta como Juiz Jaffrey Pyncheon, seu parente. O Juiz quer entrar na casa, mas Phoebe fica temerosa; Hepzibah tenta impedir que ele entre, apesar de esse tentar convencê-la de suas boas intenções e convidá-la, e ao seu irmão, para que fiquem em sua casa de campo. Clifford ouve a confusão e implora para que não deixem o Juiz entrar. Phoebe fica confusa sobre a situação, sobre a angústia de Hepzibah e Clifford mediante o visitante, e não sabe julgar sobre a verdadeira personalidade do Juiz, que acaba se retirando.
9º capítulo: Clifford e Phoebe
Hepzibah está disposta, de todas as maneiras, a tornar mais feliz a vida de seu novo hóspede e irmão Clifford. A presença de Phoebe na Casa das Sete Torres ilumina a vida de Hepzibah e Clifford, que se apega a ela pelo desejo da beleza e da simplicidade. Aos poucos a alegria de Phoebe transforma a casa, e ela se apega, também, a Clifford, sem entender, no entanto, quais são os motivos de sua angústia. Hepzibah e Phoebe se revezam no cuidado da loja e de Clifford.
10º capítulo: O Jardim Pyncheon
Aos poucos, a presença de Phoebe tira Clifford do torpor em que se encontrava. Ela passa a se ocupar do jardim e das aves, juntamente com Holgrave. Phoebe, Clifford, Hepzibah, Holgrave e Tio Venner passam a se reunir, frequentemente, no jardim dos Pyncheon, e a alegria começa a voltar à Casa das Sete Torres.
11º capítulo: A janela da sacada
Phoebe, aos poucos, leva Clifford a observar a rua, o mundo, através da janela da sacada, tentando despertar nele a alegria, o amor à vida e o raciocínio. Observando a rua, Clifford percebe que as pessoas passam, se divertem, e em certa data, um sabá, quando Phoebe vai para a rua para passear, os dois irmãos, Hepzibah e Clifford, tentam sair um pouco, ir até uma igreja qualquer, mas retrocedem, com medo dos transeuntes. Clifford, aos poucos, redescobre o mundo, mas tem atitudes infantis, antigas. Um dia, faz bolhas de sabão na janela, quando, envergonhado, é surpreendido pelo Juiz Pyncheon.
12º capítulo: O daguerreotipista
Phoebe, apesar de cuidar de Hepzibah e Clifford, não se atém aos limites da mansão Pyncheon, e ocupa as tardes livres consigo mesma. O daguerreotipista é o único jovem com quem tem convivência e, apesar das diferenças entre eles, Holgrave vai, aos poucos, revelando trechos de sua vida. Revela ser de família humilde, frequentara a escola pública, e já fora professor rural, vendedor de loja, redator político de um jornal, dentista prático. Também viajara muito, pela Nova Inglaterra como propagandista de uma fábrica de perfumes, e pela Europa, a bordo de um navio. Passara, também, algum tempo em uma comunidade de adeptos de Charles Fourier, além de dedicar-se ao mesmerismo; atualmente é daguerreotipista para ganhar seu sustento, não descartando, porém, a possibilidade de mudar, a qualquer momento, de profissão. Em meio a todas essas funções, no entanto, demonstra equilíbrio, e Phoebe fica intrigada pelo fato de seus códigos diferirem dos de Holgrave. Ele se interessa pela família dela mais em termos de alimento mental do que pelo coração. Otimista, ele imagina que todo o passado bolorento se haverá de desmoronar, as instituições agonizantes serão desfeitas e que tudo poderá recomeçar. Holgrave e Phoebe conversam, assim, sobre a influência do passado, e ele confessa ser também escritor, e ter escrito epsódios da família Pyncheon para uma revista. Phoebe se interessa e ele traz seus manuscritos para que ela os leia.
13º capítulo: Alice Pyncheon