thumb|300px|Beija-mão durante a Aclamação de D. João IV em 1640 O beija-mão é uma tradição de reverência a personalidades eminentes, praticada em várias culturas desde tempos remotos.

Na cultura lusófona suas origens são medievais, sendo um costume da monarquia portuguesa em Portugal depois herdado pela corte imperial brasileira. O beija-mão era uma cerimônia pública em que o monarca se colocava em contato direto com o vassalo, o qual, depois da devida reverência, podia aproveitar a ocasião para solicitar alguma mercê. A cerimônia tinha grande significado simbólico, lembrando o papel paternal e protetor do rei, invocava o respeito pela monarquia e a submissão dos súditos. Era grande o fascínio que exercia sobre o povo. No tempo de Dom João VI havia um protocolo preciso a ser seguido: a pessoa se aproximava, ajoelhava diante do rei, e beijava-lhe a mão estendida. Então levantava-se, fazia outra genuflexão e se retirava pelo lado direito.Casa Real: Nascimento do Príncipe da Beira: Beija-mão. O Arquivo Nacional e a História Brasileira

miniaturadaimagem|300px|Registro da cerimônia do beija-mão na corte carioca de D. João VI, um costume típico da monarquia portuguesa Dom João VI recebia seus súditos todas as noites, salvo domingos e feriados. Era sempre acompanhada com música e às vezes a cerimônia se estendia por longas horas, dada a grande afluência de pessoas. Chegava a receber 150 pessoas por dia. José Antonio de Sá elogiou as audiências afirmando que Dom João "exercita o amor, e a confiança para o Soberano, e contém os ministros". Outra lembrança foi deixada por Henry L’Evêque: "o Príncipe, acompanhado por um Secretário de Estado, um Camareiro e alguns oficiais de sua Casa, recebe todos os requerimentos que lhe são apresentados; escuta com atenção todas as queixas, todos os pedidos dos requerentes; consola uns, anima outros.... A vulgaridade das maneiras, a familiaridade da linguagem, a insistência de alguns, a prolixidade de outros, nada o enfada. Parece esquecer-se de que é senhor deles para se lembrar apenas de que é o seu pai".Carvalho,Marieta Pinheiro de. D. João VI: perfil do rei nos trópicos. Rede Virtual da Memória Brasileira. Fundação Biblioteca Nacional, 2008 Oliveira Lima registrou que Dom João VI tinha um deleite especial na cerimônia, onde se misturavam livremente nobres e plebeus, e, "dotado da prodigiosa memória dos Braganças, nunca confundia as fisionomias nem as súplicas, e maravilhava os requerentes com o conhecimento que denotava das suas vidas, das suas famílias, até de pequenos incidentes ocorridos em tempos passados e que eles mal podiam acreditar terem subido à ciência d'el-rei".Lima, Manuel de Oliveira. D. João VI no Brasil. Vol. II. Rio de Janeiro: Typ. do Jornal do Commercio, de Rodrigues, 1908. p. 859

O beija-mão no Brasil deu origem ao primeiro sistema de transporte público instalado no país. Dom João muitas vezes se deslocava até a Fazenda de Santa Cruz, distante da cidade, o que tornava o acesso difícil. Como muitos não dispunham de um transporte, em 1817 Sebastião Fábregas Surigué obteve o privilégio de explorar um serviço de coches entre a cidade e Santa Cruz, e também para a Quinta da Boa Vista, outra das residências reais, que na época ficava na periferia.As diligências do beija-mão. Museu Virtual do Transporte Urbano. Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano

Seu filho Dom Pedro I,Silva, Luiz Geraldo. História do Brasil II - Símbolos e emblemas do primeiro reinado. Universidade Federal do Paraná e seu neto, Dom Pedro II,Rocha, Levy. Viagem de Pedro II ao Espírito Santo. Vitória: Secretaria de Estado da Educação/Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, 2008. 3ª Edição, p. 70 mantiveram o hábito. Em Portugal, o costume foi abolido por D. Pedro V, que entendia o cerimonial como um ato de servilismo indigno de qualquer homem.

Ligações externas Exposição Internacional "Um Novo Mundo, Um Novo Império: A Corte Portuguesa no Brasil", com foto do trono usado no beija-mão

Categoria:História do Brasil Categoria:Folclore do Brasil Categoria:Cerimónias